terça-feira, 22 de janeiro de 2013

059 - "o meu filho ou filha não precisa do pai! Tem-me a mim! Há tantos filhos orfãos!"



Maria
Acordei com o som da campainha, mas sem as mínimas condições de me levantar para no mínimo ver quem era. Felizmente também não precisei de o fazer
- Deixa-te estar quieta que eu vou lá - voltei a ouvir a voz da Teresa e senti-a levantar-se do pequeno sofá que tinha junto da cama, não consegui responder por palavras apenas me esforcei para um sorriso, sinceramente soube-me bem saber que apesar de ter adormecido tinha alguém do meu lado.
Ouvi-a abrir a porta e depois ouvi que falava com alguém mas não estava em condições de reconhecer a voz, mas fiquei pouco tempo na ignorância já que passados segundos tinha o Sérgio e a Pilar junto a mim e atrás deles a Teresa que olhava todos os movimentos. Assim que os vi tentei falar mas nem um  "piu" me saiu
- Aí Maria que estas a piorar... - ao ver e ouvi-la lembrei-me da minha mãe quando me via doente - vou ligar para a Ana -falou tocando-me na testa - é que nem preciso medir para saber que estás a arder!
O Sérgio e a Pilar estavam com ar assustado e por isso peguei no telemóvel para me comunicar através de texto que ia escrevendo na zona de notas e a que eles me iam respondendo. A Teresa ligou mesmo para a Ana que lhe indicou dois medicamentos que deixa tomar com urgência  e depois de saber que o Sérgio e e a Pilar era namorados e que jogavam na equipa dela a equipa "conta ao João" e de os encher de recomendações lá me deixou prometendo ser breve.
- Diz lá quem é a simpática Sra? -  perguntou o Sérgio
- A bruxa?! - exclamou o Sérgio
- Sim tinhas mas não esperava vê-la aqui!
- Maria eu sei que não é altura para falarmos nisso mas já não será tempo de dares um pai ao teu filho?
- Estás a ser irracional! E não precisas disso! Maria o pai da criança não se recusou a assumi-la aliás mesmo que o queira fazer tu não lhe deste essa hipótese, mas depois de ver a mãe dele aqui desculpa mas não acredito que ele o faça...- ela parou caminhou até à cómoda e pegou numa foto que lá tinha - Maria olha para esta foto não me parece muito antiga...
- É do principio do verão... quando tudo estava bem - sussurrei
- Vês o que te digo?!  Acreditas  mesmo que alguém que tira uma fotografia como esta passados poucos meses já esqueceu a outra pessoa?! Maria desculpa, mas por tudo o que me contaste vocês estão só no meio de uma tremenda birra, não conheço o João mas acho mesmo que se lhe deres essa oportunidade ele não irá rejeitar o bebé antes pelo contrario! 
- Pilar eu...
- Tu vais descansar que não te podes esforçar... - o Sérgio falou - mas já percebemos que estás a perceber que tens  mesmo de falar com ele... vamos combinar uma coisa? - acenei-lhe afirmativamente - Quando estiveres melhor metes-te num avião, eu juro que espero por ti no aeroporto, e vais falar com ele...
- Excelente ideia amor! - a Pilar chegou-se perto dele e deu-lhe um pequeno beijo - eu tambem vou e vamos ficar na entrada do predio e se não correr bem tu vens ter connosco e nunca mais falamos no assunto
- Como quiserem...- ainda ia refilar mas a campainha tocou
- Eu vou lá...- o Sérgio não me deixou ir 
O Sergio saiu para abrir a porta e eu fiquei com a Pilar a falar sobre o bebé e todas as mudanças que se adivinhavam, continuava quase rouca, mas somos interrompidas por uma voz que reconheceria até no fim do mundo 

João
Quando finalmente tomei coragem para  tocar a campainha, já esperava que não fosse a Maria a abrir, mas sim a minha mãe. Mas surpresa das surpresas foi o espanhol a atender-me assim que o vi só me apeteceu dar meia volta e desaparecer
- João! - ouvi-o chamar-me ignorei-o e segui na direcção do elevador, ele voltou a insistir e eu também, mas  quando fui  abrir a porta esta foi travada - Te estoy llamando! - falou novamente e eu apenas insisti em tentar abrir a porta - ¿No oyes? - ele continuava e eu já perdia a paciencia - Y yo que pensaba que eras un tipo con la raza y, finalmente, fuera de la cancha... Eres un NIÑO!!
- E o que é que tu tens com isso? A tua mulher não está doente? Estás aqui a chatear-me os  cornos por alma de quem? Vai lá e se não te importas avisas a minha mãe que passei por aqui! - estávamos a falar alto de mais e assim que termino de falar
- O que é que se passa aqui?! - a Maria entrou na sala acompanhada de uma outra mulher que não conhecia -  Tu?! - ela estava rouca,  só se percebia metade do que dizia e estava pálida e nitidamente congestionada - O que é que tás a fazer aquiiiiiiiiii - ela não acabou de falar agarrou-se no móvel que tinha na entrada e estava quase a cair quando a outra rapariga a levou até ao sofá ela estava notoriamente fraca e quando  se sentou no sofá estava ainda mais pálida 
- Maria que no debería haber salido de la cama! - ou outro falou indo na direcção dela
- Traté de mantenerla, pero era imposible! - a rapariga tambem espanhola falou
- Afecto se la lleva a la habitación, por favor! - a rapariga ainda tentou mas a Maria não aceitou
- Não vou a lado nenhum! Se não se importam vocês os dois explicam-me o  que se estava a passar!
- Nada de especial! Era só o teu amigo que não queria que me fosse embora
- Para variar el João estaba notando todo mal! Vamos a tu habitación y te por favor consúltelo - o outro achava que era quem para falar?! - Los vamos a dejar mi amor? - mi amor?! fiquei parvo e ainda mais quando os vi juntarem rapidamente os lábios 
- Sese! Pilar por favor! - eles ignoraram - Pilar este é o João! João esta é a Pilar namorada do Sérgio...- namorada do Sérgio?! Isso era bom! - o Sérgio acho que já conheces... deves ter vindo procurar a tua mãe certo? Ela saiu, mas deve estar a voltar eu digo-lhe que estiveste cá... agora podes ir - enquanto ela falava eles saíram e estávamos só nós na sala - o Sérgio já não te vai impedir...
- É vou mesmo...- depois de ter sido mandado embora não ia continuar a insistir muito menos no estado em que ela estava - as melhoras...
- Obriga...  - a Maria ao levantar-se voltou a perder a força tentei ajuda-la  - obrigada... podes ir que o Sérgio ou a Pilar já me ajudam... 
Engoli em seco e sai, estava preocupado com ela, mas a presença do Sérgio acompanhado foi mais uma prova daquilo que todos me diziam e eu desconfiava. Sai novamente em direcção ao elevador e quando abro a porta do mesmo
- Filho! - a minha mãe estava a sair de lá
- Mãe? Mas tu não devias estar com a Maria? Cheguei aqui e estava...
- Fui à farmácia! Ela piorou e a Ana receitou-lhe uns medicamentos...  chegaste e estava um casal de amigos a ajudarem-na! Muito simpaticos por acaso
- É sim, pois... bom eu vou andando que já percebi que não sou bem-vindo vou até casa, quando puderes passa lá, ahhh a Maria está na sala e não está muito bem...
- Nem penses que te vais embora! Vocês falaram?!
- Nada de mais...
- Já  suspeitava... entra! - olhei-a - entra para a cozinha, leva estes sacos para lá e eu já vou ter contigo... João a Maria não está nas melhores condições mas vocês não podem adiar mais a conversa que têm pendente...
- Está bem - disse respirando fundo enquanto entrava para a cozinha e vi-a a seguir para a sala onde a ouvi falar com a Maria e os seus convidados e passados alguns segundos já não estava sozinho o Sérgio entrou na cozinha e sentou-se na mesa tal como eu estava
- Ya sé que no te caigo bien ¿Qué le pareció un montón de tonterías, pero eso no debería justificación alguna para usted, pero tengo que decir que María nunca me dejó cerca de lo mínimo para que pudiera ser responsable de su embarazo! Ahora tenemos que ir a tomar  entrenamiento mañana - assim que acabou de falar saiu da cozinha e minutos depois ouvi-os sair definitivamente daquela casa.
Fiquei ainda algum tempo sozinho até que a minha mãe volta a entrar na cozinha e sem me dizer nada prepara um chocolate quente 
- Toma! - passou-me a bandeja para as mãos - vai lá que o teu filho ou filha está desesperado por um chocolate quente...
- Oh mãe!
- A Maria está no quarto... sabes o caminho certo?! - acenei afirmativamente -  Então vai lá, ahh e ela que tome isto - colocou um  comprimido no tabuleiro - vai lá... resolvam lá a vossa vida qualquer coisa estou na sala
Acabei por seguir para o seu quarto onde antes de entrar bati na porta

Maria
A minha alma estava parva o que é que o João faria ali? Mas entre a emoção, os nervos e a constipação acabei por me sentir a perder os sentidos e por isso voltaram a levar-me para o quarto depois de ter mandado o João embora, acreditava mesmo que ele tinha saído até que  bateram na porta 
- Entre Teresa!
- Sou eu... - ele entrou devagar - … a minha mãe pediu para te trazer isto...
- Ahhh obrigada... - senti-me corar - não era preciso a tua mãe estar a perder o dia dela... e tu, muito menos!
- Eu não estou a ter trabalho nenhum... estou é preocupado contigo... quer dizer com vocês! - ele  estava tão atrapalhado quanto eu - mas parece que alguém queria um chocolate quente e posso garantir que o da Dona Teresa é o melhor do mundo - sorri
- Obrigada... mas isto quando me dá a vontade só passa mesmo quando satisfaço o desejo...
- Muitos desejos?
- Alguns...
- Come... a minha mãe pediu que tomasses o comprimido também...
- Ah é verdade! 
Bebi o chocolate lentamente estava-me a saber maravilhosamente bem, o João ficou sentado nos pés da cama apenas a  olhar-me
Adorava quando ele o fazia, sentia-me a mulher mais desejada do mundo, eu tinha de lhe contar e era agora
-  João
-  Maria - falamos em simultâneo
- Fala...
- Não fala tu... até porque a Ana pediu que eu não forçasse a voz...
- Ok - ele engoliu em seco e respirou fundo - Eu queria saber dizer isto de outra forma, saber ser fofinho e sensível porque tu está muito frágil e não te podes enervar mas eu só sei uma maneira... - voltou a parar e como o conhecia percebi que era só para ganhar coragem - é meu não é?! Esse bebé é meu... nosso! É resultado daquela noite não é? 
- O que é que achas?!
- Sinceramente... desde que meteste a primeira eco que olho para ela e penso que é meu... mas essa tua historia que não sabes quem  é o pai e a tua relação com o “Sese” - não resisti a gargalhar porque era indisfarçável que o João estava com ciumes - eu não sabia o que pensar afinal... tu não querias filhos e nem pensaste duas vezes quanto a nós...  eu  sei que devia ter falado contigo, mas... mas...
- Mas?!
-Naquela noite... - sorriu - aquela noite foi brutal... tão brutal que... - pela primeira vez aproximou-se mais de mim aproximando a mão da minha barriga - posso?
- Deves! - sentia um sorriso parvo a nascer-me no rosto e quando a mão dele tocou na minha barriga nasceu um arrepio tão bom
- Mas aquela noite acabou com o teu telemóvel a tocar e aquela voz irritante do outro lado e...tás a chorar? - acenei-lhe com a cabeça 
- Antes a voz irritante do outro que um bilhete a tratar-te como uma rameira qualquer
- Eu passei-me... - sussurrou
- É... mas isso não interessa! João o bebé é teu... se quiseres acompanhar a gravidez e todo o crescimento óptimo  mas se não quiseres por mim dá no mesmo já tinha tudo organizado para cria-lo sozinha - tentei desviar o assunto
- Essa questão nem  se coloca - voltou a sentar-se junto a mim e colocou a mão sobre a minha barriga e parece que a pipoquinha gostou porque pela primeira vez senti-a, aliás sentimos mexer foi maravilhoso o meu bebé mostrava-me que estava ali e ainda por cima acreditei que feliz por finalmente sentir-se desejado também pelo pai - isto... isto ... isto é... está a mexer! Eu estou a sentir!
- Eu também  - chorava já um rio - A pipoquinha gostou de conhecer o pai! - enquanto falava levantei a blusa e deixei a mão do João em  contacto directo com a minha pele e coloquei a minha por cima enquanto os dois babava-mos a minha barriga somos interrompidos
- Maria como estás? - a Teresa sorriu
- Mexeu mãe! - o João estava todo babado!
- Mexeu?! - perguntou a Teresa que sabia que era novidade
- Sim!- peguei no meu telemóvel e passei-o à Teresa - O vovó babada tire lá ai uma fotografia
- Vovó?! A sério que já resolveram isso? Ai que bom!! - ela deu-nos um beijo na bochecha - então como querem a foto?
- Só aqui as mãos!
A Teresa lá tirou a foto e assim que me deu o telemóvel de volta

Ao ler o que escrevi o João desatou a rir meteu “like” mas não partilhou pelo menos por agora, para evitar alvoroços
- Bem vocês  estão a precisar de meter a conversa em dia e a Maria parece que com a companhia já está melhor eu vou andando...
- Oh Teresa! Obrigada muito obrigada mesmo!! - abracei-a
- De nada querida... sempre que precisares já sabes... portem-se bem os três!
O  João despediu-se  da mãe e acompanhou-a  mesmo até à porta para voltar logo de seguida todo animado. Sentou-se ao meu lado na cama e depois de lhe ter contado 500 vezes como tinham sido estas 15 semanas e de ter explicado o que acabei por provocar ao Ruben e à minha prima resolveu voltar a focar-se na minha barriga e enquanto eu ria ele falava para ela
- Pipoquinha?! Vou-te contar quando apanhar o teu padrinho logo lhe digo... não tinha nada melhor para te chamar?!- falava indignado
- O Ruben pensou em normal ou cara de joelho, mas normal lá está é vulgar e cara de joelho é muito grande por isso olha...
- Desculpa fui uma besta!
- Pois foste! -  sei que ele pediu desculpas por se sentir arrependido, mas eu tinha ficado magoada e não ia fingir
- Desculpa a sério... não vai ser nada igual... aliás já te disse que tens a barriguinhas mais linda do mundo - falou fazendo aquilo que eu temia desde que entrou no quarto aproximando demais a sua cara da minha, aproximou até ficarmos a milímetros e quando tentou  beijar-me
- Não... nem penses... - voltei a cara - João uma coisa é o bebé ter o pai por perto outra coisa é....
- É...?
- Somos nós... desculpa mas não aguento outra noite de sonho para acordar num pesadelo... 
- Oh Maria mas...
- Não há mas! Estamos entendidos quanto ao bebé, mas o resto não vai mudar!
- Já viste que passaste metade deste tempo todo em Madrid? Porque não podes mudar o destino para Valência?
- Quem disse que não posso? Aqui é mais não quero! João quando te pedi tempo para digerir a informação e chegar sozinha a essa decisão obrigaste-me a reagir a quente! E sem qualquer pudor reagiste da mesma forma... continuaste a tua vida sem nem um “ai” e nem a porcaria da mensagem de boa sorte que me custou horrores enviar-te dignaste a responder! Já para não falar das tuas “amigas” sim que como pudeste ver eu o Sérgio somos mesmo AMIGOS. O Sérgio para mim está quase ao nível do Ruben, mas as tuas amigas...
- Já decidiste isso e não vais mudar mesmo... vais fazer o mesmo e manter a tua decisão por birra?
- Não vou fazer aquilo que neste momento é o  certo para mim... - estava a falar com ele e bocejar o medicamento tinha feito efeito e sentia o corpo a reagir positivamente - desculpa mas tou cheia de sono... tenho mesmo de dormir...
- Claro... mas vou ficar aqui...- olhei-o com má cara - nem me olhes assim  podes precisar de qualquer coisa a meio da noite...
- Como queiras sabes onde fica o quarto da Mari e onde estão as coisas...
- Não percebeste EU VOU FICAR AQUI - dito isto tirou a roupa ficando apenas de boxers e enfiou-se na cama, no lugar que sempre foi dele 
- Não tenho condições de discutir mesmo... - deitei-me de lado ficando de costas para ele e passados segundos senti-o aproximar-se, deu-me um beijo bem no canto da boca e depois voltou a colocar a mão na minha barriga 
- Boa noite
- Boa noite papá!
A manhã seguinte foi passada a dormir ou a fingir já que acordar até acordei, mas a conversa do João com a pipoca estava tão boa que decidi não atrapalhar e “acordei” só quando recebi uma chamada da Ana para saber como estava disse-lhe que estava bem, mas o João ao perceber quem era retirou-me o telemóvel e acabou por ser ele a relatar-lhe como tinha estado e mesmo que o bebé já se sentia a Ana acho que como eu percebeu a animação do papá e por isso mandou-me ir ao consultório na segunda logo de manhã.
A  tarde foi passada por casa com o João sempre colado a mim porque segundo ele tinha 15 semanas de atraso e pouco tempo para poder recuperar, era incapaz de lhe  dizer que me largasse  porque também eu estava a adorar e ainda fiquei mais feliz ao ver a alegria dos meus pais quando apareceram lá em casa e perceberam que o neto ou neta já tinha a presença do pai. Quando a noite chegou nem consegui dizer nada já que o João com a maior naturalidade voltou a deitar-se junto a mim.
Segunda começou cedo, despachei-me e fui com o João até ao consultório da Ana tal como previ aquela consulta era só mesmo para a nossa amiga perceber como nos estávamos  a entender e para que o  João pudesse ver o bebé
Confesso que não sabia para onde olhar se para o ecrã onde estava o meu bebé se para o João que estava vidrado no ecrã enquanto a Ana lhe explicava tudo o que se via, os olhos dele brilhavam e tinha um sorriso parvo na cara, mas que não disfarçava as lágrimas que tentava esconder, acabei por fazer aquilo que tinha jurado a mim mesma que não faria e em vez de evitar promovi um “pequeno” contacto físico entre nós, além da mão dele na minha barriga, e apertei-lhe a mão com a minha ele olhou-me sorriu e apertou de volta enquanto a Ana tentava decifrar se seria um menino ou uma menina a pedido do João
- Tal como eu disse, não consigo mesmo ver, mas daqui a duas semaninhas a menina tem consulta e ai na morfológica já devo ver
- Vês? Eu disse - brinquei com o João enquanto limpava o gel e ia até à secretária da Ana
O resto da consulta foi de pura conversa já que entre detalhes do historial clínico do João e “fofocas” para meter em dia ainda passamos alguns minutos. Quando sai do consultórios, e tal como estava desde a eco segui de mão dada com o João até ao carro e quando entrei desatei a rir feita parva
- O que foi?
- Tens muita pressa?
- Tenho de estar no aeroporto daqui a 2 horas porquê?
- O bebé quer pasteis de Belém! É habito depois da consulta da tia Ana comer pasteis  - disse a rir
- Então vamos lá!
Fomos até Belém e nem no carro separamos as mãos a não ser que ele precisasse mudar alguma mudança e de vez em quando ora ele ora eu apertávamos  um bocadinho, não se ouvia um “ai” no carro mas aquele silencio era maravilhoso.
- Ficas linda assim... - tirou-me uma migalha da cara - a atacares os pasteis!
- Não gozes a culpa é da pipoca e por isso tua! - falei ao mostrar-lhe a língua
- Falando de coisas sérias... como é que contamos?
- Contamos o quê?!
- Olha do bebé... de mim...
- Oh não contamos! Os meus pais já sabem, os teus também e outros logo vão percebendo!
- Nem para a Maria e para o Ruben?
- Desculpa?! Por eles podia ter morrido - disse a rir - A festa deve ter sido boa deve... mas nem uma sms para saber se estava viva mandaram... -gargalhamos os dois - além disso os dois  sempre tiveram 100% de certezas sobre esse assunto!
-  Lá isso! Sabes que o Ruben viu vídeos de partos...
- O Ruben é louco! - o alarme do telemóvel dele apitou 
- Está na hora de ir - disse perdendo o sorriso
- Vou-te levar ao aeroporto! - peguei nas chaves do carro e levantei-me do banco de jardim junto ao rio onde estávamos e segui-mos até à Portela onde ainda ficamos alguns minutos à conversa
- Liga mesmo!
- Assim  que aterrar é a primeira coisa que faço! - levantou-me a blusa 
- João!!! 
- Xiu vou-me despedir! - deu um beijo rápido na minha barriga e fez uma festa - Toma conta da mamã! Adoro-vos - voltou a beijar-me próximo de mais dos meus lábios - Promete que mandas as fotos?
- Sim... e também já prometi que ligo não já?!  - ele sorriu a acenou afirmativamente
- No Natal tou cá!
- Sim papá!  Boa viagem!
Ele acabou por seguir e eu fui até ao escritório,  onde a alcoviteira do  meu tio já esperava  que eu lhe contasse de onde tinha surgido aquele “papá” da foto.

Ruben
Estes dias têm sido horríveis e só piorou quando avisaram-me que a Mariana tinha estado no camarote a ver o jogo sem esperar por mim no final, rumei até casa e quando lá cheguei nem sinal dela, liguei-lhe diversas vezes sem sucesso uma vez que não atendeu, acabei por tentar a Maria, afinal a Raquel comentou que estavam juntas mas nem a prima atendeu.
Já estava a desesperar quando a Maria retornou a chamada, fiquei a saber onde estavam e confesso que apesar de resmungar com o facto de ter que satisfazer o seu desejo no meu intimo rejubilei... era a oportunidade que precisava para resolver as cenas com a mulher que amo por isso antes de sair de casa meti mesmo alguma roupa dentro de um saco e fui tratar de ir buscar o jantar para os três... sim que se tinha que ir lá... jantava com elas!
Fiz a viagem toda a pensar na melhor maneira de tocar no assunto sem magoar ainda mais a Mariana e apesar de ter imaginado várias formas nenhuma delas impediu que isso acontecesse, o meu amor reagiu mal à armação da prima e além de deixar-me a congelar do lado de fora da porta ainda conseguiu fazer pior quando ouvi o último desabafo dela... a Mariana estava a desejar morrer... sim morrer para deixar de sofrer e isso sim acabou com ela e comigo, se a Mariana mergulhou num choro sentido e bem audível, eu... eu simplesmente “engoli” uma por uma todas as palavras... todos os pedidos de desculpas... sabia que se continuasse a insistir nesta conversa que depressa virou discussão só iria estar a agravar mais a nossa situação por isso optei pela saída mais fácil e eficaz... peguei na Mari e levei-a até à cama, o meu amor estava sem forças e como tal nem resistiu, deitei-a e lá ficou a chorar até adormecer.
Fui jantar antes que desfalecesse e acabei por perder-me em pensamentos, revi mentalmente todos os acontecimentos que nos conduziram até aqui e acabei por chegar a uma conclusão. A ideia era conversar calmamente com a Mariana na manhã seguinte mas ficou mesmo pela intenção, uma vez que quando acordei ela já não estava e assim que chegou comunicou-me a frio que queria o divórcio, tentei de tudo para que desistisse da ideia mas dei-me por vencido, por muito que insistisse em tentarmos mais uma vez a Mariana estava irredutível e nem o facto da Maria e do João já estarem mais próximo fez com que vacilasse na decisão que tomou ainda no Gerês.
Nos dias seguintes assinamos os papéis do divórcio, nunca hei-de esquecer esse momento, senti-me lixo ao assinar aquilo, talvez por ter a plena consciência que a culpa em grande parte foi minha e só minha.
A Mariana regressou a Lisboa no mesmo dia e com ela levou tudo o que lhe pertencia mas que estava no meu apartamento, não deixou o mínimo sinal da sua passagem por Braga a não ser as fotos que tinha espalhadas pelas divisões.
Os dias seguintes foram um pesadelo, a sorte é que a interrupção do campeonato para o Natal estava próxima, caso contrário acho que até o lugar no banco de suplentes tinha perdido, simplesmente deixei de ter vontade para lutar pelo que fosse, ter a certeza que já não tinha a Mari à minha espera retirava-me as forças para enfrentar mais um dia.
E foi neste estado de espírito que cheguei a Lisboa onde tive que encarar a minha família e dar a novidade que de boa não tinha nada.

Será mesmo o fim do casal Ruben e Mariana? E o João e a Maria terão futuro a dois?



12 comentários:

  1. Isto são maneiras de acabar um capitulo?! :D
    É claro que o João e a Maria terão um futuro a 3! ahahaha
    O Ruben e a Mariana têm que voltar a estar juntos!!!
    Venha o próximo rápidooo!!! :D
    Besos

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  2. Ai! :(
    O capítulo iniciou tão bem e acabou assim tão triste...
    Eu espero que o João e Maria fiquem bem. (Fiquei tão feliz por ele saber de tudo!)
    E espero que a Mariana e o Rúben fiquem bem...
    Beijinhos

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  3. Fantastico quero o proximo.bjs

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  4. Chorando de tristeza porque eles assinaram mesmo os papeis. E desculpa dizer isto, mas a Mariana foi mesmo grande parva.

    Ela devia perceber, que se são um casal é nos bons e maus momentos, os primeiros meses são sempre os mais difíceis, ela devia tentar percebe-lo, devia pensar no bem do casal e não apenas no bem dela. Porque eles amam-se da maneira que se amam, e ela decide acabar tudo assim? Romper todos os laços? Vão sofrer os dois. E até a Maria e o João vão sofrer porque vão acabar por se sentirem culpados, só porque a Mariana está a ser egoísta ? SIM, ela está a sofrer, mas ela como alma gémea do Rú não percebeu que ele também está ?

    Espero que pelo menos o João e a Maria continuem a ir pelo bom caminho, que neste momento é a única coisa que se me faz chorar é de felicidade e não te tristeza. Sim, porque se eu digo que chorei não é da boca para fora, é mesmo toda a verdade.

    Apesar de tudo isto, sabem o que vos tenho a dizer ? Que a vossa fic é apaixonante e vocês sabem escrever, anseio pelos próximos capítulos, porque também anseio sempre pela reconciliação, pelo lado bom, pelo alegria de chegar a casa e ver que há um novo capítulo publicado.

    Beijinhos
    Danii Clemente ^^

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  5. Olá
    Bem eu não estou no melhor estado e acabar com um final destes é matar-me!
    Quero tanto ler os próximos tempos da vida do João e da Maria em conjunto *.*
    E o que também quero ler é a Mariana e o Rúben juntos!Já o pedi no capitulo anterior e peço agora outra vez!!
    Rápido se faz favor :P
    Beijinhos
    Rita

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  6. Ai capítulo mais lindo, menos a última parte, tive pena do Rúben :S

    E ler aquela ceninha dos bilhetes atrofiou-me um bocado lol sou meia cegueta

    MM's espero k tudo se resolva pelo Natal :)

    Abreijos
    PatriciaQ

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  7. Quase não acreditei que por um triz, o João ia deixar essa chance de falar com a Maria escapar. Grr -' e mais surpreendida fiquei ao ver logo quem, ''obrigando-o'' a ficar e atinar de uma vez u.u Fiquei boba com o momento que a pipoquinha mexeu, acho que ainda mais que eles lol Mas e essa parte final? Não posso com isso :(( Já sabem que quero sempre mais, por isso... beijinhos :*
    GabiS

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  8. Olaa,

    Gosteii muito, mas fiquei triste, o Ruben e a Mariana tem que ficar juntos ^^

    Depois a Maria já podia dar uma oportunidade ao João, ele ficou tão babado a ver a pipoquinha, mas algo que me diz que eles ainda se entendem como casal :)

    Continuem

    Inês Costa

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  9. Então e agora?
    Quero o resto (:

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  10. Quando li quem abriu a porta ao João pensei mesmo que tava o caldo entornado, mas ainda bem que a mãe chegou e o "obrigou" e entrar novamente em casa, acho bem respeitinho à mãe é muito bonito. Lindo, já não era sem tempo, e a pipoquinha tava mesmo à espera do pai para se manifestar. O capitulo começou muito bem mas acabou muito mal, em relação ás perguntas no final, nem é o fim para uns, e para os outros claro que teem futuro, pelo menos é isso que eu espero.
    Adorei, como sempre

    Beijocas

    Fernanda

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