Ruben
Depois da Mariana
sair não demorou muito para a Olga chegar e assim que chegou deixei o Filipe
com ela e fui até ao SPA, uma vez que queria ver como estavam a correr as cenas
e foi quando estava na mera cavaqueira com o meu irmão que este resolveu tocar num
assunto que não queria comentar
- Mano como estão as cenas entre ti e a Mariana?
- Não te diz respeito!
- Oh deixa-te de tretas e conta!
- Não há nada para contar! Somos amigos... só
isso!
- Puto se fosse só amizade vocês não se olhavam
da forma que se olham!
- Sim amo-a e amarei sempre mas a Mariana só me
quer como amigo.
- Vais desistir? - a pergunta da minha mãe fez com que desse um
ligeiro pulo, afinal não a tinha visto chegar
- Chega! Não quero que se metam nesta decisão!
- Mas não podes desistir agora, mano a Mari
ama-te e agora com o Filipe em casa já podem descontrair mais, além disso é
inegável o amor que a Mari tem pelo menino...
- Prefiro tê-la como amiga do que não ter nada!
- Vais desistir e fazer o quê?
- Esquecê-la... mãe vou seguir com a minha vida e
espero que respeitem a minha decisão!
Tanto a minha mãe
como o Mauro não insistiram mais no assunto e por isso o momento do almoço até
foi agradável. Sei que lhes menti descaradamente mas só o fiz por ter noção que
a Mariana precisa mais do que nunca de espaço e tempo para assimilar o que se
anda a passar connosco.
De tarde fui para
o treino e no fim fiquei a dar uns toques numa bola, estava a precisar de
libertar energias e até de colocar a cabeça em ordem, afinal a noite de ontem
estava bem presente, tal como a forma como hoje a Mariana reagiu...
Estava em casa
com o menino quando tentei ligar à Mariana mas não atendeu, voltei a insistir
um tempo depois e nada, ainda assim não desisti e continuei a insistir até que
percebi que devia estar a ignorar-me novamente.
Agarrei no Filipe
e fui até ao seu apartamento, toquei e assim que a Mariana percebeu quem era
informou-me de imediato que não queria falar comigo, não me dei por vencido e
afirmei que não ia embora sem falar com ela, ainda lhe disse que o menino
estava comigo e talvez por isso tenha aberto a porta do prédio.
Mariana
A ameaça da Sofia
não saía de forma alguma do meu pensamento e por isso pouco tempo depois de
chegar ao trabalho acabei por sair e dei como desculpa o facto de estar indisposta.
Passei a tarde
toda fechada em casa sem saber o que fazer, por um lado queria contar ao Ruben
mas por outro não, afinal a última coisa que quero é irritar a louca da Sofia,
se acontece alguma coisa ao meu menino não me perdoarei...
Estava deitada no
sofá quando o meu telemóvel começou a tocar e nem foi preciso ver o nome para
saber que era o Ruben, deixei tocar de todas as vezes que ligou e quando já
pensava que tinha desistido fui obrigada a abri-lhe a porta.
- O que queres? - perguntei assim que saiu do elevador
- Temos que falar... - o Ruben entrou e foi direto à sala
- Diz!
- Preciso que digas o que queres... Mariana,
somos muito mais que amigos mas sinceramente não sei em que ponto estamos agora
e preciso de saber, já não somos crianças e sinceramente quero mais - suspirou - mas para isso preciso de ter a certeza que também queres! Mariana olha
para mim se faz favor - fiz o que pediu - esquece tudo o resto e responde-me com sinceridade - não sei porque
mas sentia o coração acelerado - amas-me?
- Sim…
- Então porquê que continuas a fugir ao que
sentes? Porquê que depois da noite maravilhosa que tivemos ontem hoje não
atendes as minhas chamadas?
- Ruben preciso de espaço…
- Se fosse espaço que precisas não passavas tanto
tempo comigo! Mariana consigo aceitar e compreender que não queiras contar à
nossa família e amigos o que se passa, mas... - interrompi-o
- Foste a maior desilusão da minha vida,
esquece-me e segue com a tua vida, deixa-me em paz! - ver a desilusão no olhar do Ruben consumiu-me
por dentro e assim que o Ruben saiu levando com ele o menino entreguei-me ao
choro compulsivo, não era nada disto que queria mas pelo Filipe sou capaz de
tudo...
Ruben
Ouvir da boca da
Mariana que fui a maior desilusão da sua vida doeu mas o que arrasou comigo
naquele instante foi mesmo o pedido dela para a deixar em paz, pela primeira
vez nos últimos meses perdi aquela réstia de esperança que sempre me acompanhou
e por isso agarrei no meu filho e saí, naquele momento já não fazia nada ali...
Conduzi até casa
e chorei... chorei durante grande parte da noite, por muito que tentasse
percebê-la não conseguia, não quando sei que nos amamos, mas principalmente
porque precisamos um do outro para vivermos, dependo dela como da água para
sobreviver.
A noite serviu
para decidir que não desistirei da Mariana e por isso levantei-me da cama
determinado a fazer de tudo para que perceba que só seremos felizes juntos.
Mariana
Uma semana passou
desde que disse ao Ruben para seguir com a sua vida e deixar-me em paz mas o
que tem feito é exatamente o contrário, o Ruben não tem facilitado em nada e
desde visitas surpresas quando estou em casa, a ramos de flores entregues no
meu local de trabalho ou ainda a pequenas lembranças que me fazem recordar os
nossos melhores anos quando ainda eramos umas crianças, tudo tem feito para que
“quebre” e lhe dê a derradeira oportunidade.
E a verdade é que
a cada dia que passa é mais difícil passar a imagem que sou indiferente a
tudo... Hoje foi mais um dia desses, estava no trabalho quando o telemóvel
começou a tocar.
- O que queres?
- Certificar-me que estás a ouvir a tua rádio
preferida...
- Ãh?
- Escuta...
Não estava a
entender nada mas bastou uns segundos para sentir os cabelos dos meus braços a
arrepiarem-se todos quando ouvi a locutora da rádio anunciar que a próxima
música vinha a pedido de um ouvinte e dedicada à mulher que ama...
Ouvi a letra com
atenção e foi impossível segurar as lágrimas, só não sei se foram lágrimas de
raiva por ter noção que o Ruben está a conseguir fragilizar-me cada vez mais ou
se foram lágrimas de saudade... só sei que não lhe disse nada, ficamos
simplesmente ao telemóvel a ouvir a respiração um do outro e assim que a música
terminou
- Amo-te...
- Oh Ruben... - interrompeu-me
- Não digas nada, pensa só na letra da música e
depois falamos...
Assim que
terminou de falar desligou a chamada, fiquei feita parva a olhar para o
telemóvel e sem acreditar que aquele otário depois de meter-me a chorar,
desligou a chamada desta forma...
***
Estava em casa
depois de mais um dia de trabalho quando o som da campainha anunciou nova
visita que para mim não foi difícil de adivinhar quem seria, pela hora só podia
ser ele...
- Olá... - o sorriso dele
estava a arruinar o meu discernimento
- O que é que queres? - atirei sem paciência
- Sou simplesmente um homem com saudades da sua
apaixonada... - interrompi-o
- Desaparece que estou sem paciência!
- Correu mal o dia no trabalho? - perguntou de mansinho o que irritou ainda mais
- E o que é que tens a ver com isso? Desaparece! - tentei fechar-lhe a porta na cara mas o Ruben
meteu o pé impedindo
- Vim jantar - conforme falou mostrou os sacos que tinha na mão e que até então
ainda não tinha reparado - por isso dá
licença - forçou a sua entrada e foi até à cozinha onde pousou os sacos na
bancada para de imediato retirar as embalagens da comida e coloca-la em
travessas, deixando-me atónica a olhá-lo perante o seu atrevimento - vais ficar aí a olhar enquanto janto ou
fazes companhia? - perguntou quando já estava sentado à mesa e antes de se
servir...
- Mas julgas que isto é a casa da Joana que
chegas aqui e é tudo teu? - resmunguei
- Da Joana não... mas é a casa da Mariana Mendes
que é só a detentora do meu coração... - respirei fundo
- Posso servir-te?
- Ruben sai!
O Ruben ignorou a
minha ordem e começou a servir, primeiro colocou comida no que seria o meu
prato e depois no dele, ainda teve o descaramento de tentar ser cavalheiro ao
ponto de puxar a minha cadeira para que me sentasse mas hoje não estava de todo
em dia “sim” e como tal a paciência para os joguinhos dele que a cada dia
estavam a deixar-me mais vulnerável não era nenhuma, por isso mesmo deixei-o
sozinho, fui ao meu quarto agarrei na mala e saí de casa, deixando-o lá...
Assim que abro a
porta do prédio e olho em frente vejo-a... a Sofia estava em frente do prédio,
fingi que não a tinha visto e entrei no meu carro, conduzi até à praia e foi a
ouvir o som das ondas a bater contra as rochas que passei as horas seguintes.
Regressei convencida que já tinha a minha casa só para mim mas assim que
coloquei a chave à porta e abri, deparei-me com um cenário de todo
inesperado...
Ruben
Nos últimos dias
não dei descanso à Mari e fiz de tudo para que percebesse que o seu lugar é do
meu lado, no entanto nestes dois últimos dias a Mariana tem andado mais
irritada, diria mesmo stressada e por isso as suas reações às minhas surpresas
nem sempre foram as melhores, como foi o caso de hoje que preferiu deixar-me
sozinho e sair da sua própria casa, ainda assim não desisti e voltei a
surpreende-la quando chegou a casa ou não fosse ter-lhe redecorado a casa...
Mal ouvi a porta
a abrir carreguei no play da aparelhagem
E fui até ao
fundo do corredor para ver a sua reação ao que tinha feito...
A Mariana não
reagiu de imediato, ficou simplesmente imóvel, algo que deixou-me inquieto e
por isso mesmo aproximei-me devagarinho, a cada passo que dava o meu coração
batia a um ritmo cada vez maior, sentia o sangue a fervilhar mas ao mesmo tempo
calafrios e nem sei explicar porquê...
Mariana
É verdade que
nestes últimos dias o Ruben tem feito pressão de todas as formas e feitios para
que lhe dê a tão desejada oportunidade mas até ao momento nunca tinha
conseguido atingir-me tão profundamente, o certo é que vê-lo diante de mim e
ouvir o que aquela letra da música dizia, fez-me recuar no tempo, em pouco mais
de quatro minutos revivi tudo o que de bom passei do seu lado, senti cada beijo
roubado, cada carícia recebida, cada toque puro, ouvi todas as convicções e
promessas que fizemos um ao outro, voltei a sentir aquela sensação única que só
se sente quando estamos nos braços da pessoa amada, voltei a sentir-me
completa, voltei a querer gritar ao mundo o quanto o amo, o quanto o quero só
para mim...
Ainda assim só
consegui reagir quando o Ruben se aproximou, não perdi mais tempo e beijei-o,
algo que o Ruben não negou muito pelo contrário retribuiu, para no fim ficarmos
a olharmo-nos durante alguns minutos
- Nunca mas mesmo nunca mais voltarei a magoar-te
ou a desistir de nós... és a minha vida Mariana, sem ti nada faz sentido...
- Esquece Ruben... - olhou-me - isto é tudo muito bonito e sim de cada vez que me surpreendes acabo por
vacilar mas mesmo assim...
- Pára de fugir por favor...
- Ruben não dá!
- Porquê? - perguntou já a desesperar
- Porra não me sinto capaz de entregar-me sem
reservas, o problema não é teu, é... simplesmente não consigo...
- Mas nós já tivemos juntos por isso não venhas
dizer que não consegues...
- Nós tivemos juntos sempre em momentos que
estava fragilizada, sim adorei e foram todos maravilhosos, senti-me bem mas
depois... depois vem as recordações más... Ruben por muito que tente não
consigo evitar e acabo sempre por pensar no outro reverso do amor...
- O que é que tenho de fazer mais para que
acredites em mim? Diz... por favor! Faço tudo o que quiseres...
- Sai...
- Não! Chama a polícia, faz aquilo que quiseres
mas daqui não saio!
Não estava para
aturar mais aquilo e por isso fui até ao meu quarto, fechando a porta à chave e
de lá só saí durante a madrugada porque tive de ir à casa de banho.
Abri a porta e
petrifiquei perante o que os meus olhos viam, o Ruben estava meio sentado e
meio deitado no chão em frente à porta, deve ter sido vencido pelo cansaço uma
vez que dormia todo torto, não tive coragem para o deixar ali assim e por isso
- Ruben... oh Rubinho acorda - abanei-o e aos poucos foi acordando - sai do chão...
- Agora estás preocupada, é?
- Menos Ruben muito menos que estou sem
paciência!
Atirei ao passar
por cima das suas pernas, fui e vim da casa de banho e o Ruben mantinha-se
sentado à porta do quarto
- Mas agora vais armar-te em cão de guarda?
- Já te disse que não desistirei!
- E eu já te disse que não estou preparada para
namorar!
- Não... - levantou-se e
veio até junto de mim que olhava pela janela - disseste que não conseguias dar-me uma oportunidade!
- E não é tudo a mesma coisa? - atirei aborrecida
- Não... porque se o problema é o peso que a
palavrar namorar tem para ti, é simples de se revolver - o Ruben olhava-me de uma forma que estava a
deixar-me fragilizada, subitamente tive vontade para lhe saltar para a espinha
- posso sempre substituir a palavra
namoro por “curte”, se te sentires mais confortável a relembrar a altura que só
querias sexo por sexo tudo bem... estou disposto a tolerar isso desde que te
tenha comigo!
- Mas não desistes?
- Não...
- Ruben percebe que sinto falta de ti, dos teus
abraços, dos teus beijos, até dos momentos de puro prazer que me dás mas isso
não significa que queira isso!
- Estás a falar de sexo? É isso? Andas a fugir de
mim porque não queres fazer amor comigo?
- Ai Ruben já não sei aquilo que quero!
Enquanto as
lágrimas escorriam pelo meu rosto, no dele estava um sorriso, que só estava a
irritar-me e quando o ia mandar embora, o Ruben surpreendeu-me ao puxar-me até
à cama, obrigando-me a deitar e sem que esperasse simplesmente abraçou-me, para
nos minutos seguintes se dedicar a dar-me mimos inocentes, aquilo soube bem e
por isso permiti que continuasse...
Ruben
Corro o sério
risco de dar em louco antes de conseguir vergar a Mariana mas o certo é que não
desistirei, nem que seja a última coisa que farei...
Acordei com a
Mariana a mexer-se e ao abrir os olhos foi impossível não sorrir quando percebi
que continuava a dormir serenamente, ainda fiquei uns minutos a olhá-la mas
acabei por sair da cama com cuidado de forma a não a acordar.
Estava entretido
na cozinha a preparar o nosso pequeno-almoço quando a vi entrar, já vestida
para seguir para o trabalho.
- Bom dia - deu-me um beijo no rosto - que
foi? - perguntou talvez por ter ficado a olha-la
- Nada... - respondi ao virar-me de costas para continuar a barrar as torradas
com doce de morango tal como a Mariana gosta
- Alguma coisa foi...
- Ai queres ver que não sabes?! - retorqui e quando esperava uma resposta mais
torta, a Mariana surpreendeu-me ao puxar-me pelo braço de forma que me virasse
e assim que o fiz, foi dela a iniciativa de unir as nossas bocas num beijo
carregado de intensidade e sentimento
- Já lhe passou a birra? - suspirei
- Definitivamente dás comigo em louco!
- Porta da rua é serventia da casa...
Atirou ao
sentar-se na mesa, percebi que estava nitidamente a testar-me e por isso
preferi ficar calado. Comemos tranquilamente e no fim despedi-me da Mari e fui
até casa da minha mãe para buscar o Filipe
- Olá mãe! - cumprimentei-a assim que a encontrei na sala com o Filipe ao colo
- Olá...
- Está tudo bem?
- Estaria melhor se o meu próprio filho não
andasse a mentir-me...
- O que é que se passa com o Mauro?
- Ruben Filipe mas ainda gozas! O que é que andas
a esconder?
- Oh mãe... - interrompeu-me
- Ruben ultimamente andas muito estranho - olhei-a - ou
te fechas em casa com o Filipe ou pedes para que fique com o meu neto e
desapareces durante a noite... - interrompi-a
- Simplesmente estou a precisar de um tempo só
para mim mas se não pode ficar com o Filipe basta dizê-lo...
- Ruben sabes bem que fico com o meu neto todas
as vezes que precisares, não é isso que está em causa, mas sim o que andas a
fazer com a tua vida - olhei-a - filho a única explicação que encontro é que
tenhas alguém…
- Não, não tenho ninguém!
- De certeza?
- Sim…
- Filho só espero que seja verdade - aproximou-se - amas a Mariana por isso espero bem que não cometas mais erros…
- Não meta a Mariana na conversa! Somos só
amigos…
- O problema é esse - voltei a olhá-la - desde que a Mariana definiu a vossa relação que tens andado cada vez
mais estranho e por muito que negues algo me diz que andas com alguém...
- Já lhe disse que não tenho ninguém e páre com
essa conversa se faz favor!
A minha mãe
respeitou o meu pedido e mudou de tema, ainda fiquei na sua companhia durante
uns minutos mas acabei por despedir-me dela, uma vez que tinha de deixar o
Filipe em casa antes de ir para o treino.
Mariana
Passei o dia com
um só pensamento, saber se o Ruben e o Filipe estão bem, afinal ontem quando
saí de casa e deixei o Ruben lá, vi a Sofia...
Saí do trabalho e
por muito que a razão apelasse para não o fazer não resisti e conduzi até ao
apartamento do Ruben, precisava de vê-los para sossegar o meu coração. A ideia
era vê-los e regressar para o meu apartamento mas isso não aconteceu, o Ruben
convidou-me para jantar e não consegui recusar.
Aproveitei para
mimar o Filipe e depois do jantar acabei por sentar-me junto do Ruben a ver um
pouco de televisão. Estávamos entretidos à conversa quando ouvimos a campainha,
o Ruben foi abrir e regressou acompanhado pela mãe. A Anabela cumprimentou-me e
quando perguntou se o Filipe já estava despachado para o levar, uma vez que o
Ruben tem jogo amanha, o filho surpreendeu-nos às duas quando
- Mãe o menino desta vez não fica consigo - olhou-me - a madrinha dele ofereceu-se para ficar com o afilhado...
- Ah... tudo bem.
A Anabela ainda
ficou uns minutos connosco mas acabou por sair.
- Desde quando é que te pedi para ficar com o
Filipe?
- Não pediste mas conheço-te e sei que queres...
Não respondi, o
que fez com que o Ruben risse. Os minutos seguintes foram dedicados ao meu
menino que acordou para comer e no final aproveitei que ainda estava acordado
para avisar o pai dele que nos íamos embora.
- Embora? Mas achas mesmo que vos deixo irem
embora? - aproximou-se de mim - Mariana não tens onde meter o Filipe a
dormir por isso vão ficar cá...
- Isso é golpe baixo! Estás a usar o menino
para...
- Tenho saudades tuas mas não seria capaz de
arquitetar um plano destes só para ter-te na minha cama! Quando disse para
ficarem cá estava a referir-me a ficares no quarto do Filipe mas se quiseres
ficar no meu a cama é suficientemente grande para os dois!
- Ruben!!!
- O que é que queres? Sim sinto falta e sim não
tenho qualquer problema em admitir! AMO-TE Mariana!
- Chega!
- Não, não chega! Mete uma coisa nessa cabeça não
desistirei de ti e insistirei até conseguir provar-te que a nossa vida só faz
sentido se for vivida um do lado do outro!
Não respondi e o
resto do serão foi tranquilo até porque o Ruben se foi deitar cedo enquanto
fiquei com o Filipe.
***
Acordei animada
apesar de ter passado a noite a passarinhar com o Filipe nos braços pois o
menino resolveu que não queria dormir e como tal fez uma birra de todo o tamanho.
- Bom dia - o Ruben deu-me um beijo na bochecha quando estava a preparar o
nosso pequeno-almoço - ele não te deixou
dormir nada…
- Oh… acontece - sorriu - e tu conseguiste
dormir?
- Sim…
Partilhei o
momento do pequeno-almoço com o Ruben e depois antes de sair fui com ele até ao
quarto do Filipe, onde o vi a despedir-se do filho para depois também ser
merecedora da sua atenção, sem esperar o Ruben abraçou-me por trás e foi assim
que fomos até à porta. Despedi-me do Ruben com um beijo no rosto e depois fui
dar mimos ao Filipe que estava acordado. Estava entretida a falar para o meu
pequenino quando o meu telemóvel tocou, atendi e fui convidada pela minha mãe
para almoçar na casa dos meus pais.
Com o aproximar
da hora de almoço fui preparar tudo o que o menino podia precisar e finalmente
saí com o meu amor. Assim que cheguei junto do prédio dos meus pais tive a
sensação que estava a ser seguida e talvez por isso tenha optado por colocar o
carro na garagem...
Acabei por
afastar tais pensamentos e coloquei o menino na alcofa, retirando logo depois o
seu saco do carro e a minha mala. Fechei o carro e fui até ao elevador,
chamei-o e assim que a porta abriu entrei carregando no botão do piso dos meus
pais.
Usei a minha
chave para entrar e assim que o fiz fui de imediato procurar a minha mãe que é
como quem diz fui até à cozinha.
- Olá mãe!! - falei animada e ao encontra-la de volta do fogão
- Olá filha - sorriu - não sabia que
trazias o Filipe.
- Não ia deixar o menino sozinho!
- Mas o pai dele não cuida do filho?
- Oh mãe o Ruben tem jogo hoje!
- Ah e pediu-te para ficares com o Filipe? Não
achas que estás a agarrar-te demasiado ao Filipe?
- Ãh?
- Oh filha - a minha mãe hesitou mas acabou por falar - o que a mãe mais quer é que sejas feliz e talvez este não seja o melhor
caminho para encontrares essa felicidade, Mariana tens de te afastar um pouco
do Ruben ou nunca encontrarás o teu caminho - doeu ouvi-la - filha estares constantemente com o teu
afilhado não te faz bem...
Não consegui
reagir, fiquei simplesmente a olhá-la e só despertei quando
- Filha! - o meu pai
assim que entrou na cozinha brindou-me com o seu sorriso e antes de dar-me o
meu beijinho espreitou para o carrinho onde o Filipe continuava deitado na alcofa
- Olá pai - dei-lhe um beijinho - tudo
bem?
- Sim - sorriu - e contigo?
- Também!!!
Ainda ficamos
todos uns minutos na cozinha mas acabei por avisar que ia até à sala, as
palavras da minha mãe continuavam a matutar na minha cabeça...
Estava sentada no
sofá com o carrinho do Filipe do meu lado quando o meu pai entrou e ao
aproximar-se viu o menino acordado.
- Posso pegar no meu neto?
- Ãh? - fiquei
especada a olhá-lo e talvez por isso tenha gargalhado
- Oh filha, não sou cego... - engoli em seco - vocês até podem não querer confirmar e apesar de não perceber o motivo,
respeito a vossa vontade, mas não peças para fingir que não vejo!
- Lá está você... - o meu pai interrompeu-me
- Filha se não estou certo então porquê que tens
o Filipe contigo quando sei que o menino fica com a avó paterna em dias de
jogos, já para não falar que o que vi no dia que o meu neto - voltei a olhá-lo - teve alta foi muito mais que a madrinha a cuidar do afilhado -
sorriu - o que vi foi a minha filha a
cuidar do meu neto!
- É verdade o pai sempre vai para a frente com a
ideia de abrir uma loja de decoração para a mãe? - o meu pai gargalhou
- Tens noção que acabaste de confirmar as minhas
suspeitas, não tens?
- Não confirmei nada! - resmunguei
- Ai não? Filha mudaste de assunto e só o fazes
quando não queres admitir algo... se não houvesse verdade no que falei terias
desmentido!
- Oh pai... - suspirei - mudei de assunto
porque não quero falar disso ou pelo menos não agora...
- Tudo bem... vou continuar à espera do dia que
resolvam assumir que estão juntos para poder chamar livremente este pequenino
de neto!
Não respondi e
por isso o meu pai mudou de assunto partilhando comigo as novidades do projeto
que tenciona iniciar com a minha mãe, a verdade é que o cota resolveu
concretizar um sonho antigo à sua cota e vão abrir juntos uma loja de
decoração.
A conversa estava
a ser interessante mas teve que ser interrompida no momento que fui preparar o
biberão do Filipe, ausentei-me da sala por uns minutos deixando o menino na
alcofa mas quando regressei já com o seu biberão encontrei-o no colo do meu pai
mas o que fez com que ficasse imóvel foi ouvir
- Oh pequenino vais ter que ter muita paciência
com os teus papás, eles são assim um bocadinho complicados mas amam-se muito...
- Dê cá o menino! - o meu pai sorriu
- Posso dar-lhe o leite? - olhei-o abismada, o meu pai nunca foi de pegar
em bebés muito menos em alimentá-los
- Oh pai...
- Posso pelo menos tentar?
- Ok...
Dei-lhe o biberão
e fiquei atenta, não fosse o menino se engasgar mas até correu bem e no fim
ainda vi o meu pai a colocar o menino para arrotar mas a parte de lhe trocar a
fralda foi minha.
Cuidei do meu
menino e no fim adormeci-o, colocando-o na alcofa.
- O que está a fazer?
- A observar o meu neto enquanto dorme!
- Oh pai...
- Sim sou teu pai desde que te assumi como filha
ainda na barriga da tua mãe e por isso a mim não me enganas! Andei muitos anos
cego e talvez o tenha andado em parte por culpa minha porque nunca houve
abertura suficiente entre nós para falarmos de todos os assuntos, hoje
arrependo-me disso mas a forma como pensava no passado, que por sinal era
retrograda, não permitia que percebesse que só com o diálogo sincero e
verdadeiro é que a relação entre um pai e uma filha ou filho se torna
inquebrável, mas felizmente ainda fui a tempo de corrigir um erro que durou 28
anos - suspirei ao ouvi-lo, não esperava tais
palavras - por isso hoje orgulho-me de
dizer que te conheço e sei que esse coraçãozinho está a cada dia que passa mais
sarado - olhou para o Filipe e depois voltou a encarar-me - e para isso muito contribui este anjinho,
por isso sim o Filipe é meu neto quer queiras quer não queiras, além disso és a
mãe dele desde os primeiros dias de vida do Filipe e não negues porque não tens
como, Mariana sei perfeitamente o que é olhar para um bebé, ter a plena
consciência que não é os nossos genes e sangue que lhe corre nas veias mas que
ainda assim é uma parte de nós, a situação é um pouco diferente, porque te
assumi ainda na barriga da tua mãe e acompanhei-te de perto desde a gravidez
até agora, mas não deixa de ser parecida, assumiste o Filipe quando o viste
pela primeira vez, ainda que tenha sido de forma inconsciente mas que dia após
dia se tornou nítida para ti!
Agora só falta um pequeno passo que é assumirem
que são uma família, sei que esse dia está cada vez mais perto e pode apanhar
muitos de surpresa mas com certeza que não serei uma dessas pessoas - sorriu - filha
o teu sorriso, a tua serenidade, esse brilho que tens no olhar, a forma como
cuidas do Filipe não deixa dúvidas, estás feliz e isso só é possível porque
finalmente estás completa!
Ruben
Cheguei a casa e
encontrei a Mariana com o Filipe no colo e a observar o céu, estava tão concentrada
que não deu pela minha presença, algo que aproveitei para abraça-la e de
imediato colei os meus lábios na sua bochecha.
- Deu muito trabalho?
- Não… - sorriu ao
olha-lo
- Obrigado…
- Não precisas de agradecer… - já nos olhávamos, olhos nos olhos, o que nos
fragilizou a ambos, ainda mais quando tínhamos os rostos demasiados próximos e
foi quando os nossos lábios se estavam a precipitar uns contra os outros - se quiseres jantar tens comer no frio que
pedi à minha mãe para trazer um pouco...
- À tua mãe? - olhou-me
- Sim... fomos - desviou o olhar para o Filipe, sorrindo novamente - almoçar a casa deles e acabei por jantar
com eles...
- Ah ok... e os teus pais estão bons?
- Sim...
- O que se passou? Pareces preocupada...
- Não é nada... - olhei-a e talvez por isso tenha falado - Desde que a Sofia saiu do hospital nunca mais a viste?
- Não! Aliás sabes bem que para registar o menino
teve que ser através dos advogados que nem isso ela fez...
- E nunca conheceste os pais da Sofia?
- Porquê que te lembraste disso?
- Curiosidade…
- Porque será que não acredito que seja esse o
motivo? - olhou-me - Mariana já percebi que estás com macaquinhos nessa cabeça…
- Oh… - suspirou - hoje lembrei-me disso, afinal o Filipe deve
ter avós maternos…
- Pois não sei - olhou-me - a Sofia nunca
falou da sua família e sinceramente não tenciono procura-los.
- Mas o menino tem direito a conhecer a família
materna.
- Essa já conhece! - atirei e só no fim é que dei por isso, ainda
assim não retirei palavra nenhuma muito pelo contrário pois reforcei - Mariana a família materna do Filipe são os
Mendes - olhou-me - e não adianta
refilares porque sabes que tenho razão, aliás até o teu pai já percebeu isso!
A Mariana não
respondeu mas deixou-se ficar sentada ao meu lado, até ao momento que o Filipe
voltou a acordar e que por isso fui vê-lo. Cuidei do meu pequenino para
regressar à sala apesar do meu filho ter ficado acordado e assim que me sentei
- Tenho de ir…
- Fica...
- Oh Ruben não dá - olhou-me e percebi que não estava a contar
tudo
- O que se passa?
- Tenho de ir a Madrid…
- Mas vais lá fazer o quê?
- Meti férias e vou até lá! Tenho saudades do
pessoal que conheci durante os meses que estive lá!
- E vais assim?
- Tanto quanto sei não te devo satisfações! Mas
sim vou assim! Apetece-me e vou!
- E quando é que voltas?
- Ainda não sei...
- Ok… anda que te acompanho á porta.
Até quando
continuarão estes a brincar ao toque e foge? E a Sofia terá a preparar alguma?

Adorei quero o proximo.bjs
ResponderEliminarAinda estou a tentar perceber quem esta mais louco, se Mari se Ruben. (loucura saudavel, nao como a da doida da Sofia!)
ResponderEliminarO Ruben é muito fofinho. Um fofinho em modo carraça. Valha-me Deus, imaginemos que a mariana nao o queria mesmo? Nossa que chaga! mas pronto eu ja estava a ver isto... estes momentos de chantagem enervam-me tremendamente porque esperamos sempre que a verdade chegue, mas nao chega! A verdade so sera revelada depois de muito drama... Ai ai veremos no que isto dá!!
Beso
Ana Santos
Ola ;)
ResponderEliminarCoitado do Amorim loool tem sido um fofinho para a Mariana com todas aquelas (lindas) surpresas e mesmo assim continuam "amigos' apenas
Eu quero mesmo e que aquela Sofia desapareca do mapa de vez e os deixe ser feliz,que eu adoro os ver como uma familia (sim,porque mesmo que a Mariana nao queira admitir e isto que eles sao lol ):p
Acho que posso concluir dizendo que espero que nos proximos caps as coisas mudem,e que a sofia va se internar looool
Beijinhos e quero o proximo rapidamente :p
Rita
Eu sabia que a ameaça da Sofia ia deixar a Mariana amedrontada, claro que tocar no Filipe é tocar no ponto fraco da Mariana. A mulher é diabólica, então agora deu em perseguir a rapariga? A Mariana devia de dizer a verdade ao Rúben, deviam de ir à polícia e aquela louca devia de ser presa, internada, ou outra coisa qualquer, mas que desapareça da vida deles, de vez.
ResponderEliminarO que vale no meio das incertezas e do desespero da Mariana é este novo Rúben, persistente, apaixonado, ai, ai, eu adoro este homem, já não se fazem homens assim. Claro que a Mari não lhe resistiu, também não era fácil, com tanto grude do rapaz, adorei quando ele lhe disse que sempre podia substituir a palavra namoro por curte, ele faz de tudo para lhe dar a volta.
O pai da Mari também me saiu uma bela encomenda, o senhor já topou a jogada toda, se a mãe do Ruben ainda anda só a apanhar bolas pensando que o filho tem alguém, o pai da Mari já vai a meio do jogo e já tá em vantagem, já sabe de tudo mesmo sem que eles lhe tenham confirmado o que quer que seja, e adorei quando ele lhe perguntou se podia pegar no neto, o senhor tem toda a razão na prática o Filipe é o neto dele.
Fiquei curiosa com a curiosidade da Mari em relação aos pais da Sofia, será que esta viajem súbita a Madrid terá outro destino, quem sabe descobrir os pais da Sofia? Mistério...
Eu adoro este jogo do gato e do rato, mas gostava que eles se acertassem de vez, mas há uma bruxa má que se chama Sofia, e dessa tenho medo...
Continuem
Beijocas
Fernanda
Adoro o toque o foge destes dois, mas quer dizer... eles podem tocar mais e fugir menos. lol
ResponderEliminarA Sofia que vá pastar e os deixe em paz.
Quero o próximo!!! Estou em pulgas para saber notícias da Maria e do João e a continuação deste jogo do gato e do rato entre a Mari e o Rúben, com a ratoeira da Sofia pelo meio.
Beijinhos
Fabuloso...
ResponderEliminarQuero mais... Cada vez ta melhor...
Continua...
Fantástico...
ResponderEliminarQuero mais... Tou super curiosa para ver o próximo...
Continua...
Ai esta Sofia... que nervos!!! Queria tanto ver o casalinho junto... este Ruben deixa-me derretida :D
ResponderEliminarEsta Sofia que vá para bem longe... :)
Adoro, adoro!
Beijinhos.