domingo, 13 de outubro de 2013

102 - "O menino pode ter-nos aos dois…"

Mariana
Se o Ruben reagiu bem à novidade da revista o mesmo não se pode dizer do João que fez um escândalo e ainda avisou a Maria que vai pedir a guarda do Guigas, o que abalou a minha prima e como tal a noite foi para esquecer, mas em contrapartida o momento do almoço foi bastante agradável bem como os minutos partilhados com a Ana.
- Bem… vai lá cumprir com os teus deveres de boa profissional que vou dar um giro… - despedi-me da Ana e assim que o fiz a nossa amiga entrou nas instalações da clínica
- Vais já embora? - olhei para o Ruben
- Vou dar uma volta pelo jardim e depois vou…
- Ah… se ainda tiveres por perto depois da consulta terminar posso dar-te boleia…
- Obrigada mas não precisas de ter trabalho… apanho o metro!
- Não me dás trabalho…
- Hum… então quando saíres liga… se ainda estiver por aqui pode ser que aceite… - sorriu
- Então até já…
Sem que tivesse à espera o Ruben aproximou-se e deu-me um beijo na minha bochecha direita mas confesso que tal gesto deixou-me atordoada…

Ruben
Despedi-me da Mari e entrei na clínica para reencontrar a Sofia… a consulta correu bem e consegui ver o meu filho que já tem vinte e oito semanas, ainda assim tenho de ser sincero, não consigo viver este momento como viveria se fosse a Mari a estar deitada na maca, aliás foi a pensar nisso que estive o tempo quase todo.
No final da consulta, a Ana avisou quando queria voltar a ver a Sofia e depois de mais meia dúzia de palavras trocadas saímos do gabinete, algo que aproveitou para tentar azucrinar-me a paciência.
- Tenho uma coisa para te dar - falou com um sorriso cínico para logo depois retirar a revista da mala e entregar-me - Essa nunca me enganou... que grande vadia...
- Sofia onde vez uma vadia - olhei-a - eu vejo uma rapariga que tem um corpo escultural, uma beleza indescritível, uma sensualidade brutal e que fez uma produção fotográfica para uma revista masculina, em que a qualidade está estupenda porque a Mariana tem carisma e sensualidade, além de se ter rodeado de excelentes profissionais...
- Ora bolas não tive o prazer de ser a primeira a mostrar-te... sim que o que acabaste de falar é discurso ensaiado...
- Não, não é! Fui sincero!
- Não te incomoda, portanto?
- Não... - respondi quando já estávamos a sair da clinica
- Isso quer dizer que se fizer uma não te importas? - ouvir tal disparate fez-me gargalhar - onde está a piada?
- Oh Sofia olha ao espelho que terás a resposta!
- QUÊ?!
- É isso que ouviste, não queiras comparar-te à Mari ou à Maria ou a qualquer outra mulher que já tenha ou que vá fazer uma produção dessas, nem aqui nem no fim do mundo tens carisma para tal! E agora deixa-me ir que tenho mais que fazer!
Conforme falei entrei no meu carro e liguei à Mari, o meu amor avisou que já estava em casa e isso entristeceu-me mas não desisti e convidei-a para jantar, algo que só aceitou quando concordei que a Maria fosse também.

Mariana
Definitivamente hoje o dia está a ser estranho, esta insistência toda do Ruben em passar tanto tempo comigo está a dar-me cabo dos nervos e por isso quando convidou-me para jantar só aceitei na condição de levar a Maria comigo, afinal a minha prima precisa de se divertir.
A noite estava a ser agradável mas terminou mal, uma vez que depois da Ana ligar ao Ruben a avisá-lo que a Sofia tinha dado entrada nas urgências com uma hemorragia, revivi em segundos tudo o que passei quando perdi os gémeos, ainda assim acompanhei-o até ao hospital, já que não estava em condições de conduzir...
A viagem foi feita num silêncio agonizante e a cada minuto que passava o meu amigo desesperava mais um pouco.
- Tem calma… isto é mesmo assim - falei quando já estávamos à espera que nos dessem notícias - a preocupação da equipa médica é assistir a grávida para que nada de mal aconteça ao bebé - sei que fui fria mas só falei a verdade mas foi o suficiente para o Ruben se agarrar a mim a chorar que nem madalena arrependida, não tive outra solução que não acolher o meu amigo e reconforta-lo o melhor que consegui.
As notícias tardavam em chegar e o Ruben já tinha retomado a sua meia-maratona, andava de um lado para o outro da sala de espera e por muito que pedisse para se sentar não obedecia.
- Não será melhor avisar a Anabela? - olhei para a Maria
- Achas?
- É o neto dela... e o Ruben desesperado como está não vai pensar em nada...
- Pois... vou ligar primeiro ao Mauro, ele que decida se diz ou não à Anabela!
Afastei-me um pouco para ligar ao irmão do Ruben e assim que lhe disse o que se estava a passar foi logo avisada que iria passar pela casa da Anabela e que vinham logo depois para o hospital, regressei à sala de espera e encontrei o Ruben sentado no chão


Acabei por aproximar-me dele e após insistir bastante consegui convencê-lo a sentar-se numa cadeira, fiquei do seu lado remetida ao silêncio até que a Anabela e o Mauro entraram na sala.
- Já sabem mais alguma coisa? - o Mauro foi quem falou, já que a Anabela preocupou-se mais em reconfortar o filho
- Não...
O Mauro foi ter com o Ruben e aproveitei que o meu amigo já tinha a família para o apoiar, além da Maria, para tentar descobrir notícias, saí de fininho e chateei todos quanto podia mas só quando vi a Ana é que consegui novidades.
- Como está a Sofia? E o bebé? - a minha amiga baixou o olhar, sinal que as notícias não seriam as melhores
- Anda, vamos ter com o Ruben!
- Espera! - olhou-me e bastou isso para que percebesse o que queria saber
- A Ana está bem dentro dos possíveis e o bebé - por momentos senti o meu corpo a contrair - o menino está a lutar pela vida, tivemos que fazê-lo nascer mas anda que já explico tudo...
Segui a minha amiga e assim que o Ruben nos viu a entrar na sala de espera
- Como é que está o meu filho? - disparou imediatamente
- Ruben, a Sofia deu entrada nas urgências com uma hemorragia muito grave, provocada pelo deslocamento da placenta e não tivemos outra solução que retirar o bebé pois já estava em sofrimento e a Sofia corria risco de vida.
- E o bebé?
- O teu filho está a lutar pela vida...
Só um pensamento ocorreu-me, o Ruben agora mais do que nunca precisa do apoio dos amigos, como tal fui das primeiras a reconforta-lo, até porque foi para os meus braços que o rapaz “correu”.
- Ruben quando quiseres ver o teu filho...
- Não sei se consigo... - falou por entre um soluçar imenso
- Consegues sim! Ruben - fi-lo olhar-me - é teu filho!
- Vens comigo?
- Eu... eu não sei se posso... - por um lado queria estar do seu lado mas por outro não mas assim que a Ana disse que podia acompanha-lo, o Ruben não largou mais a minha mão.
Seguimos a Ana e a cada passo que dávamos sentia o meu amigo a ficar mais tenso e talvez inseguro. Entramos os dois para os cuidados neonatais e foi de mãos dadas que nos aproximamos da incubadora onde o seu filho lutava pela vida.
- Não queres tocar nele? - falei por o ver sem reação
- Não…
- Ruben, o menino não tem culpa de nada e está a lutar pela vida, é teu filho e precisa de ti! - tentei ser pratica mas a verdade é que também estava a custar ver um ser tão pequenino, rodeado de máquinas que apitavam por todo o lado e cheio de fios.
***
O Ruben ficou o tempo que lhe permitiram a olhar para o pequenino e só quando nos avisaram que tínhamos de sair é que o meu amigo reagiu, isto quando já estávamos a regressar para a sala de espera onde tanto o Mauro como a Anabela nos aguardavam
- Obrigado…
- Fiz por ti o que faria por qualquer outro amigo…
O Ruben não falou mais e quando chegamos junto da sua família tive que ser eu a dizer tudo o que nos tinha sido transmitido, o filho do Ruben terá pela frente uma luta árdua e demorada mas se Deus existe olhará pela vida daquele anjinho…


Ruben
Dizem que quando vimos pela primeira vez o nosso filho tudo muda mas infelizmente não foi nada disso que senti, muito pelo contrário, olhar para aquele pequeno ser só contribuiu para que a revolta que há muito sinto dentro de mim se manifestasse, não consegui tocar nele e muito menos chama-lo de filho…
Saí da unidade de neonatologia com um só pensamento, agarrar na Mari e desaparecer, precisava dela, do seu apoio, dos seus mimos mas acima de tudo do seu amor, por isso mesmo assim que a rapariga informou a minha família do estado do mais recente elemento, só pensei em sair daquele hospital mas tal não foi possível, pelo menos não de forma imediata porque a Mariana ao ver a Ana resolveu perguntar pela Sofia
- A Sofia já está no quarto?
- Ainda não...
- Mas ela tem consciência do que se estava a passar? - olhei para a Mari e isso bastou para perceber o quanto aquela pergunta a tinha magoado, ainda assim não consegui reagir, talvez porque a única coisa que ocupava o meu pensamento era que por causa daquele que dizem ser meu filho perdi o meu amor e agora...
- Sim... quer dizer ela teve sempre consciente até ser anestesiada.
- E ainda demorará muito tempo a ir para o quarto?
- Ainda vai levar algum...
Assim que ouvi tal informação não perdi mais tempo e puxei a Mari pela mão, por incrível que pareça a Mariana não ofereceu resistência, muito pelo contrário, acompanhou-me e quando dei por mim estava no seu apartamento.
***
Acordei com a Mariana a chamar-me e apesar da vontade não ser nenhuma saí da cama e fui comer. Estávamos a terminar o pequeno-almoço quando voltei à realidade, isto porque a Mariana assim me obrigou ao avisar que já tinha falado com o mister e como tal já estava avisado da situação, fiquei ainda a saber que nos próximos dias estou dispensado dos treinos mas que ainda assim tenho de passar pelo Seixal.
Da casa da Mari fomos diretos ao hospital, não porque fiz questão mas sim porque fui obrigado pelo meu amor.
- Bom dia! - a Mariana cumprimentou a Ana
- Como estás? - olhei-a
- Não sei... - fui sincero
- A Sofia já acordou... - olhei-a e percebi que algo não estava bem - Ruben...
- Diz!
- Amigo, já estive com ela mas a Sofia não está a reagir bem...
- Como assim?
- Mariana a Sofia não quer saber do filho, está em negação.
- Oh isso é do choque... depois passa!
- Não sei... Ruben o melhor é ires vê-la!
- Não estou com intenções de me demorar muito por isso...
- Nem penses! Ruben vais ver a Sofia e depois vais ver o teu filho porque ambos precisam de ti!
- Mariana...
- Nem Mariana nem meio Mariana! Vê se és homem pelo menos uma vez na vida! Tens a mãe do teu filho em negação talvez porque nunca a apoiaste como deverias mas até aqui era só uma grávida, agora é a mãe do teu filho! O menino já nasceu e merece ser amado!
Não respondi e talvez por isso a Mari tenha virado as costas e desaparecido, ainda tentei segui-la mas a Ana agarrou-me pelo braço.
- Deixa-a!
- Mas...
- Mas nada! A Mariana tem razão - olhei-a - a Sofia está a precisar de ti...
Estive a ouvir a Ana e as suas três mil e quinhentas recomendações para no final deixar que me convencesse a visitar a Sofia. Entrei no seu quarto e fui de imediato brindado com indiferença, tentei falar com ela mas a única coisa que consegui ouvir foi a Sofia a renegar o filho, afirmou mesmo que não quer saber dele, porque ele é uma aberração. Doeu ouvi-la, apesar de ainda não conseguir sentir o menino como meu filho também não é caso para lhe chamar aberração, talvez por isso tentei convencê-la a ver o bebé mas não adiantou, estava decidida em seguir a sua vida longe do menino, aliás afirmou mesmo que se não o quiser que o dá para adoção, algo que revoltou-me e por isso saí porta fora.
Acabei por ir até aos cuidados Neonatais daquele hospital e assim que entrei vi a Mariana junto do menino, não sei porquê mas sorri ao vê-la, o meu amor estava tão concentrada a olha-lo que só deu pela minha presença quando falei, estava tão revoltado com o que a Sofia tinha dito que não resisti em desabafar com a Mariana, contei-lhe tudo e foi a Mariana que mais uma vez teve a clareza de raciocínio que não tive, o meu amor aconselhou-me a falar o quanto antes com o meu advogado, algo que fiz assim que saímos do hospital, mais uma vez a Mariana esteve do meu lado e acompanhou-me ao escritório do Dr. Pedro, onde expliquei o que se estava a passar e o meu advogado aconselhou-me um colega seu especialista em questões de direito da família.
Do seu escritório fomos diretos ao meu apartamento, a Mari mais uma vez provou que me conhece verdadeiramente e percebeu que estava a precisar do meu “refugio”, como tal levou-me para casa.
- Tens de reagir - olhei-a quando já tinha a cabeça deitada no seu colo - o teu filho precisa de ti!
- Não posso fazer nada por ele…
- Podes! Podes ama-lo, podes tocar nele, senti-lo…
- Para quê?
- Ruben!
- Juro que por muito que queira não consigo sentir nada por ele… sei que é meu filho mas é o culpado por ter-te perdido…
- Não te admito isso! Ruben nem penses culpar o teu filho por algo que não tem culpa, o menino não tem culpa de ter um pai cobarde, desculpa que te diga mas és um cobarde sim! Foste cobarde quando deixaste a Sofia chantagear-te e voltaste a ser cobarde hoje quando não conseguiste tocar no teu filho… faz-te homem! Cresce porque agora já tens um filho a depender de ti, é verdade que neste momento depende mais dele próprio do que do pai mas no dia que sair da incubadora mas principalmente no dia que o tragas para casa, só tu o podes ajudar, o menino só te tem a ti por isso acorda para a vida e reage!
- O menino pode ter-nos aos dois…
- Ruben percebe uma coisa - olhou-me nos olhos - se continuo aqui é porque és meu amigo e sei que precisas de apoio mas esse apoio não será dado dessa forma que insinuaste, não serei a mãe do teu filho e muito menos a madrasta! É bom que percebas que sou só tua AMIGA… nada mais!
- Fazes-me falta… preciso de ti, do teu apoio… Mariana és a única que me conhece verdadeiramente, a única que sabe o que preciso sem ter que falar, só contigo é que consigo ser eu próprio, não sei se aguento muito mais… - acabei por admitir o que guardei para mim mesmo nestes últimos meses
- Hey… aguentas sim! O teu filho precisa de ti - olhou-me - e eu também preciso que estejas bem…
- Tu? - sorri ligeiramente
- Sim… Ruben caramba somos amigos e sabes bem que sempre fiz de tudo para ver os meus amigos bem, contigo não vai ser diferente… Não vou conseguir ignorar a dor que estás a sentir neste momento e fingir que nada se passa, por isso tens de prometer que farás um esforço para aceitar o teu filho…
- Ajudas-me?
- Por muito que gostasse de ajudar não há nada que possa fazer, tens de ser tu a encontrar o teu caminho, a única coisa que prometo é que estarei do teu lado nestes primeiros dias mas não penses que isto vai mudar alguma coisa no que respeita a nós!
Não consegui ter forças para contra argumentar e por isso ficamos no silêncio.
***
Faz hoje quatro dias que nasceu, quatro dias que ainda não foram suficientes para habituar-me à realidade de agora ser pai, a única diferença que existe é que os meus horários tiveram que ser reajustados para que pudesse visita-lo, ainda assim só o consigo fazer quando a Mariana ou alguém está comigo, pois sozinho sou incapaz de o visitar.
- Olá - a Mariana assim que entrou no meu carro cumprimentou-me
- Oi…
- Então? Que desânimo é esse?
- Não me apetece ir ao hospital…
- Ruben! - suspirei mas não falei nada, optei por conduzir até ao hospital
Entrei no hospital acompanhado pela Mariana mas antes de vê-lo uma das médicas que o acompanham informou-nos que o quadro clinico dele piorou, que o iriamos encontrar ligado a outra máquina que o estava a ajudar a respirar, uma vez que o que tinha já não era suficiente. No momento que ouvi tal informação senti-me a pior pessoa, ele não tinha culpa de nada, é só um bebé que luta pela vida e pelo qual não consigo sentir nada…
- Hey!!! - a Mariana puxou-me pela mão - acorda! Ruben tens de reagir… ser pai é muito mais do que vir todos os dias aos cuidados neonatais deste hospital para ficar a olhar para o teu filho através do vidro da incubadora, o menino merece muito mais, merece sentir que tem aqui o pai presente, que apesar das circunstâncias é um bebé amado…
- Não consigo! Como é que vou cuidar de um bebé quando nem de mim sei cuidar? Como é que vou ama-lo quando me odeio a mim próprio? Mariana nada disto faz sentido…
- Ruben! Não digas isso… - abraçou-me ou não fosse estar novamente a chorar, aliás chorar é o que mais tenho feito nos últimos dias
- É verdade… a minha vida há meses que deixou de fazer sentido e já nem estou a falar de te ter perdido - baixei o olhar - estou a referir-me ao facto de ter perdido a minha identidade, Mariana há muito que não me reconheço…
- Ruben… - a Mari suspirou - continuas igual, continuas o mesmo Ruben, só tens de encarar a realidade e viver!
- Como é que vou viver se me sinto a morrer de dia para dia? Não te tenho…
- Tens! - olhei-a - Como sempre me tiveste! Tens-me como amiga, isso nunca mudou e nem vai mudar...
- Não chega… Perdoa-me… se amas perdoa-me…
- Há muito que deixou de ser uma questão de perdoar, perdoar já perdoei caso contrário não estaria aqui. Ruben entende que por muito amor que sinta por ti será sempre menor do que aquele que nestes últimos meses aprendi a ter por mim própria, não posso nem vou voltar para ti, já te disse uma vez e repito, o nosso amor é doentio, cada vez acredito mais no destino e se tivemos que passar por tudo isto é porque assim estava destinado, a verdade é que todo este sofrimento serviu para conhecer duas pessoas fantásticas, o Rui e o Cris, são eles que são agora os meus dois mosqueteiros, é para eles que me tornei transparente e é com eles que atualmente consigo ser eu própria, sou simplesmente a Mariana que se gosta de divertir mas agora numa versão atinada, finalmente estou a conseguir recuperar o sorriso, a alegria de viver, por isso lamento mas não dá, não vivas na ilusão de voltar a ter-me de outra forma que não a amizade porque isso não vai acontecer e se não conseguires separar os sentimentos garanto que me afasto definitivamente…
- NÃO! Isso não, preciso de ti… da Mariana amiga…
- E terás… a amiga terás sempre! E agora vamos entrar ali dentro e ver o TEU filho!
Mais uma vez reagi porque fui obrigado, a Mariana quase que arrastou-me até junto da incubadora onde estava aquele que dizem ser meu filho e assim que nos aproximamos o meu amor teve um gesto tão bonito, como foi o de pegar na mãozinha minúscula do meu filho, aquilo fez-me ter vontade para também o tocar pela primeira vez mas havia algo a impedir, por muito que tentasse não conseguia. Fiquei a olhar para o meu filho e não sei o tempo que fiquei a faze-lo, só sei que despertei para a realidade quando a Mariana pegou na minha mão e fez com que a passasse pelas aberturas que a incubadora tem, pela primeira vez os meus dedos estiveram a escassos centímetros da mão minúscula do meu filho.
- Ruben… - olhei-a e foi suficiente para ganhar coragem e sentir pela primeira vez o meu filho, o olhar da Mariana transmitia força e foi essa força que desbloqueou-me.
Aquele momento em que pequei na mãozinha do meu pequenino foi algo indescritível, é uma parte de mim que está a lutar pela vida e que merece todo o respeito e admiração, é o meu filho. Acabei por abstrair-me da realidade e só quando ouvi a Ana e a Mariana a conversar é que percebi que já tinha passado imenso tempo, mas a verdade é que perdi mesmo a noção dos minutos quando senti pela primeira vez o meu bebé.
- Agora que já deste o primeiro passo - olhei para a Ana - é bom que dês o seguinte… escolhe o nome do teu filho!
- Não consigo…
- Sinceramente Ruben já metes nojo! - a Mariana perdeu a paciência - Reage! O teu filho precisa de ti, será que não sentes nada pelo menino? Estou farta… farta de magoar-me a mim mesma porque dói entrar aqui e olhar para estes bebés, dói porque dava tudo o que tenho para que os meus tivessem tido esta oportunidade mas que infelizmente não foi possível, dói porque olho para o TEU filho e penso nos que perdi, ainda assim estou aqui… talvez seja mesmo estúpida e o que tenho de fazer é desaparecer de vez, talvez assim percebas o quanto nojento estás a ser…
- Desculpa…
- Chega de pedidos de desculpas… se queres fazer alguma coisa pelo bem da nossa amizade - olhou-me nos olhos - AMA O TEU FILHO! E agora escolhe o nome do menino de uma vez!
- Ajudas-me? - a Mariana revirou os olhos e depois de bufar
- Vá… diz lá nomes…
- Miguel, Tiago, Duarte,..., Rodrigo - fui debitando nomes mas sem “sentir” nenhum deles, talvez porque sempre sonhei viver este momento a dois com a Mari, mas não desta forma, a escolher o nome só do meu filho...
- Gosto de Miguel e de Tiago mas o menino não tem cara nem de Miguel nem de Tiago - olhei-a abismado - mas sim de Filipe!
- Filipe?
- Sim… é o teu segundo nome e o primeiro do teu filho! - olhei-a, tal como a Ana - É isso mesmo! Está decidido o menino será Filipe! - não consegui reagir de imediato e muito menos quando a vi e ouvi - então amor gostas do teu nome - também a Mariana já tinha a sua mão no interior da incubadora e acariciava o menino enquanto falava com ele, aquilo fragilizou-me tanto que não consegui segurar as lágrimas - Filipe… ai pequenino estás tramado com o pai que te calhou… sabes o teu papá sempre levou muito tempo para tomar certas decisões mas isso não significa que não te ame…


Mariana
Ao fim de quatro dias a minha paciência esgotou-se, acabei por admitir o quanto dói acompanhar de perto toda esta situação e talvez tenha sido isso que fez o Ruben reagir, finalmente consegui que sentisse pela primeira vez o filho e que escolhesse o nome, se bem que o nome fui eu que o dei.
Estava a observar o meu amigo a olhar para o filho ao mesmo tempo que lhe fazia festinhas quando de repente comecei a ouvir um apito diferente dos restantes, percebi que vinha de uma das máquinas que estavam ligadas ao Filipe mas não tive tempo para reagir, pois em menos de nada já nos tinham afastado e já estavam de volta do pequenino, fomos obrigados a sair sem saber se o voltaríamos a ver com vida…
Irá o Filipe sobreviver?
Como ficará o Ruben depois de ver o seu filho “apagar” à sua frene?
E a Sofia que renegou o filho voltará atrás na sua palavra? Irá “assombrar” a vida do Ruben daqui para a frente?
E até onde esta aproximação da Mariana e do Ruben irá?

9 comentários:

  1. Fabuloso...

    Quero mais... Tou super curiosa para ver o próximo..

    Continua...

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  2. Oh ceus!!! Este Ruben está todo lixado... só espero que o bebe sobreviva e que o Ruben cuide dele com a ajuda da Mari ;)
    Estou ansiosa por mais, quero mais!!
    Beijinhos

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  3. Tantas perguntas quando o que eu quero é respostas ;) espero que o próximo saia rápido. Beijinhos
    PatríciaQ

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  4. BRUTAL !!!
    que reviravolta isto levou... a atitude da sofia não me surpreendeu em nada, já a da Mariana também não... ela irá dar uma mãe fantástica, tenho a certeza :) o Pipinho não pode morrer :( coitadinho
    espero ansiosamente pelo proximo
    beijinho

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  5. Deves de estar a gozar comigo, é que só pode, então terminas o capitulo num momento destes? de vida ou de morte, sim porque é mesmo esse o caso. Eu não quero que o Filipe morra, como diz a Mari e muito bem, a criança não tem culpa nenhuma do que os adultos fazem e não tem que pagar por isso e muito menos com a própria vida.
    Adoro esta Mari forte, responsável, ponderada mas acima de tudo adulta, foi preciso passar por tanto para ela crescer, e isso nota-se na maneira como fala mas acima de tudo na maneira como se comporta, já não é aquela Mariana que age sem pensar, ela agora pondera muito bem os prós e os contras, gosto disso. Mais uma vez o mostrou ao acompanhar o Ruben neste momento que deveria ser de felicidade, mas que pelas circunstancias da vida se tá a tornar um verdadeiro tormento, cada vez que ela põe os pés dentro daquele serviço de neonatologia é pensar que os filhos não tiveram a mesma hipótese, e é isso que ela tenta passar para o Ruben, já que não esteve presente quando perdeu os gémeos, tem agora a oportunidade de se redimir ficando ao lado do seu bebé, que luta como gente grande pela própria sobrevivência. Apesar de pequeninos e ligados a tantos fios e máquinas eles são fortes mas necessitam de sentir o calor dos pais(neste caso do pai, porque a mãe não o quer ver, vamos ver se não é mais uma cena da madame) ouvir a sua voz, isso só lhes dá força para abraçarem a vida, e espero que o Ruben tenha noção disso, e que este sobressalto no final do capitulo sirva para na cabecinha do Ruben se ouvir aquele clic que ele está a precisar, apesar de tudo o que Mariana já lhe disse.
    A Sofia armou-se em carapau de corrida, pensou que mostrando a revista o Ruben ia crucificar a Mari, como ela se enganou, e ainda teve que ouvir que nem aqui nem no fim do mundo ela tem carisma para fazer uma sessão fotográfica como a das M&Ms, adorei.
    Continuem, adoro cada capitulo vosso, agora nós menina Maria, quero saber o que o desvairado do JP anda a fazer por isso quero muito o próximo capitulo. Gostava muito que o casalinho Ruben /Mari se entendesse mas acho que ainda não é desta, neste momento tudo o que o Ruben vai ter da Mari é amizade, e até isso ele tem que preservar muito bem, é bom que ele não force nada, deixe as coisas andarem com naturalidade. Mas isto é a minha opinião, mas como sei que tu me trocas sempre as voltas, olha seja o que Deus quiser, já tou por tudo.

    Beijocas

    Fernanda

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  6. Boa Tarde

    Estou curiosa pelo próximo, postem rápido....
    Espero que o Filipe sobreviva, que a Mariana perdoe o Ruben.

    Beijos

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  7. Olá!:)
    Bem eu gostei mesmo muito do capitulo!
    Apesar de não adorar a Sofia isto que lhe aconteceu não é algo que mereça. :S
    Gosto imenso de ver a Mariana a ajudar ao máximo o Rúben nesta altura, é uma óptima amiga (se bem que pode ser mais do que isto,mas isto deixo para voces xD).
    Espero que o pequeno Filipe sobreviva!!
    Quero o proximo rápido,se faz favor que estou mesmo a precisar :P
    Beijinhos
    Rita

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  8. oh pah isto nao é justo...acabar assim??? eu juro que quase ficava com a lagrima no canto do olho quando o ruben tocou pela primeira vez no filipe (Adoro o nomeee!! xD) e a Mariana, ela pode admitir que faz isso tudo só pela amizade e tal e coisa mas ela ama o ruben e estar do lado dele, apoia-lo, incentiva-lo, puxar-lhe aquelas orelhas, dar -lhe na cabeça e escolher o nome do filho...ela tambem fez isso porque o ama!
    e pronto, a Sofia que vá apanhar cocos e fica o ruben e a Mariana a tomar conta do bebe! xD era giro, já mereciam ter um filho! nao é dela mas...pode sempre os aproximar de forma definitiva!!! :)

    espero o proximo e que nada de mal aconteça ao bebe!!!
    aguardo novo capitulo!
    beijinhos :)

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  9. Espero que o Filipe viva. Ele não tem culpa de nada do que acontece. É só um bebé e já está a sofrer tanto!
    Ainda bem que a Mari deu alguma "luz" ao Rúben. Irra que até a mim já me estava a irritar. Ele que reaja meu!
    A Sofia que não apareça mais! Era uma boa altura para ela ir para a China.
    Quero tanto que a Mariana e o Rúben voltem, mas primeiro acho que deviam resolver mesmo a relação deles. Ainda há muita mágoa entre os dois...
    Bjs

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