João
Cada dia que passava era mais um. Mais um dia de solidão e de culpa. Tentei manter ao máximo a minha rotina diária e a forma como me relacionava com os outros mas de dia para dia sentia-me mais em baixo, tão em baixo que acabei por ficar doente.
Fui atacado por uma valente gripe e apesar de já ter a autorização para poder estar presente no aniversário do Bruno acabei por passar o dia de cama. Apenas vi o meu campeão através de uma chamada skype que a Ana e o Fábio conseguiram fazer de forma à que a Maria não se apercebeu.
A noite foi péssima piorei imenso, uma vez que a febre aumentou
- João tens mesmo que ir ao médico!
- Isto passa... amanhã já estou bom...
- Isso foi o que disseste ontem e olha para ti
- Ai oh Filipa... - tinha neste momento a visita do casal Postiga
- Nem Filipa, nem meio Filipa... se não queres ir pelo menos que venha cá a Drª Eva
- Não é preciso... eu...
- Tu...
- Eu - custou mas tive de admitir - só estou assim porque o Bruno faz hoje um ano e... e eu não posso estar com ele.... aliás nos últimos 365 dias tive poucas vezes... por culpa minha...
- Não te vou passar a mão pelo pêlo... tens mesmo culpa! E se eu fosse a Maria te garanto que o Hélder não tinha a tua sorte!
- Sorte?!
- Sim sorte... se o Hélder me tivesse traído, pensado que ia ser pai do filho de outra e ainda me tentasse tirar a guarda dos miúdos uma coisa te garanto ele nunca mais os via!
Não respondi, sabia que ela tinha razão, sabia que a Maria engolia o orgulho para deixar o menino ver-me. Eles ainda ficaram algum tempo, mas acabaram por sair e eu deitei-me de baixo de uma tonelada de cobertores e quando finalmente consegui adormecer sonhei.
Sonhei com a Maria, com o nosso filho e com o Rui, o homem que se tinha tornado referência para o meu filho.
Vi-os a passearem os três felizes, vi o Bruno a jogar futebol... era na selecção aquele equipamento era da selecção e aquele jovem só podia ser o Bruno, confirmei quando pude ler "Guilherme Mendes 23" na camisola, ele tinha acabado de marcar e correu para a bancada a festejar consegui ler-lhe nos lábios "para ti pai" mas não era na minha direcção que vinha ele correu para junto da Maria, a idade pouco a tinha mudado mantinha-se linda e estava visivelmente feliz abraçada a ele, ao homem para quem o MEU FILHO corria chamando de Pai. Era ele, era o Rui, foi com ele que o meu filho festejou, foi ele que mereceu a dedicatória e era ele que era chamado de pai. Senti as pernas a tremerem e sei que ia iniciar caminho para perto deles. Mas fui interrompido acordei assustado, em pânico, e não era pelo som estridente da campainha mas pelo sonho que passava como um filme e só depois de o rever consegui levantar-me e ir abrir a porta.
Assim que a abri dei de caras com a Drª Eva, uma das médicas do Valência
Cada dia que passava era mais um. Mais um dia de solidão e de culpa. Tentei manter ao máximo a minha rotina diária e a forma como me relacionava com os outros mas de dia para dia sentia-me mais em baixo, tão em baixo que acabei por ficar doente.
Fui atacado por uma valente gripe e apesar de já ter a autorização para poder estar presente no aniversário do Bruno acabei por passar o dia de cama. Apenas vi o meu campeão através de uma chamada skype que a Ana e o Fábio conseguiram fazer de forma à que a Maria não se apercebeu.
A noite foi péssima piorei imenso, uma vez que a febre aumentou
- João tens mesmo que ir ao médico!
- Isto passa... amanhã já estou bom...
- Isso foi o que disseste ontem e olha para ti
- Ai oh Filipa... - tinha neste momento a visita do casal Postiga
- Nem Filipa, nem meio Filipa... se não queres ir pelo menos que venha cá a Drª Eva
- Não é preciso... eu...
- Tu...
- Eu - custou mas tive de admitir - só estou assim porque o Bruno faz hoje um ano e... e eu não posso estar com ele.... aliás nos últimos 365 dias tive poucas vezes... por culpa minha...
- Não te vou passar a mão pelo pêlo... tens mesmo culpa! E se eu fosse a Maria te garanto que o Hélder não tinha a tua sorte!
- Sorte?!
- Sim sorte... se o Hélder me tivesse traído, pensado que ia ser pai do filho de outra e ainda me tentasse tirar a guarda dos miúdos uma coisa te garanto ele nunca mais os via!
Não respondi, sabia que ela tinha razão, sabia que a Maria engolia o orgulho para deixar o menino ver-me. Eles ainda ficaram algum tempo, mas acabaram por sair e eu deitei-me de baixo de uma tonelada de cobertores e quando finalmente consegui adormecer sonhei.
Sonhei com a Maria, com o nosso filho e com o Rui, o homem que se tinha tornado referência para o meu filho.
Vi-os a passearem os três felizes, vi o Bruno a jogar futebol... era na selecção aquele equipamento era da selecção e aquele jovem só podia ser o Bruno, confirmei quando pude ler "Guilherme Mendes 23" na camisola, ele tinha acabado de marcar e correu para a bancada a festejar consegui ler-lhe nos lábios "para ti pai" mas não era na minha direcção que vinha ele correu para junto da Maria, a idade pouco a tinha mudado mantinha-se linda e estava visivelmente feliz abraçada a ele, ao homem para quem o MEU FILHO corria chamando de Pai. Era ele, era o Rui, foi com ele que o meu filho festejou, foi ele que mereceu a dedicatória e era ele que era chamado de pai. Senti as pernas a tremerem e sei que ia iniciar caminho para perto deles. Mas fui interrompido acordei assustado, em pânico, e não era pelo som estridente da campainha mas pelo sonho que passava como um filme e só depois de o rever consegui levantar-me e ir abrir a porta.
Assim que a abri dei de caras com a Drª Eva, uma das médicas do Valência
- Buenos Dias João
- Bom dia Dra… desculpe mas o que faz aqui? Eu já estou melhor hoje até vou ao treino
- Não, hoje não vais!
- Mas estou mesmo melhor! Já nem febre tenho!
- Pois realmente estás com melhor cara - tocou-me com as costas da mão na testa - e febre também não me parece que tenhas, mas mantenho que hoje já não vais ao treino!
- Mas porquê? Não posso continuar a faltar ainda para mais se já estou melhor!
- Realmente não convém que faltes, mas tendo em conta as horas só conseguirás ir ao treino de amanhã!
Só nesse instante olhei para o relógio que tinha na parede de entrada de casa
- Ahh… eu não ouvi o despertador… e agora?!
- Agora vais aproveitar o dia de hoje para descansar e ficares realmente bom e… bem… quando nos apercebemos que estavas atrasado o Hélder disse-nos que tinha estado contigo e acabou por nos dizer que o teu filho fez anos ontem, eu como não sabia que tinhas filhos acabei por falar com a Filipa que me fez o resumo daquilo que tem sido a tua vida pessoal, desculpa sei que é pessoal, mas se puder ajudar?
- A Filipa não tinha que contar nada! - falei de forma rispida - como disse é a minha vida pessoal. Vou cumprir a sua ordem e ficar de descanso hoje, mas amanhã estarei de regresso aos treinos e agradecia que não voltasse a falar do meu filho!
- É nítido que precisas de ajuda a esse nível… conheces o nosso psicólogo não conheces?!
- Já lhe disse que não preciso de ninguém a meter-se neste assunto!
- Como queiras…
- Obrigado por ter vindo, peço desculpa pelo incomodo - dirigi-me até à porta e abri-a num nítido convite a que saísse e assim que ela o faz olho para o lado de fora e tenho em minha frente as duas pessoas mais importantes da minha vida e o meu pequeno assim que me viu esticou os seus braços na minha direcção
- Papá!!!
- Bruninho! Parabéns campeão!!! - tirei-o do colo da Maria e entrei para a sala onde o enchi de beijos e mimos até que
- Mamã? - o Bruno olhava em volta e parou a sua cabecinha na direcção da porta - Mamã!!!! - começou a choramingar
Maria
Quem abriu a porta foi o João, mas para que de casa saísse aquela que era considerada a mulher mais “hot” do futebol a antiga médica do Chelsea e actual médica do Valência, não me viram de imediato por isso foi fácil ver que o João estava em “trajes menores” , leia-se de boxers e uma tshirt, ela só quando passou a porta é que me viu e como nos conhecíamos não deixou de mostrar um ar espantado apesar de me cumprimentar, para no instante seguinte sentir que o João me levava do colo o Guilherme.
A Eva continuou o seu caminho até à rua e eu fiquei no mesmo sitio sem conseguir reagir, só conseguia pensar que no dia anterior o meu filho não tinha tido a presença do pai no seu primeiro aniversário porque este tinha estado “ocupado” com a nova médica do clube. A vontade que tive foi de pegar no Guilherme e voltar para Lisboa, mas quando ouvi as suas gargalhadas de felicidade por receber os mimos do pai, acabei por ficar sem reacção, ali no meio do hall do prédio sem saber o que fazer, a única coisa que me ocorreu foi ligar ao Rui e quando já desbloqueava o telemóvel ouvi
- Mamã!!! - olhei e vi o Guilherme todo esticado no colo do pai, tentando vir ter comigo
- Entra…
- Obrigada… não quero incomodar, vim só trazer o Guilherme já que a tua mãe não podia vir e tu estavas muito “ocupado” - nem tentei esconder a ironia - eu vou até ao hotel, levo o Guilherme também se ele te empatar os planos…
- Que conversa é essa? Nem ele, nem tu… vocês nunca empatam os meus planos!
- Tira-me desse filme! Se ele não te incomoda, tens aqui as coisas dele. Voltamos a Portugal amanhã depois do almoço. Eu agora vou… Bebé da mamã porta bem que a mamã amanhã vem buscar-te sim?! - aproveitei que o João tinha vindo até perto da porta e beijei o pequenino - Amanhã venho busca-lo, qualquer coisa tens o meu numero. Adeus
- Maria… - tentei ignorar e continuar - Maria…
- Diz?
- Não precisas ir para nenhum hotel… sabes perfeitamente que podes ficar aqui connosco…
- Tás parvo só pode!
- A sério Maria! Se não o fizeres por também sentires saudades de estarmos juntos fá-lo pelo menino… Maria a Drª Eva estava a sair cá de casa não pelas coisas que imaginaste, mas porque eu estive doente - assim que o ouvi admito que fiquei preocupada, ele raramente fica doente - Sim Maria doente! - odeio quando ele me lê os pensamentos - não foi nada de mais, só uma gripe e durante a noite tive febre… acordei melhor, mas tenho medo de piorar e ficar sozinho com o menino… - voltei a ficar sem saber o que fazer e nesse tempo pai e filho aproximaram-se para que o Guilherme voltasse ao meu colo enquanto que o João pegou na pequena mala que tinha comigo - vamos?
- Eu não acho boa ideia…
- Posso saber porquê?
- Porque… porque como é mais que óbvio não vou ficar no teu quarto!
- Tens o quarto da… quer dizer o quarto de hospedes!
- O quarto da Carmen… nesse muito menos!
- Oh Maria podes sempre ficar no quarto do Bruninho, se bem que não é no meu quarto mas sim no NOSSO que te estás a recusar a ficar!
- Eu fico no do Guilherme, mas voltas a usar nosso para falar de algo que não seja o nosso filho e juro que não fico nem mais um segundo… ah e quanto menos falarmos melhor
- Como queiras… vá entra está á vontade… estás em casa - olhei-o de lado - o que é? Não se costuma dizer faz como se estivesses em casa?!
- Importas-te que leve as coisas para o quarto do menino então?
- Já te disse para estares à vontade…
Sai de perto dele assim que consegui, fui até ao quarto do Guilherme e vi que ele tinha acabado de o decorar, que tinha enchido o quarto de fotos da minha gravidez e dos tempos que tinnhamos passado juntos, olhei uma por uma e senti um aperto no coração. Respirei fundo e nesse mesmo momento ouvi o toque do meu telemovel, com aquele toque só poderia ser uma pessoa
- Estou?
- Estás onde? Com quem? Estás bem? O menino?! - não consegui não rir - não gozes estou preocupado!
- Calma Rui! Não estou a gozar só achei piada! É que nem a minha mãe me controla assim!
- Oh… estou preocupado e confesso que com saudades vossas! Saudades?! - enquanto falava resolvi meter o telemovel em alta-voz, para ir arrumando as malas
- Eu já te ligava quando acabasse de arrumar as nossas coisa…
- Arrumar as vossas coisas? Mas o menino não ficou com o pai?
- Ficou… e eu também, fiquei em casa dele…
- Tu o quê?!
- Eu fiquei em casa do João…
- Posso saber porquê?
- Porque parece que ele tem estado doente e não se sentia bem em ficar com o menino sozinho…
- Ah… e não era melhor terem voltado para cá? O menino não pode ficar doente?
- Rui relaxa… parece que o João já está melhor e o menino está tão feliz que… olha se apanhar uma constipação o pior que pode acontecer é ter que passar uns dias com ele de molho em casa…
- Tu és a mãe tu é que sabes… - reparei que o Rui não tinha gostado, mas ele tinha razão eu é que era a mãe e o João o pai
- Vais amuar? - resolvi brincar
- Oh não… mas tenho saudades vossas e tomar o pequeno almoço sozinho é horrível!
- Oh coitadinho! - gargalhei
- Não tem piada Maria Micaela! Não tem piada nenhuma!
João
Quando consegui que a Maria ficasse lá em casa, no quarto do Bruno, mas mesmo assim debaixo do mesmo tecto que eu, foi impossível não deixar crescer uma esperançazinha de que fosse possível explicar-lhe tudo o que se tinha passado e quem sabe se assim os três sozinhos não fosse uma boa situação para nos entender-mos, para lhe pedir desculpa…
Foi com essa ideia, de lhe amolecer o coração que resolvi ir com o Bruno até ao seu quarto onde a Maria tinha ido guardar as coisas, para convida-la a tomar o pequeno almoço comigo. Mas quando lá cheguei, percebi que falava ao telemóvel e deixei-me ficar a ouvir a conversa sendo levado para o meu “pesadelo” desta noite só despertando quando oiço
- Mamã!!! UIIII!!!
- É o Rui sim bebé! Queres falar com ele?? - a Maria chegou-se perto de mim tirou-me o menino do colo - E tu deste para ouvir as conversas dos outros foi?
- Eu vinha só… -não pude continuar
- Maria o que se passa?
- Uiii!
- Guilherme?! A mamã?
- Guigas qui! Mamã qui!
- Tou aqui! Tenho isto em alta-voz e ouve quem ouvisse a conversa… e quisesse falar contigo
- Olá campeão!
- Guigas!
- Sim o Guigas é o campeão! Onde é que tu andas que eu tenho de tomar o pequeno almoço sozinho?
- Papá!!! - finalmente algo nesta conversa de “família” me fazia sorrir, o MEU filho respondeu ao outro que tinha vindo ter comigo e quando o fez olhou-me a sorrir
- Foste ter com o papá? Que bom! Mas volta rápido que eu tenho saudades tuas e da mamã!
- Sim… sim… vai mas é trabalhar malandro!
- Sim Sra os seus desejos são ordens!! - pensava que finalmente iam acabar com aquela tortura - mas mais logo liga sim?
- Claro que sim! Não é Guilherme? Quando viermos dormir ligamos para dar as boas noites ao bebé grande!
- Se for para vos ouvir até me podes chamar de bebé pequeno! - gargalharam os dois
- Parvo! Beijinhos té logo - e agora sim o pesadelo acabou - Podes explicar-me agora porque raio estavas a ouvir a conversa?
- Eu não tive intenção vinha só chamar-te para tomares o pequeno almoço comi… conosco e o Bruno é que assim que ouviu vozes…
- Ah… eu já comi obrigada… mas fico com o menino, para não te atrapalhar… e sim ele assim que ouve o Rui reage logo… eles dão-se muito bem…
Tinha ficado muito melhor sem esta informação, mas mesmo assim fingi que não me afectava e convidei-a a fazer-me companhia para poder ir brincando com o menino.
Maria
Confesso que o momento em que percebi que o João acompanhava a conversa me deixou um tanto desconfortável afinal o Ruben já tinha comentado comigo as tentativas do João em saber se as ultimas noticias eram ou não verdade, mas decidi não fazer nada que confirmasse ou desmentisse as suas suspeitas apenas continuei com a conversa que agora incluía o Guilherme que adora o Ui como ele chama.
Quando a conversa terminou e depois de ter mostrado o meu desagrado por ter tido uma conversa pessoal escutada acabei por ser convidada a acompanhar o pequeno-almoço, algo a que acedi apenas porque tinha o Guilherme ao meu colo.
- Não comes mais nada?! - perguntei admirada quando vi que o pequeno almoço do João se cingia apenas a um copo de leite
- Não consigo comer mais… a febre parece que está a querer voltar e a garganta doi-me - deu-me uma certa vontade de rir, e de o abraçar e dar-lhe colo afinal o João doente é pior que uma criança
- Ai ai filho que pai mais mariquinhas que te arranjei! Anda!
- Para onde? Deixa-me só…
- Não, não vais beber isso assim! Anda lá para a sala - quando ele já se sentava no sofá coloquei o Guilherme no chão - Filho não deixes o teu pai fazer nenhuma asneira… e tu quietinho que eu volto já!!
Não o deixei responder e voltei para a cozinha. Aqueci um copo de leite e misturei-lhe mel, encontrei facilmente tudo afinal estava exactamente no sitio onde tinha deixado, andar naquela cozinha deu-me um aperto no coração enorme aquele já tinha sido “território meu” e agora eu não passava de uma intrusa, fosse como fosse acabei mesmo por ser invadida por várias recordações mais ou menos decentes passadas naquele espaço e naquela casa e quando a torradeira “deu sinal” acabei por despertar e afastar de mim aqueles pensamentos, passei as mãos por aguas e as mesmas pela cara respirei fundo e segui com a refeição para a sala.
- Tudo comido se fazes favor! - disse enquanto pousava o tabuleiro no seu colo
- Oh Maria…
- Mau! É que nem penses em dar maus exemplos ao teu filho!
- É só por isso que queres que coma? E que estás a cuidar de mim?
- Não vás por ai! Come se quiseres se não quiseres não comas!
- Guigas qué!!! - o pequenote apontava para o leite do pai e pedia
- Desculpa mas vou invadir-te a cozinha outra vez
- Sabes que é… - olhei-o - que estás à vontade…
Segui até á cozinha e no biberão do Guilherme meti-lhe um pouco de leite igual ao do pai
- Está aqui Guilherme! A mamã dá ou bebes sozinho
- Guigas! - disse sorrindo, passei-lhe o biberão para as mãos e sentei-me com ele no chão enquanto o via todo satisfeito e ao mesmo tempo ia dando um olhinho ao pai que continuava a fazer caretas cada vez que levava o leite á boca
- Deixa-te de fitas! Olha pró teu filho a beber o leite sozinho! - ele riu-se e acabou por beber o leite - e as torradas também são para comer!
- Oh Maria…
- Tou a ver que em vez de ser o pai a ensinar o filho vai ter de ser o filho a dar exemplo ao pai! Guilherme! - o menino olhou para mim - Queres pãozinho queres? - o menino esticou a mão, afinal não recusa comida nunca - Toma! - assim que lhe passei um bocadinho de torrada ele levou de imediato à boca comendo todo satisfeito, voltei-me para o João - Vês?! É facil até um bebé de um ano e um dia consegue!
- Não me gozes… obrigado pelo pequeno almoço mas não consigo mesmo! - olhou para o menino - Ele já comeu tudo?!
- Este na hora de comer mostra logo quem é o pai!
- Estás-me a chamar comilão?!
- Quem eu?! Não!!!! - rimos-nos os dois e quando dei por isso o nosso pequenino acompanhava-nos na gargalhada.
O Resto do tempo até a hora do almoço foi passada comigo colada ao ecrã do tablet tentando abstrair-me de onde estava e na companhia de quem, conversei com o Rui, com a Ana e com o meu tio via chat, mas mesmo assim a voz, o riso e o cheiro do João “invadiam-me” deixando-me completamente fragilizada, estar ali obrigava-me a reviver os momentos que tínhamos passado, bons e maus.
Acabei por deixa-los na sala e seguir para a varanda e foi de lá que tirei a fotografia que não resiti em partilhar
“O meu filho veio festejar o seu primeiro ano de vida com o pai!! A sorte é que o pai está doente! (coitadinho! :p )”
Quando a publiquei limitei o acesso a quem a poderia ver apenas a família e os amigos mais íntimos, para que não houvesse qualquer tipo de especulações. Mas de seguida vi-me “obrigada” a partilhar nova fotografia e desta vez nem liguei com quem o fazia
”Quem é o pai? Quem é o filho? O Guilherme quando for grande vai ser médico!”
- Mamã o menino precisa trocar a fralda!
- E o pai tem algum problema nas mãos?
- Tu fazes melhor...
- OK... estás melhor? - acenou com a cabeça - então trata lá do almoço...
- Vamos almoçar com o pessoal? Eles tão sempre a perguntar por ti...
- Como quiseres... vou tratar dele...
Acabei por despachar o menino e juntar-me ao João. O almoço foi bastante animado embora o pessoal tenha estado sempre a tentar perceber se nós estávamos novamente juntos.
Quando chegou a hora de voltar a casa o João insistiu em passear pelas ruas de valência e quando finalmente chegamos a casa enquanto fui ver o meu email o João jogou-se para o tapete com o Guilherme. Fiquei a observar e mais uma vez não resisti
"Cada vez com mais duvidas sobre quem é o adulto! :p"
A tarde foi passada na brincadeira e acabei por me juntar a eles de forma natural. Até que o João acabou por se aproximar de mais e eu vi-me obrigada a afastar.
O jantar foi tranquilo e depois de adormecer-mos o Guilherme fui novamente até ao tablet desta vez liguei imediatamente o skype e iniciei uma chamada com o Rui onde ele quis saber tudo o que se passava.
- E depois almoçamos com o Postiga... - neste momento sou interrompida o João tirou-me o tablet das mãos
- E ela foi a casa de banho a meio e arrotou 2 ou foram 3 - olhou para mim - vezes?
- Não tens piada! Dá-me isso!
- oh que pena o palhaço perdeu a piada! - atirou para o sofá - namorem à vontade vou-me deitar... não se incomodem por mim... -saiu da sala
- Desculpa Rui... não sei o que lhe deu
- Ciúmes Maria! Ele viu-te chegar e ainda lhe deste comida... achava que agora iam para a cama e tava tudo bem!
- Mas eu nunca lhe dei qualquer indício...
- Maria nós nunca namoramos, nunca casamos, não temos um filho e mesmo assim eu tenho esperanças imagina ele...
- oh Rui...
- eu sei, eu sei... desculpa...
- bem o campeão acordou... vou lá
Despedi-me do Rui e quando cheguei ao quarto já lá estava o João
- O que é que ele tem?
- Não precisava deixar o teu namorado pendurado eu tratava dele! Perdeu só a chupa não foi amor?
Aproximei-me e ao tirar o Guilherme do seu colo toquei-lhe e senti-o a ferver. Joguei a mão à sua testa
- João vai-te deitar imediatamente! Estas a arder!
- Eu estou bem!
- E eu sou o Pai Natal, agora a serio João estás a por o menino em risco!
- Maria eu preciso falar contigo! Por favor!
- Vai deitar-te eu já lá vou... Porque temos mesmo muito que esclarecer...
Ele saiu e eu adormeci o nosso bebé. Quando o deixei parei alguns minutos em frente ao quarto do João sem coragem para abrir aquela porta. Já tinha sido muito feliz ali, mas também tinha sido muito triste. Respirei fundo, bati e abri a porta
- Já cá estou o que queres? - quando a olhei ele estava coberto de mantas e a tremer
- Frio Maria muito frio!
- Isso é da febre! - aproximei-me e realmente ele estava cada vez mais quente. Pouco podia fazer dei-lhe um antipoético e esperei que baixasse mas nada. O João queria falar, mas sabia o que ele queria e ele no estado que estava não conseguia ter nenhuma conversa. - João fica quieto e calado por favor se não essa febre não vai baixar!
- Mas eu preciso pedir-te desculpa Maria... desculpa...
- Esquece João... não quero falar nisso foi o que teve de ser e acabou. Agora é continuar cada um com a sua vida e sempre que o nosso filho precisar é partilharmos o mesmo espaço o mais civilizadamente possível e quem sabe sermos amigos...
- Mas..
- Mas agora vais dormir... eu vou buscar agua fria e umas toalhas para ver se a febre baixa
Sai do quarto e fiquei no corredor encostada contra a parede. Ver o João naquele estado estava a partir-me o coração. Continuei o que ia fazer e lá lhe molhei com toalhas húmidas e felizmente a febre baixou
- Pronto já baixou... eu vou deitar-me mas deixo aqui o intercomunicador qualquer coisa chama que eu ouço no quarto do Guilherme
- Fica aqui - olhei-o - como amiga Maria mas não me deixes sozinho
- estou no quarto do lado e qualquer coisa ouço no comunicador...
- obrigado
Acabei por sair e deitar-me junto do Guilherme, mas não dormi fiquei apenas a observá-lo e a lembrar-me do seu sorriso durante o dia. Não sei quanto tempo passou mas algum tempo depois comecei a ouvir um ligeiro ruido, parecia um gemido e segundos depois foi perfeitamente nítido a voz do João. Ele falava palavras sem sentido mas parecia aflito. Desliguei o comunicador e fui até ao quarto dele assim que abri a porta vi-o agitado e encharcado em suor enquanto tremia.
- João calma... estás outra vez a arder! É melhor chamar um médico...
- Maria não!
- João o médico passa-te qualquer coisa e de manhã já estás bom!
- Maria... Bruninho... Maria não me faças isto! Não deixes o Bruninho fazer-me isto! - sei que o devia acalmar mas ao mesmo tempo tinha de saber o que o agitava tanto afinal ele estava em pânico - Maria eu vim só ver o menino... o nosso filho está óptimo grande... e o golo... que golo! Mas ele não pode Maria o pai dele sou eu! Eu sei... sei que vos fiz mal... que vos troquei por um embuste.... mas Maria ele não pode chamar esse homem... ele nao pode chamar o Rui de pai! O pai dele sou eu!!!
- João calma o pai dele és tu! Ninguém vai ocupar esse lugar...
- mas o teu marido também era eu e agora tas ai com ele! E vão ser pais??
- oh João mas tu tas parvo?!
- perdoa-me... por favor!
O João devia estar a ter alguma alucinação da febre o certo é que ele estava mesmo aflito.
- João eu perdoar já perdoei... mas esquecer nunca vou ser capaz e é por isso que o melhor é cada um seguir a sua vida! Agora por favor acalma-te, dorme para amanhã estares bem...
Sai do quarto e afundei-me no sofá só consegui chorar o que o João dizia não fazia sentido e só depois de um par de horas percebi que ele estava a projectar o futuro e nesse futuro o Guilherme tinha o Rui como seu pai. Chorei mais ainda nunca na minha vida pensei em tal coisa. Se alguma coisa eu tinha como certa engolindo os sapos que fossem precisos era que o meu filho ia estar com o pai sempre que ambos o quisessem.
O resto da noite foi passada assim entre os quartos de pai e filho um dormia tranquilamente o outro continuava agitado e de quando em quando voltava a pedir-me perdão e que não deixasse o Guilherme chamar outro de pai como eu já chamava outro de amor. Cada palavra dele era um punhal no coração ainda para mais sendo ditas de forma inconsciente, mas aquilo que tinha visto há uns meses naquele quarto e o que tinha ouvido não o permitiam.
O dia amanheceu e o João surpreendeu-me quando dava o pequeno almoço ao Guilherme
- oh João vai deitar-te!
- eu tenho treino!
- Tu tas maluco? Passaste a noite a delirar!
- Então não foi um pesadelo? Tu disseste-me mesmo que acabou de vez?
- Disse João disse
- Não há mesmo hipótese?!
- João por favor! - implorei para que se afastasse
- Como achares melhor... desculpa! Pequenote nunca te esqueças que o papa sou eu! Eu!
Ele continuava agitado embora já sem febre todo este medo ele estava mesmo assustado com a ideia...
Fiquei estes dias com ele até ele estar perfeitamente bem e voltei para Lisboa e para a agitação e loucura da minha vida profissional. Com apenas uma mudança, passei a ser eu a levar o Guilherme ao pai e começamos a reanimar a nossa amizade, aquela que tínhamos no secundário. Enquanto a minha relação com o Rui estava cada vez mais próxima.
Será Amizade só?!
E o Rui e a Dra Eva terão uma palavra a dizer?
E como estarão o Ruben, a Mariana e o pequeno Filipe?
:'(
ResponderEliminarAi que aperto no coração.
Beijinhos
PatríciaQ
Porque é que o Rui e a Dra. Eva não ficam os dois juntos?? Era uma boa ideia...
ResponderEliminarEu sei que disse que me tinha agradado a ideia da Maria ficar com o Rui, mas este capítulo mostrou-me que talvez não seja uma ideia tão agradável assim... Fiquei com pena do João! Ele dá em doido!
QUero o próximo!!
Beijinhos
Olaaaa
ResponderEliminarAdoreiiii :))
Beijinhos
Catarina
Fantástico...
ResponderEliminarQuero mais... Tou super curiosa para ver o próximo... Quero saber notícias do Ruben, da Maria e do pequenote Filipe...
Continua... Cada vez ta melhor...
Eu sei que o João não teve a melhor atitude com a Maria, ou melhor ele comportou-se como um autentico sacana, mas também não gosto de o ver assim, triste sozinho e ainda por cima doente. E vocês agora dizem "lá vem ela armada em madre teresa, toda sentimental e lamechas", é verdade, confirmo, sou mesmo sentimental e lamechas, e cortou-me o coração ver o desespero do JP naquele sonho, num delírio provocado pela febre. Ele já pagou bem caro pelo que fez, que foi perder a mulher que ama, mas pior do que isso é estar afastado do filho, não poder vê-lo quando quer, não o poder tocar e não o poder cheirar, acho que não há nada melhor do que um pai ou uma mãe sentir o cheiro da sua cria (não o digo por experiência própria mas por ter à minha volta amigos com filhos). É perfeitamente normal o medo do JP, de que um dia o seu filho chame pai a outro, outro que convive com ele todos os dias, que lhe dá mimo e amor, o que qualquer pai faria, e o maior medo do João é que o filho se esqueça dele, e confesso que chorei ao ler este desespero de um pai que o que mais quer é que o filho nunca se esqueça de quem é o seu verdadeiro pai.
ResponderEliminarA pior coisa que nos pode acontecer é ter um homem doente em casa, a maria sabe disso, e o JP aproveitou-se e muito bem da situação , acabou por ter uma desculpa para que a Maria também ficasse lá em casa. Adorei as fotos de pai e filho, esse é o melhor remédio que o João podia ter.
Continuo a dizer que não gosto da proximidade da Maria com o Rui, e já agora esta dra. Eva veio fazer o quê para Valência? Não há médicos em Espanha? Devia de ser proibido uma médica assim tão gira num clube com tanto homem, porque é que não mandaram uma já de cabelos brancos, desdentada e com rugas? aposto que assim a Maria não teria os pensamentos que teve, e que o João adivinhou na hora.
Esta história de serem só amigos agora tá na moda, porque o outro casalinho anda na mesma, eu espero mesmo é que eles se entendam, sei que não é para já porque vocês adoram fazer-nos sofrer, e aposto que o João ainda vai penar bastante com esta amiguinha do peito de seu nome Maria, quanto ao Rui, desejo-lhe um futuro promissor como treinador da seleção da Coreia do Norte e que fique bem longe da Maria e do Guigas, quanto à Dra Eva que se porte bem senão leva uma pica, e não se meta com o rapaz que já tem problemas que cheguem.
Quero muito ler o próximo, quero saber como andam as coisas com o outro casalinho, por isso meninas toca a dar corda aos dedinhos.
Ah! já me esquecia, adorei o capitulo, mas sabe-me sempre a pouco.Continuem
Beijocas
Fernanda
Olá!:)
ResponderEliminarBem este capitulo só veio comprovar aquilo que eu achava,que a Maria não deve ficar com o Rui pois há "alguém" certo para ele..e acho que já sabemos quem é lool
Espero pelo próximo!:P
Beijinhos
Rita
Para quando o próximo?
ResponderEliminarOlá!
ResponderEliminarNao tenho pequeninha nenhuma do Joao! Pronto... va, eu nao sou insensivel! Ja nao desejo que lhe passe um comboio por cima... So um camiao...e um ford fiesta...
Oh ele e que fez a merda e no fim a Maria ainda sofre! Ele que va pastar -.-
Espero que o Rui apanhe a Maria e que o Joao se entretenha com a Eva (eu nao sou ma! Simplesmente o joao...enerva-me! Grrrrrrr)
Espero o proximo, meninas!
Beso
Ana Santos