segunda-feira, 8 de abril de 2013

074 - "... Se não queres sexo é bom que não te aproximes..."


Maria
Infelizmente a ida ao Norte acabou por ser útil em termos profissionais (para mim) já agradável nem tanto uma vez que o jogo acabou com uma derrota da Selecção Nacional contra um adversário que não se poderá considerar “difícil” e ainda com uma exibição, no mínimo, menos conseguida por parte do João que acabou mesmo por marcar um autogolo.
Confesso que ao final do jogo estava um bocadinho azeda, mas ninguém deu muita importância já que a culpa seria certamente do Guilherme. Guilherme que foi mesmo o tema central das conversas ao intervalo, aliás ele e a ausência do Ruben e da Mariana que foram bastante comentadas.
O João demorou imenso tempo a sair do balneário e adivinhava-lhe uma azia tão grande ou maior que a minha, mas para meu espanto quando finalmente deu o ar da sua graça vinha calmo, acenou a alguns adeptos ainda presente e dirigiu-se até ao carro sem dizer uma palavra tirou-me a chave da mão enquanto eu falava com a Jéssica e o Eduardo e como já tinha percebido que a troca de palavras entre ambos depois do golo tinha sido “feia” não disse nada. O João guardou a mala no porta-bagagens e voltou até perto de nós entrando na conversa e deixando-me perceber que afinal não tinha passado de uma jogada infeliz de ambos. Falamos ainda alguns minutos sobre a vinda do Guilherme e a nossa reconciliação, mas acabamos por nos despedir.
Seguimos para o carro em silêncio o João sem hesitação ocupou o lugar do condutor e eu para o do pendura agradecendo ele não se importar de conduzir visto que já tinha algum sono. Fizemos assim em silêncio os primeiros metros do caminho que nos levaria até ao hotel onde passaríamos a noite, até que ao ligar o rádio ouvimos alguns comentários sobre o lance do jogo, o João de imediato desligou-o e eu tive de perguntar
- Queres falar?
- Não tenho nada a dizer! - tirou os olhos da estrada para me olhar enquanto me acariciou a barriga - Lances infelizes acontecem a todos e felizmente não foi por este erro de perdemos a final do Campeonato do Mundo...- sorri ao ouvi-lo tão calmo já que há uns anos seria motivo para praguejar este mundo e o outro e não resisti a mais uma daquelas que posso chamar “saídas à Maria” ou seja a piada mais “macabra” no momento menos provável
- É verdade... - falei enquanto colocava a minha mão sobre a sua cocha direita - além de que se tivesse rematado para a baliza certa... - ele olhou-me serio já que tínhamos chegado ao destino e ele já deveria esperar o que dali vinha - bem se fosse na baliza certa tinha sido um golaço!!!! - ainda o vi “endurecer” a expressão, mas acabou por gargalhar
- Só tu!!
- É verdade! Que nós vimos! - fiz um ar ingénuo
- Vamos?
Saímos do carro e sem grandes demoras dirigimos-mos ao nosso quarto onde depois de “pijaminhas” vestidos acabamos por adormecer bem agarradinhos.
O dia seguinte foi de despedida, o João voltou para Valência e eu para Lisboa onde já não encontrei a minha prima.

Ruben
Depois da conversa sobre o passado que terminou com o meu pedido para que a Mari pense bem sobre o assunto casamento fomos para a cama.
Acordei preocupado com a ideia da Mariana ficar sozinha durante o tempo que estiver no treino mas disfarcei de forma que não percebesse, tomei o pequeno-almoço com a Mari e depois segui para o estádio.
- Ruben! - olhei para trás quando já estava a entrar no balneário e esperei pelo Hugo - Está tudo bem?
- Sim...
- Ficámos todos preocupados com a tua saída intempestiva da concentração da seleção...
- Pois... tive um assunto urgente para resolver.
- Mas agora já está tudo bem, certo? Desculpa estar a insistir mas como saíste daquela forma com o João e quando ele regressou vinha sozinho e com a novidade que já não regressavas mas sem dar nenhuma explicação lógica, o pessoal ficou preocupado.
- Pois... - olhei-o e ao perceber que estava verdadeiramente preocupado - não quero alongar-me no assunto, pelo menos por agora, mas podes ficar tranquilo que já está resolvido.
O Hugo já não insistiu e acabamos por entrar no balneário, onde acabei por ser novamente questionado pelos outros que também foram à seleção e para acabar de uma vez com o assunto.
- Agradeço a vossa preocupação mas neste momento não quero falar sobre o assunto, até porque envolve outras pessoas e prefiro não comentar.
Eles compreenderam e não insistiram mais no assunto no entanto no final do treino pedi para falar com o treinador, onde o informei da gravidez da Mari uma vez que preciso da sua autorização para ausentar-me dos treinos de forma a poder acompanhá-la nas consultas, o mister compreendeu mas avisou-me que quanto ao falhar os treinos só na altura é que autoriza ou não consoante os dias, lógico que percebi e nem reclamei pois sei que tenho obrigações a cumprir.
Regressei a casa e encontrei a Mari deitada no sofá a ver televisão e por sinal aborrecida, por isso acabei por convidá-la para almoçarmos fora, algo que aceitou e desta forma espaireceu.
Aproveitei que não tinha treino de tarde para mimar a Mariana, passamos a tarde no sofá a ver filmes ou melhor a fingir que víamos dado que a maior parte do tempo foi usado para trocarmos mimos.
***
Os dias foram passando connosco a tentar lidar com os níveis de ansiedade da melhor forma possível, afinal a cada dia que passa estamos mais próximos de descobrir se serão um ou dois bebés e isso sim anda a deixar a Mari nervosa, ela continua em negação por muito que tente abordar o assunto e fazê-la cair na realidade não consigo porque simplesmente se recusa a falar sobre o tema.

Mariana
Se por um lado estes dias têm sido aborrecidos por estar obrigada a repouso por outro têm sido maravilhosos, ter os mimos do Ruben só para mim é algo que agrada-me cada vez mais, reconheço que há dias em que estou impossível de aturar e mesmo assim o Ruben tem uma paciência de santo para aturar-me.
Com o avançar dos dias a ansiedade tem aumentado e ter a consciência que o momento da confirmação se é um ou dois bebés está cada vez mais perto tem contribuído para andar mais irritada, algo que se torna cada vez mais difícil de disfarçar e hoje com a nega do Ruben durante o nosso duche ainda agravou mais a minha neura.
Estava a aboborar na sala quando ouvi a campainha, achei estranho pois não esperava ninguém mas assim que olhei pelo intercomunicador um sorriso surgiu no meu rosto.
- Oi - falei algo surpreendida por ver o Mauro, a Paula e o sobrinho do Ruben.
- Está tudo bem? - o Mauro perguntou talvez pela minha falta de reação.
- Sim... entrem - desviei-me para que pudessem entrar.
- Está mesmo tudo bem?
- Sim... desculpem mas fiquei surpreendida por vos ver.
- O meu irmão não te avisou que vínhamos?
- Não... deve ter-se esquecido - falei já sentada no sofá e com o pequenino ao colo.
- Mas se tivermos a incomodar... - interrompi a Paula
- Hey deixem-se disso, vocês nunca incomodam e até é bom que tenham vindo assim tenho com quem me entreter - falei enquanto mimava o sobrinho do Ruben - mas vão ficar cá muitos dias?
- Não, viemos só ver o jogo.
A conversa continuou, almocei com eles e no fim segui para o estádio. Assim que entramos no camarote, o Mauro juntou-se ao Hugo, que hoje não jogava, enquanto eu e a Paula nos fomos sentar.
- Está tudo bem convosco? - olhei-a - Desculpa estar a perguntas mas achei estranho o Ruben não te ter dito que vínhamos.
- Sou só eu que ando um bocado irritadiça e até mesmo parva - baixei o olhar ao admitir que neste caso a culpa é minha uma vez que o Ruben tudo tem feito para melhorar o meu humor.
- Isso é normal nestas primeiras semanas - olhei-a novamente - o Mauro contou-me - baixei o olhar - Mariana, vais ver que te habituas, isso são só as hormonas a falarem.
- Ohh mas até habituar-me... - calei-me o que fez a Paula falar.
- O Ruben não tem outro remédio que é aguentar - sorriu.
- E se não aguentar? O Ruben pode fartar-se... sei que não sou propriamente meiga quando estou aborrecida...
- O Ruben ama-te como nunca amou ninguém por isso acredita que o rapaz aguenta o teu mau feitio e muito mais.
- Não sei...
- Ai essas hormonas que andam mesmo descontroladas - sorriu - porquê que não planeias um fim-de-semana a dois? - olhei-a - Vais ver que te passa logo essa insegurança toda - gargalhou talvez pela cara que fiz - Mariana sossega porque se há coisa que o Ruben já aprendeu foi a dar valor à vossa relação por isso acredita que irá suportar todos os dias em que acordares com os pés do lado de fora.
A conversa continuou mas para ser sincera pouco adiantou porque as dúvidas mantiveram-se, acabamos por nos calarmos porque vi a Raquel a aproximar-se de nós. As conversas seguintes foram sobre diversos assuntos, sinceramente entretive-me mais a “dar à língua” do que a ver o jogo e no final não levou muito tempo a começar a resmungar porque o Ruben nunca mais aparecia, esperei e desesperei, acabei mesmo por deixar o Mauro no estádio e segui até casa com a Madalena e o menino.

Ruben
Hoje a Mari acordou híper bem-disposta, tanto que quem pagou a fava fui eu ou não fosse o meu amor se ter enfiado no duche comigo, a Mariana passou-o todo nitidamente a provocar-me, não sei o que estava a passar naquela cabeça, só sei que tive que controlar-me ao máximo para não ceder à provocação mas acima de tudo às saudades que já tenho de a sentir, afinal desde que a Ana nos avisou que o melhor seria evitarmos certo tipo de exercício até ordens em contrário não o voltamos a fazer, mas hoje a Mari parece que acordou com vontade de infringir esse conselho, o que fez com que fosse o mau da fita e ao negar-lhe o que tanto queria tive que aturar logo de seguida uma birra descomunal que durou até sair de casa.
Durante o dia não falei mais com a Mariana, afinal tinha noção que se lhe ligasse o mais provável era ouvi-la a mandar-me para um sítio nada bonito e como sabia que iria estar acompanhada pelo meu irmão e pela Paula fiquei descansado. O jogo correu-nos bem, ganhamos e conquistamos três pontos importantes, acabei por demorar-me mais tempo no balneário e quando cheguei ao camarote já só encontrei o Mauro, cumprimentei-o e fui informado que a Mariana já tinha ido embora.
- Puto está tudo bem? - o Mauro questionou-me quando já íamos a caminho do meu apartamento.
- Sim... mas porquê que perguntas?
- Sinceramente? - não me deixou responder  e continuou - Pareces preocupado... - olhei-o por segundos - É impressão minha ou as cenas com a Mariana não estão assim tão bem?
- Estes dias não têm sido fáceis, a Mariana anda mais sensível e com umas mudanças de humor lixadas mas está tudo bem, ela amua várias vezes mas acaba por passar - encolhi os ombros - e hoje deve estar capaz de me esganar porque lhe neguei algo antes de sair de casa... - não quis aprofundar o assunto mas o Mauro insistiu e por isso acabei por dizer o que se tinha passado o que provocou a gargalhada nele - não gozes que não tem piada nenhuma...
- Mesmo sério o que te deu para lhe dares uma tampa dessas? Puto... tipo estamos a falar da Mari que no seu estado normal já é o que é então grávida deve estar... - interrompi-o
- Vê lá o que vais dizer! - gargalhou.
- Mano sempre falaste de sexo comigo... vais dar numa de santo agora, é?
- Uma cena é falar das noites que tive no passado outra é falar da minha vida intima com a Mariana...
- Qual é a diferença? - riu à descarada na minha cara - Vais dizer que não fazes o mesmo com a Mari que fazias com as outras, é?
- Mauro! Controla-te - gargalhou - por acaso alguma vez te perguntei o que fazes e como fazes com a Paula? Menos...
- Uiiii que o meu maninho virou novamente menino ao fim de dez anos a rodar...
- Mas afinal o que é que te está a dar? Deixa de ser parvo...
- Ok... já não brinco mais mas afinal de contas porquê que lhe negaste sexo? Sim porque é disso que estamos a falar e depois se queres um conselho aproveita agora porque acredita que elas gravidas são ainda mais...
- Podes parar por aí! - voltou a rir na minha cara.
- É verdade... esqueço-me que pertences ao grupo dos que têm uma diva na mesa e uma louca na cama - olhei-o estupefacto - o que foi? És capaz de negar? Puto podes ter começado tarde mas quando o fizeste foi logo em grande... mano não foste propriamente santo e sempre o admitiste em conversa comigo por isso se hoje estás tão sossegado é porque a Mari te satisfaz caso contrário duvido muito que lhe conseguisses ser fiel...
- Eish... tens-me mesmo em má conta!
- Puto conheço-te por isso nem tentes negar que sei bem que enquanto namoraste com a Ana, já para não falar das outras, sempre deste uns “passeios” por fora e com a Mari isso não acontece, primeiro porque realmente amas a rapariga mas também porque no fundo ela dá-te tudo o que queres - olhou-me fixamente - ou estou enganado?
- Não deves estar à espera que te confirme isso pois não? É que não estamos a falar de uma qualquer, é bom que percebas isso e que te cales de uma vez porque já não estou a achar piada à conversa, sempre falei de sexo contigo mas nunca questionei o desempenho de nenhuma das gajas que levaste para a cama e muito menos da Paula, por isso respeita a Mariana!
- Desculpa não queria ofender mas não deixa de ser cómico ver-te assim todo melindrado... - olhei-o - de qualquer forma resolve isso com a rapariga que deve andar em brasa...
- E achas que não ando também? - suspirei - Ainda hoje não sei como aguentei - o Mauro tentou controlar o riso - não gozes...
- Então mas se também queres porquê que lhe negas?
- Porque a Ana aconselhou-nos a não o fazer...
- Porquê? Tipo a médica da Paula nunca nos proibiu até pelo contrário retirou-nos as dúvidas todas a respeito disso... sabes que sexo não prejudica o bebé, não sabes?
- Sei... sei... mas as gravidezes não são todas iguais...
- Estás a querer dizer que... - olhei-o - foi por isso que pediste para não contarmos a ninguém nem mesmo ao pai sobre a gravidez dela?
- Não... pedi para não contarem porque ainda é muito recente mas de qualquer forma a gravidez pode ser especial e o facto de a Mari já ter ido parar ao hospital deixou-nos mais atentos, além disso a Ana colocou a Mariana em repouso daí nos ter aconselhado a não ter relações pelo menos nestas primeiras semanas.
- O que queres dizer com especial? É de risco, é isso?
- Mano - hesitei mas acabei por contar até porque estava mesmo a precisar de falar sobre o assunto sem ser com a Mari - há uma forte possibilidade de serem gémeos - sorri ao vê-lo a abrir a boca perante a novidade.
- Sério?
- Sim...
- Para quem não queria filhos num futuro próximo descobrir que vai ser pai e ainda a dobrar não deve ter sido fácil de digerir tal novidade.
- Se queres mesmo saber a Mari é que está em negação por mais que tente não consigo que aceite a possibilidade de serem dois, ela reagiu mal quando a Ana nos disse e desde esse dia que se recusa a falar no plural.
- Shiii que cena...
- E isso sim preocupa-me... tipo quando a Ana nos contou dessa possibilidade juro que fiquei feliz, sei que por mim esperávamos mais uns meses mas se a Mari engravidou é porque tinha que ser e estou verdadeiramente contente com a novidade por isso ser um ou dois não me assusta.
- Mano não és tu que os vais carregar, nem és tu que vais cuidar deles 24 horas por dia... puto o medo da Mari deve ser esse e por isso está em negação.
- Sinceramente estou com receio da reação da Mari se a Ana nos confirma que são dois...
- Mas achas que haverá problema?
- Não sei - suspirei - mano a Mari não está mentalizada para abdicar já da sua vida em prol da dos três... sei que o fará mas tenho medo das consequências...
- Como assim?
- Mauro a Mariana anda frágil, sinto-a insegura e juro que não percebo porquê.
- A Mari está com dúvidas do que sentes por ela, é isso?
- Se conseguisse entender o motivo da sua insegurança seria tudo muito mais fácil... mano tento dar-lhe o máximo de atenção mas mesmo assim parece que não chega...
A conversa acabou por “morrer” porque entramos em casa e dei imediatamente de caras com a Mariana, o que deu para perceber que estava chateada comigo só pela forma como olhou, cumprimentei a Paula e o meu afilhado, para depois tentar aproximar-me da Mariana, algo que deixou mas se tivesse beijado a parede teria sido exatamente o mesmo, dado que não correspondeu.
Jantamos todos juntos mas se ouvi a voz da Mariana três ou quatro vezes foi muito.
- Onde vais? - perguntei assim que saiu da mesa depois de terminar de comer.
- Para o quarto...
- Amor - olhou-me - estás bem?
- Ya...
A Mariana saiu sem dizer mais nada o que deu origem a uma conversa longa com a Paula e o Mauro, a minha cunhada tentou que percebesse o lado da Mariana, mas o problema não é perceber, porque isso consigo, o que não dá para perceber é esta insistência da Mariana negar que podem ser gémeos.
Estive algum tempo à conversa mas acabei por despedir-me deles, estava cansado do jogo e queria ver como estava a Mariana. Cheguei ao quarto e encontrei-a já a dormir, ainda assim não me contive e envolvi o seu corpo com o meu braço.

Mariana
Acabei de jantar e fui imediatamente para o quarto, onde acabei por remoer nas minhas últimas atitudes, algo que contribuiu para perceber que tenho mesmo que começar a controlar-me mais, porque a verdade é que o Ruben não tem culpa por andar mais irritada e até mesmo ansiosa para saber se são um ou dois.
Acabei por adormecer sozinha mas quando acordei durante a noite estava já nos braços do Ruben, não sei como lá fui parar mas tinha a minha cabeça no seu peito e os seus braços a envolverem-me o corpo, fiquei a observa-lo enquanto dormia, o Ruben estava sereno e isso tranquilizou-me, acabei por tentar afastar-me dele pois aquela posição estava a deixar-me desconfortável e quando o fiz despertei-o.
- Estás bem? - ouvi-o a questionar enquanto voltava a aproximar-se de mim
- Sim - suspirei.
- Então que suspirou foi esse? - perguntou já com a luz acesa e a olhar-me.
- Desculpa... sei que tenho andado impossível de aturar mas hoje tive mesmo intragável... - sorriu.
- Deixa de ser tonta - puxou-me ainda mais para si - sim hoje estiveste um dia menos bom mas esses também fazem parte - beijou-me calmamente - e não é um dia mau que vai destruir o amor que sinto por ti mas - hesitou o que fez com que olhasse - é bom que aprendas a controlar essas hormonas para bem de todos, sei que haverá dias mais difíceis que outros mas caramba não podem ser todos como os de hoje - afastei-me dele mas depressa o Ruben fez o favor de aproximar o seu corpo do meu - porque não sou de ferro e sim também me custa esta abstinência em que temos andado - sorri ao perceber onde o Ruben queria chegar com este pedido, ele não se referia ao meu humor mas sim à “tortura” que lhe fiz durante o duche, o que só serviu para avivar ainda mais a vontade com que andei o dia todo.
- Ruben... - voltei-me para o seu lado e assim que tentei aproximar-me o Ruben saiu da cama - onde vais?
- Perdi o sono... vou até à sala - assim que falou saiu.
- O que é que te deu para fugires de mim desta forma? - questionei ao entrar na sala e ao sentar-me no seu colo.
- Mariana... - suspirou assim que sentiu os meus lábios no seu pescoço - saí do quarto já por causa disto - afastou-me ligeiramente e olhou-me - o que queres não é propriamente mimo - sorri - conheço esse olhar e por isso saí do quarto antes de tentares alguma coisa por isso facilita e controla-te!
- Aiiiiiiii - olhou-me - só uma vez não faz mal... - beijei-o algo que o Ruben correspondeu e até se deixou levar durante uns minutos mas quando as minhas mãos foram passear até aos seus boxers reagiu de imediato e voltou a afastar-me.
- Chega!
- Ruben!
- Nem Ruben nem meio Ruben se estás com calor toma um banho com água fria que isso passa - falou ao levantar-se do sofá.
- Não serves mesmo para nada! - resmunguei ao sair da sala mas ao contrário do que pensava o Ruben veio atrás de mim e sem contar com isso agarrou-me, encostando-me à parede.
- Foda-se Mariana será que não percebes que só estou a pensar nos nossos filhos e em ti? Que prefiro não ter sexo e vos ter bem do que por uns minutos de alívio perder alguém que amo - olhei-o - porque os nossos filhos podem ainda não ter nascido mas já os amo por isso controla-te!
- Também não precisas falar assim!
- E tu pára de chorar que não te fiz mal nenhum - ando mesmo desregulada e por uma coisinha mínima desato logo a chorar - Mariana será assim tão difícil perceberes que só quero o bem de todos, se neste momento não podemos ter sexo então não temos e quanto mais depressa perceberes isso melhor, facilitas a vida aos dois!
- Esquece! - afastei-o e fui para o quarto.
- Amor... Mariana... oh linda desculpa se fui bruto mas também não facilitas.
- Larga-me! - retirei suas mãos da minha cintura - Se não queres sexo é bom que não te aproximes... - o Ruben olhou-me algo desiludido - e não me olhes dessa forma que não tenho culpa se só com o teu toque fico em brasa - baixei o olhar ao admitir que ando mesmo descontrolada e talvez pelo facto de estar envergonhada o Ruben gargalhou - não tem piada...
- Ohh até tem... - afastou-se ligeiramente - nunca pensei ver-te assim tão... tão... olha tão desesperada.
- A culpa é tua! - olhou-me com cara de gozo.
- Minha?!
- Sim tua... afinal és demasiado competente e eu já não estou habituada a incompetências - gargalhou o que fez com que amuasse ainda mais - é isso... continua a gozar com a mãe dos teus filhos... que bonito!
- Finalmente! - olhei-o sem perceber - Finalmente falas no plural - sorriu - estava difícil encascares nessa cabeça que podem ser dois!
- Não desvies a conversa...
- E tu pares de fugires ao tema...
- Chega! Vou dormir!
O Ruben não insistiu e por isso deitei-me finalmente mas afastada dele, já que só o som da sua respiração mexe comigo e o cheiro... o cheiro então não se fala, cada vez convenço-me mais que pareço um animal qualquer, porque só os animais é que reagem por instinto...
***
Não consegui dormir e por isso levantei-me ainda mais rabugenta mas fiz um esforço para controlar o meu mau feitio de forma a não atrofiar com o Ruben. Não sei se percebeu que não estava nos meus dias ou se foi só coincidência, a única coisa que sei é que o Ruben respeitou o meu silêncio e pouco ou nada falou.
O dia de domingo foi estranho, não estava chateada com o Ruben mas a verdade é que sempre que ele se aproximava só não fugia se não pudesse, acho que era o perfume dele que estava a deixar-me enjoada ou então é mesmo só uma desculpa para ter espaço para respirar, o certo é que já não me reconheço a mim própria.
Passei o dia todo enjoada, ainda assim acompanhei-os no passeio por Braga que nos ocupou a tarde toda, lanchamos e no final seguimos para Lisboa. Acabamos por jantar na casa da Anabela e no final seguimos para o apartamento do Ruben, como estava cansada fui direta à cama algo que o Ruben respeitou.
Acordei animada por duas razões, a primeira e mais importante é que vamos finalmente ficar a saber se são gémeos e a segunda é por saber que hoje vai ser um dia importante para a Maria, apesar de ela nem sequer desconfiar....
Estava já a preparar o nosso pequeno-almoço quando o Ruben apareceu, comemos juntos e depois fomo-nos vestir, lógico que foi mais um tormento para mim, afinal vê-lo a pavonear-se pelo quarto só de boxers agravou a minha vontade de fazer sexo e antes que me atirasse a ele fugi para a casa de banho, segui o conselho dele e tomei mesmo um duche com água morna já que fria seria insuportável. Despachei-me e fui procura-lo, encontrei o Ruben na sala.
- Vamos?
- Sim - sorriu - estou desejoso de ver os nosso filhos - abraçou-me.
- Ruben... - desviei o olhar para os seus braços que continuavam em volta da minha cintura.
- Desculpa - afastou-se - esqueci-me...
Não lhe respondi e saímos finalmente com destino à clínica, a viagem foi um tormento e tive mesmo que abri um pouco o vidro, algo que fez o Ruben sorrir, percebi isso mas nem abri a boca para comentar.
Chegamos à clínica e enquanto o Ruben ficou a estacionar o carro, entrei e fui direta à receção, avisei que já tinha chegado e pediram para agradar uns minutos, tempo suficiente para o Ruben chegar e assim que fui chamada entrei no gabinete da Ana.
- Bom dia - a Ana falou alegremente.
- Só se for para ti! - ripostei o que fez a nossa amiga olhar para o Ruben e como resposta teve simplesmente um encolher de ombros.
- Isso é tudo indisposição de grávida?
- Aiii oh Ana! - olhou-me a rir - Pára lá de gozar que estou sem paciência.
- E essa falta de paciência deve-se mesmo a quê? - o Ruben sorriu
- A nada... vamos mas é despachar isto que quero saber se sempre são dois monstrinhos! - a Ana olhou-me
- Não lhe ligues - o Ruben falou o que contribuiu para irritar-me.
- Tu cala-te que a culpa é toda tua!
- Ui... o que é que lhe fizeste?
- Nada Ana... o problema é mesmo esse não lhe fiz nada!
- Vocês importam-se de deixar a conversa para depois?! - resmunguei.
- Ok... vamos lá então tratar do que vos trouxe cá - sentei-me finalmente na cadeira diante da Ana que me fez uma enxurrada de perguntas que respondi sem grande vontade para no final - Mariana vai andando para a outra sala e deita-te na maca para fazermos a eco.
Apesar de saber que o objetivo da Ana seria ficar a sós com o Ruben para lhe fazer algumas perguntas ignorei e fiz o que pediu.
Terá a Mariana grávida de gémeos?
Como será os próximos tempos?
E o que irá acontecer para que o dia da Maria seja especial?

6 comentários:

  1. Olá :)
    Pensei que a reacção do João fosse pior xD
    E estou curiosa para saber o que vai acontecer com a Maria.

    A Mariana anda mesmo com os nervos em franja.
    Pobrezinho do Rúben que tem de lidar com as mudanças de humor dela, mas também ele que se aguente porque ele também deu o seu contributo.
    E estou curiosa para saber o resultado da ecografia, mas acho que talvez sejam mesmo gémeos.
    E os próximos tempos vão ser muito complicados.

    O Mauro anda muito fresco e o Rúben sai a ele xD
    Digo isto porque não sei se já viste o Gift onde o menino Rúben Amorim entra ...

    Beijinhos
    Daniela^^

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  2. Adorei quero o proximo.bjs

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  3. Confesso que me soube a pouco, queria ler mais um bocadinho, mas adorei cada bocadinho do que li.
    A Mariana anda impossível, o Ruben definitivamente é um santo e não sabia, a mulher anda desesperada, até o cheiro a incomoda, vê-lo de boxers é um autentico suplicio já para não falar no toque, se ele lhe toca ela derrete-se. Eu só espero que esta consulta corra bem, e que sejam gémeos, ou melhor gémeas, para atazanarem a cabeça ao paizinho, e para ver se eles voltam à rotina, que bem precisam. Acho que as hormonas vão continuar a dominar a Mariana, e o Ruben vai ver a vidinha dele a andar para trás.
    Tenho uma reclamação, tenho saudades de ler mais sobre a Maria e o JP, o que li hoje foi muito pequenino e soube mesmo a pouco, a culpa é vossa habituaram-nos ao prato principal hoje só nos deram um aperitivo, tá mal...mas adorei o bocadinho que li, e tou curiosa com o que vai tornar o dia da Maria especial.
    Quero mais, por isso minhas lindas, toca a dar corda aos dedinhos, continuem.

    Beijocas

    Fernanda

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  4. Olá!
    Tchiiiiiii o Ruben já merecia um prémio de Mister Paciência/Autocontrolo!
    Que feitiozinho... Mas ver a Mari sob o controlo das hormonas é hilariante! Toques, cheiros, visões...tudo a desafia, a provoca! xD
    Sinceramente acho que o essencial da consulta nao é se é 1 ou se são 2, é se o Ruben pode dar de comer à esfomeada xD Acho que até podiam ser 5 desde que a Mari pudesse (ab)usar do Ruben xD Mas falando mais a serio, quero ver qual o resultado dessa eco! E aquela do "dia especial para a Maria que nem ela imagina"... Hum fiquei curiosa! Venha o proximo!!!

    Beso
    Ana Santos

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  5. Oi! Poça! Isto é que é ser santo... lol
    Quero o próximo! Preciso de saber que "dia especial" é esse!
    Bjs

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  6. Bem, estou com pena da Mariana!!
    Estou curiosa pelo próximo :)

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