sábado, 19 de janeiro de 2013

057 - "...Sou obrigada a concordar com o teu pai!..."



Mariana
Se o meu dia estava péssimo porquê que os dos outros não poderia ficar?? Foi com esta pergunta no pensamento que fiz a viagem até à casa dos meus pais e quando lá cheguei ainda pensei tocar à campainha mas a raiva com que estava impediu que a pouca razão que ainda sobrava de o fazer... entrei com a chave que tenho e fui directa à sala afinal o Sr. Manuel é muito homem para se enfiar numa cozinha e ajudar a mulher no jantar...
- Você ultrapassou todos os limites - disparei assim que entrei na sala e o encontrei no sofá - mas quem é que acha que é para julgar as pessoas?! Deus nosso senhor todo poderoso e a quem os servos devem respeito, é?! Sinceramente não acha que já tem idade para saber ficar calado?! Você que pregou desde sempre que não devemos julgar ninguém foi o primeiro a renegar a filha e agora a julgar a sobrinha em praça pública e ainda por cima em frente de quem não conhece só porque a Maria está à espera do seu primeiro filho... você é a vergonha da minha cara... julga-se um poço de virtudes quando no fundo... no fundo não passa de mais uma alma sozinha... você não tinha o direito de enervar a Maria com os disparates que falou... você que se afastou de nós só porque é uma vergonha para os Mendes ter alguém na família que será mãe solteira ou então outra que se casa às escondias...
Por acaso já parou para pensar porquê que somos assim?! Já alguma vez se dignou a tentar perceber porquê que casei sem lhe dar cavaco?! Já pensou alguma vez se é FELIZ?! É que sinceramente duvido que o seja... e agora para terminar... nem pense aproximar-se de novo da Maria para humilhá-la... ela não se chama Mariana Andreia Gonçalves Mendes AMORIM para ter que pagar pelas minhas decisões... se quer culpar alguém culpe-se a si por nunca ter sido homem suficiente para reconhecer os seus erros... sim sou louca... sim desde cedo que fui por caminhos menos próprios mas estou aqui não estou... e sabe porquê?? Porque ao contrário de si tive e tenho alguém que me ama, que soube lutar por mim mas principalmente que deixei entrar na minha vida... você tem a mãe e nem sequer lhe dá o valor que merece... acha que não sei como lhe tem enchido os ouvidos desde que soube que CASEI... e agora atreve-se a fazer o mesmo com a Maria?!
Manuel Mendes... só lhe aviso uma vez... para atingir a Maria terá que atingir-me primeiro... se bem que isso para si até será prazer não é verdade?! Se há uns meses bateu a porta e desde aí nunca mais quis saber de mim... pois agora chegou o dia de sentir o reverso da medalha... agora sou eu que desisto de VEZ de SI... quem não perdoa é porque não ama e você não perdoa... 
Continue assim que vai bem... é o caminho perfeito para acabar SOZINHO...
Assim que falei tudo o que tinha atravessado voltei costas e um sentimento de culpa invadiu-me de imediato... a minha mãe estava “lavada” em lágrimas e por minha culpa... sim... tenho consciência que não sou a filha perfeita...
- Desculpe mãe... - abracei-a - mas esse senhor a quem chama de marido hoje ultrapassou todos os limites... e na Maria ninguém toca... não quando a sua filha está a abdicar de uma parte da sua vida para cuidar daquele ser que cresce na barriga da sua sobrinha... e agora vou embora... - dei-lhe um beijo e um abraço apertado para sair de imediato daquela sala.
- Filha... espera - olhei-a
- Diga...
- Como é que está o teu casamento?! - como é possível as mães terem a capacidade de meterem logo o dedo na ferida mesmo quando não lhes contamos nada...
- Está... o Ruben em Braga e eu em Lisboa... mas de resto está tudo bem...
- Está mesmo?!
- Olha se quer saber... não... não está mas também não quero falar disso... sei que seremos capaz de resolver isto... os DOIS sozinhos... sem mais ninguém a meter o bedelho...
- Só estou preocupada contigo...
- Não esteja... eu aguento... e agora FUI!
Assim que falei saí porta fora talvez por conhecer-me tão bem e saber que se lá continuasse em breve inundava o apartamento com as minhas lágrimas, precisava de acalmar-me e por isso fui passear à beira Tejo...

Ruben
Quando alinhei na ideia de um almoço a quatro nunca passou pela cabeça que fosse terminar assim e não estou a falar da Maria e do João mas sim de ter ouvido a Mariana a dizer o que disse... ainda assim e bem lá no fundo sei que tem razão mas como amigo não consigo deixar a Maria sozinha...
Passei a tarde toda a pensar nas palavras da Mari e antes de entrar no avião com destino ao Gabão liguei-lhe na tentativa de remediar a situação mas a Mariana foi muito transparente ao falar que o assunto já tinha falecido... que agora iria entrar em luto até ao final da gravidez para depois voltar a sorrir quando tiver a pipoquinha nos braços, confesso que um arrepio percorreu-me o corpo todo e depressa pedi um esclarecimento que foi dado de forma muito concisa.
- É simples... daqui até Maio terás todo o tempo para babares a pipoquinha... decidi suspender a nossa vida como casal... afinal não é isso que se faz aos jogadores quando têm atitudes anti-desportivas... pois bem... aqui a Marianinha vai castigá-lo... se quiseres alguma coisa podes ir procurar fora que dou autorização... posto isto esquece tudo o resto... daqui a uns meses falamos e quando tudo acalmar talvez tenhamos a nossa chance de algum dia termos a nossa pipoquinha!
- Mariana nem brinques...
- Não estou a brincar... Ruben as palavras foram tuas... lembras-te no passado teres dito “estou farto de ser o suplente e utilizado a meio gás”? Pois... agora sou eu que sinto isso...
- Amor...
- É amor, é... e sim sou tua porque algures numa outra vida devo ter sido tão “boazinha” que agora ando a pagar as favas... e apesar de tudo... de andar a sentir-me “a outra” não consigo deixar de te amar e no fundo até compreendo-te por isso podes ficar descansado que em Maio estarei cá para voltarmos a falar sobre isto... até lá... esquece os treinos extras porque não estou para ser simplesmente usada...
- Mariana não achas que estás a abusar... ok sei que não ando propriamente a agir correctamente mas daí...
- Tu cala-te... não andas a agir correctamente?! Pois não... tanto que nem te dignaste a perguntar como ando... qual foi mesmo a primeira cena que perguntaste?
- Pela Maria... - murmurei
- Pois... pela Maria... por isso é que ainda não sabes da última... mas eu digo-te na mesma... cortei definitivamente relações com o meu progenitor paterno porque teve o desplante de dizer uns quantos disparates à Maria deixando-a fragilizada e não sei porquê herdei-lhe as dores... ah espera já sei... talvez assim pares e olhes para mim...
A Mariana continuou a debitar mais uma série de disparates e no fim despediu-se sem sequer dar-me hipóteses de dizer um ai, não insisti por conhecê-la e saber que só iria piorar as cenas, a Mariana precisa de tempo para se acalmar e só depois irei tocar novamente neste assunto...

***

As semanas passaram connosco a falarmos diariamente e às vezes mais que uma vez no próprio dia no entanto sei que a Mari continua com a “telha” e cheia de ciúmes da prima mas pelo menos fala-me o que não é de todo mau, até porque tomei uma decisão e vou aproveitar a vinda delas a Braga para assistirem ao meu jogo e falar com a Mari, pelo menos não me pode acusar de não demonstrar interesse em resolvermos a nossa birra de alguma forma...

João
Depois de ser definitivamente dispensado da selecção segui até casa dos meus pais.
- Pensava que te tinhas esquecido de nós!
- Oh mãe não comeces... sabes que ia primeiro ao hotel...- atirei-me para o sofá e comecei a pensar na conversa com o Ruben e em como me apetecia ter também acarinhado aquela barriguinha
- Terra chama João!
- Ah oh pai... estava  distraido... 
- Eu não quero dar uma de tua mãe, mas... eu sei que chegaste logo de manhã, porque só apareceste agora? - olhei em volta e confirmei que a minha mãe estava bastante ocupada na cozinha
- O Ruben e a Mariana convidaram-me a almoçar com eles e eu fui... - suspirei
- E desde quando um almoço com esses dois te deixa a suspirar?
- A Maria estava lá...
- E finalmente conversaram? - deu-me alguns segundos para que falasse mas como não obteve resposta - Oh João ouve o velho... não vai ser a dormires com tudo o que veste saia que vais resolver o assunto por isso por favor resolve isso...
- Já te disse que ela está grávida?
- Não tu não, mas eu já sabia! E quando é que sei se vou ser avô de um menino ou de uma menina?
- Também tu?!
- Também eu? 
- Oh pai esse filho não é meu! - ele olhou-me surpreendido percebi que não lhe tinham contado tudo - a Maria ficou grávida quando já não estávamos juntos... e quando descobriu de imediato aceitou a gravidez, mas recusa-se a dizer de quem é!
- Queres com isso dizer que não há a mínima probabilidade de ser teu?
- Era bom que pudesse dizer isso e não pensar mais! Mas...  - vi-o sorrir
- Mas?
- Oh pai! Nós encontramos-nos um dia destes e... bem fazendo contas... bate certo! Mas ela recusa-se a dizer quem é e ainda anda com aquele prototipo de astro sempre atrás
- E hoje quando se encontraram falaram?
- Não... só o básico o indispensável... mas o Ruben, mais uma vez me caiu em cima... ele apesar da Maria não falar está 100% convicto que sou o pai.- deitei a cabeça para trás - Pai eu não sei o  que fazer ou pensar! Eu não sei! Só sei que quando vi o Ruben a apaparicar a Maria me deu uma vontade enorme de lhe mandar um encosto...de o mandar fazer um para ele com a Mariana que aquele é meu... e puxar a Maria para mim... para matar as saudades e para mima-la... a ela e à barriga!
- E porque não o fizeste?!
- Porque não sei de quem é aquele filho... pai para ela dizer que não sabe de quem é... o  que será que andou a fazer? Com quantos terá ela... - calei-me porque só a ideia me fazia perder a capacidade  de raciocinar
- João estás a pensar o que ela quer! - olhei-o sem perceber - já pensaste que ela pode saber muito bem quem é o pai... tu mesmo disseste que as contas batiam certo... e o pouco que conheço da Maria quer-me parecer que ela só está  a tentar disfarçar a importância que tu tens apesar da reacção que teve quando falaram  sobre ires para fora!
-  Sou obrigada a concordar com o teu pai! - a voz  da minha mãe assustou-me - primeiro porque uma mulher sabe sempre... repito SEMPRE quem é o pai do bebé que espera por muitos homens com quem tenha estado e segundo porque como o teu pai te disse ela só não quer dar o braço a torcer... João se há características que a Maria tem quer queiramos quer não, e olha que nunca pensei dizer isto, é o facto de ser bastante leal aos seus sentimentos... e a outra é que ela te ama! - estava parvo a minha mãe a dizer aquilo?!
- Agora resolveste andar por ai a ouvir atrás das portas?
- Não... estava mesmo só a trazer o lanche e ouvi-te! E se queres saber já desconfiava de tudo isso! Só esperava que fosses mais homenzinho e já tivesses tomado a posição correcta e neste caso só há uma... com cuidado porque ela não se pode enervar, mas vais ter de confronta-la e vão ter de esclarecer as coisas! - fez uma pausa serviu-nos o bolo e voltou a falar - Quando a viste na tua frente o que sentiste? 
- Oh mãe! - disse indignado e ela riu-se... chegou mesmo a gargalhar
-  Vês tu mais do que qualquer um de nós tem certeza de quem é o pai do filho da Maria... porque se não tivesses a outra hipótese era seres muito pervertido! 
- Teresa!! -  o meu pai estava tão abismado como eu
- Mas qual Teresa! Se ele acreditasse mesmo que ela pode ter dormido com mais alguém e que aquele filho poderia ser de outra pessoa não tinha pensado no que pensou porque isso o enojaria mais que qualquer outra coisa no mundo!
- Podemos mudar de assunto?! É que sinceramente isto está a ficar esquisito de mais e há coisa que “um gajo” não fala com a própria mãe!
- Mudamos como quiseres mas promete-me só que vais  pensar nisto?
- Oh pai eu não consigo pensar em mais nada!
Acabamos por finalmente mudar o tema da conversa fiquei a saber como estava toda a família e contei-lhes como iam as coisas em Valência até ser horas de ir para o aeroporto e voltar a deixar para trás “tudo”...

Maria
Depois do que ouvi na ultima noite não consegui dormir quase nada, levantei-me e tentei agir normalmente com a minha prima que ficou estupefacta quando lhe disse onde iria almoçar. A manhã de trabalho correu normalmente e na hora certa sai com direcção a casa dos pais do João. 
Quando lá cheguei respirei fundo algumas vezes antes de finalmente tocar à campainha, poucos segundos e a porta estava aberta e a Teresa, como queria ser tratada sorria-me
- Olá! Entra!
-Como está?
- Bem obrigada e vocês?
- Está tudo bem... o Sr Adelino?
- Está a trabalhar almoça fora... senta-te fica à vontade vou só buscar o nosso almoço...- saiu em direcção da cozinha enquanto eu ia fazendo exercícios de respiração para tentar controlar uma crise de ansiedade que se adivinhava
- Precisa de ajuda?
- Não obrigada querida! - Querida?! Ela chamou-me querida?! Definitivamente devia ter marcado este almoço num local publico ou ter garantido a presença de mais alguém! Passado pouco tempo sinto um cheiro maravilhoso - O almoço está servido, vamos? - segui-a e deparo-me com uma lasanha com um aspecto tão bom como o cheiro - espero que gostes!
- Lasanha é dos meus pratos preferidos e com o cheiro e o aspecto que tem é impossível que o sabor não esteja igualmente bom... - sentei-me e iniciamos a refeição o clima era constrangedor já que nunca tínhamos criado qualquer tipo de ligação no fundo éramos duas estranhas - tal como presumi estava deliciosa
- Imaginei que gostasses... afinal tu e o João são muito parecidos...
- É...
- E agora a sobremesa... - saiu voltando pouco tempo depois com o doce que tinha pedido na véspera - aqui tens!
- Oh não era necessário!
- Os desejos de uma grávida são para serem cumpridos...
- Obrigada... confesso que tenho poucas pessoas a suportar os meus caprichos... só mesmo a minha prima e o desgraçado do Ruben!
- São excelentes amigos! E os teus pais a tua mãe também te deve apaparicar não?
- É ela tenta, mas nem lhe digo muitas das coisas... sei que ela apesar de tentar disfarçar sofre por eu não estar casada ou no mínimo por não saber quem é o pai...
- Ainda bem que tocaste nesse assunto queria falar-te sobre isso e não sabia como...
- Falar-me sobre isso?
- Maria... - a  Teresa escolhia as palavras - esse filho que esperas é do João não é?
- Teresa desculpe, mas... eu não sei quem é o pai!
- Maria... - ela sentou-se na cadeira ao meu lado - vamos passar ali para o sofá... é mais confortável... - segui-a e quando nos sentamos ela passou o braço por cima dos meus ombros - Maria eu não percebi ainda quem queres enganar... todos sabem perfeitamente que esse bebé é meu neto ou neta!
- Teresa...
- Maria... não é muito difícil juntar algumas peças e o João ontem esteve cá e acabou por desabafar... eu percebo que não queiras depois do rumo que a vossa relação tomou assumir que vão estar ligados o resto da vida, mas não acredito que estejas feliz e o meu filho também não está! E se aceito que vocês mantenham o fim da vossa relação porque isso é algo que só a vocês diz respeito, não consigo concordar com o facto de deixarem um bebe vir ao mundo “sem pai” porque vocês são  orgulhosos de mais...
- Teresa eu...
- Tu tens a aliança que o meu filho te deu no dedo e desde que comecei a falar ainda não conseguiste dizer-me de forma segura e minimamente convincente que o que estou a dizer não é verdade...- senti as lágrimas rolarem - chora... chora que te alivia... 
- Oh Teresa eu juro que não fiz de propósito! Eu não engravidei para o prender! Eu... eu... - não consegui falar, só chorar, não sei quanto tempo passei assim, mas pela primeira vez tinha conseguido dizer em voz alta a alguém aquilo que era um dos principais motivos para me manter em silencio sobre a paternidade da “pipoquinha”, pois sabia que depois de termos terminado e de eu sempre ter enchido a boca para dizer que não queria filhos já, aparecer grávida depois de uma noite de recaída em que ainda por cima fui tratada como uma qualquer seria uma mina de ouro para que as  más-línguas dissessem que o teria feito de propósito para o “trazer de volta” e pior a primeira pessoa de  quem esperei ouvir isso estava agora a li a tentar abrir-me os olhos, não conseguia mesmo articular um simples som que fosse e só sei que chorei tudo o que andava a guardar há meses - desculpe...
- Estás à vontade... agora faz  um favor a ti, a mim, ao meu filho, mas principalmente a esse netinho ou netinha... fala com o João...
- Não... isso não!
- Maria ele tem o direito de saber!
- E também tinha o DEVER de sabendo o que andou a fazer  ter perguntado se poderia ser dele... também tinha o DEVER de se alguma vez gostou de mim como dizia perguntar como estava...  tinha que ter duvidado desde o primeiro segundo da minha palavra e saber que eu sou capaz de muita coisa, mas que nunca em momento algum antes ou depois dele seria capaz de estar com qualquer outro homem... mas ele duvidou... ou pior ele deu como garantido que tal aconteceu e... e foi frio ao ponto de me felicitar de forma irónica e de gozar com o bebe ontem ao almoço...
- Maria ele tal como tu está a proteger-se da única maneira que sabe... e acredita que não está a resultar...- ela fez uma pausa - Maria eu sei que nem sempre fui o mais correcta contigo e que também tenho a minha quota parte de culpa na vossa situação... mas é exactamente por saber tudo o que testei que sei que  vocês nasceram um para o outro... e confesso que estou desejosa de ver esse bebezinho cá fora... e daqui a uns tempos ser chamada de avó... - sorriu de forma ternurenta 
- Teresa eu...
- Tu estás confusa, eu imagino, por isso pensa... pensa com calma... e vais ver que vais chegar a uma forma de resolver tudo isto... - fez uma festa na minha barriga - aposto como ainda vou ver o nosso João a babar esta barriga... e a dar-te todos os mimos que tem guardado nos últimos tempos... ah outra coisa! Ele fala muito, mas “amigas” não digo que não as tenha, mas não são nem um décimo das que ele diz que são! - sorriu e  eu acompanhei-a e neste momento recebo uma chamada do escritório para onde tenho de voltar
- Desculpe, mas tenho mesmo de ir...
- Vai filha... vai! E qualquer coisa a qualquer hora liga... que a avó Teresa dá uma folga aos primos! - sorriu e não consegui responder-lhe dei-lhe um abraço e fiz todo o caminho de regresso a pensar nas suas palavras, ela tinha razão, mas não seria eu a dar o braço a torcer e a ir até Valência como um cãozinho a pedir atenção!

***

Passaram a voar os últimos quinze dias e as palavras da “avó Teresa” não me saiam da cabeça, até porque mesmo que eu quisesse ela, sem pressionar, tinha ganho o habito de me ligar dia sim dia não para saber como estávamos. 
A Mariana, a quem tinha omitido o teor da conversa real, dizendo apenas que a Teresa tinha querido enterrar o machado de guerra, ria que nem uma perdida sempre que percebia que tinha existido mais uma chamada, mas hoje era dia para rir eu.
Apesar de ser o dia para que tinha tudo marcado ainda não tinha arranjado forma de levar a minha prima até ao local da surpresa que tinha arranjado para ela, até que ela resolve queixar-se da vida e dos problemas em geral sabia que não me queria contar o que realmente a atormentava, ou seja os ciumes que sentia do Ruben comigo. Esta queixa da Mariana foi a minha saída
- Já sei... prima estás é a precisar de ir apanhar os ares do Norte - informei-a enquanto ela suspirava - que foi?
- Nada... é só cansaço - pensaria ela que me enganava?!
- Por isso mesmo... que dizes de irmos ver o jogo do Ruben hoje e depois... olha depois podíamos aproveitar que estamos lá e ir até ao Gerês... tu adoras aquilo e assim descansas...
- E... ó Maria não me apetece...
- Oh deixa-te de coisas... pensa comigo... vês o Ruben, ele fica inspirado para o jogo e depois... depois tínhamos um fim-de-semana de primas... só as duas... para recordar aqueles que fazíamos quando estávamos em Faro...
- Ok... - não estava muito animada, mas isso deixava para o Ruben
- Então anda - arrastei-a até ao quarto - vamos fazer a mala que temos uma viagem pela frente... - apesar de ainda tentar não dei margem para que a Mariana refilasse peguei na minha mala e enfiei-me no carro 
- Nem penses que és tu que levas o carro!
- Ah pois não! - gargalhei! - Olha lá eu estou grávida, não estou invalida!
Posto isto arranquei em direcção a Braga onde chegamos no exacto momento em que o jogo começou. Os 90 minutos passaram com a Mariana completamente ausente e assim que o jogo terminou apesar da minha tentativa ela recusou esperar pelo Ruben, íamos já a caminho da Casa de Turismo Rural em que tinha feito a reserva quando o Ruben resolve ligar-me sem para.
- É melhor atenderes!
- Deixa é o Ruben e eu falo com ele depois!
Fomos até ao destino e quando lá chegamos
- Olha lá o que é isto? - a Mariana falava enquanto olhava para o quarto que estava notoriamente pronto para receber um casal em “lua-de-mel” - A gravidez e a falta do João estão a deixar-te assim tão desesperada?
- Deixa de ser parva... deve ter sido alguma confusão deles, não reparaste que ficaram admirados quando nos viram às duas?
- É realmente... estou a precisar de um duche e dessa cama... mas como sou muito simpática e a melhor madrinha do mundo deixo-te a ti ir primeiro
- Não... vai já tu eu espero... até porque preciso de descansar um bocado antes... sim porque antes de estrear o colchão tenho mesmo de comer! Por isso toca a mexer para irmos  jantar!
- Ok... ok a mamã manda
A Mariana foi directa para a banheira e eu liguei para o Ruben
- Oi padrinho!
- Onde é que vocês andam?
- Calma!
- Calma?! Chego à garagem e a Raquel disse-me que tinham saído de lá logo no fim do jogo quando eu nem sabia que vinham, pensei que estivesses cansada e por isso voei para casa chego aqui e nem sinal de vocês ligo-vos e nenhuma das duas atende o telefone vezes e vezes seguidas e tu pedes calma!
- Mas tu ouves-me?
- Fala - disse resignado
- Ruben a Mariana não anda bem e por isso resolvemos vir passar o fim de semana no Gerês e de caminho aproveitamos para ver o jogo...
- No Gerês?! Tás a gozar?
- Não... mas...
- Mas?
- Oh nada deixa...
-Maria diz...
- Oh é que ainda não jantamos e quando vínhamos a sair do estádio, passamos naquele restaurante onde nos levaste da outra vez e lembrei-me daquele bacalhau... e pronto a pipoquinha não me deixa pensar em mais nada... tu podias ser um fofo e trazeres uma marmita para a tua gravida preferida!  

- Os seus desejos são ordens!
Desliguei a chamada depois de lhe dizer exactamente onde estávamos e de ele garantir que dentro de duas horas estaria lá e confirmei com a recepção a autorização de entrada do Ruben bem como uma explicação do que se passava.
Quando subi a Mariana já estava cá fora.
- Então onde foste?
- Descobrir um sitio para comer! Já sei onde podemos ir mas primeiro o meu banho!
Segui para a banheira e passei imenso tempo só com a agua quente a bater-me no corpo era relaxante e revigorante, tudo o que eu precisava antes de voltar a meter-me no carro com direcção a Lisboa.
Quando sai da casa de  banho já tinha passado mais de uma hora desde que tinha desligado o telefonema com o Ruben. Vesti a muda de roupa super confortável e quente que tinha trazido na maior da calmas 
- Mas tu não tinhas fome? Oh Maria tás lenta de mais!
- Olha lá tou cansada! - nesta altura recebo uma sms do Ruben a dizer que em 15 minutos estava lá - bom vamos?
- Finalmente... - estávamos já perto do carro
- Priminha querida do meu coração!
- Pedeeee
- O meu telemóvel ficou lá em cima da cama... podes ir buscar? - ela estava numa de me mandar deixar o telemóvel lá - por favooooor
- Está bem... - entrou e de imediato o Ruben chegou
- Boa noite!
- Tava a ver que hoje ficava sem jantar e que a minha pipoca nascia com cara de bacalhau!
- De nada Maria... sempre às ordens!
- Sim... sim... é isso tudo! Mas agora leva lá isso para dentro que eu só vim buscar o portatil e subo já atrás de ti
- E viva a azia! 
- VIVA!!!
Ele não me disse mais nada e entrou assim que o fez meti-me no carro e arranquei imediatamente.
Tinha mais de cinco horas de estrada pela frente... e depois?! Adoro conduzir e era isso  que iria fazer... conduzir e pensar... pensar na minha vida que andava em auto-gestão desde que tinha descoberto esta gravidez...
As primeiras três horas e pouco estavam já passadas e já madrugada dentro parei na zona de Coimbra para beber um café (descafeinado, mas o sabor sempre disfarçava um bocado) e comer qualquer coisa que a pipoca queixava-se já de fome. Assim que entrei na estação de serviço os poucos seres vivos que lá estavam olharam-me como se fosse um ET. Comi e descansei um pouco os braços os olhos e estiquei as pernas e as costas, parecendo que não esta barriguinha já causava mossa!
Assim que me senti em condições voltei ao carro e à estrada e agora sim, na segunda parte da viagem acabei por embrenhar-me nos pensamentos sobre a gravidez, mais precisamente sobre o pai da minha pipoquinha e a falta que me faz. Afinal não tinha sentido falta nenhuma porque inconscientemente tenho atirado para cima do Ruben todas as necessidades que tenho sentido de um homem durante este tempo... Quase todas! E não estava a ser justa nem com ele nem comigo.
Pensei vezes sem conta na melhor forma de remediar a situação pensei em enviar-lhe uma mensagem ou um mail, mas não... essa não era a melhor forma de ter este tipo de conversa... poderia sempre pegar em mim meter-me num avião e visita-lo e ai se tudo corresse bem poderia passar por lá uns dias... não decididamente essa não era opção com a sorte com que ando com certeza que não o encontraria sozinho e só me iria colocar em situação de risco...
- Ai Maria em que bela embrulhada te meteste! - acabei por falar comigo própria e nesse momento percebo que a sensação de aperto no peito era mais que saudade era sim sinal de uma valente constipação “a caminho” - realmente não me faltava mais nada!
Acabei por continuar caminho acompanhada dos meus pensamentos e passadas poucas horas estava em casa corri para o quarto onde vesti um pijama super quente e me enfiei de baixo das mantas, estava fora de questão tomar qualquer tipo de medicação antes de falar com a Ana o que não era de todo possível agora já que não a iria acordar e fazer um chá também não entrava nos planos já que o cansaço era muito. Olhei o ecrã do telemóvel para ver as hora e vi apenas uma sms da Mariana a que de imediato respondi
Deixei o telemóvel perto da almofada e enfiei-me definitivamente nas mantas e depois de algumas voltas sem conseguir dormir e a falar sozinha para perceber se a rouquidão tinha sido passageira consegui adormecer, mas dormir isso foi pior passei todo o sono a sonhar com o momento que me  tinha preenchido os pensamentos durante o caminho como contar ao pai que a pipoquinha vinha a caminho e por incrível que pareça sonho começava e acabava e eu nunca via a cara do “papa” nem como seria a sua reacção. 

Será que a Maria irá contar ao João que é o pai? Irá o Ruben e a Mariana se acertarem?

14 comentários:

  1. Claro que a Mariana e o Rúben se vão acertar, têm mesmo que se acertar!! loool
    Espero mesmo que a Maria se meta num avião e vá ter com o pai da criança! :D
    Para quando o 58?? :D
    Besos*

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  2. Olááá :O
    Oh MM's muito obrigada pelo esforço para publicarem hoje <3
    Mas uma vez, e como já tenho vindo a dizer, a palavra ideal é PERFEITO. Sim é repetitivo, mas é a palavra mais adequada.
    A D.Teresa desde aquela cena que fez sempre a considerei um bocado, pronto, mas neste capítulo ela surpreendeu-me muito pela positiva.
    E a Maria finalmente admitiu que o pai era o João \o/
    Espero que voltemm rápido.
    A Mariana e o Rúben por momentos pensei que a Maria não conseguisse, mas ainda bem que conseguiu deixa-los "presos" por assim dizer.
    E espero MESMO que o plano resulte. Porque aquele comentário da Maria a dizer que o Rúben podia ir procurar fora deixou-me triste :(

    Quero os próximos
    Beijinhos

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  3. Como conseguem nos surpreender desse jeito a cada dia? É incrível *o* A Mariana disse tudo ao Sr. Manuel & a conversa com a vovó Teresa foi mesmo ainda mais surpreendente, quase não dava para acreditar que era ela mesma a dona daquelas palavras um tanto, encorajadoras, á Maria. Espero que isso ajude, não só a ela, como o João, que também já ouviu e não foi pouco. Torcendo para essa surpresa dar certo, o Ruben e a Mariana merecem! *-*
    Beijos. Gabi :)

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  4. olaaaaa....
    Agora sim ja temos a confirmação o pai é mesmo o JOão, agora please eles que façam as pazes...
    ESTÁ LINDO....quero o próximo...
    Beijos

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  5. Lindo
    Espero bem que ela va ter com o João

    Proximo

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  6. Olá!
    Isto acabasse desta maneira?!Quero saber o que a Maria irá fazer!lool
    Postem o próximo bem rápido,que se há coisa que também quero ver é aqueles dois a atinar (de vez) :P
    Beijinhos
    Rita

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  7. Vamos lá a despachar o 58!!
    É necessário que um pai fique a saber que vai ser mesmo pai!!
    Está perfeitinho, como sempre.
    Espero pelo próximo ansiosa.

    Besos.
    Ana Patrícia.

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  8. Olaa,

    gostei muito, espero que seja desta que o João e a Maria se acertem :D

    Queremos o proximo

    Inês Costa

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  9. Gostei muito :)

    Quero mais

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  10. fantastico...

    quero mais... tou super curiosa para ver o proximo...

    continua...

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  11. Perfeito...
    Proximo e de preferencia com a reconciliacao do Joao e da Maria. Ja merecem ;)

    Beijinhos*

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  12. É agora que volta a harmonia à vida destas primas?? Espero que sim.

    Abreijos
    PatriciaQ

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  13. Eu sabia que este almoço ia ser surpreendente, finalmente a Maria confirmou, à pessoa mais improvável que o João é o pai da pipoquinha, acho que ela ganhou uma aliada na ex futura sogra.
    A Mariana disse das boas ao pai, é que ele nem piou, e também se dissesse alguma coisa era só para se enterrar mais. A surpresa que a Maria fez aos padrinhos da pipoquinha espero que dê resultado, mas não sei não, das M&Ms espero tudo.
    Espero que a Maria conte a verdade ao JP, se isso acontecer vai ser outro momento emocionante.
    Adorei

    Beijocas

    Fernanda

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