quinta-feira, 29 de novembro de 2012

041 - "... afinal a última que esfregou a minha lâmpada não me deu..."


Mariana

É verdade que falei o que quis e sinto mas também ouvi o inesperado, o desabafo do Ruben fez-me tremer, ainda ia nas primeiras palavras e já só um pensamento ocupava o meu cérebro, o de quando é que iria terminar e assim que se calou foi impossível não jogar-me nos seus braços e beija-lo, pode não ter falado nada de extraordinário mas aquele momento do “sim AMO-TE e sim QUERO NAMORAR, CASAR, TER FILHOS, ENVELHECER DO TEU LADO E SE NÃO FOR PEDIR MUITO QUANDO FORMOS OS DOIS VELHINHOS QUERO IR PRIMEIRO QUE TU PORQUE NÃO SEI SE CONSEGUIREI VIVER SEM TI” fez com que acordasse e finalmente despertasse para a vida, percebi naquele instante que o Ruben tinha as certezas que necessitava para conseguir agarrar-me a elas e fechar definitivamente a janela que ainda mantinha aberta o que permitia estar constantemente a ver um passado que é o meu mas que neste momento só quero esquecer para poder sonhar com um futuro diferente daquele que andei anos e anos a projectar.
- Amor - sorri feita tonta quando o ouvi e tenho a certeza que os meus olhos brilharam que nem duas estrelas - acho que assustamos o pessoal! - gargalhei ao ouvi-lo.
- É né... afinal não deve ser todos os dias que ouvem uma Mariana lamechas...
Não consegui continuar a falar porque o Ruben uniu de novo as nossas bocas e uns segundos bastaram para ter junto as nossas línguas, entreguei-me de corpo e alma ao momento, se o Ruben tivesse tentado ir mais longe teria finalmente o que tanto andou à procura neste dias mas por incrível que pareça não o fez, o que nos permitiu ficar só pelos beijos e “festinhas”, estava ao colo dele completamente aninhada nos seus braços e a receber os seus mimos quando lembrei-me do que tinha andado a preparar durante a manhã, não hesitei um segundo que fosse e sai do seu colo.
- Onde vais? - sorri perante o ar de confuso dele.
- Fazer uma coisa inadiável - beijei-o - mas não demoro mais que quinze minutos - voltei a beijá-lo - prometo!
O Ruben ainda refilou qualquer coisa que não consegui entender uma vez que já estava a sair da sala, cruzei-me com o Fábio que vinha a sair da cozinha e aproveitei para avisá-lo que não contassem nem comigo nem com o Ruben para o jantar.
- Mariana... - olhei para trás - espera só cinco minutos que quero falar contigo!
- Não dá... prometi ao Ruben que só demorava 15 se fico à conversa contigo passa a 20 - sorri - mas se quiseres vem comigo que falamos enquanto acabo uma cena... - falei já a sair do meu apartamento e a entrar no do Rodrigo.
- Bem... tu esmeraste-te... - o Fábio estava de boca aberta - para quem estava chateada com o Ruben...
- Ah... isto foi antes! Mas vieste comigo porque querias dizer qualquer coisa...
- Pois... - olhei-o - Mariana pega leve com o Ruben - gargalhei - oh sua mente perversa não estava a falar disso... a sério vê se atinas porque o rapaz já teve a sua dose... ya ele até pode ter sido um menino no passado e ter andado iludido durante estes anos todos a pensar que era um bad boy mas nunca passou da cepa torta porque a cabeça e o coração não falavam a mesma língua, amiga atina porque o Ruben não vai andar eternamente tipo cãozinho atrás de ti...
- Hey... acabou! Já entendi a mensagem e não foste tu que a passaste mas sim o Ruben com o que falou há uns minutos atrás e agora não atrapalhes... aliás faz-me um favor... regressa para juntos dos outros e manda o Ruben para cá! 
O Fábio sorriu mas cedeu ao meu pedido, saiu e uns minutos depois tinha o Ruben a tocar à campainha.
- Sim... - abri a porta mas não o deixei entrar - deseja alguma coisa? - sorriu.
- Hum... aqui quem tem de desejar é a senhorita... sabe... sou o génio da lâmpada... e como tal estou ao seu dispor... - gargalhei - mas não demore muito... é que candidatas não faltam...
- A sério... então está explicado... o porquê que tocou a esta campainha... a última que esfregou a sua lâmpada deve ter-lhe dado a morada incorrecta...
- Lamento desapontá-la... afinal a última que esfregou a minha lâmpada não me deu morada nenhuma... pediu sim a um amigo que desse o seguinte recado - olhou-me - e passo a citara sua alteza Mariana pede a tua comparência no apartamento da frente” e pronto... aqui estou eu!
- E o génio como é muito bem mandado veio a correr... foi?
- Parece que sim...
- Hum... então se é assim tão bem mandado... e se está aqui para satisfazer os meus desejos todos... entre - afastei-me de forma que pudesse passar - mas... antes preciso de uma amostra da sua eficiência...
Não consegui concluir e assim pedir o meu primeiro desejo da noite, o Ruben adivinhou-me os pensamentos, o que também não era complicado e beijou-me no entanto fê-lo com uma calma tremenda deixando nas minhas “mãos” a decisão de aprofundar a união perfeita das nossas bocas, algo que fiz em segundos e se a minha língua invadiu a sua boca sem pedir licença as minhas mãos voaram até à sua t-shirt despindo-a ainda mais depressa, senti de imediato as mãos do Ruben nas minhas nádegas e segundos bastaram para lhe saltar para o colo, entrelacei as minhas pernas na sua cintura para ser encostada à parede por ele, o Ruben não se preocupou minimamente com o facto continuarmos ainda na porta e aproveitando o meu decote algo avantajado beijou-me o peito, sentir novamente os seus lábios e língua a passearem pelo meu corpo foi como se uma descarga de energia tivesse percorrido todo o meu corpo, ele com simples carícias estava a deixar-me fora de mim tanto que ignorei o risco que corríamos se continuássemos ali na porta, a verdade é que se alguém passasse por ali teria direito a uma sessão de um filme para maiores de 18 anos completamente à borla mas naquele momento esqueci tudo o que andei a dizer durante os últimos dias e a necessidade de senti-lo falou mais alto tanto que foi impossível evitar que as minhas mãos fossem até ao interior dos seus calções de praia, toquei-o e ouvi os primeiros gemidos, o que só serviu para que em menos de nada estivéssemos no quarto, pelo caminho ficaram as nossas roupas, o Ruben tal como eu não estava numa de esperar ainda assim fi-lo sofrer no bom sentido é certo mas sofreu afinal acabei por brindá-lo com um conjunto de safadezas e para tal não me coibi de usar tanto as mãos como a boca, levei-o ao limite para depois ser a vez dele, naquele quarto completamo-nos como tanta vez já o tínhamos feito mas agora com a certeza que somos um só, talvez por isso consegui pela segunda vez na minha vida voltar a sentir tudo de forma diferente, cada beijo, cada mordidelazinha, cada chupão, cada carícia que oferecemos ao outro com a língua, boca ou mesmo com as mãos, foi tudo tão intenso, tão nosso, tão eterno que num curto espaço de tempo tive várias “explosões” de prazer, sim nunca antes tinha chegado ao limite do prazer de uma forma tão intensa como cheguei no instante que o Ruben uniu os nossos corpos, senti-lo dentro de mim fez com que desejasse aquilo para todo sempre.
Amámo-nos sem pressas nem urgências, repetimos algumas... muitas vezes ainda assim de todas senti o mesmo, senti-me amada, acarinhada, desejada, o Ruben levou-me à exaustão mas uma exaustão boa, tão boa que por mim teríamos continuado noite dentro mas...
- Amor... oh mor... - ele bem que chamava mas estava tão bem ali aninhada nos seus braços a receber os mimos dele que não consegui sequer responder - paixão da minha vida - sorri ao ouvi-lo - isto está muito bom... aliás está perfeito mas eu de barriga vazia não funciono... - gargalhei ao ouvi-lo - e se queres aturar-me para toda a eternidade é bom que cuides aqui do teu namorado...
- Oh tadinho dele - acariciei-o - tá com os níveis de energia em baixo é??
- É né... tu deste-me em menos de duas horas o que não andavas a dar há meses... - falou com os seus lábios a roçarem nos meus - mas esta tua resistência só tornou estas horas ainda mais especiais...
- Ai sim???
- Sim! - beijou-me - Não deu para sentir? - gargalhei.
- Deu... deu - suspirei - para ver que és fraquinho - o Ruben que estava entretido a dar-me beijos no pescoço interrompeu-os para olhar-me nos olhos - ou então é só falta de prática - foi impossível não rir perante a cara que fez - oh coisa boa... tou a brincar! - não consegui prolongar a zoação - Ruben tal como na primeira vez também hoje foste prefeito com a pequenina diferença que agora já dá para perceber que tens muitasssss horas de rodagem... - beijei-o não dando hipótese dele refilar, ora beijinho aqui, beijinho ali e já estávamos a entrar novamente em terrenos perigosos quando o estômago dele resolveu avisar que não é só o que tinha entre as mãos que fazia parte do corpo dele, gargalhei e no segundo seguinte já estava a enrolar o lençol no meu corpo - anda vamos dar de comer a esse animal que tens aí... - o Ruben agarrou-me pela cintura e puxou-me para si.
- Onde pensas que vais... - já estava novamente debaixo dele.
- Comer... Rubinho... comer algo que nos alimente - beijei-o - porque ainda não consegues esse feito...
O Ruben acabou por também ele vestir os boxers ficando ligeiramente mais composto e de seguida fomos juntinhos até à cozinha onde aqueci o nosso jantar sempre com ele a tentar dificultar a tarefa ao máximo mas e ao contrário do que esperava consegui resistir-lhe.
- Agora ficas aqui! - ordenei quando já estava a sair da cozinha com ele atrás de mim.
- Porquê? Vais dizer que sou um menino mau e que por isso fico de castigo... é?
- Por acaso até estás a ser muito bonzinho... bonzinho até demais... mas preciso que fiques aqui... dois minutinhos e estou de regresso!
Não lhe dei hipótese de refilar e deixei-o sozinho, fui até à sala onde coloquei a comida na mesa e dei os últimos retoques na decoração, sim porque não passei a manhã toda a tratar dela para depois não a usar.
Dei uma última olhadela à sala e segui até à cozinha onde o encontrei de costas a petiscar.
- Lindo serviço... uma pessoa com trabalho em preparar um jantar que o menino tanto gosta para depois encontra-lo a comer amendoins...
O Ruben olhou por cima do seu ombro mas depressa se virou.
- Já regressaste foi?
- Não vês que sim... anda!
Abraçamo-nos e foi por entre beijos que chegamos à sala, o Ruben assim que olhou ao seu redor sorriu para logo depois beijar-me.
- A menina esmerou-se...
- Eh... né... afinal tinha de ocupar o tempo em que o sr. meu namorado me abandonou durante a manhã... ah e já agora também acordei de manhã com um certo peso na consciência que levou-me a ter esta ideia... mas que por algumas horas teve em risco de não ser concretizada...
- Shiuuu - beijou-me - vamos esquecer isso... ou melhor vamos só guardar o que dissemos por ultimo um ao outro...
- Hum... aceito! - sorrimos - Mas agora vamos jantar que já não és só tu que estás com fome... - antes de nos sentarmos ainda fui brindada com mais alguns beijos mas acabamos por jantar por entre trocas de mimos inocentes - vou buscar a sobremesa - falei ao levantar-me mas antes de ir ainda passei pelo colo dele, o Ruben queria outro género de sobremesa e foi bem explícito na forma como arrancou o lençol que tinha enrolado no meu corpo mas antes que se animasse mais do que a conta fugi tal como estava... resumindo andei a pavonear pela casa tal como vim ao mundo.
Levei uns minutos a preparar a sobremesa e quando regressei encontrei-o estendido no sofá.
- Já estás com soninho, é?? - sentei-me no espacinho que tinha na beira do sofá e coloquei o que fui buscar na mesa arrastando-a para junto de nós - eu aqui com tanto trabalho - agarrei num morango, mergulhei-o no chocolate para passa-lo no peito do Ruben e de seguida come-lo - a preparar uma coisinha especial... - passei a língua de forma a lamber todo o chocolate, lógico que iniciei uma brincadeira algo perigosa e quando demos por nós já estávamos completamente entregues um ao outro, sim que entre um pedacinho de bananinha outro de pêro ou ainda um moranguinho já estávamos noutra dimensão, nunca antes comer chocolate me soube tão bem... namoramos imenso é certo mas também esgotamos por completo a energia um do outro, só sei que o resto da noite foi passada nos braços dele entre mimos e palavras bonitas mas que caíram que nem luva depois de uns dias complicados.

Ruben

Acordei animadíssimo ou não fosse o fim de tarde e noite de ontem ser razão mais do que suficiente para estar completamente sereno, finalmente percebi o porquê que a Mariana andou a evitar durante tanto tempo qualquer contacto mais intimo, no fundo só queria ter a certeza que a amo e que não estou com ela só pelos momentos de sexo.
Estava na cama a observá-la quando se mexeu abrindo devagarinho os olhos e brindando-me imediatamente com um sorriso lindo.
- Bom dia! - beijou-me - o meu menino dormiu bem? - sorri ao ouvi-la.
- Melhor impossível - uni as nossas bocas agora num beijo mais demorado e menos inocente - o mau é que vou ter que trocar isto daqui por uma corrida e uma sessão de trabalho... - a Mariana gargalhou talvez pela cara que fiz já que a ideia não me agradava de todo, por mim passaríamos ali a manhã.
- Hum... se tem mesmo que ser... - colocou a cabeça no meu peito - a que horas é que tens de estar no ginásio? - beijou-me o peito e depois olhou-me.
- Daqui a hora e meia mais coisa menos coisa, porquê?
- Porque assim dá para um duche a dois - senti a mão da Mari a palmilhar o meu tronco todo até chegar ao meus boxers - e depois pensei que podia ir contigo...
- A ideia do duche agradada e muito - virei-me deixando-a por baixo de mim - até porque podemos... - demos inicio a um beijo que só não tomou outras proporções porque o meu telemóvel tocou.
- Ruben... Rubinho... é a tua mãe! - a Mariana sem esperar atendeu o telemóvel o que fez com que parasse de imeditado com a brincadeira que já tinha iniciado e fiquei a ouvir o que falava - Já tá... - beijou-me - agora que já despachei a tua mãe podemos ir para o duche! - saiu da cama sem dar-me qualquer hipótese de refilar.
- O que é que a minha mãe queria? - perguntei quando já estávamos no duche.
- Falar com o júnior dela... mas depressa a informei que o seu bibelozinho estava ocupado... - gargalhei.
- Já estou a imaginar a D. Anabela a fazer os seus filmes...
- Hã?
- Então... a esta hora da manhã atendes o meu telemóvel e ainda tens o desplante de dizer que estou ocupado... - beijei-a no pescoço enquanto passava o gel de banho nas suas costas.
- Hey... parou! - virou-se para mim - Que a tua mãe não tem a mesma mente perversa que o menino - beijei-a - já para não dizer que Ruben para ela é sinónimo de anjinho... logo não fazes estas coisas...
Não a deixei continuar e uni as nossas bocas mas foi dela a iniciativa de transformar aquele duche em mais um momento de partilha que só terminou com a entrega mutua e completa dos dois.
No fim do duche e depois de termos encontrado a nossa roupa espalhada pela casa seguimos para o apartamento das M&M que apesar de a distância ser mínima ainda deu para trocarmos alguns beijos.
- Rubinho... lindo... larga-me! - a Mariana refilou por a ter abraçado novamente por trás dificultando assim o seu andar no entanto não fiz caso nenhum e além de apertar ainda mais o abraço iniciei uma sucessão de beijinhos no seu pescoço, a Mariana como resposta virou-se para mim e uniu as nossas bocas, fomos assim o resto do caminho até que ao abrir a porta do quarto ouvimos algo que nos levou num primeiro instante a sorrir mas que a Mari não deixou ficar barato.

Ana

O momento de declaração entre o Ruben e a Mariana e as palavras da Maria a juntarem-se a tudo o que o Ruben e o João já me disseram foram as gotas de agua finais para seguir em frente. Sinceramente nem eu sei se ainda gosto realmente do Ruben, ou melhor gostar eu gosto, mas não com paixão para mim ele juntou-se ao João no grupo de irmãos. No fundo já sabia isso, mas continuar a amar o Ruben era uma forma de me manter protegida e imune a uma nova paixão e consequentes “perigos” hoje iria ser a primeira noite do resto da minha vida por isso depois de um duche demorado preparei-me como se da ida aos Oscares se tratasse e saí de casa, sempre seguida pelo meu fiel escuteiro Fábio.
Como nenhum dos dois conhecia Faro e não quisemos interromper os pombinhos que estavam na sala resolvemos sair à descoberta, uma coisa era certa o bar da outra noite era experiência a repetir nem que fosse para começar a noite.
Como previsto chegamos ao bar e de imediato encontramos uma mesa disponível onde nos sentamos e para onde pedimos de imediato uns mojitos e a conversa que começou leve e entre avaliações dos “meninos” e “meninas” que iam passando pela nossa mesa e entre um e outro piropo lá ia mais um copo de qualquer coisa. Experimenta-mos todos os cocktails existentes e já não saímos daquela mesa.
- Vou ali ao wc...
- Vai mas não demores... se encontrares um amigo manda uma sms para eu não esperar...
- Ok - quando me levantei senti o álcool todo que tinha ingerido - ihh oh Fábinho podias ser um querido e ires comigo é que este bocadinho de sangue que ainda tenho no álcool tá-me a deixar desequilibrada - falei a rir
- Txii que vergonha uma senhora com os copos... - falava enquanto se levantava, mas quando o fez definitivamente - Aninha eu vou contigo, mas temos de ir juntinhos é que eu também tou com um problema sério no meu ponto de equilíbrio - começamos a rir os dois e lá nos abraçamos e seguimos até ao wc.
- Prontinha vamos?!
- Vamos... pra casa?
- Eu se tivesse bem dizia-te que não porque tão lá os pombinhos todos - fiz cara de enjoo - mas como estou... olha eles que façam o que quiserem mas sem barulho!
- Eu acho que para isso preciso de mais um copo... ou dois...
- Agora que falas nisso acompanho-te num shot!
Escusado será dizer que um passou a quatro ou cinco e só depois voltamos a casa sempre na conversa mas quando eu tropecei por causa dos saltos e acabei sentada no meio do chão o Fábio surpreendeu-me sentando-se ao meu lado e no meio de gargalhadas
- Porque é que gostas dele?
- Ãh?!
- Do Ruben porque é que vocês ficam todas embeiçadas?!
- Eu não estou embeiçada... - ele olhou-me com uma cara do tipo “não estou eu!” - sim já estive, mas hoje tomei consciência que já não estou... mas até agora mantive-me presa a um habito... acreditar que continuava apaixonada por ele protegia-me de sofrer....
- Sofrer... tinhas medo?! e já não tens?! - ele ia falando e aproximando-se de mim, neste momento tínhamos as caras a milímetros e estranhamente em vez de achar esquisito estava a adorar e sentia aquelas borboletas no estômago. Segui-lhe o exemplo e passados poucos segundos estávamos com os lábios colados.
Foi um beijo como nunca tinha dado... foi  calmo e intenso transmitia-me desejo, muito, que eu compartilhava, mas tinha ainda um gosto de carinho que desconhecia poder ser possível sendo que aqueles eram os lábios do Fábio.
- Desculpa! - disse-me quando os nossos lábios se separaram
- Não tens de pedir desculpa, eu também quis... quer dizer a não ser que te tenhas arrependido...
- Arrependido?! Não... - o Fábio voltou a unir os nossos lábios quando nos separamos sorrimos levantamos-nos e seguimos para casa abraçados como se fossemos dois namorados.
Assim que entramos ouvimos risos na sala ainda fomos até á porta, mas desistimos de entrar quando vimos a Maria e o João deitados no sofá e enquanto trocavam mimos riam que nem crianças
- Bem se eles vão ficar aqui nós vamos para o quarto deles - disse puxando o Fábio quando entramos no quarto da Maria o Rodrigo estava lá - Ah desculpa, mas pensei que o quarto estava vazio...
- Este está ocupado - disse a rir - mas o outro está vazio que o casal passa a noite fora - despedi-me dele e seguimos para o outro quarto desta vez nem foi preciso dizer nada o próprio Fábio me abraçou.
Assim que entramos no quarto voltamos a unir os nossos lábios e em poucos minutos estávamos deitados na cama o meu vestido já era apenas um cinto. E eu estava em plena guerra com os botões das calças do Fábio, não que fosse difícil de desabotoar, mas porque cada toque dele me deixava completamente desconcentrada mole e com ainda mais fogo.
Desisti dos botões e resolvi tomar o comando da situação voltei-o na cama e depois de tirar o vestido sentei-me ao seu colo, sem demoras percorri cada milímetro do seu corpo e que corpo como será que nunca tinha percebido?! As mãos dele percorriam todo o meu corpo acabando por ficar pousadas na minhas ancas para minutos depois passar ele a percorrer o meu corpo com os seus lábios, parando no peito onde demorou largos e muito prazerosos minutos entre os quais me libertou do sutien e depois avançou até à tanga que tirou também com a boca para depois me mostrar uma quantidade de coisas novas e surpreendentes que poderia sentir com o contacto da sua língua no mais sensível ponto do meu corpo.
Depois de momentos de prazer avassalador resolvi retribuir consegui finalmente liberta-lo das calças e dos boxers e sem pensar duas vezes fazer tudo o que sabia e com muita vontade, e a reacção dele ainda me deixou mais animada.
Depois de o levar á loucura em minutos voltamos a reanima-lo e finalmente fomos um só e que loucura. E estes momentos repetiram-se noite fora em todas as posições possíveis e imagináreis e alem disso em momentos mais calmos fui sempre brindada com carinhos mais inocentes que me fizeram sentir na lua, adormecemos já altas horas da madrugada e completamente agarradinhos.
Acordei poucas horas depois e ao contrario do esperado não estava minimamente de ressaca, estava sim bastante animada. Mas foi quando me mexi que me relembrei de todos os momentos da noite ao sentir o braço do Fábio na minha cintura, sorri automaticamente
- Ui que ela acorda logo com um sorriso no rosto...
- Só quando tenho um bom motivo...
- E qual é o motivo que te leva a sorrir assim hoje... - acabou de falar e beijou-me o pescoço
- Tive uma noite maravilhosa... acho que foi A noite... e adorei acordar aconchegadinha nos teu braços - falei com algum receio pois não fazia ideia do que sentia na realidade e muito menos o que o Fábio pensava de tudo
- Ufff... ainda bem... estava com medo que não te lembrasses... também adorei... e como acordei um bocadinho antes da menina estava aqui a pensar que já não temos idade para engates e que eu adorei a noite... foi...
- Natural... sem pressões... não foi sexo só por sexo... e a sensação de que não há nada mais certo do que isto...
- Exactamente... por isso tava a pensar que podíamos... quem sabe... tentar...
- Tentar??
- Ana Souto aceitas ser minha namorada? - confesso que fui apanhada de surpresa
- SIMM - mas nem pestanejei quanto mais pensar antes de responder, assim que terminei iniciamos um beijo longo e calmo, sem segundas intenções apenas um beijo que tinha tudo para ser memorável não fosse
- Ehh lá! Que rebaldaria é esta na minha cama? - ouvi a voz da Mariana separamos as nossas bocas e vi a Mariana e o Ruben com umas caras entre o espanto e o gozo - Lindo serviço sim senhora... não durmo em casa uma noite e vocês afiambram-se um no outro e logo na minha cama!

Ruben

- Ru... Ma... - não aguentei e tive que gargalhar ao ver a cara de pavor da Ana
- Rubinho... não é para rir! - a Mariana continuava muito séria algo que sinceramente não sei como conseguiu - Quer dizer... vêm para aqui sem pedirem... e depois... depois... olha chegamos nós aqui e interrompemos o momento dos pombinhos - assim que a Mariana falou pombinhos vimos um sorriso enorme aparecer no rosto daqueles dois, eles estavam ambos felizes e isso dava para ver a milhas de distância - desculpem lá qualquer coisita mas nós já estamos no ir...
Não demos tempo para que reagissem e saímos do quarto mas assim que  fechei a porta foi a vez da Mariana se desmanchar a rir.
- Amor... o que é que foi aquilo? - perguntou agora mais calma e quando já estávamos na cozinha.
- Queres que te faça um desenho ou que te mostre??? - gargalhou novamente.
- Ruben o que eles fizeram está bem explicito mas... tipo... é a Ana e o Fábio... se fosse o Fábio com uma qualquer seria normal agora assim...
- Qual é o mal?
- O mal é que estamos a falar da Ana... a menina bem comportada!
- Acredita que por detrás daquela mascara de menina bem comportada... - não consegui terminar de falar.
- Vê lá se queres ir rodá-la... - atirou.
- Amor... amorzinho... a Ana é boa na cama não tenho qualquer problema em afirmá-lo mas és tu que amo e mesmo não o devendo fazer mas já fazendo... deixas a nossa amiga a léguas de distância... - olhou-me por cima do ombro - e agora para não ficares a pensar muito mal da nossa amiga aquilo que vimos não é nada que não esperasse já...
- Como assim?
- Mesmo sério nunca tinhas reparado?
- No quê?
- Ohh no Fábio...
- Estás a dizer que o Fábio gosta da Ana?
- E ela dele apesar de não admitirem...
- Achas? - sorri ao vê-la nada convencida
- Acho... aliás sempre desconfiei que a Ana para o Fábio era mais que amiga.
- Mesmo antes de... - calou-se e pela primeira vez percebi que o facto de ter namorado com a Ana incomoda a Mari.
- Anda cá... - sentei-me e puxei-a para o meu colo - a minha história com a Ana já terminou há muito não precisas ficar insegura - olhou-me - se foi importante? Sim foi e não nego, a Ana ajudou-me a crescer afinal sempre foi a mais ponderada do grupo, apoiou-me quando vieste para aqui, esteve sempre do meu lado disposta a ouvir-me ou mesmo a limpar as minhas lágrimas sempre que envolvia-me com alguém e no final lembrava-me de ti, talvez por ter estado sempre lá quando precisei é que nos envolvemos, começou por ser uma curte depois de uma festa onde bebemos mais do que seria suposto e continuou nos meses seguintes mas só quando o pessoal começou a desconfiar é que assumimos, daí a começarmos a namorar foi um passo, as cenas foram ficando cada vez mais sérias até que nos envolvemos fisicamente... - hesitei em continuar não por mim mas sim pela Ana - Mariana o que te vou contar não sai daqui... amor só o vou fazer para perceberes o porquê das reacções da Ana... foi comigo que ela teve a primeira experiência - a Mariana ficou surpresa ainda assim não interrompeu - e só tive noção disso depois porque a Ana nunca tinha dito mas isso não mudou nada na nossa relação continuamos e com o passar dos meses pensei mesmo que te tivesse esquecido até ao dia em que ela quis mais, a Ana começou a fazer pressão para darmos o passo seguinte mas não me sentia preparado para casar daí termos decidido então morar juntos como um género de teste, a verdade é que sentia-me bem do lado dela mas no fundo nunca de uma forma completa, talvez tenha sido isso que levou ao fim do namoro, não aguentei a pressão de chegar a casa depois de um treino ou jogo e levar constantemente com a presença dela no meu apartamento, a Ana bem que se esforçava para agradar-me mas quanto mais fazia maior era a minha certeza que não iríamos funcionar, tentei dizer-lhe isso das mais variadas formas mas a Ana fingia que não percebia, foi até ao dia que o Fábio lhe abriu os olhos, eles não sabem mas ouvi uma conversa deles em que o nosso amigo foi um bocado bruto na escolha das palavras mas a verdade é que lhe abriu os olhos. Nesse dia desconfiei dos sentimentos do Fábio pela Ana e depois de ter terminado definitivamente com ela houve um conjunto de situações e momentos que vieram reforçar a minha desconfiança, com o passar dos meses e mais tarde com o regresso do João a Lisboa numa conversa que tivemos chegamos à conclusão que não devíamos andar muito longe, ainda questionamos o Fábio mas ele negou e nós não insistimos mas não foi por isso que esquecemos, daí o facto de não ter ficado admirado por ter apanhado o Fábio e a Ana, ele gosta dela... resta saber é se é reciproco.
- Bem... que cena - a Mariana começou a rir feita tonta.
- Podes explicar onde é que está a piada?
- Ruben... - respirou fundo e só depois continuou - já reparaste que do núcleo duro do nosso grupo ou seja nós os seis só a Maria e o João é que não se envolveram com mais ninguém do nosso pessoal? Aqueles que ao inicio não se matavam num jogo de futebol porque não calhava são os que desde a noite do baile se mantiveram literalmente fiéis um ao outro no que toca a relacionamentos com pessoas próximas de nós.
- Nunca tinha pensado nisso mas tens razão, tanto o João como a Maria tiveram os seus relacionamentos mas nunca com ninguém que o outro conheça, já nós os quatro...
- Pois... conhecemo-nos todos muito bem é o que é! Mas o que interessa agora é que depois de tanta volta e voltinha estamos com quem gostamos, sim que espero sinceramente que a Ana goste do Fábio.
- Com isso não precisas de te preocupar... a Ana não se envolveria com o Fábio se não gostasse dele.
- É... não posso esquecer que ela é a menina certinha do grupo... - a Mariana estava numa de tentar implicar comigo mas calei-a antes que continuasse a desperdiçar tempo a falar da nossa amiga, estávamos os dois aos beijos quando a Maria e o João ao entrarem na cozinha interromperam-nos.

O dia começou animado mas será que continuará assim?? E com o João e a Maria será que está tudo bem?


terça-feira, 27 de novembro de 2012

040 - "...sim AMO-TE e sim QUERO NAMORAR, CASAR, TER FILHOS, ENVELHECER DO TEU LADO E SE NÃO FOR PEDIR MUITO QUANDO FORMOS OS DOIS VELHINHOS QUERO IR PRIMEIRO QUE TU PORQUE NÃO SEI SE CONSEGUIREI VIVER SEM TI! ..."



Boa noite!
Devido ao elevado numero de comentários do capitulo 
anterior aqui fica mais um e com um tamanho considerável. 
Esperamos que gostem e voltem a comentar.
Amanhã não haverá  publicação já que hoje temos "dose dupla".
Bjokinhas
M&M's
Mariana
Saí do bar disposta a dar ao Ruben uma noite diferente das anteriores mas as graçolas dele sem piada nenhuma irritaram-me ao ponto de virar-lhe as costas e adormecer sem direito a mais um beijo.
Acordei ainda de madrugada, sim para mim nove da manhã é madrugada tendo em conta que estou de férias mas ainda assim obriguei-me a sair da cama, vesti-me e fui procurar a Maria no entanto não encontrei ninguém em casa, só um bilhete da minha prima a avisar que tinha ido com os rapazes até ao ginásio.
Fiquei por casa a manhã toda e com tanto tempo livre tive oportunidade de engendrar uma forma de ver-me livre do pessoal de forma a poder ter um tempinho a dois com o Ruben, para tal lembrei-me de cobrar alguns valores antigos e por isso liguei ao Rodrigo que como é óbvio cedeu ao meu pedido sem grandes demoras, agradeci e assim que desliguei fui tratar do resto.
Andei nas compras e depois fui até à casa do Rodrigo orientar as cenas para o nosso jantar foi já próximo da hora de almoço que regressei a minha casa e assim que entrei na sala ouvi uma afirmação da Maria que fez-me perguntar o porquê, a minha prima tratou logo de explicar o que se tinha passada mas não percebi nada da conversa, foi quando já ia para explicar a segunda vez que o Ruben apareceu e para variar meteu-se logo na conversa ainda por cima numa de gozar, acabei por gargalhar ou não fosse a Maria estar mesmo indignada no entanto ignorei o Ruben, ele desde que tinha entrado nem sequer um oi me deu quanto mais um beijo.
A Maria deve ter percebido que as cenas entre nós já conheceram dias melhores e por isso arranjou forma de arrastar o João da sala.
- Não vais vestir nada? - perguntei ao vê-lo a sentar-se no sofá só de toalha a envolver-lhe a cintura - Daqui pouco chega aí a Ana!
- Então e depois?
- Depois? Depois que é abuso ela ver-te assim...
- Ui... perdi a conta às vezes que ela viu-me sem nada mesmo... - fiquei abismada a olhá-lo - não sei qual o drama!
- Ai não sabes qual é o drama?? Ai não... que tal seres meu namorado e eu não gostar que andes por aí assim como se fosses de todas!
- Jura?
- Hã?
- Que és minha namorada... é que está mais a parecer que és minha irmã do que propriamente namorada! - atirou ao sair da sala e assim que fiquei sozinha foi impossível não rir, afinal o Ruben estava em brasa.
Estava na sala a fazer tempo para sairmos para almoçar quando o vi a entrar já minimamente composto, o Ruben sentou-se no sofá de um lugar e depois de uns minutos a olhá-lo não resistir e fui ter com ele.
- Posso? - perguntei ao sentar-me no seu colo.
- Já te sentaste mesmo!
- Vais continuar com mau humor... - beijei o seu pescoço - podíamos aproveitar...
- Esquece... não vamos aproveitar é nada que já sei que fico novamente a ver navios! A sério Mariana já andas a abusar e sinceramente começo a perder a paciência, diz de uma vez o que queres!
- Quero ficar numa boa contigo mas parece que estás obcecado com outras coisas!
Atirei ao sair do seu colo e consequentemente da sala, fui directa ao apartamento do Rodrigo mas antes de lá entrar fechei a porta do nosso com toda a força que consegui reunir naquele momento. Cheguei à sala e coloquei de imediato os fones nos ouvidos e liguei o MP3 no máximo, estava mesmo a precisar de ocupar os meus ouvidos sem ser com a voz do Ruben.
Estava perdida em pensamentos quando dei pela presença da minha prima na porta a olhar-me, não lhe disse nada mas como sempre percebeu que precisava do colinho dela e limitou-se a sentar-se do meu lado, coloquei a cabeça nas suas pernas e uns minutos depois já chorava que nem Madalena arrependida, a verdade é que não estou a conseguir lidar com a pressão de agora ter namorado, talvez porque ando cada vez a sentir-me mais sufocada ou então porque pela primeira vez desde que me lembro estou a sentir-me pressionada a fazer sexo, a paranóia do Ruben está a dar comigo em louca, não consigo compreender a urgência dele, até parece que só está comigo para ter sexo sem se ter que preocupar em ir procurar uma gaja disponível.
Não sei o tempo que fiquei deitada naquele sofá, só sei que passado um bocado levantei-me, limpei as lágrimas e regressei para o nosso apartamento, fui ao meu quarto mudei de roupa e avisei que não almoçava. Precisava de desanuviar a cabeça e nada melhor que dar uma caminhada sozinha e apesar do calor lá fui eu...
Passei por um café, comprei uma sandes e um sumo para quando me desse a fome ter alguma coisa para comer e fui andar sem destino, caminhei durante um bom bocado e quando dei por mim estava já no Jardim da Alameda João de Deus, sentei-me junto ao lado dos cisnes e por ali me mantive apática e a observar os bichos.

Ruben
Hoje é daqueles dias que não devia ter saído da cama afinal ainda não fiz outra coisa a não ser discutir com a Mariana, estava na sala já depois dela ter batido com a porta do apartamento quando o João apareceu.
- Mano porquê que eu e a Maria fomos interrompidos pelo furacão Mari? - perguntou de sorriso no rosto mas perdeu-o assim que olhei para ele - Isso está assim tão mal?
- Nem sabes o que dava para conseguir responder a essa pergunta... juro que não entendo a Mariana.
- Mas afinal o que é que se passa?
- Oh... - baixei o olhar - não a consigo entender... parece outra!
- Como assim?
- Estás a ver a Mariana - olhou-me - aquela doida que está sempre disposta a uma loucura seja ela com ou sem sexo à mistura? - abonou a cabeça em sinal afirmativo - Então agora imagina o oposto... tipo menina de convento... e tens aí a nova Mariana! - o João gargalhou fortemente.
- Agora a sério... puto o que é que se passa!
- João... não estou a brincar... a Mariana mudou completamente - suspirei.
- Espera aí... estás a dizer que tu e ela, ela e tu desde que se acertaram que ainda não se passou nada além daquilo que nós vemos? Tipo não houve nicles batatóiques para ninguém? Tu não me digas que a Mari fez uma daquelas promessas que só depois do casamento... - o João ria que nem perdido, ele estava a achar um piadão enorme.
- Não sei onde está a piada... já começo a achar que está arrependida mas não sabe como dizê-lo!
- Mano... posso não saber os motivos da Mari mas duvido que esse seja um deles, ela gosta mesmo de ti!
- Já não sei nada...
O João não respondeu porque a Maria entrou e assim que se sentou ao colo do João perguntei-lhe o que é que a Mariana tem mas fiquei na mesma porque pelos vistos nem com a prima ela falou, no entanto fui alertado para o facto da Mari não estar nada bem e quando já estava de pé para ir falar com ela a Mariana berrou da entrada do apartamento para não contarmos com ela para almoçar, ainda tentei perceber se tinha ouvido bem mas a única resposta que obtive foi o som da porta a bater novamente.
- Mas isto agora é assim?? - olhei para a Maria
- Ruben não faço a mínima ideia do que lhe disseste ou fizeste só sei que posso contar pelos dedos de uma mão as vezes que vi a minha prima a chorar e hoje foi uma delas... - sentei-me - e a juntar a isso a forma intempestiva como saiu daqui posso garantir que está a chegar ao seu limite...
- Mas eu não lhe fiz nada!
- Pois... não sei... só sei que ela já tinha planos para a vossa noite... a Mariana tem no apartamento do Rodrigo o jantar feito e a sala decorada... por isso alguma deves ter feito durante o tempo que te deixamos a sós com ela!
- Olhem lá... será que... não... não pode ser!
- Fala João! O que é que não pode ser? - pedi
- Tipo... será que a Mariana está com medo de dar-te aquilo que tanto tens andado à procura?
- Oh João! A Mariana não é virgem nenhuma muito pelo contrário... achas mesmo que ela está com medo que vá doer... é? - a Maria olhou abismada para mim.
- Não seu camelo... o que quis dizer é que a Mariana pode não estar a conseguir ir para a cama contigo porque dentro daquele coração e cabeça deve andar uma confusão daquelas... a Mariana nunca namorou, nunca chamou ninguém de amor, nunca soube o que é acordar ao lado da pessoa que nos faz sorrir só com um simples olhar, resumindo a Mariana nunca foi amada... e agora que o pode ser vê-se pressionada por ti para se envolverem.... já para não falar que ao longo destes meses deu-te a maior prova de amor que podias pedir, a Mariana há meses que não se envolve com ninguém... sim porque se não acreditas nisso eu acredito... puto nunca a vi tão decidida mas ao mesmo tempo tão magoada como vi nos meus anos quando afirmou que se fizesses as contas sabias perfeitamente quem tinha sido o seu último! Resumindo a Mariana está a sofrer por amor e nenhum de nós conseguiu perceber isso, só assim se explica o facto dela se ter dado ao trabalho de preparar um jantar a sós para vocês, ela quer o que qualquer outra rapariga quer... puto apaparica a Mariana e vais ver que todos os teus problemas desaparecem, prova-lhe com gestos que só a queres amar e podes ter a certeza que ela libera o que tanto queres!
- Ena... agora falaste bem.
A Maria foi a primeira a reagir às palavras do João o que foi suficiente para começarem a ter uma conversa a dois, acabei por sair da sala e refugiei-me no quarto, onde pensei nas palavras do João e ter chegado à conclusão que muito provavelmente tem razão, afinal a Mariana por diversas vezes pediu-me provas de que queria mesmo namorar com ela.
Estava deitado na cama quando ao olhar para a estante que a Mariana tem no quarto encontrei alguns álbuns de fotos, a curiosidade falou mais alto e acabei por ir buscá-los, estava entretido a ver foto por foto quando ela entrou.
- O que é que estás a fazer?
- A matar o tempo... - fechei o álbum e aproximei-me dela - já estava a ficar preocupado - tentei beijá-la mas a Mariana desviou a cara - estás mais calma?
- Sempre tive calma! - respondeu enquanto escolhia a roupa - Sabes se o pessoal já tem planos para logo?
- Já - olhou-me - vamos jantar não sei bem aonde e depois a tua prima quer ir mostrar-nos outro bar.
- Hum... ok
A Mariana saiu do quarto em direcção ao WC sem abrir mais a boca, atitude essa que mexeu comigo e antes que fizesse alguma que mais tarde poderia arrepender-me fui ter com o pessoal à sala.
- Já está mais calma? - a Maria perguntou assim que entrei.
- Não! Ou melhor não sei - fui até à janela da sala e fiquei a observar o por do sol - ela praticamente ignorou-me...
- Puto não sei o que se passou mas estamos a falar da Mari... ela sempre teve um feitio especial!
- Fábio sei disso mas não está nada fácil!
- Também metes-te com alguém que não regula bem das ideias...
- Ana não te admito! Respeita a Mariana! - virei-me para a nossa amiga e quando ia para continuar a falar a Mariana entrou.
- Como é? Vamos? - olhámos todos para ela - Que foi?
- Precisamos de falar... - olhou-me.
- Diz!
- Aqui?
- Qual é o mal?
- Nenhum... mas preferia ter esta conversa a sós! Mas se assim é... quero pedir-te desculpas... - a Mariana interrompeu-me e confesso que surpreendeu-me a mim e aos restantes afinal saltou-lhe mesmo a tampa.
- Oh Ruben mas pensas que isto é o quê? Um confessionário que chegas aqui reconheces os teus erros pedes perdão e fica tudo bem? Não sou uma boneca insuflável... tenho sentimentos, quereres, desejos e vontades! Se pensas que com um pedido de desculpas tudo se resolve estás enganado, eu quero muito mais porque se fosse só pelo sexo já te disse que tinha onde o ir buscar sem aborrecimentos.
- Já acabaste? - arqueou as sobrancelhas - Mariana do que é que tens medo? - desviou o olhar - Hey... - aproximei-me dela - fala comigo - pedinchei e como resposta ouvi aquilo que nunca pensei ser possível pelo menos vindo dela.
- Ruben... eu não estou preparada para isto... desculpa pensei que conseguisse mas cada vez acredito mais que esta coisa de namorar não é para mim - baixou o olhar mas levei a mão ao seu rosto obrigando-a a olhar-me novamente - já não me reconheço, nunca tive medo de nada, fazia as cenas e só depois pensava nelas e mesmo assim nem sempre, a sensação que tenho é que de um momento para o outro fiquei aprisionada no meu próprio corpo, sinto-me a sufocar, ando com a cabeça a mil, nada faz sentido, dou comigo a pensar que nem tudo se resume ao sexo e parece que é só isso que queres, Ruben talvez pela primeira vez não sinto falta de sexo e tu parece que estás obcecado nisso - suspirou - até pode ser paranóia mas o que sinto é que estás comigo pelos bons momentos que podemos dar um ao outro mas eu quero mais, eu preciso de mais, olho para o João e para a Maria e vejo que eles transpiram amor por todos os poros, eles não estão só juntos para temperarem o corpo... eles têm planos para o futuro e nós... nós andamos aqui por andar... mas não dá... pelo menos para mim... já vivi anos demais assim, estou farta, quero ou melhor preciso de parar, de dar um rumo diferente à minha vida, estes meses que estive em Espanha deu para perceber que não tenho nada... que se por algum motivo a minha família falhar não tenho ninguém em quem possa agarrar-me e já não sou uma criança... Ruben a fase de curtir está a chegar ao fim, aquela “filosofia de vida” que tinha de que precisava experimentar de tudo um pouco para saber escolher já não faz sentido... porque já sei aquilo que quero... quero-te a ti... resta saber se também me queres da mesma forma...
- Amo-te - beijei-a com toda a calma que consegui e assim que separamos os nossos lábios a Mariana abraçou-me com imensa força - amor - fiz-lhe algumas carícias no seu rosto - estás finalmente a descer à terra e a querer o que qualquer outra pessoa busca, estás a descobrir todo um conjunto de novos sentimentos e até de medos daí sentires-te aprisionada no teu próprio corpo, não estás a reconhecer-te porque nunca paraste para pensar no amanhã e sempre que alguém forçava isso tu saltavas fora, mas agora algo mudou e é isso que ainda não conseguiste assimilar completamente, Mariana estás finalmente a amadurecer... desculpa dizê-lo assim mas a verdade é que nunca pensaste nos outros e em como as tuas atitudes magoavam, nós que sempre estivemos ao teu lado muitas vezes éramos tratados como algo dispensável, não medias as palavras e muito menos paravas para reflectir naquilo que fazias e agora que estás a querer aquilo que sempre quis, estás finalmente a perceber que dói quando a outra pessoa não nos entende mas Mariana isso não é verdade... consigo compreender-te e quero tanto ou mais que tu que o nosso namoro resulte mas como precisas de tempo para aprenderes a lidar com uma nova realidade também preciso desse mesmo tempo para ter a certeza que estás segura do que queres e sim sinto falta de sexo, sim nunca pensei que o fosses negar, sim olho para ti e vejo uma diva na mesa e uma louca na cama, sim andei a pressionar-te para nos envolvermos fisicamente, sim tenho ciumes e não são poucos, sim faz-me confusão estar ao lado de um gajo qualquer que não conheço e não saber se já o rodaste, sim AMO-TE e sim QUERO NAMORAR, CASAR, TER FILHOS, ENVELHECER DO TEU LADO E SE NÃO FOR PEDIR MUITO QUANDO FORMOS OS DOIS VELHINHOS QUERO IR PRIMEIRO QUE TU PORQUE NÃO SEI SE CONSEGUIREI VIVER SEM TI! Agora pára de fugir, não tenhas medo de viver, de quereres para ti o que qualquer outra pessoa quer, entrega-te à vida a dois e vais ver que essa sensação de não te reconheceres desaparece num estalar de dedos, juntos vamos conseguir arranjar uma forma de equilibrarmos a balança mas principalmente de sermos felizes!

Maria
Sai do quarto e do apartamento directa para o apartamento do lado e encontrei-a de fones nos ouvidos, conseguia eu de longe ouvir o que tocava no mp3, sabia que falar não era a melhor opção e por isso sentei-me perto dela e em poucos minutos tinha a sua cabeça sobre as minhas pernas e ela chorava como poucas vezes a tinha visto fazer.
Ainda passamos ali uns largos minutos até que como já esperava ela secou as lágrimas, deu um toque na imagem e voltou para a nossa casa como se nada fosse, segui-a e quando entrei encontrei o Ruben e o João na sala ambos com cara de quem não estava a perceber nada, a Mariana foi ao quarto buscar a sua mala e eu juntei-me a eles
- O que é que ela tem?
- Perguntas-me a mim?! Tu é que deves saber...
- Maria a sério o que é que se passou?
- Não sei, mas a minha prima se não deixa o pipo saltar a coisa vai ficar feia... Ruben ela não falou nada, mas não está bem...
- Escusam de esperar por mim, não vou almoçar!
- Não vais o quê?
- Almoçar... até logo! - saiu batendo a porta
Assim que a porta fechou o Ruben olhou para mim tentando obter respostas que eu pura e simplesmente não tinha, ainda tentei que ele se lembrasse de algo que a pudesse ter deixado chateada, mas foi mesmo o João a surpreender-nos ao colocar a questão de uma forma tão clara e evidente
- Não seu camelo... o que quis dizer é que a Mariana pode não estar a conseguir ir para a cama contigo porque dentro daquele coração e cabeça deve andar uma confusão daquelas... a Mariana nunca namorou, nunca chamou ninguém de amor, nunca soube o que é acordar ao lado da pessoa que nos faz sorrir só com um simples olhar, - o João falava enquanto me abraçava - resumindo a Mariana nunca foi amada... e agora que o pode ser vê-se pressionada por ti para se envolverem.... já para não falar que ao longo destes meses deu-te a maior prova de amor que podias pedir, a Mariana há meses que não se envolve com ninguém... sim porque se não acreditas nisso eu acredito... puto nunca a vi tão decidida mas ao mesmo tempo tão magoada como vi nos meus anos quando afirmou que se fizesses as contas sabias perfeitamente quem tinha sido o seu último! - estava completamente babada ao ouvi-lo, sim somos amigos mas nunca imaginei que ele conseguisse perceber a Mariana tão bem e muito menos que andasse tão atento - Resumindo a Mariana está a sofrer por amor e nenhum de nós conseguiu perceber isso, só assim se explica o facto dela se ter dado ao trabalho de preparar um jantar a sós para vocês, ela quer o que qualquer outra rapariga quer... puto apaparica a Mariana e vais ver que todos os teus problemas desaparecem, prova-lhe com gestos que só a queres amar e podes ter a certeza que ela libera o que tanto queres!
- Ena... agora falaste bem. - estava estarrecida ele tinha dito exactamente o que tinha de ser dito, mas não poderia ser eu a quebrar o pacto de confidencialidade que une as primas M
- Falei, não falei?!
- Hum-hum... até mereces um beijo! - terminei de falar e beijei-o - mas foste imprudente! É que agora já sei o teu truque e já não enganas... quando vieres para cá com mimos já sei que se não fizeste tás para fazer... - aproveitei que estávamos sentados juntinhos no sofá e que o Ruben tinha-se isolado no quarto para mais um beijo antes de confessar a minha admiração - Mas fiquei mesmo, mesmo estarrecida com a maneira como conheces a minha prima...
- Não sei porquê... conhecemos-nos há tanto tempo e vocês não são assim tão diferentes... são duas medricas...
- Medricas?!
- Sim... a Mariana está da forma calma e carinhosa dela - disse a rir -a fazer o mesmo que já me fizeste a mim...
- Desculpa?!
- Sim o fofinha eles levam é um ano de atraso... mas também me andas-te a cozinhar em lume brando.. e também por andares cheia de medinhos...
- Ah...
- Ah nem meio ah... - deu-me um beijo que começou a intensificar-se e acabou por nos animar
- Vês como não sou igual á minha prima... - disse quebrando o momento fazendo-o olhar para mim com ar estranho - eu não te deixei na mão como ela tá a fazer com o Ruben  - falei enquanto o acariciava
- Mariaahh...- respirou fundo engoliu em seco e eu continuava a aumentar a pressão dos carinhos - lá nisso não me posso queixar..
- Desculpa queixar?! Tu devias era ir todos os dias à missa agradecer...
- Não posso fofa... o padre era capaz de não achar piada se eu lhe contasse... é que tu é uma menina muito má! - disse a rir - mas o que eu estava a querer dizer é que nós nunca fizemos do sexo a nossa única ligação... já eles...
- É o que eu digo tu hoje estás muito perspicaz...
- Tão perspicaz que já percebi que agora tenho de te pegar ao colo e levar para o quarto antes que entre alguém...
- Lamento Joãozinho mas já vais tarde que eu já entrei... - a Ana falou
- É e eu também... - ouvi o Fábio
Com a chegada dos dois o momento mais animado a sós com o João acabou por se tornar numa tarde de pura má língua entre os quatro com pizzas à mistura já que ninguém quis cozinhar, até que a Mariana voltou a casa
- Boa tarde!
- Prima!
- Diz?
- Tá tudo bem? Onde é que foste? Comeste?
- Fui só apanhar ar... sim comi...
Não me disse mais nada e saiu em direcção ao quarto, de onde poucos minutos depois voltou a sair seguida do Ruben que se juntou a nós ainda sem grande animação. E quando tentamos saber como estava a minha prima percebemos que a coisa ainda estava mal e quando a Ana tentou meter-se na conversa o Ruben não gostou, mas a entrada da Mariana pronta a sair interrompeu-nos e levou o Ruben a pedir que o ouvisse. Aproveitei o momento
- Ana... - ela olhou-me - Posso dar-te um conselho e pedir-te um favor ao mesmo tempo?
- Podes...
- Deixa-os em paz! Parece mal ser eu a dizer-te isto pela relação que me liga a ela, mas é o melhor que podes fazer por ti... deixar de te martirizares e avançar com a tua vida além disso somos todos amigos e esta tua postura começa a criar mau ambiente, já para não falar que perdes os limites de tal forma que até a mim já atacaste só para os atingires...
- Eu... - ela não continuou porque ficamos estáticas a ouvir a resposta menos contida da Mariana a minha prima abriu completamente o coração e surpreendentemente resolveu fazê-lo na presença de todos.
- Amo-te - foi a primeira coisa que o Ruben lhe disse depois de tudo o que tinha ouvido e depois beijou-a nesse momento a Ana saiu para a varanda e poucos segundos depois foi a vez de o Fábio o fazer - amor - assim que o Ruben retomou as palavras aproximei-me do João e ficamos os dois perto da porta, mas em posição de intervir caso fosse necessário, o Ruben estava a ser arrebatador se a minha prima tinha sido surpreendente ele não lhe estava a ficar a trás
- Bem... impressão minha ou acordaram os dois para a vida?
- Foi... mas agora cala-te que quero ouvir
- Cusca...
- É a minha prima! - ele lá se calou e eu continuei a ouvir o Ruben
- Desculpa dizê-lo assim mas a verdade é que nunca pensaste nos outros e em como as tuas atitudes magoavam-nos, nós que sempre estivemos ao teu lado muitas vezes éramos tratados como algo dispensável, não medias as palavras e muito menos paravas para reflectir naquilo que fazias - ele falava por ele mas também por nós adoro a Mariana, não sei viver sem ela mas há momentos em que foi egoísta de mais ainda, ele falou mais algumas coisas mais pessoais e depois - sim AMO-TE e sim QUERO NAMORAR, CASAR, TER FILHOS, ENVELHECER DO TEU LADO E SE NÃO FOR PEDIR MUITO QUANDO FORMOS OS DOIS VELHINHOS QUERO IR PRIMEIRO QUE TU PORQUE NÃO SEI SE CONSEGUIREI VIVER SEM TI! - senti uma lágrima correr e os braços do João a puxarem-me
- Ei ele ainda não acabou!!
- Ele tá a falar contigo?! Queres pipocas é? Ou melhor uma caixa de lenços de papel e um balde para apanhar-te as lágrimas!
- Deixa de ser parvo... o Ruben estava a ser lindo...
- Ai estava a ser lindo - falava a gozar
- Sim tu ouviste bem o que ele disse antes de me tirares de lá?! A minha prima deve tar sem saber o que fazer! Eu acho que tinha uma coisinha má
- Achas é?
- Sim acho, mas não sei... não tenho ninguém que me diga aquelas coisas...
- É que nem esperes que saiam da minha boca... eu não quero morrer antes de ti...nem depois - ouvi-o sussurrar -  e tenho sérias duvidas que alguém te ature quando o Alzheimer te atacar!
- Pois é por isso que eu choro com o Ruben... tu és um insensível... não gostas de ninguém e amor é coisa que só deves sentir pelo gajo que te aparece na frente quando te vê ao espelho! - falei ironizando ao máximo e exagerando nos gestos
- Olha ai... - disse a rir quando quase lhe acertei um soco sem querer - oh fofinha... achas que eu preciso mesmo de dizer aquilo tudo que o Ruben disse?! Por favor a tua prima disse ali que tinha inveja de nós porque, e vou usar as suas palavras “olho para o João e para a Maria e vejo que eles transpiram amor por todos os poros, eles não estão só juntos para temperarem o corpo... eles têm planos para o futuro” para quê perder tempo com o óbvio?!
- A minha prima bebeu só pode... planos para o futuro nós?! Óbvio?! Para quem? - parei olhei-o - Pronto tá bem pode ser bastante óbvio mesmo... mas sabe sempre bem ouvir...
- É acredito que sim, mas nunca me disseram...
- Tás a dizer que eu não te digo que... - sentei-me no colo dele que estava meio deitado meio sentado na cama - A-DO-RO - TE! - dei-lhe um beijo - MUITOOO - dei-lhe um novo beijo - amo-te..- sussurrei-lhe ao ouvido e os momentos seguintes serviram para nos mimar-mos mutuamente e também eu tive direito a ouvir coisas fofinhas, mas não por muito tempo
- Sabes agora tou preocupado... - falou enquanto me desabotoava as calças deitado em cima de mim, confesso que pensei que ele fosse buscar outra vez a conversa do bebé - com isto tudo a tua prima só pode ter caído nos braços do Rubinho e agora como será que fica a nossa relação?! - saltei de imediato de baixo dele deixando-o caído para o lado na cama a rir que nem um perdido
- Tem cá uma piada?!
- Devias ver a tua cara! - puxou-me para ele - Mas preocupo-me com isso depois porque agora quero acabar o que estava a fazer...
- Esquece... - ele olhou-me a implorar que me juntasse de novo a ele - lamento mas essa tua piadinha tem uma percentagem de 100% no que toca a sucesso comigo
- Sucesso?!
- Sim... qual pílula, qual preservativo... para quê qualquer outro anti-conceptivo disponível se essa parvoíce tem um resultado tão garantido como a abstinência... ahh espera essa piadinha leva mesmo à abstinência! - recompus-me e sai do quarto deixando-o sozinho. Quando cheguei à sala encontrei o Ruben sozinho, mas com um sorriso parvo no rosto - Ena que ele tá todo contentinho... - ele mostrou-me a língua - Olha ficas avisado que da próxima fez que borrar os olhos porque tu me fizeste chorar parto-te uma perna!
- Nossa que biolencia priminha! Tenho de falar com o João... essa agressividade toda só pode ser falta de...
- Nem continues!
- Olha por João onde é que ele tá?
- No quarto à tua espera... vai lá que ele tá mesmo aflito!
O Ruben pensou que eu falava a sério e saiu da sala com um ar assustado

João
A Maria saiu do quarto e eu fiquei um bocado atarantado se durante a tarde achava que o “chelique” dela com a brincadeira com o Ruben era também palhaçada, mas agora que ela assim que resolvi brincar saiu disparada para longe de mim e ainda evitou qualquer contacto. Preferi não segui-la e passados poucos minutos quando já estava deitado a tentar esquecer ouvi a porta abrir e fechar e senti sentarem-se na cama, fiquei calado para ver se ela dizia alguma coisa
- Puto então que se passa?! - a sério?! o Ruben, abri os olhos e sentei-me - A Maria disse que tavas a precisar de mim...
- É impressionante... ainda goza!... Tu acreditas que por tua culpa! Sim por tua culpa agora não tenho direito a nadinha... logo agora que eu ia jogar baixo...
- Ei calma uma coisa de cada vez primeiro a parte de a culpa ser minha...
- Então a Maria diz que ficou traumatizada com a brincadeira desta tarde... começada por ti! e por isso agora não quer nada...
- Oh ela tá-te a gozar!
- Foi o que eu pensei mas ela acabou de me elucidar que aquela brincadeira a única coisa que gerava era abstinência! - ele começou-se a rir
- Oh mano, na boa ela não ficou mesmo com isso na cabeça pois não? - perguntou já sério
- O que é que tu queres que te diga... se tu visses como ela fica quando toca no assunto...
- Isso passa-lhe... e jogo baixo vocês andam a jogar o quê?
- Nada... oh pah isto é verão, tá calor a malta tá de férias... tem tendência a animar-se mais e a esquecer coisas desnecessárias tipo o preservativo e assim...
- Tu não estás a pensar engravida-la à traição pois não?
- Eh isso dito assim até parece que é algum crime!
- Crime não é! Mas se ela sonha tens noção que estás realmente lixado e digo-te já que tem todo o meu apoio se não te quiser voltar a olhar na cara... puto pelo que me disseste ontem ela deixou bem claras as suas intenções sobre o assunto e é muito mau fazeres uma dessas...
- Oh aposto contigo que quando der por isso ela também vai gostar...
- E eu aposto que tens uma surpresa! Pensa bem não te metas numa dessas... olha que mesmo que ela acabe por gostar da ideia vai passar o resto da vida sem te perdoar e olha que estamos a falar numa das primas Mendes... João nós sabemos o que a casa gasta se ela mete na cabeça que nunca mais te perdoa tás lixado...
- É... pode ser...- olhou-me com cara de mau - ok tens razão eu não vou forçar, mas também não vou evitar!
- Tu é que sabes... mas quem te avisa... bom e agora anda lá para a sala que ela ficou sozinha e a Mari também deve tar a voltar...
- Voltar?! Tou a ver que se acertaram!
- Mas tinhas duvidas é? - falou já a entrar na sala onde apenas estavam a Maria e a Ana
- Priminha... priminha... nunca pensei que pensasses isso de mim... - a Maria olhou-me e olhou para ele - tu sabes que homem de amiga minha pra mim é gaja! - a Maria gargalhou
- Tu não tens vergonha nenhuma na cara é o que é! E esse ai é outro!
- Mas vocês importam-se de me explicar o que se está a passar...
- Ana acredita em mim, não vais querer saber...
- Ora aqui está o homem do momento... puto a tua namorada mandou-te mexer as perninhas rápido que está á tua espera no apartamento da frente
- Txau - assim que o Fabio falou o Ruben voou para lá enquanto eu sentei-me no colo da Maria que estava sentada no sofá individual
- Olha ai oh elefante!
- Oh Maria... que lhe chames de Chihuahua ainda vá... que é pequenino e irritante agora elefante?! - o Fabio resolveu picar
- Oh tu pequeno e irritante é o que tens no meio das pernas... ela chama-me elefante porque... conhece bem a minha tromba!


Maria
Eu só posso ter jogado pedra na cruz para merecer isto! O João hoje estava completamente destravado só lhe saia asneirada daquela boca.
- Eish oh João dispenso certo tipo de pormenores - a Ana falou fazendo um gesto de pequenino com os dedos - para desgraças já me bastam as minhas!
- Mas será possível que a conversa não tenha outra conclusão hoje sem ser cueca?! Oh por favor
- É verdade cambada de depravados...
- Tu cala-te que és o pior sinceramente já não sei o que fazer para te calares!
- Queres mesmo que te responda aqui na frente das pessoas?!
- Olhem é o Ruben e a Mariana dum lado são vocês do outro... eu vou é sair para apanhar ar e curtir a noite
- Aninhas eu vou contigo!
O Fábio e a Ana saíram e eu acabei por ficar na sala a tentar explicar ao João que se não saia de cima de mim esmagava-me as pernas.

Como será que corre a noite da Ana e do Fábio? Como estarão a Mariana e o Ruben? E o João e a Maria resolverão o trauma dela?
Não percam o próximo episódio porque nós também não!!

039 - "PRIMAAA! Tu não sabes o que eu fui obrigada a ver! Tu não deixes o Rodry aproximar-se do teu namorado! Olha que perdes! "

Ruben

O ambiente do bar era bacano e estava a divertir-me até ao momento que a Mariana avisou que iria até ao WC, ela demorou mais do que seria previsto e foi quando já estava farto de esperar que levantei-me para ir buscar mais uma bebida, pelo caminho encontrei-a abraçada a um gajo e demasiado alegre para o meu gosto, aquilo mexeu comigo e senti mesmo necessidade de ir esfriar a cabeça.
Estava no exterior do bar quando a vi a aproximar-se, a Mariana acabou por explicar-me quem era o rapaz e apesar de não estar satisfeito com a situação acabei por perceber que exagerei, o que permitiu que fizesse as pazes com ela e regressássemos numa boa para junto do nosso grupo.
Foi quando lá chegamos que ouvi a nossa música, naquele instante as imagens do passado passaram diante dos meus olhos como se um flash se tratasse, não resisti e puxei-a para mim, dançamos agarradinhos, senti-me novamente um puto com as hormonas aos saltos mas ainda assim a rejubilar de felicidade por a ter nos meus braços, por a Mariana ao fim de tanto ano continuar a ser só minha.
Mas tudo o que é prefeito tem tendência a terminar e foi o que aconteceu, infelizmente fomos interrompidos pela ave rara do António. A Mariana fez questão de nos apresentar e uns segundos bastaram para perceber que fui tema de conversa entre os dois, aquilo por um lado deixou-me feliz afinal mais uma vez tive a confirmação que a Mariana nunca se esqueceu de mim mas por outro preferia que nunca tivesse falado, era sinal que não tinham partilhado assim tantos momentos. Acabei por deixar tais pensamentos para ouvir a conversa animada dos amigos delas que depressa começaram a contar histórias do tempo da faculdade, daquelas em que se deveria aplicar o ditado “o que acontece em... fica em...” mas que eles resolveram comentar.
Tentei disfarçar o incomodo que tais informações causaram em mim mas foi impossível ocultar isso da Mariana que durante o momento de partilha fez questão de volta e meia mimar-me talvez para não sentir-me tão excluído daquela “festa” toda.
- Anda... - agarrou-me não mão levantando-se imediatamente.
- Onde é que queres ir? - não fiz pergunta nenhuma de outro mundo mas que o pessoal dela gargalhou todo lá isso gargalharam.
- Menos... muito menos... ó mentes perversas! - a Mariana comentou a reacção dos amigos e ainda os acompanhou nas gargalhadas.
- Marianita... vais dizer que não te deu uma vontade súbita de ir até ao WC - a Vanessa comentou e os restantes gargalharam.
- Não... se queres mesmo saber já me deixei dessas vontades súbitas...
- Hum... hum... e deve ser com esse corpinho danone do teu lado!! - a Mariana que até então ria perdeu o sorriso.
- Patrícia guarda para ti esses pensamentos... porque garanto que este não vamos partilhar, já para não falar que o Ruben não é um boneco para andar de mão em mão.
- Oh amiga... não sejas egoísta - a outra gargalhou enquanto eu assistia a tudo calado - até porque aí o Ruben não tem ar de santo... até pelo contrário deve ser daqueles que partem a loiça toda...
- Chega!
A Mariana foi ríspida na forma como falou e nem deu tempo para a amiga reagir uma vez que saiu da mesa arrastando-me com ela.
- Posso saber o que te deu?
- Não te faças de sonso que percebeste bem que a Patrícia quer dar uma voltinha contigo! - sorri ao vê-la irritada com tão pouco.
- Até pode querer... mas não estou interessado - abracei-a pela cintura e foi assim que caminhamos até ao bar.
- Olha quem é ela! Finalmente... estava a ver que não vinhas falar aqui com o Daniel!  - sorriu.
- Deixa de ser exagerado... estive só entretida mas já aqui estou!
- Então e o que vai ser?
- O do costume... mas antes deixa-me apresentar-te o Ruben... Ruben é o Daniel, Daniel é o Ruben - cumprimentou-me e depois serviu-nos uma bebida.
- Quem é que é aquele? - perguntei assim que nos afastamos do balcão.
- O Daniel, um dos donos do bar e meu amigo e da Maria... ah mas o que queres saber não é isso... - olhou-me - não nunca fui para a cama com ele - sorriu para logo depois beijar-me - anda... apetece-me dançar - sorri e fiz-lhe a vontade durante algum tempo mas acabamos por regressar para a mesa.
- No que é que estás a pensar? - perguntei ao vê-la completamente no mundo da lua.
- Ruben...
- Sim...
- Nada esquece!
- Hey... não esqueço não! Fala... - a Mariana olhou-me e uns segundos depois acabou por falar mas num tom que só fosse audível para mim.
- Também pensas como o João?
- Como assim?
- Oh... também queres ser pai! - atirou de rajada o que fez com que gargalhasse despertando a curiosidade do pessoal que olhou todo ainda assim falei.
- Posso saber porquê que te lembraste disso agora?
- Perguntei primeiro!
- Para ser sincero nunca parei para pensar nisso... talvez porque nunca fez sentido pensar em filhos quando não te tinha do meu lado mas agora que tocaste no assunto - olhou-me - antes de encomendarmos um júnior ainda temos tanto para viver, não tenho urgência nenhuma em ter um pirralho a berrar atrás de nós - sorriu - gosto muito de crianças é verdade mas para mim putos são um amor quando são filhos dos outros - beijou-me e acabei por puxa-la para o meu colo - mas isso não invalida que não vá aos treinos... - sussurrei ao seu ouvido - não queres ir para casa... - sugeri quando as suas mãos já passeavam por baixo da minha t-shirt - podíamos aproveitar que não está lá ninguém... - os meus lábios que até então andavam a passear pelo seu rosto desceram até ao seu pescoço e por aí ficaram até a Mariana resolver acabar com aquilo saindo do meu colo - hey... onde vais! Volta para aqui! - sorriu
- Volto se não te meteres com ideias! - rematou sem o mínimo cuidado e por isso o João ouviu.
- Oh priminha... olha que dás cabo do mano!! Confesso que estás a surpreender-me... nunca pensei que resistisses tanto tempo - sorriu.
- Oh primo... sabes que quem está há tanto tempo sem nada... mais um dia não faz diferença!
- Não partilho dessa opinião! - manifestei-me imediatamente - e se estás sem nada é porque queres... - gargalhou - ou melhor porque meteste na cabeça que assim deve ser!
- Tadinho... isso está assim tão crítico, é? - sentou-se novamente ao meu colo o que permitiu responder-lhe de forma a que só ela ouvisse.
- Até parece que não queres tanto quanto eu... - sorriu
- Quem espera sempre alcança... além disso saber esperar é uma virtude! - beijou-me e o que ao início seria só um beijo ganhou contornos impróprios para o sitio onde estávamos e só não descambou de vez porque o pessoal começou com bocas, ainda assim a Mariana continuou no meu colo e volta e meia trocávamos mimos.
- Não queres mesmo ir para casa? - perguntei algum tempo depois e por saber que amanhã teria que levantar-me cedo.
- Já estás com soninho...
- Não... mas amanhã tenho um encontro inadiável com o Telmo e por sinal é bem cedo.
- Hum... então vamos - beijou-me - já podias ter dito!
- Oh... estavas tão entretida à conversa que não quis interromper.
- Deixa de ser parolo! Vamos então.
A Mariana avisou que íamos embora o que foi suficiente para o pessoal a chamar de fraquinha pois segundo eles era sempre a última a querer ir embora, mas a verdade é que acabaram todos por seguir o nosso exemplo e foram embora também.
Chegamos a casa relativamente rápido e por sinal só os quatro, sim a Ana e o Fábio arranjaram duas vitimas para passarem o tempo e por isso ficaram pelo bar. Entramos no apartamento delas e assim que cheguei à porta do quarto ouvi a Maria a informar-nos que pretendia dormir como tal se quiséssemos fazer alguma coisa que fossemos discretos, lógico que não ficou sem resposta uma vez que a Mariana respondeu-lhe à letra.
- Prima... sei que sou Mariana por tua culpa... sim que a tua tia queria que fosse Maria mas como a tua mãe se antecipou tive que levar com o ana e fiquei Mariana mas... não precisas de confundir-nos... sim aqui a que faz barulho e nem se incomoda com os “vizinhos” és tu!
- Tens cá uma mural para falar... queres mesmo lavar roupa suja a esta hora...
- Não tenho nada a esconder... priminha sempre assumi...
- Então cala-te e vai lá satisfazer o Ruben que o desgraçado daqui a nada anda a trepar paredes... e dado o estado dos seus joelhos não sei se é boa ideia... ah e priminha... não te esqueças que ele agora é investimento do tio... por isso é para ser tratado com muito amor e carinho!
A Maria acabou de falar já no interior do seu quarto ainda assim a Mariana teria respondido se não a impedisse mas calei-a com um beijo e entramos finalmente no nosso quarto.
- O que é que se passou com aqueles dois? - falei assim que nos afastamos - Já deu para ver que estão amuados um com o outro...
- Sei lá... mas o que quer que tenha sido eles resolvem e agora vamos dormir!
- Dormir? Mas não ouviste a tua prima? Tens a obrigação de cuidar aqui do Je... afinal sou investimento para o teu tio! - gargalhou
- Andas mesmo fraquinho... já nem consegues ser original e arranjares argumentos válidos... - a Mariana ripostou enquanto se despia
- Queres argumentos válidos... é? - sorriu e afirmou com a cabeça - hum... sabes que só os dou a quem merece...
- Ah é... então está bem!
Sorri perante o falso amuo da Mariana no entanto não respondi, acabei mesmo por virar costas e também eu me despir, estava entretido a colocar o telemóvel para despertar quando pressinto ela a aproximar-se, ainda assim mantive-me quieto e uns segundos bastaram para sentir os seus braços em volta da minha cintura, as suas mãos no meu peito e os seus lábios nas minhas costas.
- Hum... posso saber o que o menino tanto mexe no telemóvel? - perguntou ao mesmo tempo que olhava por cima do meu ombro.
- A colocar isto para despertar - respondi com toda a calma do mundo apesar de já ter as mãos da Mari a chegarem ao elástico dos meus boxers - e agora vou dormir! - tentei afastar-me dela mas fiquei-me mesmo pela intenção ou não fosse ela ter-me virado para si e obrigado-me a deitar na cama.
- Tens a certeza que queres dormir... - perguntou já sentada em cima de mim - é que tinha outros planos... - beijou-me - mas se estás com sono... - acariciou-me durante alguns segundos para logo depois sair de cima de mim e se deitar impávida e serena - boa noite... dorme com os anjinhos! - virou-se de costas para mim e apagou a luz.
- Hey... tava a brincar... - aproximei-me dela colando mesmo os nossos corpos mas
- Temos pena... não gostei e agora podes tirar a mão que daqui não levas nada! Ah e vê se dormes que amanhã vais ter que acordar cedo!
- Estás a brincar, certo?
- Não! E se não te calas ficas a dormir sozinho!
Acabei por não insistir e virei-me para o outro lado apesar de não querer adormecer aborrecido com a Mariana não me restou outra oportunidade que não fazê-lo pois percebi que hoje já não adiantava dizer nada que ela não iria ouvir.

Maria

Senti o João despir-se e deitar-se também ele. Senti e não vi porque fiz questão de me deitar de forma a ficar de costas voltadas para ele. Durante uns minutos senti-o revirar-se na cama, mas sem nunca se aproximar de mim, agradeci mentalmente ter uma cama de casal. Mas passados alguns minutos, senti o calor do seu corpo a aproximar-se do meu e depois o braço a rodear-me a cintura.
- Não sei como consegues - ia refilar, mais ainda bem que não o fiz - dormir assim... - dormir?! boa ia fingir e saber até onde iria o monologo dele - oh fofinha... - passou-me a mão pela cara desviando os cabelos que caiam sobre ela - tou mal habituado... já não sei como é que se faz... - parou durante uns minutos e eu em pulgas para saber o que raio ele queria saber como se fazia - como é que eu adormeço assim contigo chateada comigo hum?! - perguntou enquanto a sua boca chegava bem perto do meu ouvido onde me deu um “cheiro” e um beijinho leve, mas que me arrepiou toda, pensei mesmo que ele tivesse percebido que estava acordada - desculpa... desculpas?... Dás cabo de mim é o que é!... Amo-te - pronto é oficial ele estava a fazer-me derreter toda e quando pela primeira vez o ouvi dizer tal coisa não consegui resistir apesar de tentar durante alguns segundos, os suficientes para ele se afastar e voltar-me as costas
- Amo-te... - beijo no ombro - amo-te... - beijo no pescoço - amo-te... -era para ser um beijo no pé da orelha mas ele de imediato se voltou novamente para mim e uniu as nossas bocas
- A menina não sabe que é feio mentir... e sim fingir que se dorme é mentir!
- Oh eu ia dizer que tava acordada, mas sempre que tentava tu falavas... e ficas a saber que eu não te podia ajudar porque tenho o mesmo problema que tu! Não sei dormir chateada contigo ti e pior começo a ter dificuldade em fazê-lo se não tiver coladinha a ti! - voltei a unir os nossos lábios - já passou o ciuminho parvo já?
- Oh... diz o roto ao nu! - riu - Mas sim senhora gostei de saber que a menina partiu a loiça toda enquanto esteve por aqui... muito bonito de se ouvir dona Maria Micaela...
- Psiuu o menino só comenta depois de eu ouvir o que os seus amigos de Braga têm a contar! Agora anda cá! - colei o meu corpo ao dele e envolvi a minha cintura com os seus braços - Vamos dormir que o dia amanhã começa cedo...
- Cedo?!
- Sim... o Ruben começa com o tratamento e o meu tio incubiu-me de acompanhar...
- Como é que é?! Vais trabalhar? Mas não eram férias?!
- E são... de tarde...
- Oh... vou passar as manhãs sozinho?
- Não o que não falta aqui em casa é companhia, mas se quiseres a melhor companhia do mundo, a minha! Podes sempre levantar-te da cama e ires também, fazes companhia ao Ruben e abates essa barriguinha!
- Qual barriguinha?! Onde?! Tás a sentir alguma coisa?! - falava enquanto obrigava a minha mão ao tremendo sacrifício de lhe mapear cada milímetro de abdominal
- Humm agora que perguntas tou a sentir muitas... mas nenhuma delas má... - dei-lhe um beijo no pescoço e fui descendo percorri com beijos e mordidinhas todo o corpo até a linha dos boxers e voltei para cima, dei-lhe um beijo calmo nos lábios - boa noite..
- Tás cá uma fraquinha tu!
- Nem comeces que não vais ter sorte nenhuma!
- Só disse uma verdade... já te vi bem mais decidida... e sem medo...
- Medo?! Eu do quê?!
- De continuar o que fazias em vez de subires... -gargalhei
- Oh alminha tu não percebeste que só tive pena de ti?!
- Pena de mim?!
- Se tivesse continuado... humm lamento mas acho que hoje não te aguentavas... - voltei a gargalhar
- E porque é que não experimentas?! Vai-se a ver e surpreendo-te
- Hummm tentador... mas não! Preciso mesmo de dormir! E como já não estás amuadinho já consigo... - acabei de falar bocejei e enrosquei-me, passaram muito poucos minutos para adormecer com os mimos do João.
Acordei com o despertador a tocar e sozinha na cama, não gostei e quando consegui abrir os olhos vi o João já vestido, pronto para treinar
- Bom dia... onde é que vais?
- Então vou treinar com o Ruben... é que não há nada mais secante e desmotivante que correr sozinho!
- Muito bem sim senhor... vou tomar duche e em 20 minutos estamos a sair que o fisioterapeuta espera-nos.
Despachei-me e quando cheguei à cozinha já os dois “aspiravam” comida.
- Bom dia priminho... preparado?
- Yap... olha lá o que é que tu lhe disseste que ele tá todo acelarado para ir correr também...
- Eu?! Nada!
- E eu sou o coelho da pascoa...
Rimos-nos os três e saímos, apanhei uma valente seca enquanto os meninos treinavam e para me distrair comecei a provoca-los
- Txiii oh João que o coxo não corra mais é na boa agora tu?! Fraquinho!
- Coxo?! Fogo que consideração por um gajo que tá em recuperação!
- Fraquinho?! Anda cá tu mostrar o que vales!
- Até ia... mas tenho duas fortes razões para não o fazer. Primeiro não estou vestida convenientemente, nem de sapatilhas estou - falei apontando para os saltos - se bem que mesmo assim vos dava um bigode! Mas o principal é mesmo o facto de não vos querer envergonhar em publico!
- Por mim não te preocupes com a vergonha... afinal tenho sempre a desculpa de estar lesionado!
- É... hoje escapas por estares nesses preparos, mas amanhã é bom que venhas pronta a mostrares o que vales...
- Ahahah preparem-se para a humilhação...
- Tás a falar muito em humilhação o que é que apostas?
- Como sei que vais perder escolhes tu! - falei aproximando-me da passadeira onde o João corria e quando falei joguei-lhe um beijo
- Anda cá dar! - disse a rir - Oh Maria tu não te esqueças que a ultima vez que apostamos acabaste a ver um jogo meu!
- Ahahah pois foi... mas ai foi de propósito! - ele olhou espantado - Achas mesmo que eu perdia a oportunidade de vos ver perder? Ahahah era isso era! Alem disso como se prova pela conjuntura actual eu ter ido foi um ponto marcante!
- Marcante para quem?! Só se for para ti!
- E para ti também menino Ruben, porque se eu não tivesse ido, não havia cá apresentações e nem jogo de verdade ou consequência aqui com o João a provocar a minha prima... e sabes o que é que tinha acontecido, sabes? A esta hora continuavas um atadinho do pior e sozinho... sim que aquela gaja não te ia dar bola nunca na vida dela... e olha que até um ceguinho conseguia ver isso! - o Ruben olhava-me boquiaberto - que é disse alguma mentira?!
- Não amor foste foi objectiva de mais... - ri-me
- Então... resta-nos só agradecer ao desgraçado do Filipe que sofreu aquele monumental “perú” por nos ter juntado todos e o resto é história!
Eles acabaram a concordar comigo e o regresso a casa foi bastante animado.
- A casa de banho é minha! - o João nem deixou o Ruben dizer ai e trancou-se dentro do wc
- Oh vida... eu mereço!!
- A refilar de barriga cheia... isso é feio priminha!
- Feio és tu! - sentamos-nos na sala - Mas será possível que este dois dormiram fora?
- É parece que sim... e a tua prima também evaporou...
- Olha lá que desanimo é esse?
- Nada...
- E eu sou o coelho da pascoa...
- É que...
- É que???
- A tua prima!
- Sim??
- Oh Maria juro que tento mas...
- Mas?
- Eu não consigo vê-la toda abraçadinha aos vossos amigos de cá... não consigo... e ela parece que faz de propósito! - não consegui evitar de rir - isso goza-me!
- Não estou a gozar, mas vocês os dois sem se provocarem um bocadinho que seja não são vocês... alem disso ainda tens duvidas de que o que ela quer é mesmo estar contigo?
- Sim... - olhei-o admirada - quer dizer não... - continuei a olha-lo - eu sei que ela quer, mas cada vez mais duvido que consiga....
- Tás a gozar certo?
- Oh Maria eu não a percebo... tão depressa está tudo bem, como deixa de estar...  e... - parou e vi-o ficar envergonhado - e se houve coisa que nunca tivemos foi problemas de cama e agora ela anda numa de me provocar e depois deixar-me “na mão” - voltei a rir
- Desculpa mas a imagem foi aterradora!
- Fogo eu não sou de ferro e ela... é como se não fosse nada com ela... parece que sou um brinquedo com que se diverte a fazer sofrer...
- Quem é que sofre para ai? - o João entrou na sala apenas enrolado na toalha e o momento que se seguiu foi aterrador!
- Tu se continuas a aparecer-me assim na frente... - o Ruben abraçou o João por trás - conto-te uma historia!
- Conta Rubinho... conta! - eles continuavam os dois abraçados
- EHHHH!!! PAROU JÁ!!!  - acabei por intervir enquanto os dois se desmanchavam a rir - Nenhum dos dois tá a ter piada... Tu menino Ruben já para o banho... e tu menino João hás-de cá vir!
- Vou sim.. mas antes vou só comer qualquer coisinha... - ele saiu para a cozinha ainda a rir e passado pouco tempo voltou a comer e apenas de boxers, sentou-se no mesmo sofá que eu e meteu as pernas no meu colo - Bebé faz uma massagem a mim! - olhei-o - Vá lá a sério tou todo desfeito...
- Temos pena... - olhou-me surpreendido pela forma seca como lhe falei - Vai pedir ao Rubinho vai! Aproveita que ele ainda tá no duche... - acabei de falar e desatei a rir
- Piada... - sentou-se bem e puxou-me - sabes que dizem que o pessoal que experimenta já não quer outra coisa... tás pronta para me perder é?
- Vai... força... eu nem preciso fazer nada que a minha prima dá cabo de ti se te chegas muito ao namorado dela!
- O que é que tem a tua prima e o namorado dela? Por falar nisso onde é que ele tá?
- PRIMAAA! Tu não sabes o que eu fui obrigada a ver! Tu não deixes o Rodry aproximar-se do teu namorado! Olha que perdes!
- Conta lá isso devagarinho
- O teu namorado alapou-se aqui ao “fofinho” e ainda disse que ele ia sofrer e o pior é que este resolveu sair do armário e já tava todo contente e tiveram o desplante de o fazer na minha frente ahhh e este tava despido!
- E agora como se eu fosse muito burra! - Ia começar a repetir quando a porta da casa de banho se abriu
- Amor ainda bem que voltaste... tu não imaginas a quantidade de barbaridades que estazinha está a dizer sobre nós!
- Oh bebé... tu é que a usas para te esconderes por isso trata dela! - estava abismada com a lata dos dois
- Vocês trocam mais uma palavra nesse tom e tu ficas sem a “zinha” que usas para te esconderes tás a perceber?!
- Ihhh priminho conseguiste acordar a fera - a Mariana falou para o João e ainda ria com a situação mas nem sequer olhava para o Ruben.
- Bom a brincadeira tá muito engraçada, mas eu preciso de trabalhar... ohh tu! - disse falando com o João - anda ali comigo que quero mostrar-te um mail que recebi...- sai da sala directa para o quarto e assim que fechei a porta - larga-me!
- Oh só um beijinho!
- Espera que a minha prima o mate e depois pede ao Ruben!
- Aquilo tava pesado mesmo...
- Só não consegui perceber porquê?! Ela nem vos viu agarrados! - falei com uma certa repugnância na voz, sim que aquilo estava-me a fazer uma certa confusão
- Txiii agarrados... e é preciso esse ar...
- Tu não imaginas o quão arrepiante aquela imagem foi pra mim!
- Anda cá que eu faço-te esquecer... - puxou-me para ele e deu-me um beijo
- Ainda não esqueci... - falei enquanto afastávamos os nossos lábios e ele voltou a uni-los
- Melhor? - perguntou tentando avançar para algo mais
- Hummm... nem por isso... e também não vás por ai que não vais ter sorte... escuta essa vossa demonstração de afecto deixa qualquer uma frígida para o resto da vida!
- Ohhh fofa já chega... foi só uma brincadeira...
- Pode ter sido só uma brincadeira mas traumatizou-me o que é que queres que eu faça... não consigo superar!
- Pois... sim... claro...
- Bebé... podias dar miminhos a mim enquanto eu vou trabalhar pode ser que ajude a superar o trauma...- a intenção era a melhor mas acabei por deixa-lo sozinho no quarto quando ouvi o estrondo da porta a bater - mas fica para depois porque aquilo já deu barraca!

O que terá acontecido na sala? Será mais uma zanga do casal Ruben e Mariana? E como ficará a Maria e o João depois dela os ter visto naqueles propósitos?
Não percam o próximo que nós também não :P