quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

050 - "- Já te disse que te odeio?! (....) odeio-te mesmo por me conheceres assim!


Maria
Acordar nos braços do João está a tornar-se num habito bom de mais. Esta manhã e depois da “birra” de ontem ainda me soube melhor, mas foram poucos os minutos que durou o mimo uma vez ele viajava para Varsóvia ainda esta manhã, por isso despedimos-nos logo após o pequeno-almoço já que uma mudança de planos de ultima hora me impediria de viajar com a equipa desta vez.
Passei o dia enfiada no trabalho e quando cheguei a casa ainda não haviam sinais da Mariana, acabei por me atirar para o sofá e ficar a abobrar olhando a tv, mas sem realmente estar a ver alguma coisa. Até que quase uma hora depois a Mariana entrou porta dentro atirando-se também ela para o sofá. Quis saber mais detalhes sobre a sua ida a Braga, o que gerou uma animada conversa interrompida pela campainha, acabei por a pedido dela ir eu abrir a porta e fiquei espantada quando do outro lado vi o tio Manel
- Boa noite Tio! Tudo bem?
- A tua prima? - gritou-me passando por mim e entrando
- Está na sala... - nem me disse mais nada e o que se seguiu deixou-me de queixo caído.
Aparentemente tinha saído algo na comunicação social sobre o Ruben ser visto acompanhado em Braga o que levou o meu tio a acusa-lo de várias coisas a Mari ouvi-o e depois com uma calma invejável disse-lhe que já sabia afinal era ela a “desconhecida” para não terminar sem provocar o meu tio falando em intimidade algo que o levou a revirar os olhos e resmungar mais alguns minutos para acabar por sair
- Desculpa Mariazinha, mas o tio continua a achar que isto não é vida para vocês... sim que tu também... eu bem vi a revista espanhola que a tua tia tinha lá em casa... - disse-me quando o acompanhava à porta
- Oh tio respire fundo e não dê importância ao que lê... e não se preocupe nós sabemos o que fazemos e temos total confianças neles... e não se desculpe, mas da próxima vez tente pensar antes de vir assim acusar tudo e todos e vai ver que evita mais um stress com a Mari...
- É vou tentar!
Ele saiu e eu voltei à sala onde ainda troquei algumas palavras sobre o assunto com a Mariana para logo de seguida jantar-mos e fecharmos-nos as duas nos seus mundos (leia-se quartos).
Os dias seguintes voaram e a Mariana voltou novamente a Braga e eu mais uma vez como sempre que ela ia até ao norte estava aninhada nos braços do João enquanto íamos falando
- Quando é que a Mari volta?
- Não sei... amanhã acho... porquê?
- Nada curiosidade... mas assim fica pouco tempo lá em cima...
- Fica o que pode...
- Oh... o Ruben anda um bocado atordoado...
- Imagino e ela também... anda calminha... nem parece a minha prima
- Tu ias comigo?
- A onde?
- Não é “a” mas “para”... sei lá imagina que há uma proposta... - estremeci só com a ideia
- Sei lá João!
- Não sabes?
- Não, não sei... - vi-o ficar sério - eu sei que faz parte da tua carreira, mas eu também tenho a minha
- Que não é fixa e que podes continuar em qualquer lado desde que tenhas net e telefone...
- Não é bem assim... As pessoas que represento estão todas numa determinada área geográfica e não me convém afastar... olha se não estivesse aqui quando o Ruben precisou como era?
- Oh... de avião de um dia para o outro estás aqui... - ele falava muito sério
- Olha lá estás a tentar dizer-me alguma coisa? Recebeste alguma proposta foi?
- Não... se isso tivesse acontecido já tinha falado contigo, não achas?
- Não sei... essa conversa está muito esquisita...
- Tenho falado com o Ruben e tenho pensado que não sei se aguentava passar semanas sem te ver... sem te sentir pertinho... sem poder dar beijinhos...
- Ui que estamos muito fofinhos! - ele ignorou-me e continuou
- Sem poder tocar-te... - e ai percebi que se havia coisa que ele não estava era fofinho ou melhor não inocentemente, já que a suas mãos começaram a percorrer-me o corpo com uma intensidade enorme - dar umas dentadinhas... - falou entre um beijo e uma dentada no meu pescoço gesto que foi repetindo corpo fora, para quando teve a certeza que dissesse a asneira que dissesse eu já não teria capacidade de o mandar passear - ...ouvir-te implorar por...
Calei-o com um beijo e terminei com a conversa levando-nos aos ponto máximo ali mesmo na sala, como eu adorava quando a Mari não estava e podia estar assim mais à vontade, mas o que aconteceu na sala foi apenas o inicio de uma noite agitada que se prolongou enquanto os nossos corpos tiveram energia.
O dia seguinte foi de nova viagem para jogo da Liga Europa e desta vez acompanhei o João. O jogo correu bem e quando chegamos na sexta-feira seguimos ambos para minha casa ainda ficamos um bocadinho nos mimos mas numa brincadeira surgiu a provocação da playstation e estávamos entretidos com um jogo de PES quando a Mariana chegou assim que entrou o João meteu o jogou no “pause” para a cumprimentar e levando uma patada de imediato o que o levou a sair “disfarçadamente” para que eu tentasse perceber o que se passava.
O que demorou mais do que eu esperava já que depois de tentar evitar qualquer conversa e após insistência apenas lhe consegui ouvir os soluços de choro profundo que ia abafando no meu ombro onde já lhe tinha encostado a cabeça, ficamos assim largos minutos, horas mesmo até que finalmente a Mariana me explicou que poderia estar grávida. Assim que ela falou pulei de alegria, mas ela acabou por me explicar que o Ruben não queria o bebé ou melhor que ela achava que o Ruben não queria. Ainda tentei obriga-la a comer mas não consegui.
Apesar de estar no meu quarto tinha a certeza que a Mari não dormia por isso também eu mal preguei olho. Levantei-me cedo e sai até à farmácia mais próxima comprei um teste de gravidez e assim que voltei a casa a Mariana já se encontrava a tomar o pequeno almoço foi a altura ideal para o entregar e pedir-lhe sem sucesso que o fizesse o que gerou uma troca de palavras menos simpática entre nós e a sua consequente saída intempestiva de casa.
Nos dias que se seguiram não falei mais sobre o assunto mas tentei controlar todos os horarios da Mariana principalmente os de alimentação. Quem não percebia o mau-humor dela e a minha preocupação excessiva era o João
- Mas tu dizes-me o que realmente se passa ou não?
- Ai oh João tu prometes que não abres a boca?
- Prometo tudo o que quiseres!
- A Mariana está grávida!
- Que fixe!!! O Mano deve andar no céu... - ele falava animado e depois parou - Mas isso lá é motivo para andarem as duas com esse humor?
- Ai João o Ruben não sabe e a Mariana suspeita, mas recusa-se a fazer o teste e... - acabei por lhe contar a conversa que tive com ela
- Mas a Mariana passou-se? O Ruben deve ter dado a resposta assim à parvo sem ter percebido népia! Vou falar com ele!
- João!
- Maria ele precisa de saber e a tua prima precisa atinar e nós sabemos que só ele é que a consegue fazer atinar...
- É tens razão...
Acabei por ficar a ouvir o João falar com o Ruben
- Vês! Eu não disse o Ruben até se passou! Ele respondeu aquilo porque pensou que ela quisesse pensar nisso por ter falado com o Miguel... e ele achou que podiam esperar mais afinal tá cada um no seu sitio, mas como é obvio ficou todo contente até porque ficou todo babado porque já lhe tinha satisfeito os desejos e mais não sei quê - falou a rir - ah ele vem cá assim que conseguir
A conversa ficou por ali e dias depois o Ruben veio a Lisboa para ficarmos todos a saber que tinha sido apenas um falso alarme.
E horas depois tínhamos lá em casa o meu tio que armou um tal escândalo que acabou por “deserdar” a Mariana. A minha prima não ficou feliz, mas também não morreu por isso.
Os meses seguintes foram calmos, o Sporting internamente não fez grande campeonato, mas na Liga Europa chegou às meias finais contra o Atlético de Bilbau.
***
Com o fim do Campeonato veio a convocatória para a selecção e lá em casa tivemos as duas hipóteses, um convocado o João e um não-convocado ou melhor 50% não-convocado já que fazia parte do grupo de reserva para eventual chamada.
O João andava radiante, mas como “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe” ainda antes de integrar o estágio da selecção o João telefonou-me cedissimo numa manhã supostamente normal com ele de férias e eu a trabalhar.
- Bom dia! A que se deve esta chamada a esta hora...
- Tás no escritório?
- Onde é que querias?
- Estou ai em 5 minutos!
Não disse mais nada e eu fiquei assustada, avisei que o deixassem entrar assim que chegasse e apenas respondi a meia dúzia de situações rápidas e urgentes Quando oiço a porta abrir, olhei na direcção e vejo-o a entrar com um ar sério e um conjunto de folhas na mão. Levantei-me e dei-lhe um beijo que ele correspondeu embora de forma tensa
- João estás a assustar-me o que se passa?
- Toma - disse-me passando-me as folhas para a mão e depois de respirar fundo - disse-te sempre que serias a primeira a saber e que não tomaria decisão nenhuma sem te ouvir - falava enquanto eu lia aquilo que era uma proposta para que se transferisse para Valência.
Estava capaz de matar alguém, mas tentei ao máximo retira-lo do cenário e imaginar que falava com um dos representados que não conhecia de lado nenhum, sendo fria a ponto de ver apenas os números e foi assim que lhe respondi
- O que é que o clube te disse? - ele olhou-me admirado devia ter esperado algo mais passional - O clube onde estás agora pensa a aceitar ou não?
- Maria...
- O que sabes disso? - insisti de forma a cala-lo
- Acho que sim...
- Esta proposta é abaixo da tua clausula, mas isso faz parte das contas deles... quanto ao que te oferecem a ti parece-me um negócio razoável... se bem que se fosse negociável após o Euro poderia ser melhor... ou pior... - ia analisando as coisas apenas no nível profissional enquanto tinha a cabeça e o coração numa guerra tremenda e quando digo a ultima frase o meu tio entra
- Quem é que vais negociar depois do Euro? Ah olá João
- Como está? - eles cumprimentaram-se
- Eu não vou negociar nada estava só a dar a minha opinião sobre isto... - passei os papeis para as mãos do meu tio ele leu-os e ia-me olhando com os olhos de tio preocupado e não de chefe, mas tentei ignorar e ele acabou por seguir a mesma linha que eu e desenrolou a conversa aconselhando os passos a seguir enquanto eles falavam abandonei por completo aquela sala, apenas lá estava fisicamente já que a minha cabeça voava naquilo que tinham sido os últimos, pouco mais de, dois anos e tentava acabar com aquele sentimento de ausência que sentia ainda com ele ali bem na minha frente.
- Maria! Mariaaaa!
- Ãh?! - disse saltando - Desculpe tio não o ouvi!
- Já percebi! Estava a despedir-me... vou almoçar... e vocês ficam por ai?
- Eu vou também - disse levantando-me e pegando na mala enquanto sentia os olhos do João pegados em mim, o meu tio saiu da sala e quando tentava fazer o mesmo senti a mão do João parar-me o movimento
- Estou à espera de uma resposta! - olhei-o fingindo não perceber de que falava - Maria preciso da tua opinião!
- Já te dei... aliás eu e o meu tio... o que queres que te diga mais?
- Sei lá... que me apoias ou que por ti não ia... que vais comigo!
- Para... não sou capaz de não ser egoísta neste momento por isso deixa-me pensar um bocado e depois dar-te uma resposta decente
- Eu não quero uma resposta decente... quero a tua resposta, quero saber o que achas tu a Maria Micaela e não a Maria Mendes gestora... Quero que sejas egoísta se é isso que sentes mas quero a porcaria de uma resposta!
- Se é o que queres é o que vais ter mas depois não digas que não avisei! Por mim não ias a porcaria de sitio nenhum! Tás assim tão mal aqui?! Mas tu é que sabes o futuro e teu! E não eu não vou contigo! Eu tenho a minha vida aqui e não consigo trocar tudo para ir para lá para daqui a quê dois anos voltar a trocar tudo... não consigo! Faz o que quiseres... mais do que te disse não consigo dizer...
- E nós como ficamos?
- Ficamos?! Achas mesmo que ficamos?! Se todos os dias juntos tu fazes uma cena quando falo por exemplo com o Sérgio imagina se não estiveres ao pé e te encherem os ouvidos com “merdas”... João se fores decididamente não ficamos... mas não quero que tomes a tua decisão com base nisso!
- Realmente quando falaste em egoísmo nunca pensei que fosse tanto...
Ele saiu do escritório e não me disse mais nada.
A Mari e o Ruben caíram-me em cima, mas eu não consegui-a mudar a minha visão eu acusei-o a ele, mas no fundo era eu que não iria conseguir reagir bem a certo tipo de informações que poderiam surgir, era eu que não consegui ter nele a confiança que exigia que ele tivesse em mim, era eu que não era suficientemente forte para aguentar a distancia!
Nunca mais voltei a ver o João, passei dias a olhar para o telemóvel e sempre que havia mexidas no mercado eu tremia pensando que me chegaria a noticia. Pedi vezes sem conta ao Ruben que me dissesse qual tinha sido a decisão do João e depois já só pedia que me dissesse quando é que ele iria estava novamente a tentar saber de algo, mas mais uma vez da boca do Ruben apenas saia
- Maria tens o numero de telemóvel dele? Sabes onde mora? - como é óbvio respondia-lhe afirmativamente - Então vai lá! Fala com ele... falem um com o outro caramba!
- Não... deixa... eu disse tudo o que tinha para dizer... ele aparentemente não tem nada de relevante para me dizer a mim... por isso... bom divirtam-se que eu vou dormir
Deixei o casal na sala e fui enterrar-me como sempre na cama, de onde só saia agora directa para o trabalho onde passava o tempo a pedir secretamente para que o tempo voasse e eu pudesse voltar a fechar-me.
Estava a chegar o final de Maio e o meu tio entrou pelo meu gabinete a dentro sem nem sequer bater encontrou-me num momento, que tinha varias vezes durante o dia de completa e total sensação de incapaciadade

- Maria! Oh Maria!
- Desculpa chefe...
- Sou teu tio! Já sabes?
- Acabei de ver na net... nada que não esperasse... mas... - comecei a chorar descontroladamente o meu tio tentou acalmar-me mas acabou por recorrer ao único meio que sabia ser eficaz ligou para a Mariana e passado pouco tempo já ela estava no meu gabinete e ai sim ele voltou a falar - Vocês as duas estão dispensadas podem ir!
- Não é preciso tio - respirei fundo - eu já estou bem estava só a precisar deitar cá para fora, agora já está já posso voltar ao trabalho
- Nem penses... vão lá as duas!
Acabei por ir até casa a Mariana não me deixou conduzir e levou ela o meu carro
- A culpa é tua! - íamos a meio do caminho quando eu ao ver algumas fotos que tinha no telemóvel e as lágrimas começaram a rolar paramos num semáforo e a Mari fez questão de chafurdar na ferida
- Obrigada era tudo o que precisava!
- Ainda vais a tempo de falar com ele... Maria falem... vai com ele uns tempos até lá, nas tuas férias e depois voltas e sempre que conseguirem encontram-se... olha para mim e para o Ruben...
- Não estás a querer comparar 500km com 1000?! Ou a forma como tu e o Ruben chegaram a essa decisão e a forma como eu e o João resolvemos!
- Não demoras 5h demoras 10h! Não vais de carro, vais de avião! Maria nós resolvemos e custa tê-lo lá, mas vocês... ou melhor TU tomaste a tua decisão e nem o ouviste... - olhei-a porque nunca tinha contado nada do que tinha acontecido naquele escritório - não me olhes assim! Achas mesmo que o João não desabafou? Ele está no lodo e acredita que pensou em não aceitar, mas se queres que te diga EU aconselhei-o a ir! Maria tu não tens direito de lhe pedir que abdique da carreira porque tu tens medo de não conseguir aguentar os teus ciumes...
- Já te disse que te odeio?! - Disse ao sair do carro batendo a porta com toda a força que tinha - odeio-te mesmo por me conheceres assim!
Entrei em casa e voltei a fechar-me no quarto enquanto olhava as paginas online dos jornais desportivos que o mostravam sorridente com o contrato já assinado. Peguei no telemóvel e sem pensar muito bem abri uma nova sms

Enviei sem pensar. Mas passei o resto dos dias a olhar para o telemóvel à espera de receber uma resposta nem que fosse um “vai à merda!” algo que não aconteceu.
Os dias foram passando e o Euro começou o Ruben e a Mariana não me largaram por nenhum segundo obrigando-me a assistir a todos os jogos o que era como espetarem-me facas e no final assim que me viam de beicinho “armado” e lágrimas a caírem começavam logo a relembrar-me de quem era a culpa.
Quando acabou o Portugal 1 - 0 Republica Checa, recebi uma sms do meu tio a avisar que iríamos estar presentes no jogo das meias-finais comecei a barafustar
- O que é que tens que hoje estás pior que nos outros dias?
- Vai-te lixar Ruben!
- Ei calma só quero ajudar!
- Não preciso de ajuda - acabei de falar de deixei cair o copo com sumo que tinha na mão
- Não... que ideia! Oh Maria mas tu pensas que enganas quem? Já nem o copo seguras porque passas os dias a tremer, porque andas uma pilha e porque mal comes...
- E tu és meu pai?
- Não, mas sou teu amigo! Gosto de ti e acho que apesar de teres sido uma grande egoísta e burra isso não quer dizer que não tenhas hipotose de mudar as coisas...
- Não há nada a mudar!
- Vais-te arrepender, mas a partir deste momento não te digo mais nada, mas aviso-te já que nunca mais te quero ouvir pronunciar um ai que seja sobre o João! - o Ruben saiu da sala
- Ele tem razão!
- Ele tem razão! - gozei-a - claro que tem o mundo está todo certo menos eu e como se não bastasse vocês a esfregarem-me isso na cara a toda a hora agora tenho de ir lá
- Lá onde?
- Ao jogo da meia-final o tio informou-me que vou com ele... eu não sei se me aguento se tiver que me cruzar com ele Mari eu não sei mesmo!
- Prima gostava de te ajudar, mas estás a sofrer as consequencias das tuas decisões!
- Vou fazer a mala!
Sai da sala e fui até ao meu quarto onde arrumei uma mala para passar 5 dias na Polónia, iríamos uns dias antes das meias-finais para trabalhar mas também para conhecer um pouco do pais.
A viagem foi tranquila e foi já na Polónia que fiquei a saber que o adversário de Portugal seria a Espanha. E passados poucos minutos do jogo de “nuestros hermanos” terminar voltei a ouvir o toque de telemóvel que ultimamente era sinonimo de conseguir sorrir
- Hola Cariño... Cariño no...  Ahora eres rival y yo sostengo que es ya una derrota segura
- Si se trata de verte sonreír... supongo que no me importa
- Mentiroso...
- Embustero?! sí, pero contento de oírte excitada...
-Sabes onde estou? Em Varsovia!
- ¿Estás hablando en serio? Antes del juego no puedo pero el día del juego que te veo...
- Claro!!
- Bueno porque echo de menos abrazarte y besarte!
- Exagerado! Encontramos-nos no estádio então e desta vez, mas só desta vez não te desejo sorte!
- Te entiendo! Que gane el mejor! Besazo Cariño
- Besazo Rival!
Terminei a chamada a sorrir no momento que me batem na porta do quarto vou abrir e dou de caras com o Rui Patricio
- Olá! Tu aqui?
- É parece que estamos no mesmo hotel...
- Estás a gozar certo?! Vou matar o meu tio!! - o Rui sorriu, ele era um dos melhores amigos do João
- Isso é tudo medo? - a ligação dele ao João tinha provocado uma similar comigo o que lhe dava à vontade de comentar a situação
- Medo?!
- Desculpa meter-me, mas...
- Rui eu não sabia que estavam aqui e sim é medo! Não estou preparada para me cruzar com ele!
- Vocês... - abanou negativamente a cabeça, mas acho que percebeu o meu desespero e por isso mudou de assunto - vens jantar? O teu tio foi convidado aceitou e pediu que te chamasse... afinal hoje estamos de “folga”
- Acho melhor não...
- Maria todos sabemos que estás cá...
- Ok já percebi, eu desço para comer e volto a subir
O Rui saiu e eu depois de passar a cara por agua e dar um toquezinho na roupa desci, quando cheguei junto ao meu tio este falava animadamente com os responsáveis da FPF e eu aproveitei para entrar na conversa de forma a não ter que contactar com os jogadores, consegui evitar falar com o João uma fez que apenas falei com quem me veio cumprimentar, mas vi-o... vi-o muito bem ao longe parecia bem... arrisco mesmo que estava feliz

João
Nunca esperei a reacção da Maria e por isso acabei por não conseguir voltar a tocar com ela no assunto, nem no da minha saída, nem outro qualquer.
Passava os dias a pensar nela e na esperança que tentasse entrar em contacto de forma a dizer-me que tinha reagido a quente, mas não o fez.
O Ruben e a Mariana tentaram que fosse eu a fazê-lo, mas não seria eu a dar o braço a torcer e acabou mesmo por ser a Mariana a dar-me o empurrão que faltava para que assinasse o contrato quando me disse que não poderia deixar ficar para trás a carreira por aquilo a que ela chama uma birra da prima.
No dia que assinei e que a noticia foi divulgada recebi uma sms da Maria com aquilo que considerei ser ela a gozar com a minha cara. Não consegui responder-lhe e não soube de mais nada dela até que a vi entrar no hotel com o tio no dia seguinte ao jogo dos quartos de final. Ela subiu e nem nos viu apenas o tio ficou a conversar com o Mister e o pessoal da FPF. Nessa altura o Rui desapareceu e quando voltou passado pouco tempo surgiu da zona dos elevadores a Maria, perdi o ar só pendei em largar tudo incluindo o orgulho e se ela tivesse dado mais um passo na nossa direcção juro que o tinha feito mas ela ficou-se perto do tio e integrou-se na conversa
- Vai lá!
- Que é?
- O Capitão aqui sou eu né?! Então estou a mandar-te ir lá!
- Oh Cris trata da tua vida!
Afastei-me e sentei-me sozinho numa zona de sofás para ficar a vê-la algo não estava bem, ela não tinha o brilho do costume embora conversasse animadamente cheguei mesmo a ouvi-la gargalhar. E decidi mostrar-lhe que também eu estava bem e para isso juntei-me ao grupo mais animado e barulhento durante o jantar.
Nos dias que se seguiram até ao dia do jogo não a vi sabia que estava no hotel porque o tio andava por lá mas ela...
- Escusas de olhar para o tio que não encontras a sobrinha!
- E ires ver se a Irina tá...
- Nem acabes... mas como estava a dizer ela anda a passear por ai e acho que ia tentar estar com o Iker e o Sérgio...
- Claro o Sérgio!
Será que durante este tempo todo a minha mãe esteve certa, será que só eu quis ser o enganado?!
No dia do jogo tentei abstrair-me ao máximo da situação embora tenha sido difícil vê-lo ali em campo todo “sorrisinhos” e só conseguir pensar que conhecia bem o que o levava a sorrir afinal também eu já tinha sorrido assim! E para ajudar acabamos eliminados nos penalties.
Depois do fim do jogo já no momento em que voltávamos para o autocarro dou de caras com a cena que menos queria!
O Sergio “bi-campeão europeu e campeão do mundo e de mais sei lá o quê” Ramos e a Maria abraçados! Congelei no caminho fiquei petrificado e apenas um encosto mais forte do Rui me fez mexer
- Ou vais lá e acabas com a festa daquele palhaço ou entras no autocarro e nunca mais a vês...
- Vamos! Tá na hora de pensar Valência!
E conforme o disse assim o fiz desde aquele momento não voltei a ver a Maria pelo menos não pessoalmente já que sempre que me apanhava sozinho e as saudades apertavam fazia uma visita às redes sociais onde a podia ver passeando com o amigo ou a ver filmes com o porc... amiguinho ou a trocarem elogios e mimos por status e a Mari ainda me tinha contado como a Maria voltou das férias com o amigo muito mais animada.
As férias acabaram e cheguei definitivamente a Valência  a adaptação foi rápida e boa, mas dava por mim várias vezes a pensar em como gostaria de a ter comigo, o momento da escolha da casa então foi terrível só pensava se ela iria ou não estar de acordo para no segundo seguinte me auto-crucificar por fazê-lo.
Os tempos foram passando e o regresso à selecção chegou, um amigável jogado em Faro. O jogo foi, presunção à parte, fácil e no final já vinha pronto para o regresso a Valência quando oiço o Cris.
- Isto quem é vivo sempre aparece! Como está a Mendes Jr?
- Mendes Jr é a prima! - tremi e temi olhar na direcção do som ainda os ouvi falarem mais um pouco e mais algum pessoal juntar-se a eles até que me resolvi aproximar, fi-lo no mesmo instante que o Ricardo e assim pareceria mero acaso - Ola! Ricardo - deu-lhe dois beijos e o momento que tanto temia chegou, ficamos parados a olhar um para o outro sem saber o que fazer, não sei quanto tempo ficamos assim, apenas me apercebi que foi muito quando ela voltou a falar - o pessoal já foi todo... não tens de ir também?
- É tenho... - olhei em volta - como é que eles saíram todos e nem dei por isso? - perguntei para mim mesmo embora alto de mais já que ela ouviu
- Não sei... também não me apercebi - caminhávamos agora os dois em direcção ao parque de estacionamento e quando lá cheguei fiquei sem saber o que fazer o Ricardo que tinha ficado de me dar boleia tinha evaporado tal como todos os outros por isso tinha acabado de ficar apeado no meio do nada onde fica o Estádio Algarve. Voltei para trás onde reencontro a Maria que vinha agora já com a sua mala - Então vais ficar a fechar o estádio é?
- Não... fiquei apeado! Era para ter boleia do Ricardo e olha desapareceu...
- Não seja por isso boleia posso dar-te... e se quiseres o quarto da Mariana está livre... - olhei-a e percebi que estava a tentar agir de forma natural mas que a ela também lhe custava aquela situação e arrependi-me amargamente de ter olhado já que perdi o pouco controlo que tinha sobre mim.
- O quarto da Mariana?! Porquê tens mais alguém na tua cama? - saiu-me sem pensar
- Não... não tenho! - falou ao entrar no carro segui-lhe o exemplo e assim que fechei a porta
- Então acho que prefiro a tua cama!
- Achas é?! - estávamos dentro do carro e a distancia entre os nossos corpos estava a reduzir a uma velocidade avassaladora - Pois eu acho que prefiro.... - não a deixei acabar de falar acho que tive medo que me pusesse a dormir no sofá da sala e por isso calei-a da única forma que achei possível beijei-a.

Maria
Com o final do Euro e depois de ter visto a Espanha sagrar-se campeã tirei uns dias de férias que passei com o Sérgio, o Iker e a Sara foram dias que me ajudaram a animar mas que terminaram depressa.
Julho passou a voar com tudo isto e já vamos a meio de Agosto aproveitei ser feriado e a selecção jogar no Algarve para ir até Faro e depois ao jogo.
Foi no final do jogo quando tive acesso à “zona mista” e fui falar com o pessoal que acabei por rever o João ele aproximou-se e não sei bem o que se passou a seguir quando voltei a ter noção da realidade estava a recuperar o fôlego depois de um maravilhoso momento digno de um filme para adultos dentro do meu carro ainda no parque do estádio. Não consegui fazer mais nada a não ser sorrir senti-me no céu e com medo de descer de novo ao inferno que tem sido os últimos tempos voei até casa, mantendo sempre o ambiente bem quente o que aconteceu durante toda a noite.
Foi realmente uma noite memorável acho que a mais intensa de todas as que já tínhamos tido. Sou capaz de jurar que o ouvi e que o deixei ouvir tratarmos-nos pelos apelidos “carinhosos” que sempre usamos nestas situações e sei que não sonhei e que adormeci com a cabeça no seu peito enquanto ele me acariciava o cabelo e ainda me brindava com alguns beijos na testa.

João
Acordei no dia seguinte com a certeza que apenas teria algumas arestas a limar com a Maria, mas que tudo iria finalmente ficar bem. Até que me apercebi que só acordei porque o telemóvel da Maria tocava e tocava aquela musica irritante... peguei nele só para confirmar e ainda atendi mas sem falar para do outro lado ouvir
- Buenos días mi amor! ¿Cómo fue el partido de ayer? Te encuentras con otro? Fue bien? Cariño?? ¿estás ahí?
Desliguei sem dizer nada e uma raiva subiu-me pelo corpo apoderando-se de mim, afastei aquele corpo de mim e vesti-me o mais rápido que pude. Tinha de sair dali, mas antes ainda tinha de lhe dizer que não gozava assim comigo!

Maria
Acordei e estava sozinha na cama, teria tudo sido um sonho? Não podia... sentia o cheiro dele em todo o lado, nos lençóis  nas almofadas, em mim... quis acreditar que ele teria ido só até à cozinha preparar o pequeno-almoço, e por isso corri até lá não estava ninguém olhei em volta e nem sinais de ter tido companhia voltei ao quarto e reparei no meu telemóvel jogado na cama e num papel dobrado em quatro na mesa de cabeceira peguei-o abri e era dele comecei a ler e senti o coração a quebrar-se em mil pedacinhos


Como será o resto do dia da Maria? Será este definitivamente o fim da linha para a Maria e o João? E o Sérgio será mesmo namorado?

11 comentários:

  1. MAE DO CEU!!!!
    Isto lá são maneiras de se terminar um capitulo!?
    Isto são maneiras de se deixar uma pessoa sensivel como eu e um ciumento como o João?

    Necessita-se o próximo!! Rapidamente!

    Besos.
    Ana Patrícia

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  2. Minha nossa, metam-me já aqui o 51! xD
    A Maria e o João não podem acabar assim, o sérgio que vá dar uma volta!! ahahaha

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  3. Oh meu Deus!
    Vocês são mesmo mazinhas!!
    Deixaram-me a sofrer e depois cheia de esperança e agora estou a sofrer outra vez e a fazer beicinho!!
    Toca a postar o 51!!!
    Bjs

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  4. Concordo, eu quero o 51 !!
    Não quero que a Maria e o João acabem :(
    Juro que até me apetece chorar :'(
    Aquele Sérgio começa a irritar-me profundamente --"

    Quero o próximo rápido, sff
    Beijinhos

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  5. Olá!
    Hoje não tem direito a carinha com um sorriso porque eu fico mesmo triste só de pensar no fim do João e da Maria :(
    Eu quero eles dois é juntos!!E só espero que ao escrever o 51 façam isto acontecer.
    Quanto ao Sérgio,estou numa de já nem o puder ver à minha frente!Ele que vá dar um passeio -.-
    Quero mais e muito mesmo muito rápidooo!
    Beijinhos
    Rita

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  6. São muitas emoções para um só coraçãozinho, e que emoções :( Ainda comecei a pensar que era desta que eles se resolviam, mas o Ramos tinha mesmo que aparecer não é? É que já não posso com ele, e a única coisa que quero é o 51 rapidinho, com uma reconciliação da Maria e o João, de preferência.
    Beijos :*

    Gabii

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  7. Ai coitadinho do meu Joni a sofrer assim.

    Muito bom o capitulo, tou sem palavras mas deve ser do adiantado da hora, afinal já são 3h e 15min.

    Ponham o 51 depressa que quero saber o k vai acontecer agora.

    Abreijos
    PatriciaQ

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  8. fantastico...

    quero mais...

    continua...

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  9. Olá,

    gosteii mas a agora a curiosidade esta a matar-me ^^

    Queremos o proximo *.*

    Inês Cost

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  10. Oh!meu Deus, haja coração, quando pensamos que eles estão bem vem novamente uma tempestade que destrói tudo e desta vez foi um verdadeiro furacão. A Maria revelou-se uma egoista, o JP um teimoso, não há quem os ature, e para melhorar isto tudo tinha que aparecer o raio do espanhol, que até pode ser bom como o milho, mas já me tá a enjoar. Eu quero que eles se entendam, porque isto não é vida para ninguem.
    Lindo

    Beijocas

    Fernanda

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