terça-feira, 27 de novembro de 2012

040 - "...sim AMO-TE e sim QUERO NAMORAR, CASAR, TER FILHOS, ENVELHECER DO TEU LADO E SE NÃO FOR PEDIR MUITO QUANDO FORMOS OS DOIS VELHINHOS QUERO IR PRIMEIRO QUE TU PORQUE NÃO SEI SE CONSEGUIREI VIVER SEM TI! ..."



Boa noite!
Devido ao elevado numero de comentários do capitulo 
anterior aqui fica mais um e com um tamanho considerável. 
Esperamos que gostem e voltem a comentar.
Amanhã não haverá  publicação já que hoje temos "dose dupla".
Bjokinhas
M&M's
Mariana
Saí do bar disposta a dar ao Ruben uma noite diferente das anteriores mas as graçolas dele sem piada nenhuma irritaram-me ao ponto de virar-lhe as costas e adormecer sem direito a mais um beijo.
Acordei ainda de madrugada, sim para mim nove da manhã é madrugada tendo em conta que estou de férias mas ainda assim obriguei-me a sair da cama, vesti-me e fui procurar a Maria no entanto não encontrei ninguém em casa, só um bilhete da minha prima a avisar que tinha ido com os rapazes até ao ginásio.
Fiquei por casa a manhã toda e com tanto tempo livre tive oportunidade de engendrar uma forma de ver-me livre do pessoal de forma a poder ter um tempinho a dois com o Ruben, para tal lembrei-me de cobrar alguns valores antigos e por isso liguei ao Rodrigo que como é óbvio cedeu ao meu pedido sem grandes demoras, agradeci e assim que desliguei fui tratar do resto.
Andei nas compras e depois fui até à casa do Rodrigo orientar as cenas para o nosso jantar foi já próximo da hora de almoço que regressei a minha casa e assim que entrei na sala ouvi uma afirmação da Maria que fez-me perguntar o porquê, a minha prima tratou logo de explicar o que se tinha passada mas não percebi nada da conversa, foi quando já ia para explicar a segunda vez que o Ruben apareceu e para variar meteu-se logo na conversa ainda por cima numa de gozar, acabei por gargalhar ou não fosse a Maria estar mesmo indignada no entanto ignorei o Ruben, ele desde que tinha entrado nem sequer um oi me deu quanto mais um beijo.
A Maria deve ter percebido que as cenas entre nós já conheceram dias melhores e por isso arranjou forma de arrastar o João da sala.
- Não vais vestir nada? - perguntei ao vê-lo a sentar-se no sofá só de toalha a envolver-lhe a cintura - Daqui pouco chega aí a Ana!
- Então e depois?
- Depois? Depois que é abuso ela ver-te assim...
- Ui... perdi a conta às vezes que ela viu-me sem nada mesmo... - fiquei abismada a olhá-lo - não sei qual o drama!
- Ai não sabes qual é o drama?? Ai não... que tal seres meu namorado e eu não gostar que andes por aí assim como se fosses de todas!
- Jura?
- Hã?
- Que és minha namorada... é que está mais a parecer que és minha irmã do que propriamente namorada! - atirou ao sair da sala e assim que fiquei sozinha foi impossível não rir, afinal o Ruben estava em brasa.
Estava na sala a fazer tempo para sairmos para almoçar quando o vi a entrar já minimamente composto, o Ruben sentou-se no sofá de um lugar e depois de uns minutos a olhá-lo não resistir e fui ter com ele.
- Posso? - perguntei ao sentar-me no seu colo.
- Já te sentaste mesmo!
- Vais continuar com mau humor... - beijei o seu pescoço - podíamos aproveitar...
- Esquece... não vamos aproveitar é nada que já sei que fico novamente a ver navios! A sério Mariana já andas a abusar e sinceramente começo a perder a paciência, diz de uma vez o que queres!
- Quero ficar numa boa contigo mas parece que estás obcecado com outras coisas!
Atirei ao sair do seu colo e consequentemente da sala, fui directa ao apartamento do Rodrigo mas antes de lá entrar fechei a porta do nosso com toda a força que consegui reunir naquele momento. Cheguei à sala e coloquei de imediato os fones nos ouvidos e liguei o MP3 no máximo, estava mesmo a precisar de ocupar os meus ouvidos sem ser com a voz do Ruben.
Estava perdida em pensamentos quando dei pela presença da minha prima na porta a olhar-me, não lhe disse nada mas como sempre percebeu que precisava do colinho dela e limitou-se a sentar-se do meu lado, coloquei a cabeça nas suas pernas e uns minutos depois já chorava que nem Madalena arrependida, a verdade é que não estou a conseguir lidar com a pressão de agora ter namorado, talvez porque ando cada vez a sentir-me mais sufocada ou então porque pela primeira vez desde que me lembro estou a sentir-me pressionada a fazer sexo, a paranóia do Ruben está a dar comigo em louca, não consigo compreender a urgência dele, até parece que só está comigo para ter sexo sem se ter que preocupar em ir procurar uma gaja disponível.
Não sei o tempo que fiquei deitada naquele sofá, só sei que passado um bocado levantei-me, limpei as lágrimas e regressei para o nosso apartamento, fui ao meu quarto mudei de roupa e avisei que não almoçava. Precisava de desanuviar a cabeça e nada melhor que dar uma caminhada sozinha e apesar do calor lá fui eu...
Passei por um café, comprei uma sandes e um sumo para quando me desse a fome ter alguma coisa para comer e fui andar sem destino, caminhei durante um bom bocado e quando dei por mim estava já no Jardim da Alameda João de Deus, sentei-me junto ao lado dos cisnes e por ali me mantive apática e a observar os bichos.

Ruben
Hoje é daqueles dias que não devia ter saído da cama afinal ainda não fiz outra coisa a não ser discutir com a Mariana, estava na sala já depois dela ter batido com a porta do apartamento quando o João apareceu.
- Mano porquê que eu e a Maria fomos interrompidos pelo furacão Mari? - perguntou de sorriso no rosto mas perdeu-o assim que olhei para ele - Isso está assim tão mal?
- Nem sabes o que dava para conseguir responder a essa pergunta... juro que não entendo a Mariana.
- Mas afinal o que é que se passa?
- Oh... - baixei o olhar - não a consigo entender... parece outra!
- Como assim?
- Estás a ver a Mariana - olhou-me - aquela doida que está sempre disposta a uma loucura seja ela com ou sem sexo à mistura? - abonou a cabeça em sinal afirmativo - Então agora imagina o oposto... tipo menina de convento... e tens aí a nova Mariana! - o João gargalhou fortemente.
- Agora a sério... puto o que é que se passa!
- João... não estou a brincar... a Mariana mudou completamente - suspirei.
- Espera aí... estás a dizer que tu e ela, ela e tu desde que se acertaram que ainda não se passou nada além daquilo que nós vemos? Tipo não houve nicles batatóiques para ninguém? Tu não me digas que a Mari fez uma daquelas promessas que só depois do casamento... - o João ria que nem perdido, ele estava a achar um piadão enorme.
- Não sei onde está a piada... já começo a achar que está arrependida mas não sabe como dizê-lo!
- Mano... posso não saber os motivos da Mari mas duvido que esse seja um deles, ela gosta mesmo de ti!
- Já não sei nada...
O João não respondeu porque a Maria entrou e assim que se sentou ao colo do João perguntei-lhe o que é que a Mariana tem mas fiquei na mesma porque pelos vistos nem com a prima ela falou, no entanto fui alertado para o facto da Mari não estar nada bem e quando já estava de pé para ir falar com ela a Mariana berrou da entrada do apartamento para não contarmos com ela para almoçar, ainda tentei perceber se tinha ouvido bem mas a única resposta que obtive foi o som da porta a bater novamente.
- Mas isto agora é assim?? - olhei para a Maria
- Ruben não faço a mínima ideia do que lhe disseste ou fizeste só sei que posso contar pelos dedos de uma mão as vezes que vi a minha prima a chorar e hoje foi uma delas... - sentei-me - e a juntar a isso a forma intempestiva como saiu daqui posso garantir que está a chegar ao seu limite...
- Mas eu não lhe fiz nada!
- Pois... não sei... só sei que ela já tinha planos para a vossa noite... a Mariana tem no apartamento do Rodrigo o jantar feito e a sala decorada... por isso alguma deves ter feito durante o tempo que te deixamos a sós com ela!
- Olhem lá... será que... não... não pode ser!
- Fala João! O que é que não pode ser? - pedi
- Tipo... será que a Mariana está com medo de dar-te aquilo que tanto tens andado à procura?
- Oh João! A Mariana não é virgem nenhuma muito pelo contrário... achas mesmo que ela está com medo que vá doer... é? - a Maria olhou abismada para mim.
- Não seu camelo... o que quis dizer é que a Mariana pode não estar a conseguir ir para a cama contigo porque dentro daquele coração e cabeça deve andar uma confusão daquelas... a Mariana nunca namorou, nunca chamou ninguém de amor, nunca soube o que é acordar ao lado da pessoa que nos faz sorrir só com um simples olhar, resumindo a Mariana nunca foi amada... e agora que o pode ser vê-se pressionada por ti para se envolverem.... já para não falar que ao longo destes meses deu-te a maior prova de amor que podias pedir, a Mariana há meses que não se envolve com ninguém... sim porque se não acreditas nisso eu acredito... puto nunca a vi tão decidida mas ao mesmo tempo tão magoada como vi nos meus anos quando afirmou que se fizesses as contas sabias perfeitamente quem tinha sido o seu último! Resumindo a Mariana está a sofrer por amor e nenhum de nós conseguiu perceber isso, só assim se explica o facto dela se ter dado ao trabalho de preparar um jantar a sós para vocês, ela quer o que qualquer outra rapariga quer... puto apaparica a Mariana e vais ver que todos os teus problemas desaparecem, prova-lhe com gestos que só a queres amar e podes ter a certeza que ela libera o que tanto queres!
- Ena... agora falaste bem.
A Maria foi a primeira a reagir às palavras do João o que foi suficiente para começarem a ter uma conversa a dois, acabei por sair da sala e refugiei-me no quarto, onde pensei nas palavras do João e ter chegado à conclusão que muito provavelmente tem razão, afinal a Mariana por diversas vezes pediu-me provas de que queria mesmo namorar com ela.
Estava deitado na cama quando ao olhar para a estante que a Mariana tem no quarto encontrei alguns álbuns de fotos, a curiosidade falou mais alto e acabei por ir buscá-los, estava entretido a ver foto por foto quando ela entrou.
- O que é que estás a fazer?
- A matar o tempo... - fechei o álbum e aproximei-me dela - já estava a ficar preocupado - tentei beijá-la mas a Mariana desviou a cara - estás mais calma?
- Sempre tive calma! - respondeu enquanto escolhia a roupa - Sabes se o pessoal já tem planos para logo?
- Já - olhou-me - vamos jantar não sei bem aonde e depois a tua prima quer ir mostrar-nos outro bar.
- Hum... ok
A Mariana saiu do quarto em direcção ao WC sem abrir mais a boca, atitude essa que mexeu comigo e antes que fizesse alguma que mais tarde poderia arrepender-me fui ter com o pessoal à sala.
- Já está mais calma? - a Maria perguntou assim que entrei.
- Não! Ou melhor não sei - fui até à janela da sala e fiquei a observar o por do sol - ela praticamente ignorou-me...
- Puto não sei o que se passou mas estamos a falar da Mari... ela sempre teve um feitio especial!
- Fábio sei disso mas não está nada fácil!
- Também metes-te com alguém que não regula bem das ideias...
- Ana não te admito! Respeita a Mariana! - virei-me para a nossa amiga e quando ia para continuar a falar a Mariana entrou.
- Como é? Vamos? - olhámos todos para ela - Que foi?
- Precisamos de falar... - olhou-me.
- Diz!
- Aqui?
- Qual é o mal?
- Nenhum... mas preferia ter esta conversa a sós! Mas se assim é... quero pedir-te desculpas... - a Mariana interrompeu-me e confesso que surpreendeu-me a mim e aos restantes afinal saltou-lhe mesmo a tampa.
- Oh Ruben mas pensas que isto é o quê? Um confessionário que chegas aqui reconheces os teus erros pedes perdão e fica tudo bem? Não sou uma boneca insuflável... tenho sentimentos, quereres, desejos e vontades! Se pensas que com um pedido de desculpas tudo se resolve estás enganado, eu quero muito mais porque se fosse só pelo sexo já te disse que tinha onde o ir buscar sem aborrecimentos.
- Já acabaste? - arqueou as sobrancelhas - Mariana do que é que tens medo? - desviou o olhar - Hey... - aproximei-me dela - fala comigo - pedinchei e como resposta ouvi aquilo que nunca pensei ser possível pelo menos vindo dela.
- Ruben... eu não estou preparada para isto... desculpa pensei que conseguisse mas cada vez acredito mais que esta coisa de namorar não é para mim - baixou o olhar mas levei a mão ao seu rosto obrigando-a a olhar-me novamente - já não me reconheço, nunca tive medo de nada, fazia as cenas e só depois pensava nelas e mesmo assim nem sempre, a sensação que tenho é que de um momento para o outro fiquei aprisionada no meu próprio corpo, sinto-me a sufocar, ando com a cabeça a mil, nada faz sentido, dou comigo a pensar que nem tudo se resume ao sexo e parece que é só isso que queres, Ruben talvez pela primeira vez não sinto falta de sexo e tu parece que estás obcecado nisso - suspirou - até pode ser paranóia mas o que sinto é que estás comigo pelos bons momentos que podemos dar um ao outro mas eu quero mais, eu preciso de mais, olho para o João e para a Maria e vejo que eles transpiram amor por todos os poros, eles não estão só juntos para temperarem o corpo... eles têm planos para o futuro e nós... nós andamos aqui por andar... mas não dá... pelo menos para mim... já vivi anos demais assim, estou farta, quero ou melhor preciso de parar, de dar um rumo diferente à minha vida, estes meses que estive em Espanha deu para perceber que não tenho nada... que se por algum motivo a minha família falhar não tenho ninguém em quem possa agarrar-me e já não sou uma criança... Ruben a fase de curtir está a chegar ao fim, aquela “filosofia de vida” que tinha de que precisava experimentar de tudo um pouco para saber escolher já não faz sentido... porque já sei aquilo que quero... quero-te a ti... resta saber se também me queres da mesma forma...
- Amo-te - beijei-a com toda a calma que consegui e assim que separamos os nossos lábios a Mariana abraçou-me com imensa força - amor - fiz-lhe algumas carícias no seu rosto - estás finalmente a descer à terra e a querer o que qualquer outra pessoa busca, estás a descobrir todo um conjunto de novos sentimentos e até de medos daí sentires-te aprisionada no teu próprio corpo, não estás a reconhecer-te porque nunca paraste para pensar no amanhã e sempre que alguém forçava isso tu saltavas fora, mas agora algo mudou e é isso que ainda não conseguiste assimilar completamente, Mariana estás finalmente a amadurecer... desculpa dizê-lo assim mas a verdade é que nunca pensaste nos outros e em como as tuas atitudes magoavam, nós que sempre estivemos ao teu lado muitas vezes éramos tratados como algo dispensável, não medias as palavras e muito menos paravas para reflectir naquilo que fazias e agora que estás a querer aquilo que sempre quis, estás finalmente a perceber que dói quando a outra pessoa não nos entende mas Mariana isso não é verdade... consigo compreender-te e quero tanto ou mais que tu que o nosso namoro resulte mas como precisas de tempo para aprenderes a lidar com uma nova realidade também preciso desse mesmo tempo para ter a certeza que estás segura do que queres e sim sinto falta de sexo, sim nunca pensei que o fosses negar, sim olho para ti e vejo uma diva na mesa e uma louca na cama, sim andei a pressionar-te para nos envolvermos fisicamente, sim tenho ciumes e não são poucos, sim faz-me confusão estar ao lado de um gajo qualquer que não conheço e não saber se já o rodaste, sim AMO-TE e sim QUERO NAMORAR, CASAR, TER FILHOS, ENVELHECER DO TEU LADO E SE NÃO FOR PEDIR MUITO QUANDO FORMOS OS DOIS VELHINHOS QUERO IR PRIMEIRO QUE TU PORQUE NÃO SEI SE CONSEGUIREI VIVER SEM TI! Agora pára de fugir, não tenhas medo de viver, de quereres para ti o que qualquer outra pessoa quer, entrega-te à vida a dois e vais ver que essa sensação de não te reconheceres desaparece num estalar de dedos, juntos vamos conseguir arranjar uma forma de equilibrarmos a balança mas principalmente de sermos felizes!

Maria
Sai do quarto e do apartamento directa para o apartamento do lado e encontrei-a de fones nos ouvidos, conseguia eu de longe ouvir o que tocava no mp3, sabia que falar não era a melhor opção e por isso sentei-me perto dela e em poucos minutos tinha a sua cabeça sobre as minhas pernas e ela chorava como poucas vezes a tinha visto fazer.
Ainda passamos ali uns largos minutos até que como já esperava ela secou as lágrimas, deu um toque na imagem e voltou para a nossa casa como se nada fosse, segui-a e quando entrei encontrei o Ruben e o João na sala ambos com cara de quem não estava a perceber nada, a Mariana foi ao quarto buscar a sua mala e eu juntei-me a eles
- O que é que ela tem?
- Perguntas-me a mim?! Tu é que deves saber...
- Maria a sério o que é que se passou?
- Não sei, mas a minha prima se não deixa o pipo saltar a coisa vai ficar feia... Ruben ela não falou nada, mas não está bem...
- Escusam de esperar por mim, não vou almoçar!
- Não vais o quê?
- Almoçar... até logo! - saiu batendo a porta
Assim que a porta fechou o Ruben olhou para mim tentando obter respostas que eu pura e simplesmente não tinha, ainda tentei que ele se lembrasse de algo que a pudesse ter deixado chateada, mas foi mesmo o João a surpreender-nos ao colocar a questão de uma forma tão clara e evidente
- Não seu camelo... o que quis dizer é que a Mariana pode não estar a conseguir ir para a cama contigo porque dentro daquele coração e cabeça deve andar uma confusão daquelas... a Mariana nunca namorou, nunca chamou ninguém de amor, nunca soube o que é acordar ao lado da pessoa que nos faz sorrir só com um simples olhar, - o João falava enquanto me abraçava - resumindo a Mariana nunca foi amada... e agora que o pode ser vê-se pressionada por ti para se envolverem.... já para não falar que ao longo destes meses deu-te a maior prova de amor que podias pedir, a Mariana há meses que não se envolve com ninguém... sim porque se não acreditas nisso eu acredito... puto nunca a vi tão decidida mas ao mesmo tempo tão magoada como vi nos meus anos quando afirmou que se fizesses as contas sabias perfeitamente quem tinha sido o seu último! - estava completamente babada ao ouvi-lo, sim somos amigos mas nunca imaginei que ele conseguisse perceber a Mariana tão bem e muito menos que andasse tão atento - Resumindo a Mariana está a sofrer por amor e nenhum de nós conseguiu perceber isso, só assim se explica o facto dela se ter dado ao trabalho de preparar um jantar a sós para vocês, ela quer o que qualquer outra rapariga quer... puto apaparica a Mariana e vais ver que todos os teus problemas desaparecem, prova-lhe com gestos que só a queres amar e podes ter a certeza que ela libera o que tanto queres!
- Ena... agora falaste bem. - estava estarrecida ele tinha dito exactamente o que tinha de ser dito, mas não poderia ser eu a quebrar o pacto de confidencialidade que une as primas M
- Falei, não falei?!
- Hum-hum... até mereces um beijo! - terminei de falar e beijei-o - mas foste imprudente! É que agora já sei o teu truque e já não enganas... quando vieres para cá com mimos já sei que se não fizeste tás para fazer... - aproveitei que estávamos sentados juntinhos no sofá e que o Ruben tinha-se isolado no quarto para mais um beijo antes de confessar a minha admiração - Mas fiquei mesmo, mesmo estarrecida com a maneira como conheces a minha prima...
- Não sei porquê... conhecemos-nos há tanto tempo e vocês não são assim tão diferentes... são duas medricas...
- Medricas?!
- Sim... a Mariana está da forma calma e carinhosa dela - disse a rir -a fazer o mesmo que já me fizeste a mim...
- Desculpa?!
- Sim o fofinha eles levam é um ano de atraso... mas também me andas-te a cozinhar em lume brando.. e também por andares cheia de medinhos...
- Ah...
- Ah nem meio ah... - deu-me um beijo que começou a intensificar-se e acabou por nos animar
- Vês como não sou igual á minha prima... - disse quebrando o momento fazendo-o olhar para mim com ar estranho - eu não te deixei na mão como ela tá a fazer com o Ruben  - falei enquanto o acariciava
- Mariaahh...- respirou fundo engoliu em seco e eu continuava a aumentar a pressão dos carinhos - lá nisso não me posso queixar..
- Desculpa queixar?! Tu devias era ir todos os dias à missa agradecer...
- Não posso fofa... o padre era capaz de não achar piada se eu lhe contasse... é que tu é uma menina muito má! - disse a rir - mas o que eu estava a querer dizer é que nós nunca fizemos do sexo a nossa única ligação... já eles...
- É o que eu digo tu hoje estás muito perspicaz...
- Tão perspicaz que já percebi que agora tenho de te pegar ao colo e levar para o quarto antes que entre alguém...
- Lamento Joãozinho mas já vais tarde que eu já entrei... - a Ana falou
- É e eu também... - ouvi o Fábio
Com a chegada dos dois o momento mais animado a sós com o João acabou por se tornar numa tarde de pura má língua entre os quatro com pizzas à mistura já que ninguém quis cozinhar, até que a Mariana voltou a casa
- Boa tarde!
- Prima!
- Diz?
- Tá tudo bem? Onde é que foste? Comeste?
- Fui só apanhar ar... sim comi...
Não me disse mais nada e saiu em direcção ao quarto, de onde poucos minutos depois voltou a sair seguida do Ruben que se juntou a nós ainda sem grande animação. E quando tentamos saber como estava a minha prima percebemos que a coisa ainda estava mal e quando a Ana tentou meter-se na conversa o Ruben não gostou, mas a entrada da Mariana pronta a sair interrompeu-nos e levou o Ruben a pedir que o ouvisse. Aproveitei o momento
- Ana... - ela olhou-me - Posso dar-te um conselho e pedir-te um favor ao mesmo tempo?
- Podes...
- Deixa-os em paz! Parece mal ser eu a dizer-te isto pela relação que me liga a ela, mas é o melhor que podes fazer por ti... deixar de te martirizares e avançar com a tua vida além disso somos todos amigos e esta tua postura começa a criar mau ambiente, já para não falar que perdes os limites de tal forma que até a mim já atacaste só para os atingires...
- Eu... - ela não continuou porque ficamos estáticas a ouvir a resposta menos contida da Mariana a minha prima abriu completamente o coração e surpreendentemente resolveu fazê-lo na presença de todos.
- Amo-te - foi a primeira coisa que o Ruben lhe disse depois de tudo o que tinha ouvido e depois beijou-a nesse momento a Ana saiu para a varanda e poucos segundos depois foi a vez de o Fábio o fazer - amor - assim que o Ruben retomou as palavras aproximei-me do João e ficamos os dois perto da porta, mas em posição de intervir caso fosse necessário, o Ruben estava a ser arrebatador se a minha prima tinha sido surpreendente ele não lhe estava a ficar a trás
- Bem... impressão minha ou acordaram os dois para a vida?
- Foi... mas agora cala-te que quero ouvir
- Cusca...
- É a minha prima! - ele lá se calou e eu continuei a ouvir o Ruben
- Desculpa dizê-lo assim mas a verdade é que nunca pensaste nos outros e em como as tuas atitudes magoavam-nos, nós que sempre estivemos ao teu lado muitas vezes éramos tratados como algo dispensável, não medias as palavras e muito menos paravas para reflectir naquilo que fazias - ele falava por ele mas também por nós adoro a Mariana, não sei viver sem ela mas há momentos em que foi egoísta de mais ainda, ele falou mais algumas coisas mais pessoais e depois - sim AMO-TE e sim QUERO NAMORAR, CASAR, TER FILHOS, ENVELHECER DO TEU LADO E SE NÃO FOR PEDIR MUITO QUANDO FORMOS OS DOIS VELHINHOS QUERO IR PRIMEIRO QUE TU PORQUE NÃO SEI SE CONSEGUIREI VIVER SEM TI! - senti uma lágrima correr e os braços do João a puxarem-me
- Ei ele ainda não acabou!!
- Ele tá a falar contigo?! Queres pipocas é? Ou melhor uma caixa de lenços de papel e um balde para apanhar-te as lágrimas!
- Deixa de ser parvo... o Ruben estava a ser lindo...
- Ai estava a ser lindo - falava a gozar
- Sim tu ouviste bem o que ele disse antes de me tirares de lá?! A minha prima deve tar sem saber o que fazer! Eu acho que tinha uma coisinha má
- Achas é?
- Sim acho, mas não sei... não tenho ninguém que me diga aquelas coisas...
- É que nem esperes que saiam da minha boca... eu não quero morrer antes de ti...nem depois - ouvi-o sussurrar -  e tenho sérias duvidas que alguém te ature quando o Alzheimer te atacar!
- Pois é por isso que eu choro com o Ruben... tu és um insensível... não gostas de ninguém e amor é coisa que só deves sentir pelo gajo que te aparece na frente quando te vê ao espelho! - falei ironizando ao máximo e exagerando nos gestos
- Olha ai... - disse a rir quando quase lhe acertei um soco sem querer - oh fofinha... achas que eu preciso mesmo de dizer aquilo tudo que o Ruben disse?! Por favor a tua prima disse ali que tinha inveja de nós porque, e vou usar as suas palavras “olho para o João e para a Maria e vejo que eles transpiram amor por todos os poros, eles não estão só juntos para temperarem o corpo... eles têm planos para o futuro” para quê perder tempo com o óbvio?!
- A minha prima bebeu só pode... planos para o futuro nós?! Óbvio?! Para quem? - parei olhei-o - Pronto tá bem pode ser bastante óbvio mesmo... mas sabe sempre bem ouvir...
- É acredito que sim, mas nunca me disseram...
- Tás a dizer que eu não te digo que... - sentei-me no colo dele que estava meio deitado meio sentado na cama - A-DO-RO - TE! - dei-lhe um beijo - MUITOOO - dei-lhe um novo beijo - amo-te..- sussurrei-lhe ao ouvido e os momentos seguintes serviram para nos mimar-mos mutuamente e também eu tive direito a ouvir coisas fofinhas, mas não por muito tempo
- Sabes agora tou preocupado... - falou enquanto me desabotoava as calças deitado em cima de mim, confesso que pensei que ele fosse buscar outra vez a conversa do bebé - com isto tudo a tua prima só pode ter caído nos braços do Rubinho e agora como será que fica a nossa relação?! - saltei de imediato de baixo dele deixando-o caído para o lado na cama a rir que nem um perdido
- Tem cá uma piada?!
- Devias ver a tua cara! - puxou-me para ele - Mas preocupo-me com isso depois porque agora quero acabar o que estava a fazer...
- Esquece... - ele olhou-me a implorar que me juntasse de novo a ele - lamento mas essa tua piadinha tem uma percentagem de 100% no que toca a sucesso comigo
- Sucesso?!
- Sim... qual pílula, qual preservativo... para quê qualquer outro anti-conceptivo disponível se essa parvoíce tem um resultado tão garantido como a abstinência... ahh espera essa piadinha leva mesmo à abstinência! - recompus-me e sai do quarto deixando-o sozinho. Quando cheguei à sala encontrei o Ruben sozinho, mas com um sorriso parvo no rosto - Ena que ele tá todo contentinho... - ele mostrou-me a língua - Olha ficas avisado que da próxima fez que borrar os olhos porque tu me fizeste chorar parto-te uma perna!
- Nossa que biolencia priminha! Tenho de falar com o João... essa agressividade toda só pode ser falta de...
- Nem continues!
- Olha por João onde é que ele tá?
- No quarto à tua espera... vai lá que ele tá mesmo aflito!
O Ruben pensou que eu falava a sério e saiu da sala com um ar assustado

João
A Maria saiu do quarto e eu fiquei um bocado atarantado se durante a tarde achava que o “chelique” dela com a brincadeira com o Ruben era também palhaçada, mas agora que ela assim que resolvi brincar saiu disparada para longe de mim e ainda evitou qualquer contacto. Preferi não segui-la e passados poucos minutos quando já estava deitado a tentar esquecer ouvi a porta abrir e fechar e senti sentarem-se na cama, fiquei calado para ver se ela dizia alguma coisa
- Puto então que se passa?! - a sério?! o Ruben, abri os olhos e sentei-me - A Maria disse que tavas a precisar de mim...
- É impressionante... ainda goza!... Tu acreditas que por tua culpa! Sim por tua culpa agora não tenho direito a nadinha... logo agora que eu ia jogar baixo...
- Ei calma uma coisa de cada vez primeiro a parte de a culpa ser minha...
- Então a Maria diz que ficou traumatizada com a brincadeira desta tarde... começada por ti! e por isso agora não quer nada...
- Oh ela tá-te a gozar!
- Foi o que eu pensei mas ela acabou de me elucidar que aquela brincadeira a única coisa que gerava era abstinência! - ele começou-se a rir
- Oh mano, na boa ela não ficou mesmo com isso na cabeça pois não? - perguntou já sério
- O que é que tu queres que te diga... se tu visses como ela fica quando toca no assunto...
- Isso passa-lhe... e jogo baixo vocês andam a jogar o quê?
- Nada... oh pah isto é verão, tá calor a malta tá de férias... tem tendência a animar-se mais e a esquecer coisas desnecessárias tipo o preservativo e assim...
- Tu não estás a pensar engravida-la à traição pois não?
- Eh isso dito assim até parece que é algum crime!
- Crime não é! Mas se ela sonha tens noção que estás realmente lixado e digo-te já que tem todo o meu apoio se não te quiser voltar a olhar na cara... puto pelo que me disseste ontem ela deixou bem claras as suas intenções sobre o assunto e é muito mau fazeres uma dessas...
- Oh aposto contigo que quando der por isso ela também vai gostar...
- E eu aposto que tens uma surpresa! Pensa bem não te metas numa dessas... olha que mesmo que ela acabe por gostar da ideia vai passar o resto da vida sem te perdoar e olha que estamos a falar numa das primas Mendes... João nós sabemos o que a casa gasta se ela mete na cabeça que nunca mais te perdoa tás lixado...
- É... pode ser...- olhou-me com cara de mau - ok tens razão eu não vou forçar, mas também não vou evitar!
- Tu é que sabes... mas quem te avisa... bom e agora anda lá para a sala que ela ficou sozinha e a Mari também deve tar a voltar...
- Voltar?! Tou a ver que se acertaram!
- Mas tinhas duvidas é? - falou já a entrar na sala onde apenas estavam a Maria e a Ana
- Priminha... priminha... nunca pensei que pensasses isso de mim... - a Maria olhou-me e olhou para ele - tu sabes que homem de amiga minha pra mim é gaja! - a Maria gargalhou
- Tu não tens vergonha nenhuma na cara é o que é! E esse ai é outro!
- Mas vocês importam-se de me explicar o que se está a passar...
- Ana acredita em mim, não vais querer saber...
- Ora aqui está o homem do momento... puto a tua namorada mandou-te mexer as perninhas rápido que está á tua espera no apartamento da frente
- Txau - assim que o Fabio falou o Ruben voou para lá enquanto eu sentei-me no colo da Maria que estava sentada no sofá individual
- Olha ai oh elefante!
- Oh Maria... que lhe chames de Chihuahua ainda vá... que é pequenino e irritante agora elefante?! - o Fabio resolveu picar
- Oh tu pequeno e irritante é o que tens no meio das pernas... ela chama-me elefante porque... conhece bem a minha tromba!


Maria
Eu só posso ter jogado pedra na cruz para merecer isto! O João hoje estava completamente destravado só lhe saia asneirada daquela boca.
- Eish oh João dispenso certo tipo de pormenores - a Ana falou fazendo um gesto de pequenino com os dedos - para desgraças já me bastam as minhas!
- Mas será possível que a conversa não tenha outra conclusão hoje sem ser cueca?! Oh por favor
- É verdade cambada de depravados...
- Tu cala-te que és o pior sinceramente já não sei o que fazer para te calares!
- Queres mesmo que te responda aqui na frente das pessoas?!
- Olhem é o Ruben e a Mariana dum lado são vocês do outro... eu vou é sair para apanhar ar e curtir a noite
- Aninhas eu vou contigo!
O Fábio e a Ana saíram e eu acabei por ficar na sala a tentar explicar ao João que se não saia de cima de mim esmagava-me as pernas.

Como será que corre a noite da Ana e do Fábio? Como estarão a Mariana e o Ruben? E o João e a Maria resolverão o trauma dela?
Não percam o próximo episódio porque nós também não!!

039 - "PRIMAAA! Tu não sabes o que eu fui obrigada a ver! Tu não deixes o Rodry aproximar-se do teu namorado! Olha que perdes! "

Ruben

O ambiente do bar era bacano e estava a divertir-me até ao momento que a Mariana avisou que iria até ao WC, ela demorou mais do que seria previsto e foi quando já estava farto de esperar que levantei-me para ir buscar mais uma bebida, pelo caminho encontrei-a abraçada a um gajo e demasiado alegre para o meu gosto, aquilo mexeu comigo e senti mesmo necessidade de ir esfriar a cabeça.
Estava no exterior do bar quando a vi a aproximar-se, a Mariana acabou por explicar-me quem era o rapaz e apesar de não estar satisfeito com a situação acabei por perceber que exagerei, o que permitiu que fizesse as pazes com ela e regressássemos numa boa para junto do nosso grupo.
Foi quando lá chegamos que ouvi a nossa música, naquele instante as imagens do passado passaram diante dos meus olhos como se um flash se tratasse, não resisti e puxei-a para mim, dançamos agarradinhos, senti-me novamente um puto com as hormonas aos saltos mas ainda assim a rejubilar de felicidade por a ter nos meus braços, por a Mariana ao fim de tanto ano continuar a ser só minha.
Mas tudo o que é prefeito tem tendência a terminar e foi o que aconteceu, infelizmente fomos interrompidos pela ave rara do António. A Mariana fez questão de nos apresentar e uns segundos bastaram para perceber que fui tema de conversa entre os dois, aquilo por um lado deixou-me feliz afinal mais uma vez tive a confirmação que a Mariana nunca se esqueceu de mim mas por outro preferia que nunca tivesse falado, era sinal que não tinham partilhado assim tantos momentos. Acabei por deixar tais pensamentos para ouvir a conversa animada dos amigos delas que depressa começaram a contar histórias do tempo da faculdade, daquelas em que se deveria aplicar o ditado “o que acontece em... fica em...” mas que eles resolveram comentar.
Tentei disfarçar o incomodo que tais informações causaram em mim mas foi impossível ocultar isso da Mariana que durante o momento de partilha fez questão de volta e meia mimar-me talvez para não sentir-me tão excluído daquela “festa” toda.
- Anda... - agarrou-me não mão levantando-se imediatamente.
- Onde é que queres ir? - não fiz pergunta nenhuma de outro mundo mas que o pessoal dela gargalhou todo lá isso gargalharam.
- Menos... muito menos... ó mentes perversas! - a Mariana comentou a reacção dos amigos e ainda os acompanhou nas gargalhadas.
- Marianita... vais dizer que não te deu uma vontade súbita de ir até ao WC - a Vanessa comentou e os restantes gargalharam.
- Não... se queres mesmo saber já me deixei dessas vontades súbitas...
- Hum... hum... e deve ser com esse corpinho danone do teu lado!! - a Mariana que até então ria perdeu o sorriso.
- Patrícia guarda para ti esses pensamentos... porque garanto que este não vamos partilhar, já para não falar que o Ruben não é um boneco para andar de mão em mão.
- Oh amiga... não sejas egoísta - a outra gargalhou enquanto eu assistia a tudo calado - até porque aí o Ruben não tem ar de santo... até pelo contrário deve ser daqueles que partem a loiça toda...
- Chega!
A Mariana foi ríspida na forma como falou e nem deu tempo para a amiga reagir uma vez que saiu da mesa arrastando-me com ela.
- Posso saber o que te deu?
- Não te faças de sonso que percebeste bem que a Patrícia quer dar uma voltinha contigo! - sorri ao vê-la irritada com tão pouco.
- Até pode querer... mas não estou interessado - abracei-a pela cintura e foi assim que caminhamos até ao bar.
- Olha quem é ela! Finalmente... estava a ver que não vinhas falar aqui com o Daniel!  - sorriu.
- Deixa de ser exagerado... estive só entretida mas já aqui estou!
- Então e o que vai ser?
- O do costume... mas antes deixa-me apresentar-te o Ruben... Ruben é o Daniel, Daniel é o Ruben - cumprimentou-me e depois serviu-nos uma bebida.
- Quem é que é aquele? - perguntei assim que nos afastamos do balcão.
- O Daniel, um dos donos do bar e meu amigo e da Maria... ah mas o que queres saber não é isso... - olhou-me - não nunca fui para a cama com ele - sorriu para logo depois beijar-me - anda... apetece-me dançar - sorri e fiz-lhe a vontade durante algum tempo mas acabamos por regressar para a mesa.
- No que é que estás a pensar? - perguntei ao vê-la completamente no mundo da lua.
- Ruben...
- Sim...
- Nada esquece!
- Hey... não esqueço não! Fala... - a Mariana olhou-me e uns segundos depois acabou por falar mas num tom que só fosse audível para mim.
- Também pensas como o João?
- Como assim?
- Oh... também queres ser pai! - atirou de rajada o que fez com que gargalhasse despertando a curiosidade do pessoal que olhou todo ainda assim falei.
- Posso saber porquê que te lembraste disso agora?
- Perguntei primeiro!
- Para ser sincero nunca parei para pensar nisso... talvez porque nunca fez sentido pensar em filhos quando não te tinha do meu lado mas agora que tocaste no assunto - olhou-me - antes de encomendarmos um júnior ainda temos tanto para viver, não tenho urgência nenhuma em ter um pirralho a berrar atrás de nós - sorriu - gosto muito de crianças é verdade mas para mim putos são um amor quando são filhos dos outros - beijou-me e acabei por puxa-la para o meu colo - mas isso não invalida que não vá aos treinos... - sussurrei ao seu ouvido - não queres ir para casa... - sugeri quando as suas mãos já passeavam por baixo da minha t-shirt - podíamos aproveitar que não está lá ninguém... - os meus lábios que até então andavam a passear pelo seu rosto desceram até ao seu pescoço e por aí ficaram até a Mariana resolver acabar com aquilo saindo do meu colo - hey... onde vais! Volta para aqui! - sorriu
- Volto se não te meteres com ideias! - rematou sem o mínimo cuidado e por isso o João ouviu.
- Oh priminha... olha que dás cabo do mano!! Confesso que estás a surpreender-me... nunca pensei que resistisses tanto tempo - sorriu.
- Oh primo... sabes que quem está há tanto tempo sem nada... mais um dia não faz diferença!
- Não partilho dessa opinião! - manifestei-me imediatamente - e se estás sem nada é porque queres... - gargalhou - ou melhor porque meteste na cabeça que assim deve ser!
- Tadinho... isso está assim tão crítico, é? - sentou-se novamente ao meu colo o que permitiu responder-lhe de forma a que só ela ouvisse.
- Até parece que não queres tanto quanto eu... - sorriu
- Quem espera sempre alcança... além disso saber esperar é uma virtude! - beijou-me e o que ao início seria só um beijo ganhou contornos impróprios para o sitio onde estávamos e só não descambou de vez porque o pessoal começou com bocas, ainda assim a Mariana continuou no meu colo e volta e meia trocávamos mimos.
- Não queres mesmo ir para casa? - perguntei algum tempo depois e por saber que amanhã teria que levantar-me cedo.
- Já estás com soninho...
- Não... mas amanhã tenho um encontro inadiável com o Telmo e por sinal é bem cedo.
- Hum... então vamos - beijou-me - já podias ter dito!
- Oh... estavas tão entretida à conversa que não quis interromper.
- Deixa de ser parolo! Vamos então.
A Mariana avisou que íamos embora o que foi suficiente para o pessoal a chamar de fraquinha pois segundo eles era sempre a última a querer ir embora, mas a verdade é que acabaram todos por seguir o nosso exemplo e foram embora também.
Chegamos a casa relativamente rápido e por sinal só os quatro, sim a Ana e o Fábio arranjaram duas vitimas para passarem o tempo e por isso ficaram pelo bar. Entramos no apartamento delas e assim que cheguei à porta do quarto ouvi a Maria a informar-nos que pretendia dormir como tal se quiséssemos fazer alguma coisa que fossemos discretos, lógico que não ficou sem resposta uma vez que a Mariana respondeu-lhe à letra.
- Prima... sei que sou Mariana por tua culpa... sim que a tua tia queria que fosse Maria mas como a tua mãe se antecipou tive que levar com o ana e fiquei Mariana mas... não precisas de confundir-nos... sim aqui a que faz barulho e nem se incomoda com os “vizinhos” és tu!
- Tens cá uma mural para falar... queres mesmo lavar roupa suja a esta hora...
- Não tenho nada a esconder... priminha sempre assumi...
- Então cala-te e vai lá satisfazer o Ruben que o desgraçado daqui a nada anda a trepar paredes... e dado o estado dos seus joelhos não sei se é boa ideia... ah e priminha... não te esqueças que ele agora é investimento do tio... por isso é para ser tratado com muito amor e carinho!
A Maria acabou de falar já no interior do seu quarto ainda assim a Mariana teria respondido se não a impedisse mas calei-a com um beijo e entramos finalmente no nosso quarto.
- O que é que se passou com aqueles dois? - falei assim que nos afastamos - Já deu para ver que estão amuados um com o outro...
- Sei lá... mas o que quer que tenha sido eles resolvem e agora vamos dormir!
- Dormir? Mas não ouviste a tua prima? Tens a obrigação de cuidar aqui do Je... afinal sou investimento para o teu tio! - gargalhou
- Andas mesmo fraquinho... já nem consegues ser original e arranjares argumentos válidos... - a Mariana ripostou enquanto se despia
- Queres argumentos válidos... é? - sorriu e afirmou com a cabeça - hum... sabes que só os dou a quem merece...
- Ah é... então está bem!
Sorri perante o falso amuo da Mariana no entanto não respondi, acabei mesmo por virar costas e também eu me despir, estava entretido a colocar o telemóvel para despertar quando pressinto ela a aproximar-se, ainda assim mantive-me quieto e uns segundos bastaram para sentir os seus braços em volta da minha cintura, as suas mãos no meu peito e os seus lábios nas minhas costas.
- Hum... posso saber o que o menino tanto mexe no telemóvel? - perguntou ao mesmo tempo que olhava por cima do meu ombro.
- A colocar isto para despertar - respondi com toda a calma do mundo apesar de já ter as mãos da Mari a chegarem ao elástico dos meus boxers - e agora vou dormir! - tentei afastar-me dela mas fiquei-me mesmo pela intenção ou não fosse ela ter-me virado para si e obrigado-me a deitar na cama.
- Tens a certeza que queres dormir... - perguntou já sentada em cima de mim - é que tinha outros planos... - beijou-me - mas se estás com sono... - acariciou-me durante alguns segundos para logo depois sair de cima de mim e se deitar impávida e serena - boa noite... dorme com os anjinhos! - virou-se de costas para mim e apagou a luz.
- Hey... tava a brincar... - aproximei-me dela colando mesmo os nossos corpos mas
- Temos pena... não gostei e agora podes tirar a mão que daqui não levas nada! Ah e vê se dormes que amanhã vais ter que acordar cedo!
- Estás a brincar, certo?
- Não! E se não te calas ficas a dormir sozinho!
Acabei por não insistir e virei-me para o outro lado apesar de não querer adormecer aborrecido com a Mariana não me restou outra oportunidade que não fazê-lo pois percebi que hoje já não adiantava dizer nada que ela não iria ouvir.

Maria

Senti o João despir-se e deitar-se também ele. Senti e não vi porque fiz questão de me deitar de forma a ficar de costas voltadas para ele. Durante uns minutos senti-o revirar-se na cama, mas sem nunca se aproximar de mim, agradeci mentalmente ter uma cama de casal. Mas passados alguns minutos, senti o calor do seu corpo a aproximar-se do meu e depois o braço a rodear-me a cintura.
- Não sei como consegues - ia refilar, mais ainda bem que não o fiz - dormir assim... - dormir?! boa ia fingir e saber até onde iria o monologo dele - oh fofinha... - passou-me a mão pela cara desviando os cabelos que caiam sobre ela - tou mal habituado... já não sei como é que se faz... - parou durante uns minutos e eu em pulgas para saber o que raio ele queria saber como se fazia - como é que eu adormeço assim contigo chateada comigo hum?! - perguntou enquanto a sua boca chegava bem perto do meu ouvido onde me deu um “cheiro” e um beijinho leve, mas que me arrepiou toda, pensei mesmo que ele tivesse percebido que estava acordada - desculpa... desculpas?... Dás cabo de mim é o que é!... Amo-te - pronto é oficial ele estava a fazer-me derreter toda e quando pela primeira vez o ouvi dizer tal coisa não consegui resistir apesar de tentar durante alguns segundos, os suficientes para ele se afastar e voltar-me as costas
- Amo-te... - beijo no ombro - amo-te... - beijo no pescoço - amo-te... -era para ser um beijo no pé da orelha mas ele de imediato se voltou novamente para mim e uniu as nossas bocas
- A menina não sabe que é feio mentir... e sim fingir que se dorme é mentir!
- Oh eu ia dizer que tava acordada, mas sempre que tentava tu falavas... e ficas a saber que eu não te podia ajudar porque tenho o mesmo problema que tu! Não sei dormir chateada contigo ti e pior começo a ter dificuldade em fazê-lo se não tiver coladinha a ti! - voltei a unir os nossos lábios - já passou o ciuminho parvo já?
- Oh... diz o roto ao nu! - riu - Mas sim senhora gostei de saber que a menina partiu a loiça toda enquanto esteve por aqui... muito bonito de se ouvir dona Maria Micaela...
- Psiuu o menino só comenta depois de eu ouvir o que os seus amigos de Braga têm a contar! Agora anda cá! - colei o meu corpo ao dele e envolvi a minha cintura com os seus braços - Vamos dormir que o dia amanhã começa cedo...
- Cedo?!
- Sim... o Ruben começa com o tratamento e o meu tio incubiu-me de acompanhar...
- Como é que é?! Vais trabalhar? Mas não eram férias?!
- E são... de tarde...
- Oh... vou passar as manhãs sozinho?
- Não o que não falta aqui em casa é companhia, mas se quiseres a melhor companhia do mundo, a minha! Podes sempre levantar-te da cama e ires também, fazes companhia ao Ruben e abates essa barriguinha!
- Qual barriguinha?! Onde?! Tás a sentir alguma coisa?! - falava enquanto obrigava a minha mão ao tremendo sacrifício de lhe mapear cada milímetro de abdominal
- Humm agora que perguntas tou a sentir muitas... mas nenhuma delas má... - dei-lhe um beijo no pescoço e fui descendo percorri com beijos e mordidinhas todo o corpo até a linha dos boxers e voltei para cima, dei-lhe um beijo calmo nos lábios - boa noite..
- Tás cá uma fraquinha tu!
- Nem comeces que não vais ter sorte nenhuma!
- Só disse uma verdade... já te vi bem mais decidida... e sem medo...
- Medo?! Eu do quê?!
- De continuar o que fazias em vez de subires... -gargalhei
- Oh alminha tu não percebeste que só tive pena de ti?!
- Pena de mim?!
- Se tivesse continuado... humm lamento mas acho que hoje não te aguentavas... - voltei a gargalhar
- E porque é que não experimentas?! Vai-se a ver e surpreendo-te
- Hummm tentador... mas não! Preciso mesmo de dormir! E como já não estás amuadinho já consigo... - acabei de falar bocejei e enrosquei-me, passaram muito poucos minutos para adormecer com os mimos do João.
Acordei com o despertador a tocar e sozinha na cama, não gostei e quando consegui abrir os olhos vi o João já vestido, pronto para treinar
- Bom dia... onde é que vais?
- Então vou treinar com o Ruben... é que não há nada mais secante e desmotivante que correr sozinho!
- Muito bem sim senhor... vou tomar duche e em 20 minutos estamos a sair que o fisioterapeuta espera-nos.
Despachei-me e quando cheguei à cozinha já os dois “aspiravam” comida.
- Bom dia priminho... preparado?
- Yap... olha lá o que é que tu lhe disseste que ele tá todo acelarado para ir correr também...
- Eu?! Nada!
- E eu sou o coelho da pascoa...
Rimos-nos os três e saímos, apanhei uma valente seca enquanto os meninos treinavam e para me distrair comecei a provoca-los
- Txiii oh João que o coxo não corra mais é na boa agora tu?! Fraquinho!
- Coxo?! Fogo que consideração por um gajo que tá em recuperação!
- Fraquinho?! Anda cá tu mostrar o que vales!
- Até ia... mas tenho duas fortes razões para não o fazer. Primeiro não estou vestida convenientemente, nem de sapatilhas estou - falei apontando para os saltos - se bem que mesmo assim vos dava um bigode! Mas o principal é mesmo o facto de não vos querer envergonhar em publico!
- Por mim não te preocupes com a vergonha... afinal tenho sempre a desculpa de estar lesionado!
- É... hoje escapas por estares nesses preparos, mas amanhã é bom que venhas pronta a mostrares o que vales...
- Ahahah preparem-se para a humilhação...
- Tás a falar muito em humilhação o que é que apostas?
- Como sei que vais perder escolhes tu! - falei aproximando-me da passadeira onde o João corria e quando falei joguei-lhe um beijo
- Anda cá dar! - disse a rir - Oh Maria tu não te esqueças que a ultima vez que apostamos acabaste a ver um jogo meu!
- Ahahah pois foi... mas ai foi de propósito! - ele olhou espantado - Achas mesmo que eu perdia a oportunidade de vos ver perder? Ahahah era isso era! Alem disso como se prova pela conjuntura actual eu ter ido foi um ponto marcante!
- Marcante para quem?! Só se for para ti!
- E para ti também menino Ruben, porque se eu não tivesse ido, não havia cá apresentações e nem jogo de verdade ou consequência aqui com o João a provocar a minha prima... e sabes o que é que tinha acontecido, sabes? A esta hora continuavas um atadinho do pior e sozinho... sim que aquela gaja não te ia dar bola nunca na vida dela... e olha que até um ceguinho conseguia ver isso! - o Ruben olhava-me boquiaberto - que é disse alguma mentira?!
- Não amor foste foi objectiva de mais... - ri-me
- Então... resta-nos só agradecer ao desgraçado do Filipe que sofreu aquele monumental “perú” por nos ter juntado todos e o resto é história!
Eles acabaram a concordar comigo e o regresso a casa foi bastante animado.
- A casa de banho é minha! - o João nem deixou o Ruben dizer ai e trancou-se dentro do wc
- Oh vida... eu mereço!!
- A refilar de barriga cheia... isso é feio priminha!
- Feio és tu! - sentamos-nos na sala - Mas será possível que este dois dormiram fora?
- É parece que sim... e a tua prima também evaporou...
- Olha lá que desanimo é esse?
- Nada...
- E eu sou o coelho da pascoa...
- É que...
- É que???
- A tua prima!
- Sim??
- Oh Maria juro que tento mas...
- Mas?
- Eu não consigo vê-la toda abraçadinha aos vossos amigos de cá... não consigo... e ela parece que faz de propósito! - não consegui evitar de rir - isso goza-me!
- Não estou a gozar, mas vocês os dois sem se provocarem um bocadinho que seja não são vocês... alem disso ainda tens duvidas de que o que ela quer é mesmo estar contigo?
- Sim... - olhei-o admirada - quer dizer não... - continuei a olha-lo - eu sei que ela quer, mas cada vez mais duvido que consiga....
- Tás a gozar certo?
- Oh Maria eu não a percebo... tão depressa está tudo bem, como deixa de estar...  e... - parou e vi-o ficar envergonhado - e se houve coisa que nunca tivemos foi problemas de cama e agora ela anda numa de me provocar e depois deixar-me “na mão” - voltei a rir
- Desculpa mas a imagem foi aterradora!
- Fogo eu não sou de ferro e ela... é como se não fosse nada com ela... parece que sou um brinquedo com que se diverte a fazer sofrer...
- Quem é que sofre para ai? - o João entrou na sala apenas enrolado na toalha e o momento que se seguiu foi aterrador!
- Tu se continuas a aparecer-me assim na frente... - o Ruben abraçou o João por trás - conto-te uma historia!
- Conta Rubinho... conta! - eles continuavam os dois abraçados
- EHHHH!!! PAROU JÁ!!!  - acabei por intervir enquanto os dois se desmanchavam a rir - Nenhum dos dois tá a ter piada... Tu menino Ruben já para o banho... e tu menino João hás-de cá vir!
- Vou sim.. mas antes vou só comer qualquer coisinha... - ele saiu para a cozinha ainda a rir e passado pouco tempo voltou a comer e apenas de boxers, sentou-se no mesmo sofá que eu e meteu as pernas no meu colo - Bebé faz uma massagem a mim! - olhei-o - Vá lá a sério tou todo desfeito...
- Temos pena... - olhou-me surpreendido pela forma seca como lhe falei - Vai pedir ao Rubinho vai! Aproveita que ele ainda tá no duche... - acabei de falar e desatei a rir
- Piada... - sentou-se bem e puxou-me - sabes que dizem que o pessoal que experimenta já não quer outra coisa... tás pronta para me perder é?
- Vai... força... eu nem preciso fazer nada que a minha prima dá cabo de ti se te chegas muito ao namorado dela!
- O que é que tem a tua prima e o namorado dela? Por falar nisso onde é que ele tá?
- PRIMAAA! Tu não sabes o que eu fui obrigada a ver! Tu não deixes o Rodry aproximar-se do teu namorado! Olha que perdes!
- Conta lá isso devagarinho
- O teu namorado alapou-se aqui ao “fofinho” e ainda disse que ele ia sofrer e o pior é que este resolveu sair do armário e já tava todo contente e tiveram o desplante de o fazer na minha frente ahhh e este tava despido!
- E agora como se eu fosse muito burra! - Ia começar a repetir quando a porta da casa de banho se abriu
- Amor ainda bem que voltaste... tu não imaginas a quantidade de barbaridades que estazinha está a dizer sobre nós!
- Oh bebé... tu é que a usas para te esconderes por isso trata dela! - estava abismada com a lata dos dois
- Vocês trocam mais uma palavra nesse tom e tu ficas sem a “zinha” que usas para te esconderes tás a perceber?!
- Ihhh priminho conseguiste acordar a fera - a Mariana falou para o João e ainda ria com a situação mas nem sequer olhava para o Ruben.
- Bom a brincadeira tá muito engraçada, mas eu preciso de trabalhar... ohh tu! - disse falando com o João - anda ali comigo que quero mostrar-te um mail que recebi...- sai da sala directa para o quarto e assim que fechei a porta - larga-me!
- Oh só um beijinho!
- Espera que a minha prima o mate e depois pede ao Ruben!
- Aquilo tava pesado mesmo...
- Só não consegui perceber porquê?! Ela nem vos viu agarrados! - falei com uma certa repugnância na voz, sim que aquilo estava-me a fazer uma certa confusão
- Txiii agarrados... e é preciso esse ar...
- Tu não imaginas o quão arrepiante aquela imagem foi pra mim!
- Anda cá que eu faço-te esquecer... - puxou-me para ele e deu-me um beijo
- Ainda não esqueci... - falei enquanto afastávamos os nossos lábios e ele voltou a uni-los
- Melhor? - perguntou tentando avançar para algo mais
- Hummm... nem por isso... e também não vás por ai que não vais ter sorte... escuta essa vossa demonstração de afecto deixa qualquer uma frígida para o resto da vida!
- Ohhh fofa já chega... foi só uma brincadeira...
- Pode ter sido só uma brincadeira mas traumatizou-me o que é que queres que eu faça... não consigo superar!
- Pois... sim... claro...
- Bebé... podias dar miminhos a mim enquanto eu vou trabalhar pode ser que ajude a superar o trauma...- a intenção era a melhor mas acabei por deixa-lo sozinho no quarto quando ouvi o estrondo da porta a bater - mas fica para depois porque aquilo já deu barraca!

O que terá acontecido na sala? Será mais uma zanga do casal Ruben e Mariana? E como ficará a Maria e o João depois dela os ter visto naqueles propósitos?
Não percam o próximo que nós também não :P

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

038 - "Ainda tens o descaramento de perguntar o que se passa?"

Ruben

O dia hoje não começou da melhor forma mas a verdade é que depois da indirecta da Mariana quando estávamos os dois no mar percebi que se não agisse nunca iria tê-la da forma que mais quero, por isso mesmo na primeira oportunidade que tive provei que a quero do meu lado ao afirmar perante os nossos amigos que namoramos.
A notícia não apanhou ninguém de surpresa no entanto vi no olhar da Ana um misto de mágoa e revolta ainda assim quando a Mariana tentou afastar-se para ir ter com a prima impedi-a e só a libertei quando nos beijamos e trocamos algumas palavras.
Os minutos que estive longe dela serviram para o João nos elucidar sobre o motivo que levou a Maria a abandonar-nos, ouvimo-lo e demos alguns conselhos mas estes só surgiram depois da Ana se ter afastado com o Pedro. O João acabou por entender que está a querer ir depressa de mais e quando elas regressaram agiu como se nada fosse iniciando uma brincadeira com a Maria, que os levou a afastarem-se e foi nesse tempo que estive acompanhado pela Mariana e pelo Fábio que revelaram-me algo que nunca pensei ser possível de ouvir, afinal a Mariana tentou aproximar-se de mim durante o tempo que esteve em Faro mas que por apanhar-me a curtir com alguém se afastou.
O Fábio ter revelado isso ajudou-me a perceber a reacção dela ao afirmar que se quero mesmo alguma coisa tenho de o provar, por isso mesmo quando a Mariana quis ir dar uma volta só comigo não hesitei um segundo que fosse, caminhamos à beira mar e acabamos por nos sentar numa ponta da praia onde podíamos ter alguma privacidade.
- Fui mesmo otário! - olhou-me para logo depois gargalhar que nem perdida.
- A sério? Mas mesmo sério só agora é que chegaste a essa conclusão! - tê-la a gozar comigo foi mais do que suficiente para vingar-me da única forma que sei que detesta, iniciei um ataque de cócegas que depressa se tornou em mais um momento de cumplicidade e troca de mimos, estávamos os dois deitados nas nossas toalhas e completamente alheios ao que se passava ao nosso redor que não reparamos que tínhamos dois miúdos ao nosso lado, só mesmo quando o seu pai os veio chamar é que despertamos para a realidade, o senhor ainda pediu desculpas perante o atrevimento dos pequenos que desafiaram-me para jogar mas de nada adiantou uma vez que acabei mesmo por me juntar aos putos onde dei alguns toques na bola sempre sob o olhar atento da Mariana - Ah já regressaste foi... - pregou assim que sentei-me novamente do seu lado.
- Oh mau feitio... estás a mandar postas de pescada para quê? Sei bem que adoras ver-me com uma bola nos pés!
- A tua sorte é que não tenho ciumes daquela ali - apontou para a bola que os miúdos tinham - sim porque aviso já que das outras todas tenho - a Mariana estava demasiado séria - e não não estou a brincar se sonho que andas a olhar para outras gajas sou menina de deixar-te incapacitado para o resto da tua vida e sem direito a propagação de Rubenzinhos neste planeta, entendeste??
- Ui... não te conhecia a faceta de ciumenta!
- Há muita coisa que desconheces!
- Pois... para isso mesmo é que serve o namoro - olhou-me - para nos conhecermos um ao outro, para aprendermos a respeitar o outro tal como é e até mesmo para mudarmos alguma coisa em nós de forma a nos adaptarmos um ao outro, Mariana gosto de ti mas não sou inconsciente ao ponto de afirmar que será tudo um mar de rosas, temos feitios especiais e por isso mesmo temos que aprender a ceder mutuamente ou então não irá resultar.
- Ruben promete-me só uma coisa.
- Diz!
- Se algum dia o que sentes por mim diminuir quero que sejas sincero comigo, não me faças o mesmo que fizeste à Ana - desviou o olhar para o mar - Ruben não quero ser enganada e muito menos viver na ilusão.
- Não vais viver na ilusão porque o que temos é real e bem real caso contrário não terias lutado tanto contra o que sentimos, tinhas facilitado como sempre facilitaste com os outros, tinhas ido para a cama comigo à primeira oportunidade, Mariana não tenhas medo...
- Ruben não tenho medo... tenho pavor - suspirou - nunca assumi relacionamento nenhum e sempre tentei negar para mim mesmo o que sinto por ti com receio de perder a minha identidade, não sou dessas que adoram ser bajuladas pelos namorados, não tenho feitio para andar tipo cadelinha atrás de ti, acompanhar-te em festas e coisas do género, muito menos sou capaz de estar sempre disponível para quando precisares esteja lá, por exemplo quando assumiste que namoramos em frente ao pessoal senti-me como um peixe se deve sentir fora de água por momento senti até falta de ar e não foi por medo do compromisso foi com medo de te perder, tenho medo de querer o universo quando só devo ter a Terra - sorri ao ouvi-la - és demasiado importante para te perder para sempre, só eu sei o que doeu estes anos todos de ausência, foram anos e anos sem ouvir a tua voz, sem receber uma mensagem a desejar boa noite, sem ver o teu sorriso, sem sentir o teu toque mas principalmente foram anos de espera, de desejos, de sonhos, de tristeza, de saudade, de tudo o que possas imaginar e agora que estás aqui do meu lado só de pensar que posso vir a passar por tudo novamente... - não a deixei terminar colocando os meus dedos nos seus lábios.
- Não estás a dar-me novidade nenhuma... sei bem que para ti não é fácil por isso mesmo é que não fiz questão de assumir de imediato que namoramos, queria dar-te tempo para assimilares tudo, para gerires as emoções porque acredita que a única coisa que quero é construir uma vida em comum contigo pedra sobre pedra, é lógico que sei que não será sempre fácil mas desde que sejamos sinceros um com o outro vamos conseguir, Mariana não quero uma mulher perfeita mas sim uma mulher que goste verdadeiramente de mim ou seja quero-te a ti com todos os teus defeitos, medos e virtudes!
A Mariana não respondeu simplesmente enroscou-se no meu corpo e apesar de estarmos na praia mantivemo-nos assim durante algum tempo, tanto que só demos pelas horas passarem quando o Fábio mandou uma mensagem a perguntar se nos tínhamos perdido, acabamos por gargalhar e só depois fomos ao encontro deles.
- Então já vens mais aliviado? - Ana perguntou assim que nos juntamos aos restantes - Que foi? Até parece que não queres só sexo! - atirou sem o mínimo cuidado.
- O que quero ou deixo de querer há muito que não te diz respeito - respondi ao deitar-me na toalha.
- Ui tão politicamente correcto que ele está... pena é não teres agido sempre assim!
- Mas afinal o que queres?
- Nada... só acho piada a essa vossa relação perfeita... só quero ver até quando dura!
- Dura o tempo que durar e não tens nada que meter o bedelho - a Mariana falou pela primeira vez desde que chegamos junto deles - Ana não tenho culpa de namorar com o teu ex por isso espero sinceramente que te comportes e não armes barraca nenhuma!
- Ui... como ela enche a boca para falar que namora... oh Ruben abre os olhos antes que tenhas um par de cornos!
- Chega! - a Mariana elevou a voz o que provocou o riso cínico tanto na Ana como no Pedro.
- Calma Mariana... afinal a Ana não disse mentira nenhuma... adoras uma boa foda mas daí a fazê-lo sempre com o mesmo... não és mulher para te contentares só com um...
- Pedro... lá porque não foste homem suficiente para segurares a minha prima e muito menos satisfazê-la ao máximo não quer dizer que o Ruben não seja HOMEM, sim ele ao contrário de ti não precisa de forçar nada, sou dele de livre e espontânea vontade tal como a minha prima é do João... eles os dois sim são homens enquanto tu... não passas de um rato de esgoto que se esconde atrás de outra ressabiada com a intenção de estragarem-nos as férias só ainda não entenderam que por muito que tentem não vão conseguir... o que une o meu destino ao do Ruben é o mesmo que une aqueles dois que estão ali na água... é o AMOR que é coisa que vocês nunca sentiram por parte dos respectivos! Ana, abre os olhos, esse daí só quer usar-te mas vendo bem as coisas até gostas de ser usada... Sabes posso ter sido de muitos mas sempre o foi de livre vontade, se fui usada por eles... sim fui mas e depois? Se fui usada foi porque também usei... ah e não estou minimamente arrependida, fiz o que quis e com quem quis para agora estar com a única pessoa de quem sempre gostei e que também sente o mesmo por mim, tudo o resto são favas contadas!
- Não tens mesmo vergonha na cara pois não?
- Não tenho motivos nenhuns para sentir vergonha!
- Será que não? Nem quando o teu passado vier para revistas e jornais? O que irá pensar a tua família? Ou melhor o teu pai afinal pensa que tem a filha perfeita e quando for a ver tem é uma galdéria.
- Juro que não entendo o teu ódio por mim, Ana sempre soubeste que o que me ligava ao Ruben era especial, já na nossa adolescência querias algo com ele e sempre levaste com os pés, já não é segredo nenhum que foi comigo que o Ruben teve a sua primeira experiência mas talvez penses que a iniciativa tenha sido minha no entanto não foi, o Ruben é que procurou a oportunidade e o momento, se queres mesmo saber foi perfeito e senti-me como nunca antes tinha-me sentido, sabes aquela sensação de completa harmonia, de sentires o prazer de cada beijo, de cada carícia, de te sentires única e completa... pois foi assim que me senti, o Ruben é muito mais do que um objecto para sentir prazer, ele é o único capaz de mudar alguma coisa em mim e garanto que por ele enfrento o mundo, logo enfrentarei o meu pai como a restante família, se tiver que sofrer represálias sofro-as porque no final terei o Ruben à minha espera disposto a reconfortar-me e a relembrar-me em cada beijo e carícia o porquê que tive de passar por esse calvário!
A Ana provavelmente teria respondido mas a chegada da Maria e do João impediu isso mesmo até porque houve um “pequenino” pormenor que saltou de imediato à vista da Mariana.
- Oh prima o que é que fizeste ou melhor não fizeste aí ao primo?? É que pronto anda para aí uns “levantamentos” um bocado estranhos!
Com a saída da Mariana desmanchamos-nos todos a rir, foi inevitável não o termos feito perante a cara que ambos fizeram, só a troca de olhares chegou para percebermos o quão animado foi o tempo que tiveram no mar mas acabamos por não nos alongarmos muito nos comentários para não dar hipótese ao outro de mandar alguma boca.
- Olhem lá... vocês as duas que conhecem Faro de uma ponta à outra digam lá o que vamos fazer logo?
- Fabinho... queres ir à procura de alguma vitima, é?
- Marianinha... sabes como é... tenho essa necessidade - gargalharam os dois.
- Não seja por isso... tenho o sítio indicado para irmos... é assim calminho e pode ser que te safes...
- Hey... mas ficas desde já avisado que lá para casa não vais! - manifestei-me de imediato o que levou-os a rir.
- Fica tranquilo que esta noite não serei empata - sorriu - vocês sabem melhor do que eu!
- Fabinho... amor do meu coração - só pelo tom de voz da Mariana adivinhei que vinha algo forte - o ditado diz empata fodas... mas no nosso caso é mais empata amor - beijou-me - que fica bem mais fofinho já para não falar que é o que se irá passar... - enroscou-se ainda mais em mim.
- Ui... isto está bonito... oh se está!
- Maria... priminha não abras muito a boca ou terei que mencionar a actividade extrema em que andaste a noite passada... sim porque no meu quarto fomos três a não conseguir dormir... mas pior que isso foi ter partilhado casa tanto ano aqui em Faro contigo e nunca ter percebido que afinal temos leoa na cama... hum... tá-me cá a parecer que o problema não era teu...
Lógico que gargalhei perante a boca da Mariana principalmente depois de ver o ar de chocada da Maria.
- É prima... tenho de concordar com a Mariana... vocês ontem estavam numa de testar os alicerces lá de casa!
- Oh seu camelo... desde quando é que te dei autorização para me tratares por prima??
- Camelo é o senhor seu namorado - a Mariana meteu-se.
- Ena prima... estás mesmo enamorada - sorrimos - mas tenho a dizer que adoro ver-te assim... calminha... sossegadinha... e finalmente a ganhar juízo! - desta foi a vez da Maria e do João gargalharem
- É sabes que isto de namorar com um menino da mamã disfarçado de diabinho tem destas coisas...
- Olha lá... estás a colocar alguma coisa em causa? - fiz-me de ofendido!
- Nada... nadinha de nada... se queres mesmo saber és como o vinho do porto quanto mais velho mais apurado...
A Mariana não deu qualquer hipótese para lhe responder uma vez que uniu de imediato as nossas bocas e em segundos as nossas línguas, desliguei por completo no instante que senti o seu corpo em cima do meu, a Mariana ainda teve o descaramento de nos tentar tapar com a sua toalha e assim continuar com uma troca de mimos mais intensa, tive mesmo que interromper as intenções dela ou ainda ficaria no mesmo estado que o João, no entanto a Mari achou por bem manter-se sentada em cima de mim e uns segundos bastaram para que retomasse a troca de mimos mas agora inocentes que duraram até sermos interrompidos pela Maria ao anunciar que estava na hora de irmos embora.
- Vamos para o banho? - a Mariana literalmente arrastou-me com ela assim que entramos em casa.
- Hey... isso é para despachar que há mais gente a querer tomar banho! - a Maria refilou ao qual a Mariana respondeu de uma forma muito “adulta” colocando a língua de fora.
- Ruben... Rubinho... pára! - refilou assim que tentei algo mais - Fofinho... não temos tempo para isso!
- Fogo! Mariana ou é o tempo que é curto ou é porque o Fábio resolve ir dormir para o nosso quarto ou então porque não te apetece ou ainda porque meteste na cabeça que te tinha de provar o que quer que fosse... caramba não achas que já estás a exagerar! - a Mariana acabou por gargalhar - Ainda gozas!
- Desculpa - abraçou-me - mas ficas ainda mais cómico assim stressado - beijou-me - Ruben também quero... e sim também já ando a desesperar - sorriu - mas ouviste a minha prima e se demoramos mais do que o suposto podes ter a certeza que ela é menina para vir bater na porta...
- Tudo bem! Mas não sou de ferro!
- Eu sei... oh se sei... - suspirou - mas agora despacha-te!
Acabei por fazer o que pediu e despachamo-nos ainda assim quando abrimos a porta tínhamos a Maria já pronta para fazer um “escândalo”.
- Priminha já tens a casa de banho por tua conta... - a Mariana picou-a - por tua e do João...
A Maria não respondeu e por isso seguimos até ao quarto onde nos vestimos para no fim dedicarmos algum tempo um ao outro e finalmente a sós. Estávamos numa de namorar quando a Mariana resolveu dar numa de cozinheira e se lembrar que tinha o jantar para fazer, acabei por acompanhá-la e até ajudá-la.
- Ui... morreu um burro! - olhámos os dois para a Ana que mal entrou falou - Tu na cozinha? Epa essa é novidade!
- Tens algum problema com isso?
- Não... mas tendo em conta que enquanto namoramos nem uma torrada com um copo de leite conseguias preparar... agora até o jantar fazes!
- Ana sabes que o amor tem destas coisas! - atirei por já estar farto de a ouvir - E quanto mais depressa entenderes isso melhor vai ser, não falo por mim ou pela Mariana porque está nítido que nos estamos a borrifar para ti... falo por ti que já está mais do que na hora de esqueceres de uma vez que algum dia nos envolvemos... faz um favor a ti própria e parte para outro! Desencalha de uma vez! E se não for pedir muito desaparece, regressa para Lisboa e deixa de atrapalhar!
- Ruben! Já chega! - ouvi o Fábio e só aí é que percebi que tinha sido demasiado duro.
- Desculpa Ana - falei ao vê-la de lágrimas nos olhos - mas sinceramente começo a perder a paciência para as tuas infantilidades... entende de uma vez por todas que finalmente a minha vida ganhou sentido, que namoro com quem sempre quis e que julguei ser impossível, caramba gosto da Mariana e espero sinceramente que encontres alguém que te faça feliz porque mesmo que a minha relação com a Mariana não resulte nós nunca iremos ter mais nada... já errei uma vez por isso garanto que não erro a segunda, nós somos só dois bons amigos, apoiaste-me numa das alturas que mais precisei, é verdade que foste tu que tiveste no meu lado quando a Mariana veio para cá mas nós não mandamos no nosso coração e sabes perfeitamente que o meu nunca foi teu! E agora faz-me só um último favor, a mim, ao resto do pessoal mas principalmente a ti... manda o Pedro passear - aproximei-me dela - Ana não te desejo mal muito pelo contrário por isso afasta-te daquele animal sem escrúpulos, não sou parvo e já percebi que só o fizeste para atingires a Maria talvez por saberes que seria a única forma de magoares a Mariana mas pensa bem no que andas a fazer... só te estás a magoar a ti... abre os olhos... e de certeza que encontrarás outro alguém disposto a amar-te!
- Ruben - a Mariana chamou-me assim que a Ana saiu da cozinha - onde é que me perdi mesmo?
- Hã?
- Que indirecta foi essa que deste à Ana? - sorri ao ouvi-la.
- Indirecta? Eu a pensar que tinha sido mesmo directa!
- Continuo a apanhar bonés!
- Esquece... - beijei-a - depois falamos - sussurrei por não querer que o Fábio ouvisse - e agora vamos lá acabar o jantar.
A Mariana já não insistiu e uns segundos depois ficamos novamente sozinhos, estávamos já a terminar de colocar a mesa quando a Maria e o João resolveram aparecer, ficamos os quatro à conversa e só quando estávamos os seis é que começamos a comer. O jantar foi animado mas ainda assim rápido, as raparigas estavam com a pedalada toda e pela animação deu para entender que a noite seria longa.

Mariana

Confesso que fiquei surpreendida com a forma como o Ruben falou com a Ana quando na cozinha tentou chatear-nos mais uma vez a cabeça mas fiquei ainda mais curiosa com a indirecta que segundo o Ruben foi mesmo directa, não tinha entendido o conselho que o Ruben deu à Ana e por isso voltei a perguntar na primeira oportunidade que tive.
- Deixa de ser curiosa... a seu tempo saberás!
- Agora tens segredos para mim? - perguntei enquanto caminhávamos até ao bar.
- Não... mas é que não passa de um palpite!
- Conta! - coloquei-me diante dele impedindo que continuasse a andar.
- Se andares atenta chegas lá!
- Atenta ando eu e até demais... afinal abutres a quererem tirar-te um pedaço não faltam por aí - gargalhou - ainda achas piada?
- Admito que nunca pensei ver-te com ciúmes ainda mais por mim!
- É - suspirei - a vida dá mesmo muita volta! - sorriu e aproveitou uma distracção minha para beijar-me - hum... anda! - puxei-o pela mão ao perceber que tínhamos ficado para trás e quando chegamos ao bar vimos a Maria e a Ana abraçadas - parece que o abre olhos que deste à Ana já começou a ter efeito!
- É... e se ela levar em conta tudo o que lhe disse pode ser que daqui a uns meses esteja tão bem quanto nós! - abraçou-me e foi assim que caminhamos até junto do pessoal.
Sentamo-nos todos numa mesa e por lá ficamos na conversa até ao momento em que avisei que iria ao WC. No regresso à mesa que resolvi passar pelo bar e pedir mais uma bebida, estava a curtir a música ambiente enquanto esperava ser atendida quando alguém chamou-me à realidade tocando-me no ombro, olhei para trás e encontrei alguém que já não via desde há uns anos.
- Oi - falei animada ao mesmo tempo que o abracei e cumprimentei com dois beijinhos no rosto - bem à quanto tempo... o que é que foi feito de ti? - estava mesmo contente por o ver, apesar de tudo as boas recordações conseguiram apagar o pior momento da minha vida.
- Como sabes depois do que nos aconteceu precisei de um tempo para colocar as ideias em ordem, andei pelo mundo mas agora resolvi assentar e regressei para terminar o curso - sorriu - foi quando descobri que as primas Mendes tinham regressado a Lisboa.
- Eh né! É lá que temos a família...
- E namorados! - olhei-o surpreendida.
- Como é que sabes?
- Sinceramente... isso nem parece teu... mesmo sério achas que regressas a Faro e que ninguém comenta o facto da Mariana Gonçalves Mendes andar na área - gargalhei - ainda para mais quando chegas cá já acompanhada...
- Estou a ver que andas mesmo bem informado... foi o Pedro?
- Népia!
- Quem foi? Só estive com ele!
- A Vanessa...
- Hã? Ainda nem sequer a vi!
- Pois mas parece que ela te viu a ti na praia algo animada com um desconhecido - gargalhei, só mesmo aquela lunática para não ter reconhecido o Ruben.
- Podia ter implicado... já tenho saudades daquela louca!
- Pois... se assim é... podes matar saudades do nosso grupinho - sorriu - o pessoal está cá tudo!
- Bora! - abracei o António sem segundas intenções mas a verdade é que depois de tudo o que passamos ficamos ligados para sempre e agora que o tinha diante de mim só pensei em matar saudades do meu amigo.
Caminhamos até à mesa onde estava o pessoal e como seria de esperar “perdi-me” durante largos minutos à conversa com eles e só despertei para a realidade quando recebi uma mensagem do Ruben mais seca que o deserto do Saara a perguntar onde andava, no mesmo instante deixei o pessoal e regressei para a mesa onde o tinha deixado.
- O Ruben? - perguntei de imediato ao não encontra-lo.
- Não sabemos! - responderam em conjunto.
- Como assim não sabem?
- Mariana ele estava aqui mas bazou sem dizer nada!
Não insisti mais e fui à procura dele, percorri o bar de uma ponta à outra mas não o encontrei, resolvi por isso ir até ao exterior daquele espaço nocturno e foi lá que o vi.
- O que é que estás aqui a fazer? - perguntei ao tentar abraça-lo mas o Ruben desviou-se - O que é se passa?
- Ainda tens o descaramento de perguntar o que se passa? - olhei-o sem entender.
- Deixa-te de rodeios e diz o que se passa!
- O que se passa é que te vi toda animadinha agarrada a um gajo qualquer e depois ainda desapareces este tempo todo! - sorri ao vê-lo ruído de ciúmes e antes que continuasse com os disparates “curtei caminho” impedindo de falar.
- Ruben como só abracei um gajo sei exactamente de quem falas - aproximei-me - é o António...
- António!? Aquele que...
- Sim esse todo! Ruben já não o via há anos...
- Ah... então agora que o viste percebeste que tens muitas saudades dele e da porcaria que te fez!
- Estás a ser estúpido! Ruben apesar de tudo o que passamos ficámos amigos e se queres mesmo saber quando o António decidiu afastar-se de Faro, interromper os estudos e “desaparecer” por esse mundo fora fiquei triste, ele era um dos meus confidentes e amigo por isso não te admito que venhas agora ao fim de tanto ano meter isso em causa!
Ruben nunca menti, ocultei ou atirei areia para os teus olhos, sabes perfeitamente que dormi com muitos e se vais fazer uma cena sempre que abraçar um deles o nosso namoro não irá resultar. Tenho um passado que concordes ou não com ele é o que tenho, é meu e não o posso mudar por isso compreende que não é por abraçar alguém que estou a trair-te ou a ponderar fazê-lo, se estou contigo é porque gosto de ti e não pelo simples prazer se assim fosse já te tinha dado o que tanto queres - olhou-me - uma noite de sexo!
Foi incapaz de segurar as lágrimas, a desconfiança do Ruben magoou-me mais do que alguma vez pensei ser possível e a falta da reacção dele perante o meu desabafo ainda conseguiu melindrar-me mais, baixei o olhar e virei costas com a intenção de regressar para junto dos meus amigos mas o Ruben impediu-me ao segurar-me pela cintura para no instante seguinte sentir a sua mão a desviar o meu cabelo do ombro direito onde acabou por colocar o queixo.
- Não tinha o direito de agir assim - suspirou - mas o que é que queres - virou-me para ele - só a ideia de te aproximares de outro mexe comigo e não é por falta de confiança em ti - olhei-o - mas é que ter a consciência que outros já te tiveram como te tenho mexe comigo! Sim tenho ciúmes mas o medo de te perder para qualquer um deles é muito maior que os ciúmes, Mariana quando te vi abraçada a outro fiquei inseguro - sorri ao ouvi-lo por momentos relembrei as imensas conversas que tive com o Ruben sobre as inseguranças dele - a sensação que tive é que tinha regressado ao passado e que era novamente um puto acanhado e sem saber o que fazer!
- Oh... tadinho dele... um puto acanhado e sem saber o que fazer - abracei-o - engraçado... não é essa a última lembrança que tenho de ti - beijei-o serenamente - sabes... que acanhado foi coisa que não foste na noite do baile... naquela que foi a primeira de muitas que nos tão reservadas! - apertei ainda mais o abraço, precisava de senti-lo bem junto de mim - Ruben durante estas semanas irás conhecer alguns dos meus amigos e amigas aqui de Faro e se te deixar mais sereno não tenho qualquer problema em esclarecer-te com quem fui ou não fui para a cama mas garanto que quase todos aqueles com quem me envolvi hoje têm namorada e tal como eu estão felizes, Rubinho quero que esqueças essas inseguranças porque não tem razão de ser!
O Ruben prometeu que iria tentar e ainda ficamos uns minutos na esplanada a curtir a música ambiente e a namorar mas acabamos por regressar para junto dos nossos amigos. Foi no exacto momento em que chegamos junto do pessoal que começamos a ouvir os primeiros acordes de uma música e uns segundos bastaram para sentir os braços do Ruben a rodearem a minha cintura.
- A menina dá-me o prazer desta dança? - sussurrou-me ao ouvido.
- Endoidaste foi? - voltei-me para ele e sorri ao ver a sua cara - já chegou a noite do baile... os meus pés sofreram tudo o que tinham para sofrer nessa noite!
- Shiu... anda lá!
Foi impossível recusar tal pedido, aquela era a nossa música, a última que dançamos no baile de finalistas e que foi o mote para o que se passou a seguir, deixei-me levar ao som da letra mas acima de tudo pelo Ruben, ele ao contrário da noite do baile estava a dançar perfeitamente pelo menos não senti pisadela nenhuma e confesso que tê-lo tão perto de mim mas acima de tudo sereno, sem se importar com o facto de estarmos a ser o centro das atenções fez com que desligasse completamente, naquele momento éramos só nós, dancei vidrada nele, os nossos olhares mesmo que quiséssemos não descolariam um do outro. Ainda a música ia a meio e já estava com as lágrimas nos olhos, sim senti-me novamente uma adolescente em fase de descoberta ao ponto de ter simplesmente anulado por completo os milímetros de distância que nos separavam e ter fechado os olhos, deixando as lágrimas caírem e aproveitando assim todos os segundos daquele momento vivido a dois mas presenciados por várias pessoas.
A música terminou e o momento de regressar à realidade chegou no entanto mantive-me sempre o mais próxima possível do Ruben, aliás foi mesmo quando o estava a beijar que o António chegou por trás de mim e implicou.
- Ah agora está explicado! Fugiste da malta para vires para a boa vida! - gargalhei e depois vi o António a cumprimentar a Maria que ficou surpreendida por o ver.
- Oh paixão - o António olhou-me - quero apresentar-te o Ruben - sorri ao ver o ar misterioso do meu amigo - Ruben é o António! percebi o esforço que o Ruben fez para não demonstrar o desagrado dele ainda assim cumprimentou o meu amigo.
- Mari... - olhei para o António - assim só por mero acaso... aí o Amorim é sinónimo de Rubinho? - gargalhei.
- Fogo... já fui apanhada!
- Oh rapariga... só se fosse muito cego é que não percebia... - o Ruben olhava-nos algo confuso - afinal o brilho que tens no olhar é o mesmo com que ficavas sempre que falavas do teu Rubinho daquele que sempre foi o responsável por nunca teres conseguido assentar!
Sorri perante a dedução do meu amigo e ainda ficamos uns minutos à conversa sempre sob o olhar atento do Ruben mas fomos interrompidos ou não fosse o pessoal que estava com o António também se ter aproximado, o que resultou em alguns momentos cómicos quando a malta começou numa de relembrar os tempos da faculdade. Mas se eu e a Maria nos divertimos, os rapazes ficaram de cabelos em pé ou não fosse em menos de duas horas terem descoberto o que andamos a fazer por Faro, desde os momentos ditos sérios ou seja as noitadas a estudar e aqueles de pura loucura que aconteciam sempre depois de mais um exame feito ou então só porque nos apetecia.

A noite vai animada mas será que termina bem?