Mariana
Acordei com uma só vontade, esquecer o
dia de ontem e para isso tentei usar o “escape” do Filipe ao perguntar ao Ruben
se o ia ver, mas aquele que amo foi bem explícito ao afirmar que preciso de
ajuda... sei que tem razão, que preciso mesmo de virar a página mas sinto-me
incapaz de reviver tais memórias, só quero esquecer, no entanto já se passou um
ano e aquela tarde e noite continua tão presente na minha memória...
Tentei fugir mais uma vez ao refugiar-me
na casa de banho, não sei o tempo que demorei, só sei que quando saí embrulhada
numa toalha lá estava ele, o Ruben estava decidido a fazer marcação serrada.
- Mas não desistes?
- Não me peças para desistir da MINHA VIDA - olhei-o - Mariana
és a MINHA VIDA e não aguento ver-te assim - as lágrimas molharam-lhe o
rosto - porque enquanto não estiveres
bem eu também não estou! Dói ver-te assim e a culpa que sinto corrói-me por
dentro, sei que te abandonei e que no meio disto tudo sou o que menos mural
tenho para te pedir ou exigir alguma coisa mas também sei que neste momento sou
o único que conseguirei fazer algo por ti e não, não me peças para cometer o
mesmo erro e abandonar-te de novo! - deu um passo na minha direção,
reduzindo assim a distância a nada, estávamos agora com os rostos colados - nós precisamos de superar a dor e vamos
fazê-lo juntos, só assim conseguiremos aguentar mas acima de tudo superar o que
nos aconteceu.
- O que nos aconteceu?! O que aconteceu é muito
simples não sou suficientemente mulher para aguentar uma gravidez! É isso que
aconteceu e não é a falar com uma psicóloga que passarei a ser - respondi aos gritos
- Não quero saber se és ou não suficientemente
mulher para suportar uma gravidez, o que quero é a MINHA MULHER! Aquela que não
vira a cara, que não desiste e tu estás a desistir de TI, DE MIM, DE NÓS!! - respondeu-me também aos gritos talvez para que
me calasse - e não vou deixar! Nós até
podemos nunca mais voltar a namorar mas garanto que não desistirei de ti,
independentemente de tudo és minha amiga por isso não peças que te veja a
caminhar para o abismo e não faça nada...
- Ok queres que vá a merda de uma psicóloga eu
vou mas depois cada um segue a sua vida, porque garanto-te que serei incapaz de
olhar novamente para ti...
- Isso é o que veremos! E agora vou ligar à Ana a
perguntar se consegue interceder por nós e marcar uma consulta para hoje!
- Não é preciso...
- Cala-te! Quem sabe o que é preciso sou eu!
- Não és meu pai!
- Pois não sou aquele que amas e que te ama!
A vontade que tive foi de lhe bater mas
até para isso estava sem forças. Acabei por correr com ele do quarto para que
pudesse vestir-me e assim que entrei na sala
- Temos a primeira consulta dentro de duas horas! - olhei-o - Se
quiseres podemos ir ver o Filipe...
- Não uses o menino para me dares a volta! - sorriu
- Longe de mim usar o nosso menino para dar-te a
volta - fiquei sem reação ao ouvir o “nosso
menino” e quando voltei a mim já o tinha bem próximo - és difícil mas ainda tenho argumentos suficientes para conseguir que
entendas o que é melhor - agarrou-me as mãos - Mariana vai doer, vai magoar e ao início até podemos achar que não está
a resultar mas no final tudo acabará bem...
Não respondi mas caí no erro de o
abraçar, voltei a ceder e a deixar que me desse a volta...
Ruben
Dez dias passaram desde que vi a Mariana
naquele desespero e desde esse dia que temos “trabalhado” juntos para
recuperarmos a alegria de viver, a verdade é que as nossas vidas tiveram
suspensas durante o último ano.
As sessões com a psicóloga têm sido
duras, especialmente a primeira onde a Mariana contou com detalhes aquela tarde
e noite, ouvir tudo fez-me sentir ainda pior, não sei como é que conseguiu
suportar tudo mas o certo é que conseguiu, caso contrário não a teria comigo
agora...
Os últimos dias têm sido divididos entre
os treinos, o hospital para estar o máximo de tempo com o Filipe e os momentos
com a Mariana. A verdade é que com a desculpa das consultas tenho aproveitado
ao máximo todas as oportunidades para estar do seu lado e os passeios após
sairmos das sessões têm-se tornado recorrentes...
Sofia
A melhor coisa que me podia ter
acontecido foi ver-me livre daquela coisa que estava dentro de mim a pesar cada
vez mais... A verdade é que já não servia para nada e quanto mais depressa visse
livre melhor... por isso mesmo quando acordei naquela cama de hospital e fui
informada que a aberração estava a lutar pela vida desejei a sua morte, era só
o que mais faltava ter que cuidar daquilo... se quisesse um animal de estimação
tinha um cão ou gato...
Felizmente só tive de ficar uns dias
naquele quarto, ainda assim foi demasiado tempo... todos queriam convencer-me a
visita-lo e isso só irritava, ainda mais sabendo que o Ruben também não estava
interessado no monstrinho...
Ao fim de três semanas recebi uma carta
do tribunal a informar que tinha de registar aquela coisa... adiei ao máximo
mas não tive outra solução do que entrar em contacto com um advogado que tratou
de todo o processo, não queria ter mais contacto com o monstro...
Os dias foram passando e já sentia novamente
com forças para lutar pelo que é meu por direito por isso regressei a Lisboa
para estar perto do Ruben... Descobri que afinal o senhor certinho assumiu
aquilo... assumiu o monstrinho depois dele nascer... aquilo revoltou-me porque
aquela coisa estava a rouba-lo de mim... Passei os dias seguintes a desejar
pela milésima vez que algo acontecesse mas de cada vez que ele saía do hospital
o seu sorriso não enganava... o Ruben estava feliz... nunca o tinha visto
sorrir assim...
Mas se este tempo serviu para perceber
que se for boa mãe que o terei para mim também serviu para descobri que a outra
mo quer roubar... começou a ser frequente vê-la a rondar o Ruben e não sei como
consegui controlar-me quando os vi sair a sorrir e depois seguirem juntos no
carro dele, o clima era evidente... Segui-os e percebi que estavam às compras
para o atrassadinho... ela estava a ocupar o meu lugar e isso não deixarei nem
que...
Os dias continuaram a passar comigo
atenta a todos os passos daquele que é meu... consegui descobri o buraco onde
aquela que vou ter que despachar vive... o Ruben anda a passar muito tempo com
ela...
Sessenta dias depois finalmente
sinto-me novamente eu... cada vez tenho menos marcas no meu corpo... agora já
consigo olhar ao espelho e reconhecer-me, aquela coisa bem tentou deixar-me
feia mas não conseguiu... finalmente posso voltar a aparecer à frente do
Ruben... agora sim já tenho corpinho para isso...
Saí de casa com um único objectivo...
esperar o Ruben no hospital para entramos juntos... se o quero para mim vou ter
que tolerar a presença daquela coisa nas nossas vidas, pelo menos até conseguir
livrar me dele...
Estava já a perder a paciência uma vez
que o Ruben nunca mais chegava quando vi o seu carro mas com ele vinha a outra
estúpida... ainda pensei em ir até junto dele mas ao vê-lo a tirar a cadeirinha
do carro percebi que é hoje que a aberração vai para casa, algo que não estava
de todo nos meus planos e por isso deixei-me ficar sossegada.
Vi-os a entrarem de sorriso no rosto mas pior que isso
abraçados, sim o Ruben colocou o seu braço por cima dos ombros daquela estúpida
e isso revoltou-me… Assim que os deixei de ver, ocupei o pensamento com uma só
cena, a melhor forma de começar a atormentar a vida deles… o Ruben só terá
descanso quando perceber que só comigo será feliz…
Ruben
Hoje faz sessenta dias que o meu menino
nasceu e é um dia que ficará marcado para sempre na minha vida e na vida do
Filipe, finalmente vou poder levar o meu filho para casa.
Estava a terminar de comer o
pequeno-almoço quando tocaram à campainha e assim que vi quem era um sorriso
surgiu no meu rosto.
- Bom dia - deu-me dois beijinhos
- Posso saber o que fazes aqui quando deverias
estar a trabalhar?
- Dever devia mas como hoje é um dia especial - olhei-a - meti
o dia de férias...
- Isso quer dizer que vais comigo buscar o nosso
menino - quando falei “nosso” a Mariana
olhou-me e notei surpresa mas quem ficou verdadeiramente surpreendido fui eu
quando a Mariana respondeu
- Se deixares...
- Só faz sentido se fores comigo - respondi de sorriso no rosto
- Então vamos!
- Isso é tudo pressa para o trazeres para casa?
- É! O lugar do menino é aqui!
- O lugar do nosso menino é ao NOSSO lado… - interrompeu-me
- Ruben não tentes usar a vinda do Filipe para
casa a teu belo prazer!
- Desculpa…
- Esquece! E agora vamos!
- Ok vou só buscar a cadeirinha do Filipe ao
quarto!
- Trás também o saco dele!
- Ãh?
- O saco com as fraldas e tudo o que o menino
precisa para quando sai de casa - olhei-a sem
entender - porra o saco que tens em cima
da cómoda e que deixei pronto ontem quando aqui estive! - sorri ao perceber
mais uma vez todo o cuidado que tem com o Filipe
Fui ao quarto buscar o que pediu e quando
regressei encontrei-a a olhar para uma foto nossa que tínhamos tirado há uns
dias num passeio à beira-rio depois de mais uma sessão com a psicóloga
- Para ser perfeita só falta aí o Filipe - aproveitei que estava de costas e que não tinha
dado pela minha presença para a abraçar, falando desta forma ao seu ouvido, o
que a fez suspirar
- Já tens tudo?
- Porquê que insistes em continuar a fugir? - olhou-me
- Porque é o melhor para todos…
- O melhor para todos é assumires que dependes de
mim para ser feliz tal como dependo de ti!
- Ruben não insistas! E agora vamos!
A Mariana soltou-se dos meus braços e
saiu, fui atrás levando a cadeirinha uma vez que o saco do menino, ela levou-o.
Conduzi calmamente até ao hospital e pelo
caminho falamos de tudo um pouco mas foi quando chegamos que ao vê-la a retirar
o saco do carro que tive de a questionar
- Porquê que insististe em levar o saco? - olhou-me
- Porque é aqui que tenho a roupinha para vestir
ao Filipe e porque o menino pode precisar de alguma coisa…
- Mas do hospital vamos diretos a casa…
- Não compliques! E deixa isto para quem sabe! - olhei-a e foi impossível não sorrir, tal como
foi controlar a vontade que tinha e por isso abracei-a
- Larga-me! - olhou-me
- Não consigo…
- Desculpa?!
- Oh Mariana… - desviei o olhar
- Que foi?
- Será que vou conseguir…
- Lógico que vais! Ruben pode ser complicado ao início
mas daqui a uns dias já tudo será normal, passará a ser a tua rotina e sentirás
mais segurança…
- Só espero que tenhas razão…
- Lógico que tenho! - falou determinada e pela primeira vez no dia abraçou-me,
o que aproveitei para a puxar ainda mais para mim e foi abraçados que entramos
no hospital
- Ena que novidade é esta? - a Mariana assim que ouviu a Ana largou-me
- Não é novidade! É mais do mesmo - a nossa amiga olhou-nos à vez - aqui o menino está com medo da nova fase…
- Pois e tu como boa amiga que és, vieste
apoia-lo não resistindo a abraça-lo… pois sei!
- Não comeces! - pedi e a Ana lá parou, acompanhando-nos até ao gabinete do pediatra
do Filipe.
Os minutos seguintes foram para o
pediatra nos explicar os cuidados redobrados que teremos que ter com o Filipe,
bem como algumas dicas que poderão ser-nos úteis daqui para a frente. Voltou
ainda a explicar que não podemos ou melhor não devemos comparar o desenvolvimento
do Filipe com o de um bebé de fim de tempo, porque o nosso menino terá sempre
um “atraso” em relação a esse outro bebé, tanto que para se poder “comparar” as
fases de crescimento por norma usam o que chamam de idade corrigida, que não é
mais que retirar aos meses que o bebé tem desde que nasceu o número de meses
que faltava para o fim do tempo, ou seja no caso do Filipe apesar de já ter
dois meses na idade corrigida é como se tivesse acabado de nascer, daí não
podermos esperar que o menino comesse já a sorrir ou a fazer gracinhas…
O que podemos e devemos fazer é
estimula-lo ao máximo para que o seu desenvolvimento seja cada vez mais
progressivo e foi isso que também nos foi explicado. A Mariana tal como eu teve
sempre atenta e aproveitou para retirar dúvidas, o que acabou também por dar-me
alguma serenidade pois sei que terei nela um apoio fundamental…
Finalmente o momento de levá-lo chegou,
fomos até junto do Filipe e foi a Mariana que o vestiu, sim que apesar do
menino não estar nu, o meu amor meteu na cabeça que aquilo não era roupa para o
menino sair do hospital, enfim… mulheres!
Aproveitei para registar o momento,
afinal era o último dia do Filipe naquela unidade…
- O papá está pronto?
- E a mamã?
- Ruben!
- Mariana!
- Estás aqui, estás ali!
- Desde que te tenha do nosso lado estou onde
quiseres!
- Chega! Estás a passar todos os limites!
Resolvi terminar com a brincadeira antes
que a Mariana se chateasse a sério comigo e depois dela colocar o menino na
cadeirinha, agarrou no saco colocando-o ao ombro e a mim coube-me a tarefa de
levar o nosso menino.
Caminhava feliz por ter finalmente o
Filipe connosco mas assim que transpor as portas do hospital para o exterior
desci ao “inverno” sem esperar fomos fotografados, estavam jornalistas à nossa espera
e não tiveram qualquer problema em invadir a nossa privacidade.
De um momento para o outro vi-me rodeado
de jornalistas que queriam a melhor foto, a sorte é que a Mariana antes de
sairmos do hospital resolveu tapar a cadeirinha com uma fralda de pano… Aqueles
que tinha diante de mim não tiveram acanhamento nenhum e começaram com
perguntas atrás de perguntas, queriam saber detalhes que não estava disposto a
partilhar e por isso mesmo recusei prestar qualquer tipo de declaração, ainda
assim voltaram a insistir, foi ao ponto da Mariana tomar uma atitude, pediu-me
as chaves do carro e depois pegou na cadeirinha do Filipe levando-o até ao
carro ou melhor tentou porque houve um engraçadinho que se colocou à sua frente
- Importa-se de sair? Quero passar!
- É verdade que depois de tudo regressou para o
Ruben Amorim? E está disposta a assumir um filho que não é seu mesmo depois de
ter perdido dois?
- É a verdade que quer? - por momentos temi o que pudesse dizer, a
Mariana estava nitidamente com cara de quem ia aprontar alguma - Então tudo bem… a verdade é só uma e
resume-se à - neste momento já estavam todos atentos ao que falava - à vossa falta de profissionalismo!
- Não lhe admito…
- Não admite o quê? Que diga que não tem ética
profissional? Lamento mas não tem mesmo! Você não veio à procura de informar os
leitores do seu jornal, você veio tentar esmiuçar a minha vida pessoal e
achou-se no direito de opinar sobre um assunto que não lhe diz respeito, quando
não pediu sequer permissão para o fazer! Vocês acham-se os senhores da razão
mas esquecem-se que também são humanos, nenhuma mulher está livre de perder os
seus filhos, nem a sua… páre por uns minutos e pense em como a sua mulher se
sentiria se depois de perder os vossos filhos houvesse alguém que aparecesse na
sua frente com uma câmara apontada ao seu rosto e perguntasse se ia substituir
os filhos que amava mas que infelizmente não conheceu por outro que até nem é
seu mas sim filho de um amigo de longa dada…
Mas já que estão assim tão interessados no
assunto posso esclarecer que uma parte de mim morreu há pouco mais de um ano,
morreu junto com os nossos filhos - dei a mão à
Mariana - só quem perdeu os seus filhos
desta ou de forma idêntica saberá o que sinto, só essa mulher entenderá que
vocês são uma cambada de insensíveis!
Aproveito ainda para esclarecer que a única
relação que me liga ao Ruben é unicamente a amizade.
- Mas não tem como negar que ultimamente estão
mais próximos, a Mariana até regressou a Lisboa após o nascimento do filho do
Ruben…
- Sim regressei por motivos profissionais e
pessoais que nunca tiveram relacionados com o nascimento do menino e muito
mesmo com o hipotético reatamento da nossa relação!
- No entanto são vistos frequentemente em clima
de romance - o palhaço que
abriu a boca para falar da perda dos gémeos voltou a mandar a boca e quando já
preparava para responder a Mariana voltou a fazê-lo
- O que é que pretende? Que admita que amo o
Ruben? Ou que admita que reatamos? Ou ainda que serei mãe do filho dele? Ah
espere quer que diga o que vende… é isso! Então aqui vai… sim amo o Ruben e
continuarei a amar, não reatamos a relação entre homem e mulher mas reatamos a
amizade, amizade essa que no passado nos manteve sempre no rumo certo, éramos o
apoio um do outro e é assim que queremos continuar. Quanto ao facto de
ultimamente andarmos mais tempo juntos, é perfeitamente normal, como amiga
senti o dever e até a obrigação de o apoiar, independentemente do que sempre
senti de cada vez que entrei na unidade de neonatologia ou o que sinto sempre que
dou colo e conforto ao menino ou ainda o que sinto por ter noção que nunca
saberei o que é ser mãe mas isso não vos interessa, o que interessa é
enxovalhar a vida das pessoas… então os meus sinceros parabéns porque de facto
fazem um trabalho exemplar mas comigo garanto que não o farão, porque acabei de
admitir a única verdade existente… façam dela o que quiserem mas garanto que se
vir uma vírgula fora do lugar no mesmo instante processo quem tiver que
processar!
E agora deem licença o carnaval terminou!
Ainda estava a assimilar o que a Mariana
tinha admitido quando os jornalistas se afastaram permitindo desta forma a
nossa passagem.
- Estás bem? - perguntei assim que entramos no carro, isto depois da Mariana
certificar-se que a cadeirinha do Filipe estava bem presa
- Sim…
- E agora a verdade - olhou-me
- É a verdade que queres? Então fica a saber que
pela primeira vez consegui falar da perda dos gémeos sem ter vontade de chorar
mas também não quero continuar a falar disso…
- Desculpa - pedi ao agarrar a sua mão que estava pousada na sua perna esquerda
- a culpa disto é toda minha…
- Shiu! Ruben não tens culpa ou melhor tens tanta
culpa quanto eu… nós erramos os dois no passado e no presente queremos os dois
isto - sorriu ao ouvi-la - portanto a culpa é dos dois!
- Define o isto?
- Ai oh Ruben… isto que temos… a amizade…
- Quero muito mais que amizade e nunca te escondi
isso!
A Mariana não respondeu, aliás retirou a
sua mão debaixo da minha, ainda assim mantive a mão na sua perna. O meu amor
durante a viagem até ao meu apartamento olhou diversas vezes para o Filipe.
- O menino não foge… - meti-me com ela, o que fez com que sorrisse
- Ainda não foge… espera mais uns meses e vais
ver parece uma enguia a fugir de ti!
- De nós!
- Ãh?
- Parece uma enguia a fugir de nós!
A Mariana voltou a ignorar o que falei e
assim que estacionei o carro na garagem do meu prédio, depressa saiu do carro
para retirar a cadeirinha do Filipe do carro
- Deixa estar que levo…
- Não o posso levar?
- Podes mas não há necessidade - olhou-me - O
menino já pesa…
- Eich que exagerado! Mas tudo bem leva lá o
Filipe!
Peguei na cadeirinha do Filipe enquanto a
Mariana voltou a levar o seu saco, mas durante pouco tempo porque assim que
entramos no elevador o Filipe começou a chorar e a Mariana pegou nele, fazendo
de mim “burro de carga”, uma vez que levei a cadeirinha e o saco do Filipe.
Abri a porta e dei passagem aos meus dois amores, a Mariana estava com um
sorriso lindo e isso aqueceu-me o coração…
Mas se julgava que os minutos seguintes
seriam só nossos enganei-me… afinal fomos surpreendidos por uma receção, a
minha família, a Maria, os pais da Mariana e o Jorge esperavam o Filipe, o que
fez com que os primeiros minutos do menino em casa tenham sido agitados, todos
queriam vê-lo e não consegui impedir que o menino começasse a passar de colo em
colo, o que irritou o Filipe que pouco
tempo depois de o deitar no seu berço começou a chorar, tentei acalma-lo mas a
tarefa tornou-se numa missão impossível, o Filipe chorava cada vez mais e fui
“socorrido” pela avó babada que assim que conseguiu tirou o neto dos braços do
pai, o que acabou por originar um momento de risota para os restantes pois a
minha mãe não o conseguiu calar, o menino estava mesmo numa de fazer a sua
primeira birra em casa.
- Dê cá o menino… - a Mariana retirou o Filipe do colo da minha
mãe - Oh Filipe eles não percebem nada
disto… - sorri ao ouvi-la mas principalmente ao vê-la a cuidar do meu
tesouro, a Mariana sentou-se no sofá, tal como fazia na cadeira do hospital e
colocou o Filipe contra o seu peito e após uns minutos o menino já estava
sereno ainda assim de olho aberto.
- E não é que o puto já sabe o que é bom… - a boca do meu irmão fez com que o fuzilasse
com o olhar mas de nada adiantou pois ainda fez pior - que foi? Vais dizer que não gostavas de fazer o mesmo que o teu filho
está a fazer…
A Mariana assim que o ouvi levantou-se de
imediato e saiu com o Filipe
- Estás satisfeito? Sinceramente Mauro se
tivesses calado ganhavas mais! - atirei
aborrecido
- Desculpa lá mas vocês estão a atirar areia para
os nossos olhos! Achas mesmo que acredito que são só amigos? Se fossem a
Mariana não tinha feito metade do que fez…
- Infelizmente somos SÓ amigos!
Atirei ao sair da sala para procurar a
Mariana, precisava o quanto antes de perceber até onde as palavras do meu irmão
a tinha atingido. Encontrei-a no quarto do Filipe a adormece-lo e por isso
mantive-me quieto a ouvi-la cantar para o meu filho.
- Já adormeceu! - falou com um sorriso no rosto enquanto o deitava no seu berço
- Desculpa… - olhou-me - o meu irmão
abusou…
- Não falou nada que os outros não pensem também…
- Sim mas podia ter evitado…
- Esquece! - o meu amor voltou a concentrar as atenções no Filipe - Hoje é dia de alegria e não dia para te
chateares com o teu irmão… e agora vamos deixar o pequenino dormir
- É…
A Mariana passou próximo da cómoda e
pegou no intercomunicador que permite ouvir da sala caso o menino acorde, algo
que mais uma vez fez-me sorrir.
- Que foi?
- Nada…
- Estás a sorrir por nada?
- Estou a sorrir porque te tenho aqui - aproveitei a proximidade dos nossos corpos
para a abraçar - atenta a tudo para que
o Filipe esteja bem…
- Pois mas não te habitues porque é mal de pouca
duração!
- Mal? Quem me desse que todos os meus males
fossem como este…
- Ruben… - desprendeu-se dos meus braços e foi até à sala
- Então o meu neto?
- Ficou a dormir! - a Mariana respondeu tranquilamente
- Ah…
- Oh mãe parece que ficou desiludida… - meti-me com a minha mãe mas ouvi algo que não
esperava
- Fiquei mesmo! O meu neto preferiu o colo da
Mariana ao da avó - os presentes
sorriram enquanto a Mariana ficou constrangida e talvez por isso a Maria tenha
vindo em seu socorro
- Oh Ruben responde mas é ao que interessa - olhei-a - estás
preparado para a primeira grande prova de fogo? - a Maria gozou - a primeira noite sozinho com a riqueza do
Filipe???
- Não… - confessei o
meu maior receio - mas sou pai e tenho
que habituar-me…
- Podes sempre pedir ajuda à avó! - a Mari atirou de forma automática o que nos
deixou a todos a olhá-la - Que foi?
Assim a avó deixa de ter ciúmes da madrinha do teu filho! - todos sorriram
pois perceberam que a Mari só respondeu assim porque tinha ficado com aquela
entalada mas quem surpreendeu foi o Sr. Manuel quando disse
- Mas não é da avó que o menino precisa e muito
menos da madrinha… - fiquei
literalmente pasmo a olhar para o pai da Mariana - mas isso são outros quinhentos…
Depois da boca que o pai da Mari mandou a
conversa desenrolou-se sempre à volta do que espero para os primeiros dias do
Filipe em casa e quanto mais ouvia mais apavorado estava a ficar.
Irá o Ruben aguentar a pressão de ficar
sozinho com o Filipe? E a Sofia o que andará a tramar? Quanto aos jornalistas
será que terminou por aqui?
Olá!
ResponderEliminarGostei imenso do capitulo!!
Estes dois mesmo só amigos,continuam a ser uns fofos *O*
A Mariana uma teimosa e o Rúben sempre ali a tentar "dar-lhe a volta" loool
Adorei ver a Mariana a enfrentar o jornalista loool mas acho que eles não vão "desaparecer" assim tão facilmente.
Agora estou muito curiosa para ver como vai correr esta primeira noite do Rúben a tomar conta do Filipe :P
Quero mais!
Beijinhos
Rita
Grande Ruben, assim é que é, finalmente disse tudo o que lhe vai na alma, e é mesmo como ele diz provavelmente ele é mesmo a pessoa certa para dizer o que disse à Mariana, a prova disso é que a Mariana finalmente aceitou ir ao psicólogo.
ResponderEliminarSempre achei estranho este afastamento da Sofia, mas agora confesso que esta mulher mete-me medo, a maneira como ela fala do próprio filho é assustador, é macabro, a mulher é diabólica, e já deu para perceber que ela tem um plano maléfico para fazer mal à Mari e até ao Filipe e tudo porque quer o Ruben, como se se tratasse de uma mercadoria. Cruzar o caminho desta mulher é como encarar o diabo. Nem há palavras para descrever este comportamento.
Finalmente o Filipe vai poder ir para casa, a Mari mais uma vez tratou de tudo, porque o Ruben anda completamente à nora, a saída da maternidade que deveria de ser calma acabou por não o ser, cá pra mim isto tem mãozinha da cobra Sofia, mas mais uma vez a Mariana teve no seu melhor, e pôs o sr.jornalista no seu lugar, se é que malta deste calibre tem lugar certo para estar, isto não é jornalismo, é uma cambada de porcos que gostam de chafurdar na lama, mas a Mariana teve muito bem, mas duvido que isto fique por aqui, acho que este abutres ainda vão fazer mais investidas.
Por momentos pensei que a chegada do Filipe a casa seria uma coisa para ser vivida a três, mas havia mais quem quisesse saborear o momento, e até se compreende, afinal o Filipe já é um campeão, e a vitória dele tem que ser comemorada por aqueles que lhe querem bem, e que o amam, para o mal já basta aquela que lhe deu à luz, que pode ser chamada de todos os nomes menos de mãe, porque essa é a Mariana.
Tou curiosa com a primeira noite de pai e filho, não sei se o Ruben se irá safar sem recorrer à amiga Mari.
Não sei o que a Sofia anda a tramar mas tenho medo daquilo que ela irá fazer, porque não gostei da parte em que ela disse que tinha que tirar a Mari do caminho, e o tirar do caminho é uma opção muito variada.
Adorei, mas deviamos de ter tido o privilégio de ver qual o roupinha que a Mari vestiu ao Filipe quando ele teve alta do hospital, mas pela qualidade do capitulo eu perdoo-te este lapso.
Continuem, quero o próximo menina Maria, acho que é a tua vez.
Beijocas
Fernanda
Adorei!!
ResponderEliminarQuero o próximo.
Estou muito curiosa para saber como vão ser os primeiros dias do Rúben com o Filipe e o que é que a doida da Sofia anda a aprontar.
Bjs
esta Sofia é mesmo psicotica!! a forma como ela tratava aquele que era filho dela, sem duvida que era algo horroroso!! :o
ResponderEliminarela merecia ser amarrada e atirada ao rio! credo, que louca! xDD e que aparecerá para trazer muitos estragos!!
agora o ruben e a Mari...estes dois nao tem mesmo concerto porque tanto estao mal, juntos como separados! mas merecem bem que tudo se resolva e fiquem juntinhos, afinal o filipe precisa de uma mae normal e com uma saude estavel! :p
mas agora fico à espera do proximo!!!
ADOREIIIIII este mas quero maaaaaaaaaaaaaaais!!!!!
fico à espera!
beijos! :)
Olaaa
ResponderEliminarADOREIII :))
Beijinhos
Catarina
Ola
ResponderEliminarAdorei :)
Beijinhos
Catarina
Há incendios, ha terramotos, há tufoes, ha acidentes, ha atropelamentos, ha assaltos com homicidio, porque raio a Sofia nao é apanhada em nada disto?! Mas que cabra! Meteste-nos dao dentro da cabeça dela que estava a ser dificil ler tudo aquilo!
ResponderEliminarE quanto ao Ruben...que mude de estrategia! Foi bom ter conseguido que a Mariana conseguisse a terapia, mas isto de andar sempre com "bocas" nao esta a dar resultados. Se nao da em 4-4-2, aposta-se no 4-3-3! (vale, esta um bocadito fora do contexto!)
Bem, espero desenvolvimentos!!
Beso
Ana Santos
Fantástico como já nos habituaste...
ResponderEliminarQuero mais... Tou super curiosa para ver o próximo..
Continua... Cada vez ta melhor...
Olá :)
ResponderEliminarEstá fantástico como já é habitual.
Fogo como já tenho saudades de ver este casalinho junto outra vez :p
Espero que a maluca da Sofia não faça grandes estragos!
beijinhos
Ritááá xD
Estava a achar isto muito pacífico...
ResponderEliminarrealmente estava a estranhar o desaparecimento súbito da sofia... BOM DEMAIS p'ra ser verdade...
isto vai dar BUM!!!
quero o próximo, rápido xD
beijinho
Catarina
Este capítulo é mauzinho (não pela qualidade do mesmo), a sério aquela parte da Sofia é horrível, apetecia-me passar à frente e não ler, mulher doente, juro que se ela fosse atropelada e morresse eu não ia ter pena nenhuma. E se o jornalista que se meteu com a Mariana atropelasse a Sofia? Ela morria e ele ia para a prisão alguns anos. Pensem nisso ;)
ResponderEliminarAcho que o Ruben devia dar uma pausa à Mariana, sem desistir dela, mas aliviar um bocado a pressão, porque começa a ser cansativo para ela ter que se esquivar de tantas bocas. Ruben, se me estás a ouvir, muda de estratégia homem, vais afugentar a miúda :)
A recepção ao Filipe foi muito bem pensada, só eu é que senti a falta de 1 pessoa lá?
Desculpem ter demorado a ler e postem rápido (ouvis-te Maria?) :)
Beijinhos
PatríciaQ
Olá:
ResponderEliminardesculpem só agora comentar, mas li na altura que publicaram e não comentei e só hj é que reparei q não tinha comentado... pois andava há procura de capitulo novo ;)
Adorei o capitulo, ainda por cima que o bebe está bem e foi para casa... mas só consigo pensar que a assombração voltou... ninguem merece... espero que não venha trazer problemas ao Ruben e à Mariana... não quero nada...
Adoro, quero mais!!!!
Beijinhos
QUANDO PUBLICAM?!?!?!
ResponderEliminar