terça-feira, 7 de janeiro de 2014

115 - "Foste a maior desilusão da minha vida, esquece-me e segue com a tua vida, deixa-me em paz!"

Ruben
Depois da Mariana sair não demorou muito para a Olga chegar e assim que chegou deixei o Filipe com ela e fui até ao SPA, uma vez que queria ver como estavam a correr as cenas e foi quando estava na mera cavaqueira com o meu irmão que este resolveu tocar num assunto que não queria comentar
- Mano como estão as cenas entre ti e a Mariana?
- Não te diz respeito!
- Oh deixa-te de tretas e conta!
- Não há nada para contar! Somos amigos... só isso!
- Puto se fosse só amizade vocês não se olhavam da forma que se olham!
- Sim amo-a e amarei sempre mas a Mariana só me quer como amigo.
- Vais desistir? - a pergunta da minha mãe fez com que desse um ligeiro pulo, afinal não a tinha visto chegar
- Chega! Não quero que se metam nesta decisão!
- Mas não podes desistir agora, mano a Mari ama-te e agora com o Filipe em casa já podem descontrair mais, além disso é inegável o amor que a Mari tem pelo menino...
- Prefiro tê-la como amiga do que não ter nada!
- Vais desistir e fazer o quê?
- Esquecê-la... mãe vou seguir com a minha vida e espero que respeitem a minha decisão!
Tanto a minha mãe como o Mauro não insistiram mais no assunto e por isso o momento do almoço até foi agradável. Sei que lhes menti descaradamente mas só o fiz por ter noção que a Mariana precisa mais do que nunca de espaço e tempo para assimilar o que se anda a passar connosco.
De tarde fui para o treino e no fim fiquei a dar uns toques numa bola, estava a precisar de libertar energias e até de colocar a cabeça em ordem, afinal a noite de ontem estava bem presente, tal como a forma como hoje a Mariana reagiu...
Estava em casa com o menino quando tentei ligar à Mariana mas não atendeu, voltei a insistir um tempo depois e nada, ainda assim não desisti e continuei a insistir até que percebi que devia estar a ignorar-me novamente.
Agarrei no Filipe e fui até ao seu apartamento, toquei e assim que a Mariana percebeu quem era informou-me de imediato que não queria falar comigo, não me dei por vencido e afirmei que não ia embora sem falar com ela, ainda lhe disse que o menino estava comigo e talvez por isso tenha aberto a porta do prédio.

Mariana
A ameaça da Sofia não saía de forma alguma do meu pensamento e por isso pouco tempo depois de chegar ao trabalho acabei por sair e dei como desculpa o facto de estar indisposta.
Passei a tarde toda fechada em casa sem saber o que fazer, por um lado queria contar ao Ruben mas por outro não, afinal a última coisa que quero é irritar a louca da Sofia, se acontece alguma coisa ao meu menino não me perdoarei...
Estava deitada no sofá quando o meu telemóvel começou a tocar e nem foi preciso ver o nome para saber que era o Ruben, deixei tocar de todas as vezes que ligou e quando já pensava que tinha desistido fui obrigada a abri-lhe a porta.
- O que queres? - perguntei assim que saiu do elevador
- Temos que falar... - o Ruben entrou e foi direto à sala
- Diz!
- Preciso que digas o que queres... Mariana, somos muito mais que amigos mas sinceramente não sei em que ponto estamos agora e preciso de saber, já não somos crianças e sinceramente quero mais - suspirou - mas para isso preciso de ter a certeza que também queres! Mariana olha para mim se faz favor - fiz o que pediu - esquece tudo o resto e responde-me com sinceridade - não sei porque mas sentia o coração acelerado - amas-me?
- Sim…
- Então porquê que continuas a fugir ao que sentes? Porquê que depois da noite maravilhosa que tivemos ontem hoje não atendes as minhas chamadas?
- Ruben preciso de espaço…
- Se fosse espaço que precisas não passavas tanto tempo comigo! Mariana consigo aceitar e compreender que não queiras contar à nossa família e amigos o que se passa, mas... - interrompi-o
- Foste a maior desilusão da minha vida, esquece-me e segue com a tua vida, deixa-me em paz! - ver a desilusão no olhar do Ruben consumiu-me por dentro e assim que o Ruben saiu levando com ele o menino entreguei-me ao choro compulsivo, não era nada disto que queria mas pelo Filipe sou capaz de tudo...

Ruben
Ouvir da boca da Mariana que fui a maior desilusão da sua vida doeu mas o que arrasou comigo naquele instante foi mesmo o pedido dela para a deixar em paz, pela primeira vez nos últimos meses perdi aquela réstia de esperança que sempre me acompanhou e por isso agarrei no meu filho e saí, naquele momento já não fazia nada ali...
Conduzi até casa e chorei... chorei durante grande parte da noite, por muito que tentasse percebê-la não conseguia, não quando sei que nos amamos, mas principalmente porque precisamos um do outro para vivermos, dependo dela como da água para sobreviver.
A noite serviu para decidir que não desistirei da Mariana e por isso levantei-me da cama determinado a fazer de tudo para que perceba que só seremos felizes juntos.

Mariana
Uma semana passou desde que disse ao Ruben para seguir com a sua vida e deixar-me em paz mas o que tem feito é exatamente o contrário, o Ruben não tem facilitado em nada e desde visitas surpresas quando estou em casa, a ramos de flores entregues no meu local de trabalho ou ainda a pequenas lembranças que me fazem recordar os nossos melhores anos quando ainda eramos umas crianças, tudo tem feito para que “quebre” e lhe dê a derradeira oportunidade.
E a verdade é que a cada dia que passa é mais difícil passar a imagem que sou indiferente a tudo... Hoje foi mais um dia desses, estava no trabalho quando o telemóvel começou a tocar.
- O que queres?
- Certificar-me que estás a ouvir a tua rádio preferida...
- Ãh?
- Escuta...

Não estava a entender nada mas bastou uns segundos para sentir os cabelos dos meus braços a arrepiarem-se todos quando ouvi a locutora da rádio anunciar que a próxima música vinha a pedido de um ouvinte e dedicada à mulher que ama...

Ouvi a letra com atenção e foi impossível segurar as lágrimas, só não sei se foram lágrimas de raiva por ter noção que o Ruben está a conseguir fragilizar-me cada vez mais ou se foram lágrimas de saudade... só sei que não lhe disse nada, ficamos simplesmente ao telemóvel a ouvir a respiração um do outro e assim que a música terminou
- Amo-te...
- Oh Ruben... - interrompeu-me
- Não digas nada, pensa só na letra da música e depois falamos...
Assim que terminou de falar desligou a chamada, fiquei feita parva a olhar para o telemóvel e sem acreditar que aquele otário depois de meter-me a chorar, desligou a chamada desta forma...
***
Estava em casa depois de mais um dia de trabalho quando o som da campainha anunciou nova visita que para mim não foi difícil de adivinhar quem seria, pela hora só podia ser ele...
- Olá... - o sorriso dele estava a arruinar o meu discernimento
- O que é que queres? - atirei sem paciência
- Sou simplesmente um homem com saudades da sua apaixonada... - interrompi-o
- Desaparece que estou sem paciência!
- Correu mal o dia no trabalho? - perguntou de mansinho o que irritou ainda mais
- E o que é que tens a ver com isso? Desaparece! - tentei fechar-lhe a porta na cara mas o Ruben meteu o pé impedindo
- Vim jantar - conforme falou mostrou os sacos que tinha na mão e que até então ainda não tinha reparado - por isso dá licença - forçou a sua entrada e foi até à cozinha onde pousou os sacos na bancada para de imediato retirar as embalagens da comida e coloca-la em travessas, deixando-me atónica a olhá-lo perante o seu atrevimento - vais ficar aí a olhar enquanto janto ou fazes companhia? - perguntou quando já estava sentado à mesa e antes de se servir...
- Mas julgas que isto é a casa da Joana que chegas aqui e é tudo teu? - resmunguei
- Da Joana não... mas é a casa da Mariana Mendes que é só a detentora do meu coração... - respirei fundo - Posso servir-te?
- Ruben sai!
O Ruben ignorou a minha ordem e começou a servir, primeiro colocou comida no que seria o meu prato e depois no dele, ainda teve o descaramento de tentar ser cavalheiro ao ponto de puxar a minha cadeira para que me sentasse mas hoje não estava de todo em dia “sim” e como tal a paciência para os joguinhos dele que a cada dia estavam a deixar-me mais vulnerável não era nenhuma, por isso mesmo deixei-o sozinho, fui ao meu quarto agarrei na mala e saí de casa, deixando-o lá...
Assim que abro a porta do prédio e olho em frente vejo-a... a Sofia estava em frente do prédio, fingi que não a tinha visto e entrei no meu carro, conduzi até à praia e foi a ouvir o som das ondas a bater contra as rochas que passei as horas seguintes. Regressei convencida que já tinha a minha casa só para mim mas assim que coloquei a chave à porta e abri, deparei-me com um cenário de todo inesperado...

Ruben
Nos últimos dias não dei descanso à Mari e fiz de tudo para que percebesse que o seu lugar é do meu lado, no entanto nestes dois últimos dias a Mariana tem andado mais irritada, diria mesmo stressada e por isso as suas reações às minhas surpresas nem sempre foram as melhores, como foi o caso de hoje que preferiu deixar-me sozinho e sair da sua própria casa, ainda assim não desisti e voltei a surpreende-la quando chegou a casa ou não fosse ter-lhe redecorado a casa...
Mal ouvi a porta a abrir carreguei no play da aparelhagem
E fui até ao fundo do corredor para ver a sua reação ao que tinha feito...
A Mariana não reagiu de imediato, ficou simplesmente imóvel, algo que deixou-me inquieto e por isso mesmo aproximei-me devagarinho, a cada passo que dava o meu coração batia a um ritmo cada vez maior, sentia o sangue a fervilhar mas ao mesmo tempo calafrios e nem sei explicar porquê...

Mariana
É verdade que nestes últimos dias o Ruben tem feito pressão de todas as formas e feitios para que lhe dê a tão desejada oportunidade mas até ao momento nunca tinha conseguido atingir-me tão profundamente, o certo é que vê-lo diante de mim e ouvir o que aquela letra da música dizia, fez-me recuar no tempo, em pouco mais de quatro minutos revivi tudo o que de bom passei do seu lado, senti cada beijo roubado, cada carícia recebida, cada toque puro, ouvi todas as convicções e promessas que fizemos um ao outro, voltei a sentir aquela sensação única que só se sente quando estamos nos braços da pessoa amada, voltei a sentir-me completa, voltei a querer gritar ao mundo o quanto o amo, o quanto o quero só para mim...
Ainda assim só consegui reagir quando o Ruben se aproximou, não perdi mais tempo e beijei-o, algo que o Ruben não negou muito pelo contrário retribuiu, para no fim ficarmos a olharmo-nos durante alguns minutos
- Nunca mas mesmo nunca mais voltarei a magoar-te ou a desistir de nós... és a minha vida Mariana, sem ti nada faz sentido...
- Esquece Ruben... - olhou-me - isto é tudo muito bonito e sim de cada vez que me surpreendes acabo por vacilar mas mesmo assim...
- Pára de fugir por favor...
- Ruben não dá!
- Porquê? - perguntou já a desesperar
- Porra não me sinto capaz de entregar-me sem reservas, o problema não é teu, é... simplesmente não consigo...
- Mas nós já tivemos juntos por isso não venhas dizer que não consegues...
- Nós tivemos juntos sempre em momentos que estava fragilizada, sim adorei e foram todos maravilhosos, senti-me bem mas depois... depois vem as recordações más... Ruben por muito que tente não consigo evitar e acabo sempre por pensar no outro reverso do amor...
- O que é que tenho de fazer mais para que acredites em mim? Diz... por favor! Faço tudo o que quiseres...
- Sai...
- Não! Chama a polícia, faz aquilo que quiseres mas daqui não saio!
Não estava para aturar mais aquilo e por isso fui até ao meu quarto, fechando a porta à chave e de lá só saí durante a madrugada porque tive de ir à casa de banho.
Abri a porta e petrifiquei perante o que os meus olhos viam, o Ruben estava meio sentado e meio deitado no chão em frente à porta, deve ter sido vencido pelo cansaço uma vez que dormia todo torto, não tive coragem para o deixar ali assim e por isso
- Ruben... oh Rubinho acorda - abanei-o e aos poucos foi acordando - sai do chão...
- Agora estás preocupada, é?
- Menos Ruben muito menos que estou sem paciência!
Atirei ao passar por cima das suas pernas, fui e vim da casa de banho e o Ruben mantinha-se sentado à porta do quarto
- Mas agora vais armar-te em cão de guarda?
- Já te disse que não desistirei!
- E eu já te disse que não estou preparada para namorar!
- Não... - levantou-se e veio até junto de mim que olhava pela janela - disseste que não conseguias dar-me uma oportunidade!
- E não é tudo a mesma coisa? - atirei aborrecida
- Não... porque se o problema é o peso que a palavrar namorar tem para ti, é simples de se revolver - o Ruben olhava-me de uma forma que estava a deixar-me fragilizada, subitamente tive vontade para lhe saltar para a espinha - posso sempre substituir a palavra namoro por “curte”, se te sentires mais confortável a relembrar a altura que só querias sexo por sexo tudo bem... estou disposto a tolerar isso desde que te tenha comigo!
- Mas não desistes?
- Não...
- Ruben percebe que sinto falta de ti, dos teus abraços, dos teus beijos, até dos momentos de puro prazer que me dás mas isso não significa que queira isso!
- Estás a falar de sexo? É isso? Andas a fugir de mim porque não queres fazer amor comigo?
- Ai Ruben já não sei aquilo que quero!
Enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto, no dele estava um sorriso, que só estava a irritar-me e quando o ia mandar embora, o Ruben surpreendeu-me ao puxar-me até à cama, obrigando-me a deitar e sem que esperasse simplesmente abraçou-me, para nos minutos seguintes se dedicar a dar-me mimos inocentes, aquilo soube bem e por isso permiti que continuasse...

Ruben
Corro o sério risco de dar em louco antes de conseguir vergar a Mariana mas o certo é que não desistirei, nem que seja a última coisa que farei...
Acordei com a Mariana a mexer-se e ao abrir os olhos foi impossível não sorrir quando percebi que continuava a dormir serenamente, ainda fiquei uns minutos a olhá-la mas acabei por sair da cama com cuidado de forma a não a acordar.
Estava entretido na cozinha a preparar o nosso pequeno-almoço quando a vi entrar, já vestida para seguir para o trabalho.
- Bom dia - deu-me um beijo no rosto - que foi? - perguntou talvez por ter ficado a olha-la
- Nada... - respondi ao virar-me de costas para continuar a barrar as torradas com doce de morango tal como a Mariana gosta
- Alguma coisa foi...
- Ai queres ver que não sabes?! - retorqui e quando esperava uma resposta mais torta, a Mariana surpreendeu-me ao puxar-me pelo braço de forma que me virasse e assim que o fiz, foi dela a iniciativa de unir as nossas bocas num beijo carregado de intensidade e sentimento
- Já lhe passou a birra? - suspirei
- Definitivamente dás comigo em louco!
- Porta da rua é serventia da casa...
Atirou ao sentar-se na mesa, percebi que estava nitidamente a testar-me e por isso preferi ficar calado. Comemos tranquilamente e no fim despedi-me da Mari e fui até casa da minha mãe para buscar o Filipe
- Olá mãe! - cumprimentei-a assim que a encontrei na sala com o Filipe ao colo
- Olá...
- Está tudo bem?
- Estaria melhor se o meu próprio filho não andasse a mentir-me...
- O que é que se passa com o Mauro?
- Ruben Filipe mas ainda gozas! O que é que andas a esconder?
- Oh mãe... - interrompeu-me
- Ruben ultimamente andas muito estranho - olhei-a - ou te fechas em casa com o Filipe ou pedes para que fique com o meu neto e desapareces durante a noite... - interrompi-a
- Simplesmente estou a precisar de um tempo só para mim mas se não pode ficar com o Filipe basta dizê-lo...
- Ruben sabes bem que fico com o meu neto todas as vezes que precisares, não é isso que está em causa, mas sim o que andas a fazer com a tua vida - olhei-a - filho a única explicação que encontro é que tenhas alguém…
- Não, não tenho ninguém!
- De certeza?
- Sim…
- Filho só espero que seja verdade - aproximou-se - amas a Mariana por isso espero bem que não cometas mais erros…
- Não meta a Mariana na conversa! Somos só amigos…
- O problema é esse - voltei a olhá-la - desde que a Mariana definiu a vossa relação que tens andado cada vez mais estranho e por muito que negues algo me diz que andas com alguém...
- Já lhe disse que não tenho ninguém e páre com essa conversa se faz favor!
A minha mãe respeitou o meu pedido e mudou de tema, ainda fiquei na sua companhia durante uns minutos mas acabei por despedir-me dela, uma vez que tinha de deixar o Filipe em casa antes de ir para o treino.

Mariana
Passei o dia com um só pensamento, saber se o Ruben e o Filipe estão bem, afinal ontem quando saí de casa e deixei o Ruben lá, vi a Sofia...
Saí do trabalho e por muito que a razão apelasse para não o fazer não resisti e conduzi até ao apartamento do Ruben, precisava de vê-los para sossegar o meu coração. A ideia era vê-los e regressar para o meu apartamento mas isso não aconteceu, o Ruben convidou-me para jantar e não consegui recusar.
Aproveitei para mimar o Filipe e depois do jantar acabei por sentar-me junto do Ruben a ver um pouco de televisão. Estávamos entretidos à conversa quando ouvimos a campainha, o Ruben foi abrir e regressou acompanhado pela mãe. A Anabela cumprimentou-me e quando perguntou se o Filipe já estava despachado para o levar, uma vez que o Ruben tem jogo amanha, o filho surpreendeu-nos às duas quando
- Mãe o menino desta vez não fica consigo - olhou-me - a madrinha dele ofereceu-se para ficar com o afilhado...
- Ah... tudo bem.
A Anabela ainda ficou uns minutos connosco mas acabou por sair.
- Desde quando é que te pedi para ficar com o Filipe?
- Não pediste mas conheço-te e sei que queres...
Não respondi, o que fez com que o Ruben risse. Os minutos seguintes foram dedicados ao meu menino que acordou para comer e no final aproveitei que ainda estava acordado para avisar o pai dele que nos íamos embora.
- Embora? Mas achas mesmo que vos deixo irem embora? - aproximou-se de mim - Mariana não tens onde meter o Filipe a dormir por isso vão ficar cá...
- Isso é golpe baixo! Estás a usar o menino para...
- Tenho saudades tuas mas não seria capaz de arquitetar um plano destes só para ter-te na minha cama! Quando disse para ficarem cá estava a referir-me a ficares no quarto do Filipe mas se quiseres ficar no meu a cama é suficientemente grande para os dois!
- Ruben!!!
- O que é que queres? Sim sinto falta e sim não tenho qualquer problema em admitir! AMO-TE Mariana!
- Chega!
- Não, não chega! Mete uma coisa nessa cabeça não desistirei de ti e insistirei até conseguir provar-te que a nossa vida só faz sentido se for vivida um do lado do outro!
Não respondi e o resto do serão foi tranquilo até porque o Ruben se foi deitar cedo enquanto fiquei com o Filipe.
***
Acordei animada apesar de ter passado a noite a passarinhar com o Filipe nos braços pois o menino resolveu que não queria dormir e como tal fez uma birra de todo o tamanho.
- Bom dia - o Ruben deu-me um beijo na bochecha quando estava a preparar o nosso pequeno-almoço - ele não te deixou dormir nada…
- Oh… acontece - sorriu - e tu conseguiste dormir?
- Sim…
Partilhei o momento do pequeno-almoço com o Ruben e depois antes de sair fui com ele até ao quarto do Filipe, onde o vi a despedir-se do filho para depois também ser merecedora da sua atenção, sem esperar o Ruben abraçou-me por trás e foi assim que fomos até à porta. Despedi-me do Ruben com um beijo no rosto e depois fui dar mimos ao Filipe que estava acordado. Estava entretida a falar para o meu pequenino quando o meu telemóvel tocou, atendi e fui convidada pela minha mãe para almoçar na casa dos meus pais.
Com o aproximar da hora de almoço fui preparar tudo o que o menino podia precisar e finalmente saí com o meu amor. Assim que cheguei junto do prédio dos meus pais tive a sensação que estava a ser seguida e talvez por isso tenha optado por colocar o carro na garagem...
Acabei por afastar tais pensamentos e coloquei o menino na alcofa, retirando logo depois o seu saco do carro e a minha mala. Fechei o carro e fui até ao elevador, chamei-o e assim que a porta abriu entrei carregando no botão do piso dos meus pais.
Usei a minha chave para entrar e assim que o fiz fui de imediato procurar a minha mãe que é como quem diz fui até à cozinha.
- Olá mãe!! - falei animada e ao encontra-la de volta do fogão
- Olá filha - sorriu - não sabia que trazias o Filipe.
- Não ia deixar o menino sozinho!
- Mas o pai dele não cuida do filho?
- Oh mãe o Ruben tem jogo hoje!
- Ah e pediu-te para ficares com o Filipe? Não achas que estás a agarrar-te demasiado ao Filipe?
- Ãh?
- Oh filha - a minha mãe hesitou mas acabou por falar - o que a mãe mais quer é que sejas feliz e talvez este não seja o melhor caminho para encontrares essa felicidade, Mariana tens de te afastar um pouco do Ruben ou nunca encontrarás o teu caminho - doeu ouvi-la - filha estares constantemente com o teu afilhado não te faz bem...
Não consegui reagir, fiquei simplesmente a olhá-la e só despertei quando
- Filha! - o meu pai assim que entrou na cozinha brindou-me com o seu sorriso e antes de dar-me o meu beijinho espreitou para o carrinho onde o Filipe continuava deitado na alcofa
- Olá pai - dei-lhe um beijinho - tudo bem?
- Sim - sorriu - e contigo?
- Também!!!
Ainda ficamos todos uns minutos na cozinha mas acabei por avisar que ia até à sala, as palavras da minha mãe continuavam a matutar na minha cabeça...
Estava sentada no sofá com o carrinho do Filipe do meu lado quando o meu pai entrou e ao aproximar-se viu o menino acordado.
- Posso pegar no meu neto?
- Ãh? - fiquei especada a olhá-lo e talvez por isso tenha gargalhado
- Oh filha, não sou cego... - engoli em seco - vocês até podem não querer confirmar e apesar de não perceber o motivo, respeito a vossa vontade, mas não peças para fingir que não vejo!
- Lá está você... - o meu pai interrompeu-me
- Filha se não estou certo então porquê que tens o Filipe contigo quando sei que o menino fica com a avó paterna em dias de jogos, já para não falar que o que vi no dia que o meu neto - voltei a olhá-lo - teve alta foi muito mais que a madrinha a cuidar do afilhado - sorriu - o que vi foi a minha filha a cuidar do meu neto!
- É verdade o pai sempre vai para a frente com a ideia de abrir uma loja de decoração para a mãe? - o meu pai gargalhou
- Tens noção que acabaste de confirmar as minhas suspeitas, não tens?
- Não confirmei nada! - resmunguei
- Ai não? Filha mudaste de assunto e só o fazes quando não queres admitir algo... se não houvesse verdade no que falei terias desmentido!
- Oh pai... - suspirei - mudei de assunto porque não quero falar disso ou pelo menos não agora...
- Tudo bem... vou continuar à espera do dia que resolvam assumir que estão juntos para poder chamar livremente este pequenino de neto!
Não respondi e por isso o meu pai mudou de assunto partilhando comigo as novidades do projeto que tenciona iniciar com a minha mãe, a verdade é que o cota resolveu concretizar um sonho antigo à sua cota e vão abrir juntos uma loja de decoração.
A conversa estava a ser interessante mas teve que ser interrompida no momento que fui preparar o biberão do Filipe, ausentei-me da sala por uns minutos deixando o menino na alcofa mas quando regressei já com o seu biberão encontrei-o no colo do meu pai mas o que fez com que ficasse imóvel foi ouvir
- Oh pequenino vais ter que ter muita paciência com os teus papás, eles são assim um bocadinho complicados mas amam-se muito...
- Dê cá o menino! - o meu pai sorriu
- Posso dar-lhe o leite? - olhei-o abismada, o meu pai nunca foi de pegar em bebés muito menos em alimentá-los
- Oh pai...
- Posso pelo menos tentar?
- Ok...
Dei-lhe o biberão e fiquei atenta, não fosse o menino se engasgar mas até correu bem e no fim ainda vi o meu pai a colocar o menino para arrotar mas a parte de lhe trocar a fralda foi minha.
Cuidei do meu menino e no fim adormeci-o, colocando-o na alcofa.
- O que está a fazer?
- A observar o meu neto enquanto dorme!
- Oh pai...
- Sim sou teu pai desde que te assumi como filha ainda na barriga da tua mãe e por isso a mim não me enganas! Andei muitos anos cego e talvez o tenha andado em parte por culpa minha porque nunca houve abertura suficiente entre nós para falarmos de todos os assuntos, hoje arrependo-me disso mas a forma como pensava no passado, que por sinal era retrograda, não permitia que percebesse que só com o diálogo sincero e verdadeiro é que a relação entre um pai e uma filha ou filho se torna inquebrável, mas felizmente ainda fui a tempo de corrigir um erro que durou 28 anos - suspirei ao ouvi-lo, não esperava tais palavras - por isso hoje orgulho-me de dizer que te conheço e sei que esse coraçãozinho está a cada dia que passa mais sarado - olhou para o Filipe e depois voltou a encarar-me - e para isso muito contribui este anjinho, por isso sim o Filipe é meu neto quer queiras quer não queiras, além disso és a mãe dele desde os primeiros dias de vida do Filipe e não negues porque não tens como, Mariana sei perfeitamente o que é olhar para um bebé, ter a plena consciência que não é os nossos genes e sangue que lhe corre nas veias mas que ainda assim é uma parte de nós, a situação é um pouco diferente, porque te assumi ainda na barriga da tua mãe e acompanhei-te de perto desde a gravidez até agora, mas não deixa de ser parecida, assumiste o Filipe quando o viste pela primeira vez, ainda que tenha sido de forma inconsciente mas que dia após dia se tornou nítida para ti!
Agora só falta um pequeno passo que é assumirem que são uma família, sei que esse dia está cada vez mais perto e pode apanhar muitos de surpresa mas com certeza que não serei uma dessas pessoas - sorriu - filha o teu sorriso, a tua serenidade, esse brilho que tens no olhar, a forma como cuidas do Filipe não deixa dúvidas, estás feliz e isso só é possível porque finalmente estás completa!

Ruben
Cheguei a casa e encontrei a Mariana com o Filipe no colo e a observar o céu, estava tão concentrada que não deu pela minha presença, algo que aproveitei para abraça-la e de imediato colei os meus lábios na sua bochecha.
- Deu muito trabalho?
- Não… - sorriu ao olha-lo
- Obrigado…
- Não precisas de agradecer… - já nos olhávamos, olhos nos olhos, o que nos fragilizou a ambos, ainda mais quando tínhamos os rostos demasiados próximos e foi quando os nossos lábios se estavam a precipitar uns contra os outros - se quiseres jantar tens comer no frio que pedi à minha mãe para trazer um pouco...
- À tua mãe? - olhou-me
- Sim... fomos - desviou o olhar para o Filipe, sorrindo novamente - almoçar a casa deles e acabei por jantar com eles...
- Ah ok... e os teus pais estão bons?
- Sim...
- O que se passou? Pareces preocupada...
- Não é nada... - olhei-a e talvez por isso tenha falado - Desde que a Sofia saiu do hospital nunca mais a viste?
- Não! Aliás sabes bem que para registar o menino teve que ser através dos advogados que nem isso ela fez...
- E nunca conheceste os pais da Sofia?
- Porquê que te lembraste disso?
- Curiosidade…
- Porque será que não acredito que seja esse o motivo? - olhou-me - Mariana já percebi que estás com macaquinhos nessa cabeça…
- Oh… - suspirou - hoje lembrei-me disso, afinal o Filipe deve ter avós maternos…
- Pois não sei - olhou-me - a Sofia nunca falou da sua família e sinceramente não tenciono procura-los.
- Mas o menino tem direito a conhecer a família materna.
- Essa já conhece! - atirei e só no fim é que dei por isso, ainda assim não retirei palavra nenhuma muito pelo contrário pois reforcei - Mariana a família materna do Filipe são os Mendes - olhou-me - e não adianta refilares porque sabes que tenho razão, aliás até o teu pai já percebeu isso!
A Mariana não respondeu mas deixou-se ficar sentada ao meu lado, até ao momento que o Filipe voltou a acordar e que por isso fui vê-lo. Cuidei do meu pequenino para regressar à sala apesar do meu filho ter ficado acordado e assim que me sentei
- Tenho de ir…
- Fica...
- Oh Ruben não dá - olhou-me e percebi que não estava a contar tudo
- O que se passa?
- Tenho de ir a Madrid…
- Mas vais lá fazer o quê?
- Meti férias e vou até lá! Tenho saudades do pessoal que conheci durante os meses que estive lá!
- E vais assim?
- Tanto quanto sei não te devo satisfações! Mas sim vou assim! Apetece-me e vou!
- E quando é que voltas?
- Ainda não sei...
- Ok… anda que te acompanho á porta.
Até quando continuarão estes a brincar ao toque e foge? E a Sofia terá a preparar alguma?

8 comentários:

  1. Adorei quero o proximo.bjs

    ResponderEliminar
  2. Ainda estou a tentar perceber quem esta mais louco, se Mari se Ruben. (loucura saudavel, nao como a da doida da Sofia!)
    O Ruben é muito fofinho. Um fofinho em modo carraça. Valha-me Deus, imaginemos que a mariana nao o queria mesmo? Nossa que chaga! mas pronto eu ja estava a ver isto... estes momentos de chantagem enervam-me tremendamente porque esperamos sempre que a verdade chegue, mas nao chega! A verdade so sera revelada depois de muito drama... Ai ai veremos no que isto dá!!

    Beso
    Ana Santos

    ResponderEliminar
  3. Ola ;)
    Coitado do Amorim loool tem sido um fofinho para a Mariana com todas aquelas (lindas) surpresas e mesmo assim continuam "amigos' apenas
    Eu quero mesmo e que aquela Sofia desapareca do mapa de vez e os deixe ser feliz,que eu adoro os ver como uma familia (sim,porque mesmo que a Mariana nao queira admitir e isto que eles sao lol ):p
    Acho que posso concluir dizendo que espero que nos proximos caps as coisas mudem,e que a sofia va se internar looool
    Beijinhos e quero o proximo rapidamente :p
    Rita

    ResponderEliminar
  4. Eu sabia que a ameaça da Sofia ia deixar a Mariana amedrontada, claro que tocar no Filipe é tocar no ponto fraco da Mariana. A mulher é diabólica, então agora deu em perseguir a rapariga? A Mariana devia de dizer a verdade ao Rúben, deviam de ir à polícia e aquela louca devia de ser presa, internada, ou outra coisa qualquer, mas que desapareça da vida deles, de vez.
    O que vale no meio das incertezas e do desespero da Mariana é este novo Rúben, persistente, apaixonado, ai, ai, eu adoro este homem, já não se fazem homens assim. Claro que a Mari não lhe resistiu, também não era fácil, com tanto grude do rapaz, adorei quando ele lhe disse que sempre podia substituir a palavra namoro por curte, ele faz de tudo para lhe dar a volta.
    O pai da Mari também me saiu uma bela encomenda, o senhor já topou a jogada toda, se a mãe do Ruben ainda anda só a apanhar bolas pensando que o filho tem alguém, o pai da Mari já vai a meio do jogo e já tá em vantagem, já sabe de tudo mesmo sem que eles lhe tenham confirmado o que quer que seja, e adorei quando ele lhe perguntou se podia pegar no neto, o senhor tem toda a razão na prática o Filipe é o neto dele.
    Fiquei curiosa com a curiosidade da Mari em relação aos pais da Sofia, será que esta viajem súbita a Madrid terá outro destino, quem sabe descobrir os pais da Sofia? Mistério...
    Eu adoro este jogo do gato e do rato, mas gostava que eles se acertassem de vez, mas há uma bruxa má que se chama Sofia, e dessa tenho medo...
    Continuem

    Beijocas

    Fernanda

    ResponderEliminar
  5. Adoro o toque o foge destes dois, mas quer dizer... eles podem tocar mais e fugir menos. lol
    A Sofia que vá pastar e os deixe em paz.
    Quero o próximo!!! Estou em pulgas para saber notícias da Maria e do João e a continuação deste jogo do gato e do rato entre a Mari e o Rúben, com a ratoeira da Sofia pelo meio.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  6. Fabuloso...

    Quero mais... Cada vez ta melhor...

    Continua...

    ResponderEliminar
  7. Fantástico...

    Quero mais... Tou super curiosa para ver o próximo...

    Continua...

    ResponderEliminar
  8. Ai esta Sofia... que nervos!!! Queria tanto ver o casalinho junto... este Ruben deixa-me derretida :D
    Esta Sofia que vá para bem longe... :)
    Adoro, adoro!
    Beijinhos.

    ResponderEliminar