domingo, 27 de outubro de 2013

105 - "E se não quiser largar-te?... O que fazes? Bates, é?"

Ruben
Os dias têm passado, entre treinos e as visitas ao meu filho. O Filipe está cada dia mais bonito e felizmente está a ter uma evolução muito boa, neste momento está com o equivalente a 31 semanas e 4 dias ou seja 25 dias de vida e já pesa 1700g.
Hoje acordei animado, finalmente vou poder jogar, o mister resolveu apostar em mim para o onze inicial e por isso tudo farei para não desiludir, a verdade é que com tudo o que aconteceu nos últimos meses, esta época tem sido para esquecer.
Joguei os noventa minutos que terminaram com um empate a um golo, ainda assim estava contente porque a nível pessoal o jogo até correu bem. Despachei-me o mais rápido possível porque hoje o Sr. Manuel faz anos e convidou-me para jantar. Conduzi calmamente para casa dos pais da Mariana e quando lá cheguei já estavam todos reunidos, cumprimentei-os a todos e quando aproximei-me da Mariana para também a cumprimentar com os beijinhos da praxe
- Vamos jantar! - sem que contasse com tal reação por parte do meu amor, a Mariana tentou afastar-se
- Posso cumprimentar-te?! - agarrei-a pelo braço e apesar de ter a sua família toda a olhar-me não a larguei
- Chegasse mais cedo!
- Tive jogo... - tentei justificar-me
- Pois agora a desculpa é do jogo... - a Mari ripostou e depois saiu da sala
- O que é que lhe deu? - a Maria foi quem reagiu em primeiro
- Não sei mas vou já saber! - saí e fui procura-la, encontrei-a na cozinha - Posso saber o porque desta tua reação? - olhou-me
- Esquece... - suspirou
- Esqueço nada, o que se passa? Despachei-me o mais rápido que consegui...
- Engraçado... o jogo são noventa minutos com vá mais uns trinta para tomares banho e outros vinte para chegares cá dá cinquenta e nós já esperamos por sua excelência há mais de oitenta!
- Mas desde quando é que controlas os meus horários?
- Desde o momento que para a vossa excelência bajular as fãs eu fico à espera de sua alteza para jantar! - sorri porque a Mari estava com ciúmes
- Mesmo sério vais implicar com as miúdas?
- Até podem ser na sua maioria miúdas mas tens pelo menos duas que mais parecem abutres à espera para atacar e comer-te! - gargalhei
- Sério? Amor - falei sem pensar, talvez por perceber que estava ruída de ciúmes mas como falei também a Mariana interrompeu assim que percebeu o que disse
- Amor o tanas! O meu nome é Mariana! - resmungou - E são abutres sim!
- O que é que te deu para teres ciúmes das miúdas?
- Não são ciúmes!
- Ai não? - perguntei divertido mas a Mari não respondeu e saiu da cozinha possessa, deixando-me a mim a sorrir sozinho e quando reparei já tinha o seu pai olhar-me
- É impressão minha ou a conversa não correu bem?
- Mais ou menos… - respondi já a tentar abandonar a cozinha para evitar mais perguntas mas não tive sorte
- A minha filha tem falado comigo, logo sei o que se passa - olhei-o - por isso só te peço que tenhas cuidado para não magoares novamente a Mariana…
- Isso é a última coisa que quero… - suspirei - fiz tanta asneira que agora estou a pagar caro... - acabei por admitir e ao contrário do que esperava o seu pai sorriu
- Ruben diz-me a verdade - olhei-o - desde que a minha filha se reaproximou de ti porque percebeu que estavas a precisar de todo o apoio nunca se passou nada? - baixei o olhar
- Somos só amigos se é isso que quer saber, a sua filha não consegue confiar em mim, não acredita que a amo porque quem ama não trai e que apesar de ter terminado a relação antes de envolver-me com a Sofia para a Mari foi traição - sorriu - que foi?
- Se há dois anos falassem que estaria aqui a ter esta conversa contigo não acreditaria mas vocês são a prova viva de que quando o amor existe move montanhas - olhei-o confuso - Ruben o que quero dizer é que foi preciso ver a minha filha a sofrer por ti para perceber que vocês se amam, é verdade que tomaram decisões erradas em diversos momentos e que por isso estão separados mas esta separação só existe fisicamente porque emocionalmente continuam unidos e se queres que seja sincero duvido que alguma vez tenham estado tão unidos, o Filipe uniu-vos.
- Não percebo…
- Ruben, a Mariana ama-te tanto que nos últimos meses foi humilhada diversas vezes por ti e mesmo assim contínua do teu lado - baixei o olhar - O que quero dizer é que muito provavelmente a Mari recuou e não permite que te aproximes mais porque tem medo de te perder novamente, no entanto continua a desejar-te - olhei-o abismado, talvez por não esperar que fosse tão direto - e a querer outro tipo de mimos!
- Sinto-me perdido... - confessei de forma tão espontânea que o Sr. Manuel voltou a rir para depois ouvir algo que levou-me às lágrimas
- É normal, perdeste o rumo quando a minha filha abortou! Já percebi que te culpas por não teres estado do seu lado quando aconteceu e enquanto não te libertares dessa culpa não encontrarás o rumo. Ruben o teu maior erro não foi a Sofia, foi a forma como tentaste destruir o vosso amor, só conseguiste aumentar mais a vossa dor, se queres um conselho dá-lhe espaço, respeita a ritmo da Mariana porque se não te deixou de amar durante estes meses não será agora que o conseguirá… deixa acontecer naturalmente e aos poucos reconquistarás a sua confiança…
***
Depois do jantar aproveitei que a Mari estava a brincar com o nosso afilhado para aproximar-me
- Posso? - olhou-me
- Não tens mais nada de útil para fazeres?
- Tirando brincar com o meu afilhado e estar com a mulher que amo não!
- Ruben... - interrompi
- Esquece Mariana por muito que queiras afastar-te não vou deixar, nós merecemos uma nova oportunidade…
A Mariana não contra-argumentou e por isso fiz-lhe companhia, ainda que remetidos ao silêncio, ficamos bastante tempo sem abrir a boca até que resolvi fazê-lo
- Amanhã aparece no treino!
- Dá-me um bom motivo!
- Vês o treino, depois podemos lanchar e ainda marcas território...
- Ãh?
- O treino é aberto ao público.
- Não sou cadela para marcar território! - resmungou e levantou-se, voltei a segui-la e assim que entramos no seu antigo quarto
- Pois não - agarrei-a pela cintura e fi-la rodar o corpo de forma a ficar de frente para mim - és só aquela que quero do meu lado hoje e sempre - acariciei o seu rosto com a minha mão - Mariana não fujas ao que sentes.
- O que queres dizer com isso?
- Que a conversa com o teu pai - olhou-me admirada - serviu para perceber porquê que te afastaste nestes últimos dias... não estás a conseguir gerir as emoções, tal como sinto desejo por ti que também sentes por mim mas tens medo ou receio ou lá o que for, não queres entregar-te novamente a mim porque estás magoada e juro que percebo mas se não me deres a oportunidade de provar-te que agora já sei o que quero nunca seremos felizes juntos. Mariana não estou a pedir mais do que já tenho.
- Será que não entendes que ter-te constantemente de volta de mim deixa-me fragilizada? Que a continuar assim não sei se esta cena de sermos só amigos durará muito... porra és o único homem que amei, o único que enlouquece-me só com uns simples beijos - sorri ao ouvi-la a admitir - o único por quem consigo sentir desejo, o único que quero só para mim... quero-te do meu lado por inteiro e não às migalhas.
- Então porquê que foges?
- Porque apesar de tudo o que disse ser verdade, há uma verdade ainda maior - suspirou para olhar-me nos olhos - não confio em ti! Ruben quando não estás comigo a dúvida instala-se.
- Que duvida?
- Se estás ou não com outras - baixou o olhar - é por isso que ando a evitar-te, desculpa não tens culpa, o problema é meu mas não consigo deixar de sentir insegurança e nunca fui possessiva...
- Dá-me uma oportunidade para provar-te que podes confiar!
- Não! Ruben por muito que queira não consigo... desculpa mas não dá, não quando ainda está tudo tão presente - suspirou - amo-te mas há muito que só amor não chega...
- Estás a desistir da tua ou melhor da nossa felicidade?
- Não! Muito pelo contrário, estou a lutar por essa tal de felicidade!
- Não percebo...
- Ruben para ser feliz contigo primeiro tenho de ser feliz comigo mesma, preciso voltar a amar-me - engoli em seco as suas palavras - roubaste-me muita coisa e uma delas foi o amor-próprio... aos poucos e poucos conseguiste mudar-me e se por um lado agradeço pois deixei de ser aquela eterna adolescente inconsciente por outro odeio no que me tornaste... Ruben o meu maior erro foi abdicar do meu amor-próprio para te amar, aliás continua a ser o meu maior erro porque mais uma vez estou a magoar-me por não conseguir ignorar tudo aquilo porque estás a passar, mais uma vez estou a colocar-te em primeiro e enquanto isso não mudar, enquanto estiver assim tão dependente de ti nunca conseguirei voltar para ti, porque sei que nunca terei o discernimento suficiente para te dizer um NÃO quando houver algo que não concorde...
- Posso pelo menos ter esperança?!
- Não te vou responder a isso... a decisão será tua até porque não sei se algum dia conseguirei dar-te a resposta que tanto procuras e agora sai, quero ficar sozinha!
Respeitei o seu pedido e depois de me despedir saí do seu quarto, fui até à sala e despedi-me da sua família, usando a desculpa de estar cansado para justificar a minha saída.

Mariana
Cinco dias passaram desde o aniversário do meu pai e ando cada vez mais confusa, ainda assim não consigo deixar de falar com o Ruben, o meu amigo está cada dia mais feliz, também não é para menos, afinal o Filipe completa hoje trinta dias de vida. Cheguei ao hospital e assim que entrei na unidade de Neonatologia um sorriso enorme surgiu no meu rosto ao ser informada que o Filipe já não estava na incubadora.
Depressa fui ter com o Ruben que estava perdido em pensamentos enquanto olhava para o filho
- Oi… - falei assim que aproximei-me dele
- Olá… como é que estás? - falou sem retirar os olhos do Filipe
- Bem… e tu? Não devias estar feliz por o meu afilhado já não estar na incubadora?
- E estou muito feliz mas também estou preocupado…
- Então?
- Não vês… o Filipe está agitado e não há nada que o faça acalmar… tenho medo que esteja a sentir alguma coisa…
- Os bebés não são eternamente anjinhos - instintivamente abracei o Ruben, o meu amigo estava mesmo abatido e assim que o fiz olhou-me o que foi suficiente para voltamos a perdemo-nos nos olhos um do outro e só saímos do transe em que estávamos quando o menino se voltou a mexer, de facto estava agitado
- Oh filho… - suspirou
- Porquê que não lhe pegas, pode ser que acalme…
- Já o fiz mas não adiantou…
- Ah… ok…
- Mas se quiseres tentar…
- Eu?! Se tu que és pai não o consegues acalmar sou eu que o vou conseguir…
- Não custa tentar… além disso o Filipe adora-te!
Acabei por ceder ao pedido do Ruben até porque também já tinha saudades de pegar no meu anjinho. Estava com o menino nos meus braços a tentar acalma-lo quando o Ruben se aproximou, o que fragilizou-me pois estava demasiado perto de mim, tanto que sentia a sua respiração na minha cara. Ficamos os dois simplesmente a observar o menino que por incrível que pareça acalmou. Estava maravilhada a olhar para o Filipe que só reparei que o Ruben tinha tirado uma foto quando o meu telemóvel deu sinal de notificação do instagram e após retira-lo do bolso das calças foi impossível não sorrir ao ver o que tinha feito

@Rubenamorim_ Olá... sou o Filipe e faz hoje trinta dias que nasci! E para comemorar o dia pude finalmente deixar aquela “casinha transparente” que tanto me ajudou... mas como hoje só deram boas notícias ao meu papá resolvi brincar um pouco com ele e fiz birra quando pegou em mim ao colo... deixei o papá preocupado mas depois chegou a madrinha @Marianamendes e assim que pegou em mim fiquei logo muito contente...
@Marianamendes_ @Rubenamorim estás cheio de piada... mas pronto hoje tens desculpa afinal é mesmo um dia que merece ser recordado para todo o sempre... ah e tenho muito orgulho no afilhado que me arranjaste :P
Respondi e voltei a colocar o telemóvel do bolso, preferi ficar a babar no pequenino do que entrar por caminhos perigosos. O Filipe acabou por adormecer e por isso deitei-o no seu berço, só voltei a pegar no menino quando o momento de lhe dar o biberão chegou, o Ruben permitiu que fosse eu a dar e confesso que ao início tive algum receio, pois o Filipe ainda não se adaptou completamente ao biberão.
O momento que se seguiu foi de pavor, tive mesmo receio que o menino se engasgasse mas acabou por correr tudo bem e concluí a minha tarefa com sucesso ao coloca-lo para arrotar, no entanto foi o Ruben quem lhe trocou a fralda, algo que deixou-me maravilhada, pois o meu amigo é finalmente um pai por inteiro.
Ficamos ainda algum tempo a ver o Filipe mas quando me queixei com fome acabamos por sair para jantar num restaurante junto ao rio Tejo e aproveitamos a noite para metermos a conversa em dia, tudo corria bem até ao momento que o Ruben me pediu ajuda para preparar o quarto do Filipe
- Para quê que queres um quarto todo pipi?
- Então o menino merece ter o seu espaço e se tenho possibilidades financeiras para lhe decorar o quarto, não percebo porquê que não o posso fazer…
- A questão não é essa…
- Então?
- O Filipe ainda é muito pequenino logo convém que durma no teu quarto ou então vais passar a noite em pé para o veres, logo não precisas decorar já o quarto…
- Estou a ponderar contratar alguém para cuidar do Filipe - olhei-o abismada - que foi?
- Vais deixar o teu filho entregue a alguém que não conheces?
- Sabes bem que infelizmente não tenho horários para ser pai a tempo inteiro…
- Ah e por isso vais contratar uma flana qualquer para ficar com o teu filho noite e dia! - falei sem medir bem as palavras e por isso o Ruben facilmente me apanhou
- É impressão minha ou estás novamente com ciúmes…
- Ciúmes? Estás louco! - atirei quando já estávamos a chegar junto do seu carro
- São ciúmes sim… conheço-te…
- Não é nada disso! Só acho que se és pai deves cuidar do teu filho!
- Hum… Hum… - sorriu para depois abrir a porta do lado do pendura para que entrasse

Ruben
Depois dos momentos partilhados com a Mari no hospital, bem como durante o jantar, onde o meu amor deixou durante minutos os ciúmes virem ao de cima acabei por levá-la até casa.
- Queres subir?
- Hum… pode ser!
Perdemos a noção das horas pois metemo-nos à conversa e quando vimos já era tardíssimo, talvez por isso tenha dito para ficar a dormir no quarto de hóspedes, algo que aceitei.
Acordei durante a madrugada e não resisti em ir até ao seu quarto, abri a porta e vi a Mariana agitada, acabei por aproximar-me e assim que deitei-me do seu lado, a razão do meu viver, sossegou o que fez-me sorrir, pelo menos enquanto dorme a sua consciência não prevalece ao coração, a Mariana acabou por se aconchegar no meu corpo, o que fez com que pouco ou nada tenha dormido com receio que quando acordasse e verificasse que estava do seu lado e ainda para mais a dormir em conchinha com ela fosse ficar chateada.
- Bom dia – a Mariana falou ao entrar na cozinha
- Dormiste bem?
- Sim...
- Que sim mais estranho foi esse? – olhou por uns segundos
- Ah... é que...
- É que?! – insisti, a Mariana estava estranha
- Nós dormimos juntos? – parei de cortar o pão e olhei
- Se com juntos queres dizer na mesma cama e abraçados, sim dormimos - preferi a verdade à mentira até porque corria o risco de mentir e ela se recordar - desculpa sem que abusei mas não resisti em deitar-me ao teu lado...
- Obrigada – sorriu e depois deu-me um beijinho no rosto, o que deixou-me admirado
- Estás a agradecer o quê? – olhou-me
- O não teres mentido...
- Meteste-me à prova? – sorriu – Mas isso quer dizer que te recordas... mas tavas a dormir...
- Quando foste ao quarto estava acordada mas não tive coragem para o demonstrar...
- Então isso quer dizer que...
- Sim, quer dizer que dormi o resto da noite em conchinha contigo porque quis, porque já tinha saudades de dormir aconchegada, de sentir o teu respirar conta o meu corpo – baixou o olhar – desculpa sei que com estas minhas atitudes te estou a dar esperanças mas sinto falta destes pequenos momentos - sem que nada o previsse começou a chorar
- Pshiu anda cá – abracei-a – tem calma... sempre que precisares estou aqui... e não te preocupes com as falsas esperanças – fi-la olhar para mim – estás a ser sincera, sei que não é por dormirmos abraçados que voltaremos ao que eramos...
- Tenho medo de estar a desperdiçar o que pode ser a nossa última oportunidade, - foi impossível não sorrir ao ouvi-la - sei que são mais as vezes que recuo do que as que avanço mas só o faço por ter receio do incerto, do desconhecido, do futuro... só sei que o presente está a ser maravilhoso mas que não consigo vivê-lo na plenitude porque este medo que sinto não permite - as lágrimas apareceram - e por isso mesmo talvez o melhor é afastar-me, não quero magoar-te ainda mais e sinto que é isso que acontecerá se mantivermos esta proximidade, Ruben estar do teu lado começa a ser tortura, tenho vontade de beijar-te mas a minha consciência não deixa, o meu lado racional assim o impede...
- Deixa o lado racional... vive simplesmente!
- Não Ruben! Estás a pedir o impossível porque é este lado racional que me mantém viva, é este lado racional que faz-me pensar primeiro em mim por isso não o posso ignorar, já o fiz no passado e acabei por sofrer…
- Então usa esse lado racional para equilibrar a balança - olhou-me sem entender - Mariana se decidires manter-te afastada de mim vou respeitar mas garanto que vou reconquistar tudo o que perdi por estupidez, vou provar-te que o nosso amor é muito mais forte do que julgas... - interrompeu-me
- Não dificultes - implorou
- Não estou a dificultar... estou a dar-te duas opções, a primeira é fugires ao que sentimos e a outra é deixares que continue do teu lado a provar-te dia após dia que aprendi com os meus erros.
- A segunda não é opção... é tortura!
- E a primeira é o quê? Vais dizer que tens aí algures um botão no teu coração que consegues desligar e esquecer que amas-me? Que me desejas? Que sentes falta das minhas carícias, dos meus beijos e me teres perto de ti... É que se tiveres diz-me onde é, pode ser que também o tenha e só ainda não o descobri, porque garanto-te que o que me mata neste momento é o receio que optes por fugir e não os olhares, os abraços, as carícias… tudo isto é o que dá-me forças para sair da cama todos os dias, para treinar, jogar, mas acima de tudo para querer viver...
- Tenho que me afastar! - falou decidida
- Podes tentar mas não deixarei! Mariana cometi esse erro no passado e olha só no que deu... só serviu para sofrermos os dois...
- Não percebes que a cada dia que passo do teu lado fico mais fragilizada - interrompi
- Isso é bom... é sinal que o dia que voltarei a ter-te por completo está mais próximo, nós voltaremos a ser felizes juntos mas para isso é necessário que deixes, não penses no amanhã, vive o presente!
- Não consigo... nós já começamos e terminamos tanta vez...
- Mariana podes dificultar ao máximo e juro que entendo porque tenho consciência que magoei-te muito mas não vou desistir de ti e conseguirei fazer com que percas esse medo estúpido - dei-lhe um beijo no rosto - e agora vamos comer…
A Mariana não respondeu, olhou-me só por uns segundos e foi-se sentar à espera que terminasse de torrar o pão para comermos. Os minutos seguintes foram de silêncio total, a Mariana estava perdida em pensamentos e não quis interrompe-la e quando terminou de comer seguimos para o hospital.

Mariana
O Ruben ter admitido que dormimos abraçados tranquilizou-me, ainda assim as palavras que trocamos ao pequeno-almoço deixaram-me ainda mais confusa, a verdade é que cada dia que passa as saudades são maiores e mesmo já tendo chorado e sofrido bastante por sua culpa não o consigo esquecer…
Depois do pequeno-almoço fomos diretos ao hospital, o Ruben quis ver o filho antes do treino e confesso que também já estava com saudades daquele anjinho, por isso mesmo aceitei o seu convite e acompanhei-o, uma vez que hoje não trabalho.
- Agora que já vimos o Filipe o que dizes em acompanhar-me ao treino?
- Aceito! - o Ruben sorriu - Já tenho saudades de implicar com alguns dos teus colegas de balneário…
O Ruben esmoreceu um pouco, talvez por ter percebido que não era por ele que ia assistir ao treino, no entanto fomos até ao Seixal sempre na conversa e só a interrompemos quando teve que entrar para se equipar.
Vi o treino todo sossegada no meu canto e foi quando já estava a caminhar para junto do carro do Ruben percebi que estava a ser observada mas não parei, muito pelo contrário, fingi que não tinha reparado e continuei caminho até junto do seu carro, felizmente não tive que esperar quase nada, pois quando dei por mim já o Ruben estava com os seus lábios colados à minha bochecha direita, o que despertou a curiosidade dos adeptos que por ali circulavam e quando o Ruben parou o carro para os “famosos” autógrafos mais uma vez senti-me a ser observada.

Ruben
Acordar e ouvir a Mariana a admitir que se dormimos juntos foi porque ela assim o quis deixou-me com certezas que se continuar a ter calma conseguirei provar que podemos ser felizes juntos, foi essa certeza que me fez convidá-la para assistir ao treino e depois para almoçar comigo, algo que aceitou e por isso fomos até ao meu apartamento.
Preparamos algo rápido para o almoço e comemos na sala, literalmente de prato na mão, algo que o meu amor adora fazer. Almoçamos com alguma conversa à mistura e outras tantas risadas que nos acompanharam até quando fomos arrumar a cozinha
- Deixa que lavo a loiça!
- Era só o que mais faltava!
- Deixa de ser chato!
A Mariana estava numa de ateimar mas como também não estava numa de facilitar acabei por abraça-la para a retirar da cozinha e assim que o fiz
- Larga-me! - ouvi-la a pedir de forma mais tensa fez-me perceber que aquele simples abraço a afetou mais do que seria suposto, talvez por isso deixei de agir com racionalidade e
- E se não quiser largar-te? - virei-a para mim - O que fazes? Bates, é? - suspirou profundamente o que arruinou com o pouco autocontrolo que ainda tinha - caramba amo-te e sinto saudades tuas, dos teus beijos, dos carinhos, de tudo...
A Mariana não respondeu, ficamos simplesmente a olharmo-nos intensamente durante alguns segundos e sem que esperasse a Mariana tomou a liberdade de beijar-me

- Também tenho saudades tuas, dos teus beijos, dos carinhos, de tudo...

E agora? Irá a Mariana se arrepender do beijo e do desabafo final?

12 comentários:

  1. Olá!
    Jasus a Mari bem tenta mas está dificil controlar o tal coraçao que nao tem botao de desligar!
    Isto de ver a Mariana outra vez com ciumes e a embirrar com as fas tem a sua piada!
    E estas "discussoes"? Tenho sempre a sensaçao que o Ruben acaba por as "ganhar".
    E este ultimo momento...o beijo mas tambem este desabafo da Mari deixou-me mesmo mesmo mesmo com vontade de te matar por nao teres posto mais dois ou tres paragrafos a seguir!!!
    Quero o proximo!

    Beso
    Ana Santos

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  2. Fantástico...

    Quero mais... Tou super curiosa para ver o próximo...

    Continua...

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  3. Olá! :)
    Gostei muito de ver a Mariana cheia de ciumes foi de morte xD mas espero que não se arrependa destes beijos.
    Ela que deixe o mau humor de parte e admita de uma vez por todas o que sente pelo Rúben.:P
    Quero mais!
    Beijinhos

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  4. Sei q não comento muito a fanfic de vocês, se duvidar essa é a segunda vez, mas uma coisa eu tenho a dizer ela já se tornou essencial para a minha vida, todo dia eu entro aqui pra ver se tem capítulo novo, enfim AMO!
    Mas voltando o assunto, não vejo a hora da Mari voltar com o Rubem, não vejo o problema se eles se amam... E quero novidades da Maria e do João, o que será que ele falou, quero as MM's feliz com seus amores...
    E agora vou falar uma novidade... EU AMO A VOSSA FANFIC!!!!
    OBS: Ela tá fazendo sucesso aqui no Brasil, com as minhas amigas ;)
    Beijos e quero o próximo!

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  5. Olhó capitulo fofinho :D
    Tá tão giro este capítulo, ciúmes, amor, amizade, bebé, desejo, dormir de conchinha, beijinhos, beijões, palavras fofas, palavras duras (também é preciso), briguinhas, romance.
    Foi um capitulo fofinho não tenho mais nada a dizer.
    Ou tenho, só mais um, SÓ mais um, SÓ MAIS um, SÓ MAIS UM :D
    Beijinhos
    PatríciaQ

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  6. lindo, mágico !!!
    mais disto pleaseeee... adorei
    eles ja mereciam :)

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  7. Mais uma vez um capitulo fofinho, cheio de emoção e de muito amor. Amor, é este o sentimento que une estes dois e que ao mesmo tempo os separa, cada dia que passa é mais difícil para a Mariana estar perto do Ruben por isso afasta-se e para o Ruben é mais difícil estar longe da Mari, porque ela é a outra metade do seu coração, e para ele funcionar bem e não entrar em colapso tem que ter as duas metades juntinhas, unidas. É esta a sina deles, um jogo do gato e do rato, e é isso que torna esta história tão emocionante, e agora ainda mais com a vinda do Filipe, porque este pequeno ser conseguiu o prodígio de os juntar, o que tantos tentarem e sem sucesso ele conseguiu. Tá a ficar um homenzinho, afinal já tem 1,700kg, para um bebé prematuro é uma vitória, adorei a preocupação do Ruben porque ele estava agitado, o puto é pequenino mas já sabe muito, o que ele tinha era saudades do colinho da mãe, desculpa enganei-me, da madrinha, e para quê contratar uma ama se pode ter a madrinha sempre com ele de dia e de noite, é só ela querer. Tal como o Filipe precisa do colinho da Madrinha a Mari também precisa do colinho do Ruben, e afinal tava acordadinha e fingiu que dormia, também sabes muito Mariana Mendes, por muito que não queiras o teu amor pelo Ruben trai-te sempre, é muito mais forte do que tu.
    Adorei os ciúmes da Mari, mas ela tem razão, tem que ter cuidado com as fãs porque elas podem querer esticar-se, e é sempre bom ter tudo controlado, quem delirou com a crise de ciumes foi o Ruben.
    Apesar de achar que isto não são maneiras de se terminar um capitulo, ao menos acabou num momento emocionante e caliente, e espero que a Mari não se arrependa e que finalmente comece a perder esse medo que a impede de ser feliz com o homem que ama. Já chega de sofrimento, acho que devem viver um dia de cada vez, sem medos, mas juntos, porque eles precisam desesperadamente um do outro.
    Quero muito o próximo, adorei, e continuem porque a cada episódio que leio adoro mais esta história.

    Beijocas

    Fernanda

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  8. Ai ceus!!!!! Medo!!!! Espero que este dois atinem ;)
    Adoro!!!! Quero mais ;)
    Beijinhos

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  9. Quando postam?
    Digam alguma coisa. Entendo que tem vida para além disto mas gostava de ler o próximo, quero novidades do João e da Maria, bem como se a Mariana recua ou não.

    Vá digam lá se têm alguma previsão para quando publicam o próximo.

    Obrigada

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  10. finalmente!!! depois de 3 tentativas de ler o capitulo até ao fim, consegui hoje por a leitura em dia!!!
    mas bem...em relaçao ao capitulo, este momento já tinha que chegar e à muito! a Mariana que deixe de ser racional e perdoe lá o moço! coitado, ele agora precisa de alguem do lado dele e tudo! xD
    mas já merecem ficar juntos, sem duvida!!
    e agora, que no proximo a Mariana nao se arrependa do beijo e que fiquem juntos, sim??
    fico à espera!
    beijos! :)

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  11. Owh! Não aguento! Tenho de ir ler o próximo!
    Lol
    Bjs

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