Ruben
Os dias têm
passado, entre treinos e as visitas ao meu filho. O Filipe está cada dia mais
bonito e felizmente está a ter uma evolução muito boa, neste momento está com o
equivalente a 31 semanas e 4 dias ou seja 25 dias de vida e já pesa 1700g.
Hoje acordei
animado, finalmente vou poder jogar, o mister resolveu apostar em mim para o
onze inicial e por isso tudo farei para não desiludir, a verdade é que com tudo
o que aconteceu nos últimos meses, esta época tem sido para esquecer.
Joguei os noventa
minutos que terminaram com um empate a um golo, ainda assim estava contente
porque a nível pessoal o jogo até correu bem. Despachei-me o mais rápido
possível porque hoje o Sr. Manuel faz anos e convidou-me para jantar. Conduzi
calmamente para casa dos pais da Mariana e quando lá cheguei já estavam todos
reunidos, cumprimentei-os a todos e quando aproximei-me da Mariana para também
a cumprimentar com os beijinhos da praxe
- Vamos jantar! - sem que contasse com tal reação por parte do meu amor, a Mariana
tentou afastar-se
- Posso cumprimentar-te?! - agarrei-a pelo braço e apesar de ter a sua
família toda a olhar-me não a larguei
- Chegasse mais cedo!
- Tive jogo... - tentei justificar-me
- Pois agora a desculpa é do jogo... - a Mari ripostou e depois saiu da sala
- O que é que lhe deu? - a Maria foi quem reagiu em primeiro
- Não sei mas vou já saber! - saí e fui procura-la, encontrei-a na cozinha - Posso saber o porque desta tua reação? -
olhou-me
- Esquece... - suspirou
- Esqueço nada, o que se passa? Despachei-me o
mais rápido que consegui...
- Engraçado... o jogo são noventa minutos com vá
mais uns trinta para tomares banho e outros vinte para chegares cá dá cinquenta
e nós já esperamos por sua excelência há mais de oitenta!
- Mas desde quando é que controlas os meus
horários?
- Desde o momento que para a vossa excelência
bajular as fãs eu fico à espera de sua alteza para jantar! - sorri porque a Mari estava com ciúmes
- Mesmo sério vais implicar com as miúdas?
- Até podem ser na sua maioria miúdas mas tens
pelo menos duas que mais parecem abutres à espera para atacar e comer-te! - gargalhei
- Sério? Amor - falei sem pensar, talvez por perceber que estava ruída de ciúmes
mas como falei também a Mariana interrompeu assim que percebeu o que disse
- Amor o tanas! O meu nome é Mariana! - resmungou - E são abutres sim!
- O que é que te deu para teres ciúmes das
miúdas?
- Não são ciúmes!
- Ai não? - perguntei divertido mas a Mari não respondeu e saiu da cozinha
possessa, deixando-me a mim a sorrir sozinho e quando reparei já tinha o seu
pai olhar-me
- É impressão minha ou a conversa não correu bem?
- Mais ou menos… - respondi já a tentar abandonar a cozinha para
evitar mais perguntas mas não tive sorte
- A minha filha tem falado comigo, logo sei o que
se passa - olhei-o - por isso só te peço que tenhas cuidado para não magoares novamente a
Mariana…
- Isso é a última coisa que quero… - suspirei - fiz
tanta asneira que agora estou a pagar caro... - acabei por admitir e ao
contrário do que esperava o seu pai sorriu
- Ruben diz-me a verdade - olhei-o - desde
que a minha filha se reaproximou de ti porque percebeu que estavas a precisar
de todo o apoio nunca se passou nada? - baixei o olhar
- Somos só amigos se é isso que quer saber, a sua
filha não consegue confiar em mim, não acredita que a amo porque quem ama não
trai e que apesar de ter terminado a relação antes de envolver-me com a Sofia
para a Mari foi traição - sorriu - que foi?
- Se há dois anos falassem que estaria aqui a ter
esta conversa contigo não acreditaria mas vocês são a prova viva de que quando
o amor existe move montanhas - olhei-o
confuso - Ruben o que quero dizer é que
foi preciso ver a minha filha a sofrer por ti para perceber que vocês se amam,
é verdade que tomaram decisões erradas em diversos momentos e que por isso
estão separados mas esta separação só existe fisicamente porque emocionalmente
continuam unidos e se queres que seja sincero duvido que alguma vez tenham
estado tão unidos, o Filipe uniu-vos.
- Não percebo…
- Ruben, a Mariana ama-te tanto que nos últimos
meses foi humilhada diversas vezes por ti e mesmo assim contínua do teu lado - baixei o olhar - O que quero dizer é que muito provavelmente a Mari recuou e não permite
que te aproximes mais porque tem medo de te perder novamente, no entanto
continua a desejar-te - olhei-o abismado, talvez por não esperar que fosse
tão direto - e a querer outro tipo de
mimos!
- Sinto-me perdido... - confessei de forma tão espontânea que o Sr.
Manuel voltou a rir para depois ouvir algo que levou-me às lágrimas
- É normal, perdeste o rumo quando a minha filha
abortou! Já percebi que te culpas por não teres estado do seu lado quando
aconteceu e enquanto não te libertares dessa culpa não encontrarás o rumo.
Ruben o teu maior erro não foi a Sofia, foi a forma como tentaste destruir o
vosso amor, só conseguiste aumentar mais a vossa dor, se queres um conselho
dá-lhe espaço, respeita a ritmo da Mariana porque se não te deixou de amar
durante estes meses não será agora que o conseguirá… deixa acontecer
naturalmente e aos poucos reconquistarás a sua confiança…
***
Depois do jantar
aproveitei que a Mari estava a brincar com o nosso afilhado para aproximar-me
- Posso? - olhou-me
- Não tens mais nada de útil para fazeres?
- Tirando brincar com o meu afilhado e estar com
a mulher que amo não!
- Ruben... - interrompi
- Esquece Mariana por muito que queiras
afastar-te não vou deixar, nós merecemos uma nova oportunidade…
A Mariana não
contra-argumentou e por isso fiz-lhe companhia, ainda que remetidos ao
silêncio, ficamos bastante tempo sem abrir a boca até que resolvi fazê-lo
- Amanhã aparece no treino!
- Dá-me um bom motivo!
- Vês o treino, depois podemos lanchar e ainda
marcas território...
- Ãh?
- O treino é aberto ao público.
- Não sou cadela para marcar território! - resmungou e levantou-se, voltei a segui-la e
assim que entramos no seu antigo quarto
- Pois não - agarrei-a pela cintura e fi-la rodar o corpo de forma a ficar de
frente para mim - és só aquela que quero
do meu lado hoje e sempre - acariciei o seu rosto com a minha mão - Mariana não fujas ao que sentes.
- O que queres dizer com isso?
- Que a conversa com o teu pai - olhou-me admirada - serviu para perceber porquê que te afastaste nestes últimos dias... não
estás a conseguir gerir as emoções, tal como sinto desejo por ti que também
sentes por mim mas tens medo ou receio ou lá o que for, não queres entregar-te
novamente a mim porque estás magoada e juro que percebo mas se não me deres a
oportunidade de provar-te que agora já sei o que quero nunca seremos felizes
juntos. Mariana não estou a pedir mais do que já tenho.
- Será que não entendes que ter-te constantemente
de volta de mim deixa-me fragilizada? Que a continuar assim não sei se esta
cena de sermos só amigos durará muito... porra és o único homem que amei, o
único que enlouquece-me só com uns simples beijos - sorri ao ouvi-la a admitir - o único por quem consigo sentir desejo, o
único que quero só para mim... quero-te do meu lado por inteiro e não às
migalhas.
- Então porquê que foges?
- Porque apesar de tudo o que disse ser verdade,
há uma verdade ainda maior - suspirou para
olhar-me nos olhos - não confio em ti!
Ruben quando não estás comigo a dúvida instala-se.
- Que duvida?
- Se estás ou não com outras - baixou o olhar - é por isso que ando a evitar-te, desculpa não tens culpa, o problema é
meu mas não consigo deixar de sentir insegurança e nunca fui possessiva...
- Dá-me uma oportunidade para provar-te que podes
confiar!
- Não! Ruben por muito que queira não consigo...
desculpa mas não dá, não quando ainda está tudo tão presente - suspirou - amo-te mas há muito que só amor não chega...
- Estás a desistir da tua ou melhor da nossa
felicidade?
- Não! Muito pelo contrário, estou a lutar por
essa tal de felicidade!
- Não percebo...
- Ruben para ser feliz contigo primeiro tenho de
ser feliz comigo mesma, preciso voltar a amar-me - engoli em seco as suas palavras - roubaste-me muita coisa e uma delas foi o amor-próprio...
aos poucos e poucos conseguiste mudar-me e se por um lado agradeço pois deixei
de ser aquela eterna adolescente inconsciente por outro odeio no que me tornaste...
Ruben o meu maior erro foi abdicar do meu amor-próprio para te amar, aliás
continua a ser o meu maior erro porque mais uma vez estou a magoar-me por não
conseguir ignorar tudo aquilo porque estás a passar, mais uma vez estou a
colocar-te em primeiro e enquanto isso não mudar, enquanto estiver assim tão
dependente de ti nunca conseguirei voltar para ti, porque sei que nunca terei o
discernimento suficiente para te dizer um NÃO quando houver algo que não
concorde...
- Posso pelo menos ter esperança?!
- Não te vou responder a isso... a decisão será
tua até porque não sei se algum dia conseguirei dar-te a resposta que tanto
procuras e agora sai, quero ficar sozinha!
Respeitei o seu
pedido e depois de me despedir saí do seu quarto, fui até à sala e despedi-me
da sua família, usando a desculpa de estar cansado para justificar a minha
saída.
Mariana
Cinco dias
passaram desde o aniversário do meu pai e ando cada vez mais confusa, ainda
assim não consigo deixar de falar com o Ruben, o meu amigo está cada dia mais
feliz, também não é para menos, afinal o Filipe completa hoje trinta dias de
vida. Cheguei ao hospital e assim que entrei na unidade de Neonatologia um
sorriso enorme surgiu no meu rosto ao ser informada que o Filipe já não estava
na incubadora.
Depressa fui ter
com o Ruben que estava perdido em pensamentos enquanto olhava para o filho
- Oi… - falei assim
que aproximei-me dele
- Olá… como é que estás? - falou sem retirar os olhos do Filipe
- Bem… e tu? Não devias estar feliz por o meu
afilhado já não estar na incubadora?
- E estou muito feliz mas também estou
preocupado…
- Então?
- Não vês… o Filipe está agitado e não há nada
que o faça acalmar… tenho medo que esteja a sentir alguma coisa…
- Os bebés não são eternamente anjinhos - instintivamente abracei o Ruben, o meu amigo
estava mesmo abatido e assim que o fiz olhou-me o que foi suficiente para
voltamos a perdemo-nos nos olhos um do outro e só saímos do transe em que
estávamos quando o menino se voltou a mexer, de facto estava agitado
- Oh filho… - suspirou
- Porquê que não lhe pegas, pode ser que acalme…
- Já o fiz mas não adiantou…
- Ah… ok…
- Mas se quiseres tentar…
- Eu?! Se tu que és pai não o consegues acalmar
sou eu que o vou conseguir…
- Não custa tentar… além disso o Filipe adora-te!
Acabei por ceder
ao pedido do Ruben até porque também já tinha saudades de pegar no meu anjinho.
Estava com o menino nos meus braços a tentar acalma-lo quando o Ruben se
aproximou, o que fragilizou-me pois estava demasiado perto de mim, tanto que
sentia a sua respiração na minha cara. Ficamos os dois simplesmente a observar
o menino que por incrível que pareça acalmou. Estava maravilhada a olhar para o
Filipe que só reparei que o Ruben tinha tirado uma foto quando o meu telemóvel
deu sinal de notificação do instagram e após retira-lo do bolso das calças foi
impossível não sorrir ao ver o que tinha feito
@Rubenamorim_ Olá... sou o Filipe e
faz hoje trinta dias que nasci! E para comemorar o dia pude finalmente deixar
aquela “casinha transparente” que tanto me ajudou... mas como hoje só deram
boas notícias ao meu papá resolvi brincar um pouco com ele e fiz birra quando pegou
em mim ao colo... deixei o papá preocupado mas depois chegou a madrinha
@Marianamendes e assim que pegou em mim fiquei logo muito contente...
@Marianamendes_ @Rubenamorim estás
cheio de piada... mas pronto hoje tens desculpa afinal é mesmo um dia que
merece ser recordado para todo o sempre... ah e tenho muito orgulho no afilhado
que me arranjaste :P
Respondi e voltei
a colocar o telemóvel do bolso, preferi ficar a babar no pequenino do que
entrar por caminhos perigosos. O Filipe acabou por adormecer e por isso
deitei-o no seu berço, só voltei a pegar no menino quando o momento de lhe dar
o biberão chegou, o Ruben permitiu que fosse eu a dar e confesso que ao início
tive algum receio, pois o Filipe ainda não se adaptou completamente ao biberão.
O momento que se
seguiu foi de pavor, tive mesmo receio que o menino se engasgasse mas acabou
por correr tudo bem e concluí a minha tarefa com sucesso ao coloca-lo para
arrotar, no entanto foi o Ruben quem lhe trocou a fralda, algo que deixou-me
maravilhada, pois o meu amigo é finalmente um pai por inteiro.
Ficamos ainda
algum tempo a ver o Filipe mas quando me queixei com fome acabamos por sair
para jantar num restaurante junto ao rio Tejo e aproveitamos a noite para
metermos a conversa em dia, tudo corria bem até ao momento que o Ruben me pediu
ajuda para preparar o quarto do Filipe
- Para quê que queres um quarto todo pipi?
- Então o menino merece ter o seu espaço e se
tenho possibilidades financeiras para lhe decorar o quarto, não percebo porquê
que não o posso fazer…
- A questão não é essa…
- Então?
- O Filipe ainda é muito pequenino logo convém
que durma no teu quarto ou então vais passar a noite em pé para o veres, logo
não precisas decorar já o quarto…
- Estou a ponderar contratar alguém para cuidar
do Filipe - olhei-o abismada - que foi?
- Vais deixar o teu filho entregue a alguém que
não conheces?
- Sabes bem que infelizmente não tenho horários
para ser pai a tempo inteiro…
- Ah e por isso vais contratar uma flana qualquer
para ficar com o teu filho noite e dia! - falei sem medir bem as palavras e por isso o Ruben facilmente me
apanhou
- É impressão minha ou estás novamente com
ciúmes…
- Ciúmes? Estás louco! - atirei quando já estávamos a chegar junto do
seu carro
- São ciúmes sim… conheço-te…
- Não é nada disso! Só acho que se és pai deves
cuidar do teu filho!
- Hum… Hum… - sorriu para depois abrir a porta do lado do pendura para que
entrasse
Ruben
Depois dos
momentos partilhados com a Mari no hospital, bem como durante o jantar, onde o
meu amor deixou durante minutos os ciúmes virem ao de cima acabei por levá-la
até casa.
- Queres subir?
- Hum… pode ser!
Perdemos a noção
das horas pois metemo-nos à conversa e quando vimos já era tardíssimo, talvez
por isso tenha dito para ficar a dormir no quarto de hóspedes, algo que
aceitei.
Acordei durante a
madrugada e não resisti em ir até ao seu quarto, abri a porta e vi a Mariana
agitada, acabei por aproximar-me e assim que deitei-me do seu lado, a razão do
meu viver, sossegou o que fez-me sorrir, pelo menos enquanto dorme a sua
consciência não prevalece ao coração, a Mariana acabou por se aconchegar no meu
corpo, o que fez com que pouco ou nada tenha dormido com receio que quando
acordasse e verificasse que estava do seu lado e ainda para mais a dormir em
conchinha com ela fosse ficar chateada.
- Bom dia – a Mariana falou ao entrar na cozinha
- Dormiste bem?
- Sim...
- Que sim mais estranho foi esse? – olhou por uns segundos
- Ah... é que...
- É que?! – insisti, a Mariana estava estranha
- Nós dormimos juntos? – parei de cortar o pão e olhei
- Se com juntos queres dizer na mesma cama e
abraçados, sim dormimos - preferi a
verdade à mentira até porque corria o risco de mentir e ela se recordar - desculpa sem que abusei mas não resisti em
deitar-me ao teu lado...
- Obrigada – sorriu e depois deu-me um beijinho no rosto, o que deixou-me
admirado
- Estás a agradecer o quê? – olhou-me
- O não teres mentido...
- Meteste-me à prova? – sorriu – Mas
isso quer dizer que te recordas... mas tavas a dormir...
- Quando foste ao quarto estava acordada mas não
tive coragem para o demonstrar...
- Então isso quer dizer que...
- Sim, quer dizer que dormi o resto da noite em
conchinha contigo porque quis, porque já tinha saudades de dormir aconchegada,
de sentir o teu respirar conta o meu corpo – baixou o olhar – desculpa
sei que com estas minhas atitudes te estou a dar esperanças mas sinto falta
destes pequenos momentos - sem que nada o previsse começou a chorar
- Pshiu anda cá – abracei-a – tem calma... sempre
que precisares estou aqui... e não te preocupes com as falsas esperanças –
fi-la olhar para mim – estás a ser
sincera, sei que não é por dormirmos abraçados que voltaremos ao que eramos...
- Tenho medo de estar a desperdiçar o que pode
ser a nossa última oportunidade, - foi impossível
não sorrir ao ouvi-la - sei que são mais
as vezes que recuo do que as que avanço mas só o faço por ter receio do
incerto, do desconhecido, do futuro... só sei que o presente está a ser
maravilhoso mas que não consigo vivê-lo na plenitude porque este medo que sinto
não permite - as lágrimas apareceram -
e por isso mesmo talvez o melhor é afastar-me, não quero magoar-te ainda mais e
sinto que é isso que acontecerá se mantivermos esta proximidade, Ruben estar do
teu lado começa a ser tortura, tenho vontade de beijar-te mas a minha
consciência não deixa, o meu lado racional assim o impede...
- Deixa o lado racional... vive simplesmente!
- Não Ruben! Estás a pedir o impossível porque é
este lado racional que me mantém viva, é este lado racional que faz-me pensar
primeiro em mim por isso não o posso ignorar, já o fiz no passado e acabei por
sofrer…
- Então usa esse lado racional para equilibrar a
balança - olhou-me sem entender - Mariana se decidires manter-te afastada de
mim vou respeitar mas garanto que vou reconquistar tudo o que perdi por
estupidez, vou provar-te que o nosso amor é muito mais forte do que julgas... -
interrompeu-me
- Não dificultes - implorou
- Não estou a dificultar... estou a dar-te duas
opções, a primeira é fugires ao que sentimos e a outra é deixares que continue
do teu lado a provar-te dia após dia que aprendi com os meus erros.
- A segunda não é opção... é tortura!
- E a primeira é o quê? Vais dizer que tens aí
algures um botão no teu coração que consegues desligar e esquecer que amas-me?
Que me desejas? Que sentes falta das minhas carícias, dos meus beijos e me
teres perto de ti... É que se tiveres diz-me onde é, pode ser que também o
tenha e só ainda não o descobri, porque garanto-te que o que me mata neste
momento é o receio que optes por fugir e não os olhares, os abraços, as carícias…
tudo isto é o que dá-me forças para sair da cama todos os dias, para treinar,
jogar, mas acima de tudo para querer viver...
- Tenho que me afastar! - falou decidida
- Podes tentar mas não deixarei! Mariana cometi
esse erro no passado e olha só no que deu... só serviu para sofrermos os
dois...
- Não percebes que a cada dia que passo do teu
lado fico mais fragilizada - interrompi
- Isso é bom... é sinal que o dia que voltarei a
ter-te por completo está mais próximo, nós voltaremos a ser felizes juntos mas
para isso é necessário que deixes, não penses no amanhã, vive o presente!
- Não consigo... nós já começamos e terminamos
tanta vez...
- Mariana podes dificultar ao máximo e juro que
entendo porque tenho consciência que magoei-te muito mas não vou desistir de ti
e conseguirei fazer com que percas esse medo estúpido - dei-lhe um beijo no rosto - e agora vamos comer…
A Mariana não
respondeu, olhou-me só por uns segundos e foi-se sentar à espera que terminasse
de torrar o pão para comermos. Os minutos seguintes foram de silêncio total, a
Mariana estava perdida em pensamentos e não quis interrompe-la e quando
terminou de comer seguimos para o hospital.
Mariana
O Ruben ter
admitido que dormimos abraçados tranquilizou-me, ainda assim as palavras que
trocamos ao pequeno-almoço deixaram-me ainda mais confusa, a verdade é que cada
dia que passa as saudades são maiores e mesmo já tendo chorado e sofrido
bastante por sua culpa não o consigo esquecer…
Depois do
pequeno-almoço fomos diretos ao hospital, o Ruben quis ver o filho antes do
treino e confesso que também já estava com saudades daquele anjinho, por isso
mesmo aceitei o seu convite e acompanhei-o, uma vez que hoje não trabalho.
- Agora que já vimos o Filipe o que dizes em
acompanhar-me ao treino?
- Aceito! - o Ruben sorriu - Já tenho
saudades de implicar com alguns dos teus colegas de balneário…
O Ruben esmoreceu
um pouco, talvez por ter percebido que não era por ele que ia assistir ao
treino, no entanto fomos até ao Seixal sempre na conversa e só a interrompemos
quando teve que entrar para se equipar.
Vi o treino todo
sossegada no meu canto e foi quando já estava a caminhar para junto do carro do
Ruben percebi que estava a ser observada mas não parei, muito pelo contrário,
fingi que não tinha reparado e continuei caminho até junto do seu carro,
felizmente não tive que esperar quase nada, pois quando dei por mim já o Ruben
estava com os seus lábios colados à minha bochecha direita, o que despertou a
curiosidade dos adeptos que por ali circulavam e quando o Ruben parou o carro
para os “famosos” autógrafos mais uma vez senti-me a ser observada.
Ruben
Acordar e ouvir a
Mariana a admitir que se dormimos juntos foi porque ela assim o quis deixou-me
com certezas que se continuar a ter calma conseguirei provar que podemos ser
felizes juntos, foi essa certeza que me fez convidá-la para assistir ao treino
e depois para almoçar comigo, algo que aceitou e por isso fomos até ao meu
apartamento.
Preparamos algo
rápido para o almoço e comemos na sala, literalmente de prato na mão, algo que
o meu amor adora fazer. Almoçamos com alguma conversa à mistura e outras tantas
risadas que nos acompanharam até quando fomos arrumar a cozinha
- Deixa que lavo a loiça!
- Era só o que mais faltava!
- Deixa de ser chato!
A Mariana estava
numa de ateimar mas como também não estava numa de facilitar acabei por
abraça-la para a retirar da cozinha e assim que o fiz
- Larga-me! - ouvi-la a pedir de forma mais tensa fez-me perceber que aquele
simples abraço a afetou mais do que seria suposto, talvez por isso deixei de
agir com racionalidade e
- E se não quiser largar-te? - virei-a para mim - O que fazes? Bates, é? - suspirou profundamente o que arruinou com
o pouco autocontrolo que ainda tinha - caramba
amo-te e sinto saudades tuas, dos teus beijos, dos carinhos, de tudo...
A Mariana não
respondeu, ficamos simplesmente a olharmo-nos intensamente durante alguns
segundos e sem que esperasse a Mariana tomou a liberdade de beijar-me
- Também tenho saudades tuas, dos teus beijos,
dos carinhos, de tudo...
E agora? Irá a Mariana se arrepender do beijo e
do desabafo final?



Olá!
ResponderEliminarJasus a Mari bem tenta mas está dificil controlar o tal coraçao que nao tem botao de desligar!
Isto de ver a Mariana outra vez com ciumes e a embirrar com as fas tem a sua piada!
E estas "discussoes"? Tenho sempre a sensaçao que o Ruben acaba por as "ganhar".
E este ultimo momento...o beijo mas tambem este desabafo da Mari deixou-me mesmo mesmo mesmo com vontade de te matar por nao teres posto mais dois ou tres paragrafos a seguir!!!
Quero o proximo!
Beso
Ana Santos
Fantástico...
ResponderEliminarQuero mais... Tou super curiosa para ver o próximo...
Continua...
Olá! :)
ResponderEliminarGostei muito de ver a Mariana cheia de ciumes foi de morte xD mas espero que não se arrependa destes beijos.
Ela que deixe o mau humor de parte e admita de uma vez por todas o que sente pelo Rúben.:P
Quero mais!
Beijinhos
Sei q não comento muito a fanfic de vocês, se duvidar essa é a segunda vez, mas uma coisa eu tenho a dizer ela já se tornou essencial para a minha vida, todo dia eu entro aqui pra ver se tem capítulo novo, enfim AMO!
ResponderEliminarMas voltando o assunto, não vejo a hora da Mari voltar com o Rubem, não vejo o problema se eles se amam... E quero novidades da Maria e do João, o que será que ele falou, quero as MM's feliz com seus amores...
E agora vou falar uma novidade... EU AMO A VOSSA FANFIC!!!!
OBS: Ela tá fazendo sucesso aqui no Brasil, com as minhas amigas ;)
Beijos e quero o próximo!
Olhó capitulo fofinho :D
ResponderEliminarTá tão giro este capítulo, ciúmes, amor, amizade, bebé, desejo, dormir de conchinha, beijinhos, beijões, palavras fofas, palavras duras (também é preciso), briguinhas, romance.
Foi um capitulo fofinho não tenho mais nada a dizer.
Ou tenho, só mais um, SÓ mais um, SÓ MAIS um, SÓ MAIS UM :D
Beijinhos
PatríciaQ
lindo, mágico !!!
ResponderEliminarmais disto pleaseeee... adorei
eles ja mereciam :)
Mais uma vez um capitulo fofinho, cheio de emoção e de muito amor. Amor, é este o sentimento que une estes dois e que ao mesmo tempo os separa, cada dia que passa é mais difícil para a Mariana estar perto do Ruben por isso afasta-se e para o Ruben é mais difícil estar longe da Mari, porque ela é a outra metade do seu coração, e para ele funcionar bem e não entrar em colapso tem que ter as duas metades juntinhas, unidas. É esta a sina deles, um jogo do gato e do rato, e é isso que torna esta história tão emocionante, e agora ainda mais com a vinda do Filipe, porque este pequeno ser conseguiu o prodígio de os juntar, o que tantos tentarem e sem sucesso ele conseguiu. Tá a ficar um homenzinho, afinal já tem 1,700kg, para um bebé prematuro é uma vitória, adorei a preocupação do Ruben porque ele estava agitado, o puto é pequenino mas já sabe muito, o que ele tinha era saudades do colinho da mãe, desculpa enganei-me, da madrinha, e para quê contratar uma ama se pode ter a madrinha sempre com ele de dia e de noite, é só ela querer. Tal como o Filipe precisa do colinho da Madrinha a Mari também precisa do colinho do Ruben, e afinal tava acordadinha e fingiu que dormia, também sabes muito Mariana Mendes, por muito que não queiras o teu amor pelo Ruben trai-te sempre, é muito mais forte do que tu.
ResponderEliminarAdorei os ciúmes da Mari, mas ela tem razão, tem que ter cuidado com as fãs porque elas podem querer esticar-se, e é sempre bom ter tudo controlado, quem delirou com a crise de ciumes foi o Ruben.
Apesar de achar que isto não são maneiras de se terminar um capitulo, ao menos acabou num momento emocionante e caliente, e espero que a Mari não se arrependa e que finalmente comece a perder esse medo que a impede de ser feliz com o homem que ama. Já chega de sofrimento, acho que devem viver um dia de cada vez, sem medos, mas juntos, porque eles precisam desesperadamente um do outro.
Quero muito o próximo, adorei, e continuem porque a cada episódio que leio adoro mais esta história.
Beijocas
Fernanda
Ai ceus!!!!! Medo!!!! Espero que este dois atinem ;)
ResponderEliminarAdoro!!!! Quero mais ;)
Beijinhos
ta dificil...
ResponderEliminarQuando postam?
ResponderEliminarDigam alguma coisa. Entendo que tem vida para além disto mas gostava de ler o próximo, quero novidades do João e da Maria, bem como se a Mariana recua ou não.
Vá digam lá se têm alguma previsão para quando publicam o próximo.
Obrigada
finalmente!!! depois de 3 tentativas de ler o capitulo até ao fim, consegui hoje por a leitura em dia!!!
ResponderEliminarmas bem...em relaçao ao capitulo, este momento já tinha que chegar e à muito! a Mariana que deixe de ser racional e perdoe lá o moço! coitado, ele agora precisa de alguem do lado dele e tudo! xD
mas já merecem ficar juntos, sem duvida!!
e agora, que no proximo a Mariana nao se arrependa do beijo e que fiquem juntos, sim??
fico à espera!
beijos! :)
Owh! Não aguento! Tenho de ir ler o próximo!
ResponderEliminarLol
Bjs