sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

047 - "... para te irem ao... qualquer um serve!"


Mariana

Como seria de esperar a bomba acabou por estourar por completo, só se falava da suspensão do Ruben e das possíveis razões para lhe ser instaurado um processo disciplinar, tentei não alterar muito o meu dia-a-dia mas ao perceber que o Ruben estava cada vez mais abatido com esta história toda falei com o meu tio e com o consentimento dele coloquei férias para assim o acompanhar de perto.
Acabamos por decidir ir passar os últimos dias do ano fora de Portugal, pelo menos assim podíamos respirar um pouco sem estarmos constantemente a ser relembrados do que se tinha e continuava a passar. Os dias que tivemos longe serviram sobretudo para namorarmos e aproveitarmos para nos divertirmos mas assim que regressamos a Lisboa o filme de terror, como eu o apelidei, voltou a fazer parte da nossa vida, durante os dias que se seguiram era constante ver noticias a surgirem sobre ele mas sinceramente nem foi isso que mais incomodou, para mim o inaceitável foi mesmo ter que vê-lo a treinar sozinho para não perder a condição física.
Os dias tornaram-se num tormento, primeiro porque por muito que tentasse não consegui abstrair-me por completo do que se escrevia e se dizia sobre o Ruben e depois com a ausência de desenvolvimentos, a verdade é que os dias passavam e não havia forma de se saber o desfecho de toda a situação, tentei como é óbvio apoiá-lo ao máximo e para isso mudei-me de “armas e bagagens” para a casa dele, no entanto até isso trouxe-nos problemas, o meu pai não gostou e fez questão de o dizer mas preferi não ligar.
O dia vinte sete chegou e apesar da vontade do Ruben em comemorá-lo não ser nenhuma consegui convencê-lo a fazer um jantar para a família e amigos chegados, este foi lá em casa e serviu para pelo menos durante umas horas se distrair.

Maria

Foi impossível não ficar um pouco magoada com o João quando o vi colocar em causa a minha fidelidade, mas ele soube fazer-me esquecer o sucedido, embora a sua justificação para tanto stress me tenha deixado ainda mais aflita. Se havia preconceito que eu conseguia agora perceber era o de as sogras serem umas “cobras” irra que a mãe do João se pudesse... nem quero imaginar o que me faria só para não fazer parte da vida do filho.
Os dias foram passando e a tranquilidade era total no reino das Mendes até que num acto menos pensado do Ruben a paz esfumou-se.
Era por mim conhecido, quer de forma pessoal quer profissional, o descontentamento do Ruben perante o que vivia este início de época e mesmo o facto de colocar a hipótese de poder vir a sair ou de se ter arrependido por momentos não o ter feito quando existiu a possibilidade no verão. No entanto tudo estava a ser gerido para que se resolvesse da melhor forma possível para todos os lados. Até ao final daquele jogo em que o Ruben pura e simplesmente quebrou. Não tinha ido ver o jogo, apesar de o ter visto na tv em casa quentinha no sofá com o João e assim continuei até o telemóvel tocar do “outro lado” tinha o Ruben em completo desespero, a contar-me uma cena mais ou menos surreal, acabei por tentar acalma-lo e pedir-lhe que me explicasse e eu tentei aconselha-lo da melhor maneira que sabia quer como amiga quer como gestora. Enquanto falava com ele ia ouvindo o sinal de chamada em espera, espreitei vi que era o meu tio imaginei o assunto e ignorei assim que a chamada com o Ruben terminou
- Liga ao Ruben, fala com ele... - o João olhava-me na expectativa de perceber o que se passava - ele que te conte o que se passou, tenta perceber onde está e com quem... - o João pegou no telemóvel e iniciou a chamada e eu liguei para o meu tio
- Maria... temos trabalho o…
- O Ruben estoirou! Já sei não atendi porque estava ao telefone com ele...
- Ah ok... o que ele te contou? - contei tudo o que me tinha sido transmitido
- Tio o que é que fazemos agora?
- Sabes que é decisão tua
- Minha?!
- Sim, é uma pasta tua
- Ok vamos ver o que acontece nos próximos dias, mas...
- Exactamente, prepara o mas... - era disto que gostava com o meu tio éramos telepáticos
- Ok qualquer novidade aviso, faz o mesmo
- Ok
Desliguei e o João continuava a falar com o Ruben. Acabei por passar a noite em casa do João. Para no dia seguinte começarem as movimentações para tentar resolver a situação. Até ao Natal tudo foi calmo e tirando a tremenda apatia e “ausência” do Ruben tudo estava aparentemente normal.
Na véspera de Natal passei o dia enroscada ao João no sofá mas este, tal como em todas as outras vezes que assistiu ou presumiu a existência de contactos começou a fazer caretas assim que atendi o telefone que já tinha um toque específico para quando era o Sérgio a ligar-me
- Hola cariño!
- Hola Princesa! ¿Cómo estás? Te estoy molestando?
- Está tudo bem! Não, não incomodas nada! Mas a que devo a honra desta chamada?
- Sé que en Portugal dan importancia a la Navidad y quería darte un beso. Te echo de menos y quería saber tus noticias
- Oh obrigada... está tudo bem altura de começar a trabalhar este mês de Janeiro é sempre uma loucura... por falar nisso não estás a pensar mudar de ares não? - ouvi-o gargalhar
- No, no quiero irme de aquí, pero si quiero hablar con usted antes de...
- Muito bem! Olha e quando é que me vens visitar?
- ¿Es eso una invitación? Una vez que tenga un descanso te prometo que lo haré!
- Boa! Traz o Iker e a Sara! Estou a dever-vos uma viagem turistica!
- Voy a hablar con ellos, entonces decirte. Ahora ya no ocupan. Un besazo ¡Feliz Navidad!
- Obrigada! Besazo!!
Desliguei e tinha o João a olhar para mim
- Que foi?
- Besazo! - ironizou
- Isso é tudo ciuminho é?
- Nop! Ele manda os “besazos” por telefone... eu dou!
- Estamos com a moral em alta... sim senhor...
- Não é só a moral! - falou num tom bastante insinuador enquanto me puxava novamente para o seu colo no sofá e iniciava um beijo que nos iria levar bem longe não ouvisse a porta a anunciar a chegada da Mari.
Assim que a vimos transpor a porta da sala questionamo-la sobre o Ruben e tal como esperava ele continuava em baixo, mas neste momento enquanto o processo disciplinar decorria eu não podia fazer grande coisa.
O João acabou por ir até casa dos pais onde passou a consoada e eu segui com a Mariana para casa dos meus tios.
Acho que apesar de todo o esforço realizado pela Matilde, nem eu nem a Mari estivemos muito presentes, além do físico, naquela mesa. Principalmente porque o meu pai e o pai dela adoram puxar o tema futebol para cima da mesa e claro está que o João e o Ruben são os primeiros a serem falados, esta noite assim que a conversa começou cortei-a
- A sério?!
- A sério o quê Maria? Vê lá o tom com que falas!
- Oh pai desculpa, mas é Natal está todos juntos... dá para falar de algo que não seja futebol? Preciso de um intervalo!
- Oh filha, mas tu sempre gostaste e até estávamos a falar do Sporting e do João!
- Mais uma razão! Preciso de um intervalo... não que me importe que falem no João e no Sporting... para mim é-me igual, mas já sei que o próximo assunto a ser puxado é o Ruben e vocês todos sabem que é um assunto sigiloso e eu não vou dar detalhes... já para não falar que dispenso as alarvidades que vão sair da boca do tio Manel
- Maria Micaela olha o respeito
- António desculpa intrometer-me, mas a Maria tem razão - o meu tio Jorge interveio - Estamos a falar de um assunto que neste momento faz parte do nosso sigilo profissional e todos sabemos como o Manel consegue ser inconveniente
- Oh claro agora já não se pode ter uma opinião contrária às meninas que os temas passam a ser tabu...
- Sabem o que mais eu já não tenho fome e para evitar estragar a noite, vou até ali ver um bocado de tv - levantei-me e eles continuaram com o tema enquanto eu via um pouco de tv até chegar a meia-noite.
Depois de distribuídos todos os presentes e assim que tive hipótese despedi-me de todos e segui para o melhor sitio do mundo, a minha caminha. E no dia seguinte acordei com a bomba a estoirar. Ruben Amorim suspenso era notícia em todos os jornais e os telefones não deixaram mais de tocar.
Todo o meu mês de Janeiro foi passado dedicado ao Ruben, que ora era vendido para a Grécia, para Itália, Espanha, Rússia, Atrás-do-sol-posto ou ficava mediante determinadas imposições e enquanto tal era discutido ele continuava impedido de entrar nas instalações do clube e por isso ia treinando sozinho.
Neste ambiente chegamos ao meu aniversário.
Passei o dia a trabalhar e a receber as constantes mensagens de felicitações que apenas agradeci ao final do dia.
A noite foi passada em casa apenas na companhia do João, já que a Mariana não se afastava do Ruben algo que percebi perfeitamente.
O aniversário do Ruben apesar de contra a sua vontade também foi comemorado embora com um simples jantar com o intuito de o animar.
E assim chegou o ultimo dia de Janeiro acordei ceadíssimo era a ultima hipótese de resolver o assunto Ruben e felizmente já ao final do dia tal foi conseguido e vimos-lo assim partir rumo a Braga e felizmente na companhia, temporária, da Mariana que o acompanhou nos primeiros dias para o instalar e apoiar.

Ruben

Existe um ditado que diz algo do género de quanto mais se sobe maior é a queda e talvez seja mesmo essa a expressão popular que melhor define a volta que deu a minha vida, se por um lado o meu relacionamento com a Mariana a cada dia que passa se torna mais sólido por outro em termos profissionais não poderia estar pior. A verdade é que vi as minhas expectativas a serem desfraldadas a uma velocidade alucinante, lógico que não esperava ser titular indiscutível quando vinha de uma lesão gravíssima mas daí a jogar tão pouco ia uma grande distância, o desânimo deu lugar à desmotivação e a desmotivação à perca da razão, reconheço que a situação não deveria ter chegado onde chegou mas a verdade é que chegou e só restou-me sofrer as consequências.
O mês de Janeiro foi caótico, o arrastar da situação até à última fez com que pensasse vezes demais se o pai da Mari não terá razão quando afirma que não sou homem para a filha dele mas como esse pensamento vinha também se ia, talvez por tê-la do meu lado sempre muito serena e a apoiar-me incondicionalmente.
O 31 de Janeiro chegou e com ele a resolução do pesadelo em que vivi nos últimos meses, o Benfica chegou a acordo com o Sporting Clube de Braga para um empréstimo de época e meia, isto depois de renovar por mais um ano com o Benfica, lógico que a decisão de aceitar só a tomei depois de falar com a Mari que mais uma vez apoiou-me sem hesitar um segundo que fosse.
A divulgação do acordo não surpreendeu ninguém, afinal o cenário do empréstimo era o mais esperado mas o facto de ser o Braga gerou alguns comentários menos favoráveis, no entanto tentei não ligar muito para tal facto e nos dias seguintes preocupei-me foi em encontrar casa para assentar arraiais em Braga, vi algumas sempre acompanhado pela Mari que fez questão de estar presente nestes primeiros dias e após alguma discussão conseguimos encontrar um apartamento que agradasse aos dois, sim parece estúpido ter escolhido um que ambos gostamos uma vez que a Mari não virá para Braga mas foi a forma que o meu subconsciente arranjou para estar perto dela.
Os dias passaram e com o regresso da Mari a Lisboa os dias tornaram-se ainda mais “cinzentos” apesar de ter hipóteses de começar a jogar com alguma frequência continuava abatido talvez por estar longe daqueles que mais amo e nem o apoio do Nuno, bem como de outros colegas de equipa, ajudava pois quando ficava sozinho relembrava-me de tudo mas principalmente da Mariana, se não tivesse sido tão estúpido muito provavelmente hoje até poderíamos estar a viver juntos e no entanto estamos a quilómetros de distância.
Hoje acordei sem grande vontade para sorrir afinal comemora-se o dia dos namorados e nem ver a Mariana vou conseguir, se já estava desanimado ainda consegui ficar pior quando juntei-me ao pessoal que já tomava o pequeno-almoço, eles estavam a revelar alguns dos planos que tinham para depois do jogo para a Liga Europa e mais uma vez dei comigo a “invejar” a sorte deles, acabei por afastar-me do grupo e regressar ao quarto que dividia com o Nuno, dado que estávamos em estágio.
- Puto vê se te animas... - o Nuno falou assim que entrou.
- Não tenho propriamente razões para sorrir - ripostei
- Deixa de ser parvo ou melhor mimado - olhei-o - sim que o teu problema é esse... tiveste mimo a mais e agora que te vês sem a mamã não sabes o que fazer! Ah e nem me olhes dessa forma que não tenho medo de ti...
- E se fosses atazanar o juízo a outro... não era bem melhor? Desaparece que não te pedi nada!
- Sim... continua assim que vais longe... quando reparares estás sozinho!
- Isso já estou!
- Obrigado pela parte que me toca! Ruben sinceramente nem sei como é que a Mariana ainda te atura... pareces um puto! Porra fizeste a merda agora só tens que sofrer as consequências mas era de homem se o fizesses de cabeça erguida mas não... preferes esconder-te que nem um puto quando faz borrada e depois corre para as saias da mãe! - não estava para aturar sermões e por isso levantei-me com a intenção de sair do quarto mas ao abrir a porta - sim é isso é... foge... continua a agir assim e quando deres por isso já não tens a Mariana... sinceramente não estou a vê-la a aturar estas atitudes por muito tempo... posso não conhecê-la muito bem mas não tem feitio para aturar birras!
Não respondi e saí mesmo do quarto, estava a precisar de apanhar ar e por isso fui até ao jardim do hotel, sentei-me num dos bancos e resolvi ligar à Mari mas ao contrário do habitual chamou por diversas vezes até que desisti, tentei não pensar nas palavras do Nuno mas tornou-se impossível, a duvida tomou conta de mim e agravou ainda mais quando recebi uma mensagem dela a avisar que estava numa reunião e que quando acabasse ligava, algo que não aconteceu até ao momento do jogo. Hoje como tem sido normal iniciei o jogo no banco o que serviu para continuar a matutar nas palavras do Nuno mas acabei por ter que esquece-las durante uns largos minutos uma vez que entrei no decorrer da segunda parte.
- És pior que as donzelas - olhei para o Nuno - vê se te despachas!
- Posso saber qual é a pressa?
- Olha que tal o facto de não teres carro e de alguém te ter que deixar em casa??? Caso ainda não tenhas percebido quero aproveitar o resto da noite com a Patrícia...
- Grande amigo que me saíste - resmunguei - a sério... obrigadinha por relembrares que quando chegar a casa estou sozinho enquanto vocês vão estar todos muito bem acompanhados... - o Nuno sorriu disfarçadamente mas ainda assim percebi - vá continua a gozar... rico amigo!
- Cala-te! E despacha-te que tenho mais que fazer!
- Podes ir... deixa que me desenrasco sozinho!
- Qual te desenrascas sozinho... despacha-te que deixo-te em casa!
Acabei por não responder e terminei de colocar o gel no cabelo para de seguida arrumar as cenas e sair atrás do Nuno.
- Onde vais? - questionei ao vê-lo a ir na direcção dos camarotes afinal sabia que a Patrícia não tinha vindo ao estádio - estás a ouvir? - insisti por não ter resposta da parte dele - para quem tinha tanta presa... - continuei a refilar enquanto o seguia - Então??? - reclamei porque o Nuno parou de andar de repente o que fez com que embatesse nele.
- Espero que te passe o mau humor... - sorriu - e vê se mudas essa cara!
- Epa sai da frente - falei ao desviá-lo e assim que entrei no camarote percorri-o com o olhar à procura da Patrícia, seria essa a única razão pela qual estaríamos ali, pelo menos era o que pensava até ter visto a Mariana que sorriu assim que os nossos olhos se cruzaram, aproximei-me de imediato dela com a intenção de toma-la nos meus braços mas...
- Já passou a birra? - a Mariana gozou - O meu bebé está tão mal habituado que depois faz birra quando uma pessoa não lhe retorna as chamadas - sorriu - vê se paras de moer o juízo às pessoas!
- Que bonito... o puto mais velho já fez queixinhas foi??? - entrei na brincadeira que foi continuada pelo Nuno
- Ups... acabei de ser apanhado!
- É o que faz serem os dois umas eternas crianças! - a Patrícia meteu-se na conversa e acabamos os quatro a rir enquanto seguíamos até aos carros.
- Oh vocês os dois... - o Nuno implicou ao reparar que tinha ficado para trás com a Mariana e quando já estava a “matar” saudades dos seus beijos - vejam lá o que fazem...
- Estás a querer dizer mesmo o quê?
- Oh Mariana... queres que te faça um desenho - gargalhou - olhem que não quero sobrinhos... - o Nuno meteu-se connosco.
- Podes dormir descansado que da minha parte não terás sobrinhos nos próximos anos! - retorqui de forma imediata e a conversa acabou por “morrer” até porque encaminhamo-nos para os respectivos carros - porquê que não avisaste que vinhas? - perguntei depois de a beijar.
- Porque só soube esta tarde! Ruben quando mandei a mensagem a dizer que estava em reunião não menti... estava mesmo a aturar o meu tio - sorriu - e mais outra pessoa.
- Mas podias ter ligado depois...
- Ya... mas preferi meter-me ao caminho e vir ter contigo mas se quiseres para a próxima limito-me a ligar!
- Hey... Mari... não vais aborrecer-te comigo - falei ao vê-la a virar-me a cara.
- Não estou aborrecida mas agradeço que pares com as cobranças...
- Desculpa - olhou-me e ao vê-la a sorrir percebi que não estava chateada - tens planos? - desviei a conversa antes que azedasse, afinal tenho consciência que hoje não estou nos meus melhores dias.
- Tenho! - sorriu.
A Mariana acabou por partilhar os seus planos para depois seguirmos caminho, a ideia era sair o quanto antes do estádio, afinal já tínhamos perdido tempo demais mas ao sair da garagem deparei-me com um grupo de adeptos.
- Importaste que pare? - perguntei afinal quem conduzia o carro dela era eu.
- Não... - apesar de não ter sido muito convicta acabei por parar para dar alguns autógrafos, lógico que por entre uma assinatura e outra ouvi alguns “piropos” aos quais só respondi com um sorriso ainda assim - vê lá senão queres convidá-la - ouvi mal fechei o vidro - é que podemos sempre inovar e fazer um mènage à trois...
- Proposta tentadora... vou voltar a trás! - gozei e ao olhá-la de relance percebi que não tinha achado piada nenhuma ainda assim...
- Então volta... hoje testamos com uma gaja e para a próxima fazemo-lo com um gajo... sim porque aqui à igualdade de direitos!!
- Desde que seja gordo e feio...
- Sabes... os gordos e feios também fazem o mesmo que os belos e esbeltos e depois para te irem ao... qualquer um serve!
- Ena... que hoje está de língua afiada!
- É só isso que tens a dizer??? É sempre bom saber que não recusas a ideia...
- Sabes... sempre tive uma mente aberta e... e depois não posso dizer que não gosto se não experimentar...
- Realmente... nada como experimentar... mas tu vê lá... depois ainda gostas e pode tornar-se perigoso... é que pronto num balneário cheio de gajos com elas à mostra não sei não... ah mas se é para experimentares que seja com o Rodrigo... é que assim fazemos um favor a ele já que o sonho dele sempre foi... e pelo menos sei que ficarás bem entregue ele é amoroso por isso irá tratar-te com muito cuidadinho...
- Já chega! Acabou a brincadeira!
- A sério??? Então também parou os sorrisinhos para as outras! Caso não te recordes tens namorada...
- Que amo acima de tudo e de todos - interrompi o seu discurso e percebi pelo sorriso que deixou escapar que ficou babadíssima com o meu desabafo que não é mais que a realidade - a sério? Mesmo sério tens ciúmes das miúdas?
- Miúdas? Só podes estar a gozar... aquela já deve ter idade suficiente para não seres acusado de pedófilo - gargalhei - não sei onde está a piada!
- Na volta que deste para dizer que a miúda é maior de idade - sorri ao vê-la mesmo aborrecida - e talvez tenhas mesmo razão e a miúda já ser mais velha mas sabes que não perco tempo a olhar para as fãs a menos que sejam crianças...
- Cantas bem mas não me embalas...
- Mariana... oh linda... amor - insisti uma vez que a Mariana teimava em olhar a escuridão pelo vidro lateral do carro - importaste de olhar para mim? - aproveitei que tinha acabado de estacionar para “obriga-la” a olhar-me - não tens razão nenhuma para teres ciúmes... ok não fui santo nenhum mas tanto quanto sei foste bem pior, além disso passado é passado, já lá vai e a nós só interessa o presente e o futuro, certo?
- Amas-me? - a pergunta dela atordoou-me talvez por não esperar que duvidasse dos meus sentimentos - Não respondes?

E agora??? Irá azedar de vez... e a ida da Mariana a Braga estragar a relação deles??? E a Maria e o João... será que a “paz” durará muito???

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

046 - "E tu ou és burro ou és um “coitado” e dos mansos!!"



Maria

Assim que entrei na enorme sala da casa do Cris acompanhada por ele fiquei um pouco incomodada, afinal nela estava a quase totalidade do plantel do Real Madrid. O anfitrião bem como o meu tio rapidamente me apresentaram todos os presentes, na sua maioria homens embora também por lá estivessem algumas das “wag” da equipa entre elas a Irina, a Carolina, a Andreia, a Ana (mulher do pepe) e a Sara com quem acabei por conversar mais.
Como o jantar não era de negócios, mas simplesmente de convívio o ambiente era bastante leve e ouviam-se aqui e ali algumas gargalhadas e muitas brincadeiras.
Tal como esperava depois de terminada a refeição o grande grupo acabou por se dividir em dois, homens num lado e mulheres no outro. Se com as Portuguesas me dei naturalmente bem, afinal temos um “adn” comum com a Sara criei uma empatia enorme o que levou a que passados alguns minutos de conversa em grupo acabássemos as duas por inconscientemente mantermos uma conversa apenas as duas, salteada por alguns momentos de conversas mais abrangentes aos restantes presentes.
Com o avançar da noite e as primeiras “desistências” voltou a formar-se novamente um único grupo bastante animado e quando estava eu em animada conversa com a Sara, o Iker e o Sérgio 
- Maria, vamos?
- Já?!
- Podes ficar... eu vou andando, amanhã encontramos-nos às 9h para o pequeno almoço na sala de refeições do hotel...
- Eu vou ficar sim... às 9h lá estarei... boa noite
- 9h de Madrid e não de Lisboa! Boa noite - despediu-se de todos e saiu.
A conversa continuou animada até que chegou a hora de tambem o Iker e a Sara sairem
- Bem... nós também vamos...- disse o Iker
- Sim amanhã tenho de estar em estúdio cedo - justificou-se a Sara
- Eu também vou... onde posso apanhar um taxi aqui?
- Taxi?!
- Sim! Tenho de voltar até ao hotel... e como vim com o meu tio...
- Nem penses que vais de taxi... eu levo-te - pegou na carteira e nas chaves, e junto com o Iker despediu-se dos colegas - Vamos?
- Oh Sérgio não é preciso, tu ainda ias ficar mais... eu vou de taxi sem problemas
- Nem pensar nisso se não fores com ele vais connosco, não vais agora de taxi sozinha...
- Oh então se não se importarem vou com vocês Iker...
- Agora fiquei ofendido! 
- Ofendido?!
- Sim... trocas-me assim 
- Eish temos aqui um dramaqueen e eu nem imaginava! Sim Sr... o menino Sérgio quando pendurar as chuteiras vai abraçar a representação!... - falei a rir - Agora falando sério eles vão de qualquer forma e tu não vais sair de propósito...
- Faço questão e não se fala mais nisso...
- Pronto já percebi que escuso de tentar fazer-te entender que estás a ser casmurro... -encolhi os ombros - por isso vou só despedir-me do Cris e podemos ir...
Despedi-me de todos e depois de explicar ao Cris que tinha mesmo quem me levasse e do próprio Sérgio garantir que me deixaria na porta do hotel lá saímos.  Entrei no carro depois do Sérgio me abrir a porta e assim que também ele entrou iniciou a marcha, e ao mesmo tempo iniciamos a nossa conversa que serviu para falarmos um pouco de cada um de nós extra-vida profissional, estava a adorar conhecer o Sergio e a nossa conversa fluía de forma muito natural. Já era um pouco tarde, mas como por entre a conversa ainda em casa tinha comentado que apesar de já ter estado em Madrid não tinha passado sequer rapidamente nos pontos históricos da cidade já que tinha ido sempre a trabalho, quando dou por mim o Sérgio estacionava o carro e sem me deixar dizer fosse o que fosse, saiu e abriu-me a porta para que o seguisse, sabia que não estava longe do Hotel pois nos trajectos que já tinha feito hoje já tinha passado por aquela praça
- Esta es la Plaza de Cibeles - disse-me imitando um guia turistico eu gargalhei

- Posso não ter tido tempo para grandes passeios, mas ai ainda chego... mas o que fazemos aqui?
- Vim levar-te ao Hotel!
- Que não é aqui! - disse olhando em volta vendo todos os cantos da praça
- Pues no! Es más allá!  - disse-me apontando para uma larga avenida
- Ah... ok... obrigada por me indicares o caminho... Buenas noches! - assim que me despedi iniciei uma caminhada na direcção indicada, caminhei ainda alguns, poucos, metros quando sinto a mão do Sérgio puxar-me de forma a que parasse
- ¿Crees que te dejaré ir sola? Ven te voy a mostrar algunas cosas, algunas porque es de noche, pero voy a estar con ustedes otra vez mañana durante el día para ver todo!
- E quem disse que eu queria fazer uma visita turística agora ou amanhã?!
- Yo!! Vamos! - estendeu-me a mão e quando juntei a minha puxou-me - Aquí está el Paseo del Prado. El hotel está en el extremo... - segui caminho com ele e voltamos à conversa que mantínhamos no carro e em menos de dez minutos estava na entrado do Hotel - Hemos llegado! 


- Gracias! Boa noite! - despedi-me dando-lhe dois beijos
- ¡Buenas noches! Mañana después del entrenamiento que te vengo a buscar
- Ai vens? - perguntei admirada com a segurança com que ele falava enquanto ele assentia com a cabeça novamente muito seguro- E quem disse que estou disponível? Estou aqui em trabalho tenho reuniões durante todo o dia!
- Tienes razón, yo te llamo para ver si la reunión ha terminado, pero para eso necesito su número de teléfono...- apesar de reconhecer que eu tinha razão, não perdeu nem por um segundo a segurança
- O meu numero é 00351 91******* 
- Gracias! Ahora sí hasta mañana! - sorriu deu-me um beijo na bochecha e seguiu na direcção do carro e quando já estava um pouco afastado voltou-se para trás e gritou - Beso!!!
Sorri e entrei finalmente no hotel. Assim que cheguei ao quarto e retirei o telemóvel da mala para programar o despertador deparei-me com dezenas de chamadas não atendidas algumas delas, a maioria do João, ignorei a hora e liguei-lhe, ainda esperei alguns segundos e quando já desistia
- Até que enfim! - refilou do outro lado da “linha”
- Boa noite João! - respondi logo “azeda”
- Boa noite?! Sabes há quanto tempo estou à espera de um “cheguei”
- Desculpa... cheguei e depois de arrumar as coisa por aqui dormi uns minutos e depois fui jantar a casa do Cris, cheguei agora...
- Agora?!
- Sim... tou mais morta que viva, ainda para mais o meu tio voltou mais cedo e o Sérgio é que me trouxe e fez-me andar um bocadinho que acabou comigo
- Sérgio? - notei-lhe um tom esquisito
- Sim o Sérgio... - percebendo que ele queria saber mais concretamente quem era - Ramos
- Ah... então andaste a passear foi?
- Sim, fiz o Paseo del Prado a pé até aqui, mas amanhã ele prometeu levar-me outra vez a ver porque durante o dia sempre podemos ter outra visão e eu quero ver os museus... - estava a falar toda animada, já que adoro viajar e então se for pelas grandes cidades europeias melhor ainda
- Não sabia que tinhas ido a passeio... pensava que tinhas muito para fazer com o teu tio... mas afinal foste passear e até já tens guia turístico 
- E sabes que vim trabalhar, mas também sabes que adoro passear e já que ele se ofereceu eu vou aproveitar...
- É...
- Bebé chorão vou desligar tou cheia de sono... liga-me amanhã!
- Bebé chorão?! Eu?! Deve ser!
- João tás a fazer birrinha sim! E até daqui consigo ver o biquinho de mimo que estás a fazer!
- Não tou nada! - fingiu voz de bebé o que nos levou os dois a rir e acabamos por nos despedir já de forma mais amorosa.
O dia seguinte passou entre reuniões de trabalho concretas, a discutir movimentações concretas (transferencias definitivas ou temporarias) e algumas renovações. Perto do final da tarde recebo uma chamada, a do Sérgio dizendo-me que me vai buscar em meia hora.
- Tiozinho do meu coração!
- Diz?
- Por hoje está encerrado o dia de trabalho!
- Ai está?
- Sim
- Posso sabes porquê?
- Porque o Sergio está a chegar, vou trocar de roupa e depois vou finalmente conhecer a cidade...
- Hummm... o Sergio... sei! Maria ouve o teu “sábio” tio... tem juizo!
- Oh tio agora ofendes-te-me!!
Realmente a insinuação do meu tio tinha-me deixado realmente ofendida e foi assim que o deixei na sua suite e fui para a minha onde me preparei para um tour pela capital espanhola

Quando cheguei ao hall do hotel já lá tinha o Sergio à espera e não estava sozinho trazia consigo o Iker e a Sara, juntei-me a ele e prontamente iniciamos aquilo a que apelidei de pequena (GRANDE) loucura, fazer um tour a pé pela cidade, mas ao contrario do que esperava foi tranquilo fazê-lo e percorrer os pontos mais imprescindiveis de se conhecer 


Escusado será dizer que conheci o estádio de uma ponta a outra...





E quando a fome já apertava perdi-me em “tapas”

A animação e as fotografias não faltaram durante toda a tarde e algumas foram mesmo partilhadas nas redes sociais dos quatro. Na minha em particular recebi alguns comentários do pessoal a “gozar” por andar a passear em vez de trabalhar e ainda a comentarem os meus guias.
Quando me sentei, e enquanto esperava pelas tão afamadas tapas, percebi do que andava a sentir falta (andava com a sensação de que algo me faltava durante toda a tarde). E liguei ao João, era isso que me faltava, ouvi-lo já que não podia estar com ele
- Buenas tardes cariño!! - gritei assim que percebi que do outro lado tinham atendido
- Desculpa, mas é engano! O numero do teu cariño é outro!
- Já te ouvi falar melhor!
- E eu tinha dispensado ver certas coisas... a tarde está animada... mas para tares a ligar para ele deves ter-te perdido não?! - falava irónico
- Não! Queria mesmo ligar para ti... falar contigo... mas já percebi que estás mal-dispostinho, por isso beijo... - não o deixei responder e desliguei
- ¿Estás bien? - a Sara, que era a única a acompanhar-me já que eles estavam a distribuir autógrafos, perguntou a sim que desliguei
- Sim tirando uma cena de ciumes do meu namorado porque parece que não gostou das nossas fotos... - falei desanimada, detestava que o João não tivesse a mínima confiança em mim - Mas espero que isto lhe passe depressa
- ¿Esperas que pasar rápidamente qué a quién?
- A su novio - a Sara respondeu de imediato ao Sérgio - que es un poco celoso después de haber visto las fotos de hoy
- Novio?! No sabía que tenía - comentou o Iker
- Yo sabía! - declarou o Sérgio - Es nuestro colega!
- Colega?
- Si María es la novia de un jugador del Sporting de Lisboa
- Que aparentemente está de birra - terminei a explicação do Sérgio com cara de quem estava a “relevar” a situação o que os levou a rir, mas na verdade tinha conseguido dar-me cabo da tarde.

João
Não me apetecia nada ter ficado sem a Maria nestes ultimos dias mais calmos antes do inicio do campeonato e andava com “má vontade” sobre esta ida dela a Madrid, não digo que tive um feeling porque isso é coisa de meninas, mas que algo me dizia que ia correr mal, lá isso me dizia!
E começou logo no dia da chegada quando só se lembrou de avisar que já tinha chegado altas horas da madrugada e ainda diz que tinha andado sozinha com o Sérgio Ramos, é que não arranjava outra pessoa sem ser um dos maiores “playboys” de Madrid. E se começou mal foi sempre piorando no segundo dia ao contrario do que me pediu não lhe liguei pois não queria interromper nenhuma reunião, mas a meio da tarde quando ligo o pc sou bombardeado com imensas fotografias dela por Madrid, com o amiguinho e ainda o Casillas e a Sara Carbonero. Fiquei toda a tarde a olhar o telemóvel para ver quando e se se lembraria de me dizer algo, acabou por fazê-lo perto da hora de jantar e admito que não reagi muito bem, mas também o que é que ela queria?!
Os dias foram passando e ela continuou a manter contacto com os outros três, como sei via as fotos e ela ia contando nos telefonemas que nunca deixou de fazer diariamente, se bem que ela fazia-os por obrigação, da mesma forma que eu os atendia. Estávamos na véspera de ela voltar e eu desejoso por a ter por perto e por falar com ela quando a minha mãe me entra pela casa dentro, e posso assegurar que se fosse o Furacão Katrina a fazê-lo a entrada tinha sido mais calma
- Boa tarde mãe tudo bem? - fui um pouco irónico já que assim que abri a porta ela voou em direcção da sala
- Boa tarde?! Então tu terminas o namora e não nos dizes? Estás bem? Apesar de já esperar isto sei que gostavas dela... -que perguntas eram estas?!
- Terminar?! Onde é que a mãe foi buscar essa ideia? Estamos um pouco chateados, mas é só...- não consegui acabar de falar a minha mãe jogou-me uma revista para cima da mesa

- Então é ainda pior do que eu pensava! Sim Sra a Mariazinha é um anjo! E tu ou és burro ou és um “coitado” e dos mansos!!
- Ei... ei vamos lá a acalmar que não estou a perceber nada!
- Olha aqui - a minha mãe abriu a revista e lá dentro tinha as várias fotografias que a Maria e os “amiguinhos” partilharam nas redes sociais e onde se podia ler qualquer coisa como
“Los jugadores Sergio Ramos y Casillas Iker haber pasado todo su tiempo libre para pasear por los lugares turísticos de la capital en compañía de la periodista Sara Carbonero y una joven desconocida.
Determinamos esto es Maria Mendes, la joven portugués vinculada a la agencia
de jugadores y parece ser la nueva pareja de Sergio Ramos.
El cuarteto está muy entusiasmado y los jugadores destilan simpatía por los fans”
Assumo que senti o chão fugir-me dos pés, mas não podia ceder em frente da minha mãe
- E tu acreditas nisto?! - joguei fora a revista - Eu já conheço todas essas fotos a Maria tem partilhado na net e também me conta o que tem feito sei que são só amigos...
- Acreditas no que me estás a dizer?! Olha que não parece nada!
- SAI! - a minha mãe saltou com a surpresa - Desculpa, mas se não te importas eu vou até ao treino - inventei para suavizar a minha reacção
- Claro... - a minha mãe pegou nas suas coisas e saiu deixando para trás a resvista. 
Li e reli o maldito artigo. Não sabia o que pensar nem em quem acreditar, acabei por falar com o Ruben e o Fábio ambos da opinião que eu, tal como os jornalistas, estava a ver coisas onde não haviam. Certo é que resolvi não atender as chamadas da Maria e voltar a falar com ela apenas quando esta regressasse.
E no dia da sua chegada, depois da Mariana me ter dito, a muito custo, a que horas a Maria aterrava esperei impacientemente que ela me dissesse algo e pouco tempo após o avião ter pousado ouvi a porta de casa abrir, estava na sala e levantei-me para ver quem era já que não esperava ninguém quando chego ao hall encontro a Maria a atirar as malas para o chão e assim que pressente a minha presença
- Ah tás vivo! Bom saber! - e vem para perto de mim talvez para um abraço e um beijo 
- É só isso que tens para me dizer! - falei enquanto me afastava
- João não estou a achar piada nenhuma a isto! Deixaste de atender o telefone e nem uma sms te dignaste a enviar e assim que chego a Lisboa venho ter contigo para saber o que se passa e tu vens com essa ironia toda... o que é que se passa? - ela estava nitidamente assustada
- Não sei diz-me tu! - atirei a mal-dita revista aberta no artigo que já tinha relido várias vezes, ela pegou-a olhou e disparou
- Já tinha visto! E já tinha colocado a hipótese de ser isto que se passava, mas sempre quis acreditar que me conhecia melhor que isto! - sentou-se no sofá e apoiou a cabeça nas mãos esteve assim alguns minutos e eu fiquei apenas a olha-la não sabia o que lhe dizer, era nítido pelo desespero dela que nada se tinha passado, mas o meu orgulho e as palavras da minha mãe “E tu ou és burro ou és um “coitado” e dos mansos!!” não me deixavam desculpar-me - é isto?! Vais ficar a olhar-me sem dizer uma palavra?! Acreditas nisto? Ok quem cala consente... - vi-a levantar-se e tomar a direcção da entrada onde pegou a mala de viagem e quando já abria a porta
- Maria! - ela ignorou-me - Maria espera! - puxei-a para mim - Não gostei... custou-me a engolir... mas nunca duvidei de ti... desulpa! - assim que falei não lhe dei hipótese de responder e beijei-a quando os nossos lábios se separaram - não tenho motivos para duvidar pois não? - olhou-me com um olhar fulminante
- Achas que se quisesse fazer fazia assim nos sítios mais movimentados de Madrid e ainda metia na net? - ficou a espera de uma resposta a única que lhe dei foi um beijo que ela não deixou ser longo para continuar - além disso quem é que em sã consciência troca o João Pereira pelo Sérgio Ramos hã?! Tomara o Mourinho fazer o contrario! 
- Também não precisas exagerar... - demos um novo beijo
- Não é exagero... ele é um tipo 5 estrelas, mas... hummm como é que eu digo isto... como é que alguém se impressiona com um 5 estrelas na rua se tem um 7 estrelas em casa? - gargalhamos
- 7 estrela é?!
- Tanto quanto me lembro sim.... muito perto das 8!
- Quanto te lembras?
- Sim tenho a memória fraquinha!
- Então vamos tratar dela?!
Não houve mais conversa iniciamos ali um beijo que nos levou pelo melhor caminho.
Os dias seguintes foram de regresso ao normal com tudo a navegar em aguas tranquilas até chegarmos a Dezembro.

Mariana
Depois dos anos do meu tio em que revelei ao meu pai que namoro com o Ruben nunca mais se tocou no assunto, sei que não está satisfeito porque na cabeça dele mais cedo ou mais tarde o Ruben irá desiludir-me mas prefiro fingir que não percebo o seu desagrado e assim evito novas discussões.
A Maria depois do aniversário do tio foi a Madrid a trabalho, quem não ficou satisfeito foi o João no entanto depressa lhe passou, eles tal como nós estão bem.
Os rapazes iniciaram a pré-época e por isso estivemos menos tempo juntos, confesso que as semanas que o Ruben esteve ausente custaram a passar, talvez por já estar habituada a vê-lo todos os dias, sim que se antes de assumir perante o meu pai que namoro já passava muitas noites com o Ruben, agora que a nossa família já sabe temos dormido praticamente todas as noites juntos, umas no meu apartamento outras no dele mas o certo é que já não estou habituada a dormir sozinha.
Finalmente a pré-época estava a terminar e o dia da apresentação aos sócios chegou, o Ruben conseguiu convencer-me a ir à Luz, onde vi a apresentação da equipa no camarote destinado à família e amigos dos jogadores, aquilo definitivamente não era ambiente para mim e só cedi por saber que infelizmente ainda não iria jogar apesar de subir ao relvado no inicio para ser apresentado tal como os outros todos. O jogo, esse, vi do seu lado e não nos privamos de trocar alguns mimos ainda que discretos.
No final da partida fui informada pelo Ruben que eles iam todos jantar e como tal estava convidada, acompanhei-o e a noite até foi divertida. 
Os dias deram lugar às semanas e as semanas aos meses, o Ruben já estava totalmente recuperado ainda assim pouco jogava, o lugar de suplente era a única garantia que tinha e isso estava a desmotivá-lo, principalmente nos jogos em que saía do banco para aquecer mas que depois acabava por não entrar, se ao início até entendia com o aproximar do final do ano tornou-se frequente ouvi-lo a barafustar, percebi que não estava feliz e muito menos realizado profissionalmente, o Ruben chegava a casa depois de cada treino abatido, então nos dias dos jogos até fazia impressão, ele que sempre foi alegre e bem-disposto agora parecia que comparecia por obrigação.
Chegamos a falar diversas vezes sobre a situação dele e em algumas conversas a possibilidade de pedir para sair em Janeiro foi colocada em causa, a verdade é que não adiantava nada arrastar a situação durante meses. 
A Maria é que se viu metida num imbróglio jeitoso, se por um lado tinha o Ruben Amorim jogador representado por ela por outro tinha o Ruben amigo e namorado da prima, ainda assim e como seria de esperar conseguiu manter sempre o seu lado profissional em primeiro e tentou junto do clube marcar uma reunião para encontrarem a melhor solução para ambas as partes no entanto não chegou a acontecer, o Ruben no último jogo antes da paragem para o Natal acabou por ter uma atitude irreflectida e uns dias depois foi informado que estava suspenso.
A notícia caiu que nem bomba na família, sim apesar do lado dele já saberem que andava cada vez mais descontente do meu lado nunca tinha comentado a situação sem ser com o meu tio Jorge e com a Maria, lógico que para o meu pai foi a oportunidade que tanto esperou, tive que o ouvir mas preferi ignorar a chatear-me a sério com ele.
A noite da consoada aproximava-se e por mutuo acordo eu e o Ruben decidimos passar cada um com a respectiva família para evitar confusões no entanto e apesar de ter intenções de passar a noite com a minha família no final iria ter com ele.
- Tiveste com o Ruben? - a Maria perguntou-me assim que entrei na sala e a encontrei com o João.
- Sim!
- Como é que ele está?
- Oh tenta disfarçar mas está na merda!
- Juro que não entendo o que lhe passou pela cabeça!
- Pois João também não sei mas agora não adianta pensar muito... é esperar e ver no que vai dar.
- Olha e o teu pai... disse mais alguma coisa?
- Não... também não lhe dei abertura para isso... a sério João prefiro não falar mais nisso!
- Gostava de entender o que ele tem contra o Ruben...
- Nada João nada... é mesmo só retrograda e agora vou despachar-me que se chego atrasada ao jantar de consoada o cota é bem capaz de deserdar-me - apesar do meu pai não apoiar o meu namoro não consigo chatear-me a sério com ele.
Fui despachar-me e quase uma hora depois regressei à sala, a Maria já se encontrava sozinha e por sinal possessa com a minha demora.
- Sempre a mesma coisa! 
- Shiuuu - sorri ao vê-la mesmo aborrecida.
- É que ainda se o Ruben lá estivesse...
- Cala-te - mandei-lhe a almofada à cara - até parece que é só para ele que me ponho jeitosa - deitei-lhe a língua de fora, nós sem as nossas picardias não somos nós - e para tua informação no final da noite vou ter com ele!
- Ui... se o tio sabe! 
- O sr. seu tio só não sabe se for muito tapadinho...
- Ai e não é??? Prima dos manos Mendes é o que tem a mania de ser o mais controlador e no final sempre fizeste tudo o que querias sem ele perceber...
- Sinceramente... não acredito muito nisso... pode não saber de tudo o que fiz mas de algumas sabe... ele não é assim tão totó... acho eu!! 
- Pois não sei... mas agora vamos, caso contrário chegamos mesmo atrasadas!
Acabamos por sair de casa com destino à dos meus pais, quando lá chegamos encontramos a família toda o que foi motivo para o meu cota amuar mas depressa lhe passou até porque não lhe dei grande saída.
O jantar foi animado tal como todos os outros da família Mendes e a troca de presentes não se ficou nada atrás, com a Matilde eufórica a desembrulhar as prendas que recebeu ou não fosse ainda só uma criança mas ainda assim sentia-me “vazia” como se uma parte de mim não estivesse naquela sala e por isso mesmo num acto irreflectido despedi-me da família e saí da sala sem dar hipóteses para grandes perguntas, conduzi até à casa da Anabela e assim que lá cheguei mandei mensagem ao Mauro para abrir a porta, queria surpreender o Ruben.
- Cunhadinha! - olhei-o com cara de má
- Cunhadinha o raio... - gargalhou - não sei onde está a piada!
- Ai não sabes? Mesmo sério não sabes? - sorriu
- Não!
- Pois... está bem...
- Não bebes mais nada hoje! - refilei - E agora deixa-me passar...
- Isso é tudo pressa para veres o meu irmão - falou ao desviar-se da porta - até parece que não o vês há uma eternidade! - gozou.
- Cala-te!
O Mauro sorriu mas já não abriu mais a boca, segui até à sala e assim que entrei encontrei o Ruben junto da janela e a olhar para o céu que hoje estava particularmente estrelado, sorri para a sua família que entretanto deu pela minha presença e sem fazer barulho aproximei-me dele abraçando-o.
- Buhh!
- Mariana... - beijou-me calmamente apertando ligeiramente o meu corpo contra o dele - o que estás aqui a fazer?
- Ena... isso é que é entusiasmo - meti-me com ele - vê lá... se preferires posso ir embora - tentei-me soltar dos seus braços mas fui impedida.
- Daqui não sais e daqui ninguém te tira! - falou todo senhor de si e agarrando-me pela cintura.
- Shiii... andas a ficar muito convencido... andas andas!
- A culpa é tua... - sorriu traçado - afinal és tu que falas que sou todo bom...
- Ahahah... que piada... - teria continuado a refilar mas o Ruben calou-me ao unir as nossas bocas.
Ainda ficamos numa de namorar durante alguns minutos mas acabamos por aproximarmo-nos da sua família e partilhar o resto do serão junto deles, no final despedimo-nos e seguimos para a casa do Ruben.
- Ajuda-me aqui... 
- Há um ano perguntaste o significado - agarrou no colar que tinha ao pescoço e que foi-me oferecido por ele precisamente há um ano - e nesse dia menti-te - o Ruben olhava-me de forma penetrante e desconcertante - não é só a amizade que quero que seja infinita - sorri ao ouvi-lo - aconteça o que acontecer nunca te esqueças que te amo...
- Ruben o que se passa?
- Nada... mas lembra-te “que seja infinito” - pronunciou as palavras que se encontram gravadas no colar.
- Sempre foi - sorrimos - e sempre será...
- Tenho medo... - suspirou
- De quê?
- Do que pode estar por vir... Mariana com tudo o que se passou o provável é sair por empréstimo ou algo do género...
- Não vejo onde é que está o problema - falei ao entrar na casa de banho deixando-o no quarto - aliás já por diversas vezes falamos sobre o assunto...
- O problema é mesmo esse já falamos várias vezes mas... - o Ruben calou-se motivo suficiente para ter regressado ao quarto e olhá-lo.
- Mas???
- Mas não quero afastar-me de ti... pronto já disse!
- Ainda há uns dias falavas o contrário, que querias mudar de ares uma vez que no Benfica és suplente...
- Continuo a querer mas a verdade é que tenho receio que o afastamento prejudique a nossa relação.
- Só prejudica se deixarmos! Confio em ti e no teu sentimento por mim, isso basta-me para que fique tranquila, lógico que não vai ser fácil ainda para mais quando já estou habituada a partilhar cama contigo mas se tiver que ficar privada da tua presença para te ver bem então fico.
O Ruben não respondeu limitou-se a puxar-me ainda mais para si e uns minutos depois já estávamos deitados nos braços um do outro, mimamo-nos até adormecer para no dia seguinte acordar com o meu telemóvel a tocar, atendi para recusar o convite da minha mãe para o almoço, hoje o dia seria dedicado inteiramente ao Ruben uma vez que com toda esta história tem andado super em baixo.

E agora como ficará a situação do Ruben? Ira isto afectar a relação deles? E com a Maria e o João como será que estão eles?

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

045 - "Posto isto e dado que se tratou de uma declaração sem direito a perguntas dou por encerrada a conferencia de imprensa."


Boa noite,
Com o fim das  Festas voltamos às publicações regulares.
Aqui fica mais um capitulo que esperamos que gostem.
Com os votos de um excelente 2013
Beijokas
M&M's


Ruben

A tarde estava a ser animada ou não fosse estar rodeado de alguns amigos e outros conhecidos, a Mariana esteve sempre próxima ainda assim tentamos não dar muito nas vista, não é que vontade de a beijar faltasse mas o facto da família dela ainda não saber do nosso namoro é um impedimento válido para controlar certas vontades. A verdade é que não sei o motivo pelo qual andamos a ocultar o nosso namoro das respectivas famílias mas o certo é que também não o divulgamos aos nossos amigos, resumindo adoptamos a cena de deixar rolar e quando descobrirem descobriram.
Apesar de tentarmos ser discretos o pessoal já desconfia e prova disso foram as bocas que mandaram no entanto nunca confirmamos, o que originou momentos de gargalhadas e de algumas brincadeiras.
As horas passaram e o momento que as M&M prepararam para o tio chegou, acabamos por ser informados que tinham qualquer coisa para mostrar aos convidados e como tal calhou-me ir com a Mari até ao escritório buscar o portátil e o projector, lógico que aproveitei a oportunidade para perguntar-lhe se no final ia comigo, o que foi razão suficiente para começarmos mais uma das nossas picardias que terminou connosco a beijarmo-nos, estávamos completamente entregues um ao outro quando ouvimos a porta a abrir...
- Lindo serviço...
- Que foi?
- Vocês andam a brincar com o fogo... fui eu a entrar mas podia ter sido o teu pai por exemplo...
- Então e depois??? Algum dia vai ter que ficar a saber...
- Ya prima mas nesse dia cai o Carmo e a Trindade - gargalhou - a menina do papá a namorar... isso é motivo para o tio dar uso à caçadeira que tem em casa - foi impossível não rir.
- Deixa-te de coisas... e agora vamos que temos um mini filme para mostrar aos convidados do tio!
A Maria não respondeu e por isso acabamos por sair com tudo o que precisávamos, uns minutos depois já estavam a projectar o vídeo e no final cantamos os parabéns ao Jorge para um tempo depois os convidados começarem a despedir-se do aniversariante e saírem a pouco e pouco, o que fez o nosso grupo ficar reduzido a nós os quatro e quando estávamos todos na mera cavaqueira...
- Ruben!
- Diga... - olhei-o - precisa de alguma coisa?
- Podes chegar ali para falarmos? - ainda cheguei a levantar-me mas...
- Pai o que tiver para falar com o Ruben pode fazê-lo à nossa frente!
- É assunto de homens...
- Oh pai... pode parar por aí - olhou-me - vamos deixar-nos de falar por meias palavras... sim namoro com o Ruben e não... não há nada que o pai diga que vá mudar isso! - assim que a Mariana falou despertou a atenção da restante família.
- Mariana sabes bem o que penso de...
- Sim sei... para si tudo o que corre atrás de uma bola é uma cambada de mulherengos mas - respirou fundo - não é você que vai escolher com quem namoro ou deixo de namorar além disso sempre ensinou-me que não devemos julgar as pessoas pelas aparências, caramba sabe bem que conheço o Ruben há imenso tempo...
- E também sei a pessoa que ele é...
- Desculpe?
- Mariana durante os anos que estiveste em Faro...
- Pode parar por aí... sei que o Ruben teve outras mulheres na vida dele mas isso não me incomoda, também tive outros homens... sim não sou santa nenhuma e o Ruben ao contrário de si sempre soube disso, se quer mesmo saber só o pai é que continua a achar que sou a sua menina quando na verdade já sou mulher há muito tempo...
- Olha o respeito!
- Pai... não estou a faltar-lhe ao respeito, estou simplesmente a informá-lo que há muito que deixei de ser menina, perceba que cresci, tornei-me mulher e por isso tomo as minhas próprias decisões independentemente de serem ou não do seu agrado... ah e em relação ao meu namoro com o Ruben não há nada que diga sobre ele que vá mudar alguma coisa, ao contrário de si que o está a julgar pela profissão que tem... eu conheço-o verdadeiramente como tal não há nada que diga que vai surpreender-me.
- Tudo bem... mas depois não digas que não te avisei! - a Mariana olhou-o incrédula - Quanto a ti... Ruben espero que não te tenhas esquecido do que falei há uns anos atrás! 
- Você está a tornar-se repetitivo... já veio com essa conversa em duas situações distintas, a primeira foi na noite do baile e a segunda anos depois quando vos encontrei no café poucos dias depois da Mariana ter regressado a Lisboa e em nenhuma das ocasiões essas “ameaças” sortiram efeito... A nossa história já vem desde o tempo da adolescência, a Mariana é a única que amo e sempre amei, é verdade que só agora e depois de ambos batermos algumas vezes com a cabeça é que admitimos que o que nos une é muito mais do que atracção, desejo ou aquilo que queria chamar mas isso não faz de nós pessoas menos dignas ou respeitosas, não lhe admito que me julgue e muito menos que nos tente afastar porque garanto-lhe não vou desistir da pessoa que amo só porque você acha que não sou homem suficiente para a sua filha.
- Isso é tudo muito bonito mas se descubro que não respeitas a minha filha...
- Pai! Já chega! Estou farta desta conversa até porque já chorei pelo Ruben e nunca precisei que me defendesse, nós não precisamos que ninguém resolva os nossos problemas e agradecemos que não se meta no meio, se por algum motivo o nosso amor não for para a vida só temos que levantar a cabeça e seguir em frente mas garanto-lhe que vou viver tudo o que tiver que viver do lado do Ruben e não adianta refilar porque não vai mudar nada, entendeu?
O pai dela ainda tentou dizer algo mas o Jorge interviu e afastou-o de nós, apesar da Mariana não o dizer foi visível que ficou triste com a atitude do seu pai, ainda assim manteve-se do meu lado.
- Desculpa! - olhou-me - O meu pai não tinha o direito de...
- Shiu - abracei-a - o teu pai só precisa de tempo para se habituar à ideia que namoramos.
- Mas acusou-te de... - comecei a sorrir - onde é que está a piada?
- Amor não tenho como ficar ofendido quando o teu pai só falou a verdade, andei mesmo umas e com com outras...
- Anda vamos embora!
- Não, não vamos - olhou-me - não cometemos crime nenhum para sairmos que nem dois fugitivos, além disso estou aqui por consideração ao Jorge e não para agradar o teu pai logo se ele está mal que se mude, porque sei bem a relação que tens com o teu tio logo não vais simplesmente sair de fininho só porque o teu pai não gostou de saber que namoramos.
- É tens razão - sorriu para logo depois unir os nossos lábios sem qualquer problema.
- Vocês estão mesmo dispostos a irritar o tio...
- Maria não vou deixar de beijar o meu namorado só porque tenho o meu pai a observar-nos, é que não me faltava mais nada!
- Tu é que sabes...
O assunto terminou e uns minutos depois já nos riamos os quatro, os minutos voaram e só demos por isso quando o pai dela apareceu novamente por trás de nós.
- Filha - olhou-o - vamos!
- Vamos? Mas vamos aonde?
- Embora! Eu e a tua mãe deixamos-te em casa!
- Pai não precisa dar-se a esse trabalho, vim com o Ruben e vou com ele...
- Não há necessidade dele ir até Lisboa quando nós vamos para lá.
- Pois... pai você disse tudo... vocês vão - olhou-me - mas nós não!
- Como é que é?
- É isso que percebeu... sim vou dormir na casa do Ruben como já dormi outras vezes e nem adianta começar o sermão porque já vem demasiado atrasado! Vá... façam boa viagem!
A Mariana despediu-se da sua mãe com dois beijinhos, gesto que repeti, mas quando tentei também eu me despedir do seu pai com um aperto de mão foi notório que por vontade do senhor não nos despedíamos no entanto cedeu talvez por consideração à filha.
Aproveitamos o momento para também nós nos despedirmos da Maria e do João, pois queríamos ficar a sós, sim apesar de não manifestarmos o desejo verbalmente conhecemo-nos suficientemente bem para sabermos que ambos queremos o mesmo, uns minutos depois já estávamos no carro e a caminho da minha casa, não toquei mais no assunto por saber que se a Mari quisesse falar ela própria iniciava tal conversa.
Chegamos a casa e deitamo-nos, a Mari aninhou-se nos meus braços e foi por entre mimos que trocamos que adormecemos.

Maria

A demora do Ruben e da Mari levou-me a ir até ao escritório
- Onde é que vais? - perguntou-me de imediato o João assim que me levantei
- Buscar aqueles dois, antes que outra pessoa o faça - respondi sinalizando a impaciência do meu tio que não tirava os olhos  da porta do escritório. O João sorriu.
Segui até ao escritório e assim que abri a porta sem aviso prévio deparei-me com a cena que já esperava Mariana e Ruben bem “pegados” claro que aproveitei para lhes chamar à razão e acabamos por o mais rapidamente possível por em pratica a surpresa para o tio de forma a disfarçar a ausência, mas de pouco serviu já que o meu tio acabou mesmo por os abordar, quando todos já tinha saído e apenas restávamos nós quatro e o resto da família, e dar a sua sentença sobre o assunto e esta não foi nada feliz.
Assim que começou a falar o João puxou-me de forma a afastar-nos um bocadinho
- É por isto que também não contas sobre nós?! O teu pai tem a mesma opinião?!
- Achas?! Não conto porque acho que não tenho nada para contar e nunca senti necessidade disso, mas se te faz tanta aflição... - peguei-lhe na mão e puxei-o até junto dos meus pais que estavam com os meus tios, excepto o pai da Mari que continuava a  debitar uma quantidade de “insanidades” - Pai, mãe, tias... - pausei olhei pró meu tio - tu não que sabes de mais - rimos os dois - antes que o meu querido paizinho se lembre de fazer um escândalo daqueles é só para informar e repito INFORMAR que eu e o João estamos juntos e com isto quero dizer que namoramos. - ouvi o meu tio gargalhar - Posto isto e dado que se tratou de uma declaração sem direito a perguntas dou por encerrada a conferencia de imprensa.
Tencionava virar costas e voltar para perto da Mari e do Ruben, mas o meu pai não o permitiu
- Maria Micaela, mas tu achas que eu sou quem? Não foi só o teu tio Jorge que deu pelo que se estava a passar, mas também sabia que quando as coisas entre vocês fossem mais estáveis nos contavas. Sei que os namoros a principio são mais instáveis e conheço-te o suficiente para saber que enquanto não tivesses as certezas que querias não nos irias dizer nada. Apesar que achar que estavas muito bem com o Pedro e continuar sem perceber o que se passou para de um momento para o outro teres terminado contudo. Só tenho de te apoiar. E tu - disse apontando para o João - meu menino é bom que não a tenha que ver triste!
- Quanto a isso não se preocupe!
- Eu já sabia há mais de 10 anos! - a minha mãe falou toda senhora de si e perante o nosso espanto explicou-se - sim sabia desde o dia que me apresentaste o João lá em casa lembraste? - sorri e  confirmei afinal tinha sido o dia em que ele ficou a conhecer o meu magnifico nome e que faz questão de o relembrar - Não me perguntes o quê, mas assim que vos vi tive um pressentimento...
- Tenho uma mãe bruxa! - assim que falei apanhei com uma almofada atirada por ela acabou por se gerar uma gargalhada e com a chegada do meu tio perto de nós - bem nós vamos voltar para ali que eu ainda quero meter uma conversa em dia... afinal tenho de ir pra Madrid - fiz  uma careta
- Vê mas é se te deixas de birrinhas e se não te atrasas! 
- Sim Boss
- Ah é verdade amanhã não marques nada para o jantar que vamos jantar a casa do Cristiano
- Oh tio mas eu já tinha marcado com a Sofia, o Juan, o Filipe e a Letizia! Além disso já “levei” com ele hoje agora ainda ter que levar mais amanhã não achas que me dá uma overdose?? Eu nem fiz mal a ninguém!!
Não o deixei responder e voltei com o João para perto da minha prima e do Ruben estivemos mais uns largos minutos de volta ao bom clima, mas mais uma vez o meu tio deu um ar da sua graça quando foi hora de se ir embora e para melhorar o Ruben ainda lhe deu resposta.
Acabei por eu e o João seguirmos o exemplo de todos os outros e irmos até casa, depois de uma rápida passagem por minha casa para apanhar a mala que já tinha pronta e depois de muito ouvir o João refilar lá resolvi passar a ultima noite antes da viagem em casa dele.
Acordei cedissimo e tentei não acordar o João o que consegui visto que já estava a obrigar-me a beber um copo de leite quando o vejo entrar na cozinha
- Ias-te embora assim? - falou com uma cara de sono que me fazia lembrar um bebé e com um ar idignado - e nem dizias nada?
- Achas?! Ia só acabar de come e já te ia acordar - acabei de engolir o leite e dei-lhe um pequeno beijo nos lábios - agora vá... vai-te lá vestir que tens de me deixar no aeroporto! 
- Hã?!
- Burguer! Não me disseste para deixar o carro em Lisboa e virmos no teu então agora é favor de me ires levar!
- Vai de taxi! - falou a rir - ou então melhor ainda! Não vás!
- Vá lá João não tou com tempo para brincadeiras... leva-me lá! - fiz uma carinha de pedinchona
- Vá tá bem... 5 minutos - enquanto ele se despachava, e onde já iam os 5 minutos, aproveitei para confirmar que nada me faltava e confirmar com o meu tio o ponto de encontro no aeroporto. - prontinho, vamos? - estendeu-me a mão e que prontamente agarrei enquanto “arrastava” o trolley com a outra
- Sim... quando quiser chamar a morte peço que vás lá tu! - apenas me mostrou a língua e seguimos para o carro alguns minutos de viagem recheados de conversas de “surdos” e sobre os mais surreais assuntos o que nos levava a gargalhadas depois chego ao aeroporto - Porta-te bem! Bons treinos - dei-lhe um beijo ai do carro e do porta-malas tirei a minha mala, apenas acenamos um “adeus” e corri para o local combinado - Desculpa! Vim de Alcochete! Atrasei-me
- Já suspeitava que te atrasasses por isso combinei logo contigo 15 minutos antes do necessário!
- Ei! Eu não me atraso assim tanto!
- Eu sei, mas assim podemos ir beber um café com calma!
- Então vamos lá que preciso acordar - sentamos-nos num dos cafés da zona de partidas do aeroporto 
- Então e como é que está a tua prima depois daquele “embate” com o tio ontem?
- Se queres que te diga a verdade não sei! Ontem quando sai de tua casa, passei pela nossa para apanhar a minha mala e ela ainda não tinha chegado, por isso nem falei com ela, mas conhecendo-a como conheço e estando com o Ruben está com certeza absoluta melhor que eu!
- Melhor que tu?! Mas ontem parecia tudo bem entre ti e o João e o teu pai reagiu muito bem o que se passou? - gargalhei - qual é a piada?
- Oh tio por favor pareces aquelas alcoviteiras que se costumavam juntar nos largos das aldeias a monitorizar a vida de toda a gente... - ele olhou-me com cara de mau o que só me fez rir mais para uns segundos depois me recompor - está tudo bem com o João... o problema é mesmo esta viagem... o que é que eu vou mesmo fazer lá?
- Alcoviteira é... esquece. Vais “aprender” com o mestre! - bebeu o café e olhou-me com uma cara muito séria - Sabes? Gostava muito de saber essa vossa história a 4!
- O quê?!
- Tua, da tua prima, do Ruben e do João... - devo ter feito uma careta - sim que já percebi, já me disseram, que se conhecem há muito tempo, ainda não percebi é de onde... e porque é que têm essa ligação tão forte entre todos
- É oficial tu tornaste-te na maior alcoviteira que conheço!
- Sabes que falando de mim “o maior” é sempre prefixo! - gargalhei - Mas a sério que tenho curiosidade!
- Olha não há muito que contar... mas se ficas mais feliz o João foi meu colega e da Mariana no secundário e um dia depois de uma aposta fomos ver um jogo dele e conhecemos o Ruben... o resto? Bem é uma amizade como qualquer outra, ou então não! Mas também não te sei explicar...
Chamaram para o embarque do nosso voo e nós focamos a conversa no trabalho felizmente porque estar a falar “do quarteto maravilha” com “estranhos” não era algo que me deixasse confortável já que era muito difícil alguém perceber esta nossa ligação.
O voo foi calmo e as primeira horas em Madrid serviram para nos instalarmos no hotel para ao fim da tarde, inicio da noite seguirmos até casa do Cristiano onde jantaríamos com alguns dos seus colegas.


Quem serão os colegas do Cristiano e que "surpresas" trará este jantar para a Maria?