Ruben
Acordar com a Mariana do meu lado deixou-me logo de sorriso no rosto, ela dormia serenamente o que permitiu ficar a observá-la, é tão bom acordar do lado da pessoa que amamos e simplesmente contempla-la.
A manhã foi passada em casa, aproveitamos para matar saudades mas de tarde tive que despedir-me dela, a Mariana tinha a tal reunião com o Nuno e quando acabasse seguia de imediato para Lisboa uma vez que de tarde tinha treino.
Mariana
Depois de uma manha de ronha completa tive que deixar os mimos do Ruben e vestir novamente o “fato de trabalho” tinha a reunião com o Nuno que por sinal correu bem, como já seria de esperar, e assim que terminou segui para Lisboa.
Cheguei e fui directa a casa, estava estafada, talvez por uma noite muito agitada nos braços do homem que amo e de horas de viagem, o certo é que assim que entrei na sala e encontrei a Maria lá joguei-me para cima do sofá.
- Como correu?
- Bem...
- Bem?? É a única coisa que tens a dizer??
- Ai... tou cansada para estar com grandes detalhes...
- Ui... que o meu priminho deu cabo de ti... - gargalhou talvez pela cara de “carneiro mal morto” que fiz - vá conta lá...
- Chata... - mandei-lhe uma almofada à cara - então... - teria mesmo contado o que se passou mas fomos interrompidas pelo som da campainha.
- Deixa-te estar que vou lá... - falou depois de ter implorado ainda só com o olhar para a Maria ir abrir.
Estava já com o telemóvel na mão para mandar uma mensagem ao Ruben a dizer que tinha chegado quando ouvi a voz do meu pai que por sinal falava uns decibéis acima do tom, perguntou por mim e a Maria deve ter respondido que estava na sala porque foi questão de segundos até tê-lo diante de mim a olhar-me com uma cara que juro que se fosse miúda teria fugido.
- O que é que se passa?
- O que se passa? O que se passa é que tinha razão... é o que é... - falou quase aos gritos.
- Hey... baixe lá o volume que não sou surda!
- Surda não és mas cega... - olhei-o atónica
- Pai! Mas o que é que fiz para você estar assim?? - perguntei já chateada.
- Meteste-te com quem não devias...
- Pode parar por aí... pai não estou com paciência para o ouvir criticar o meu namoro, estou cansada e sem pachorra para o aturar!
- Namoro?? Estou a ver que ainda não sabes da última que o teu namorado aprontou... - olhei-o surpreendida - sim Mariana ele traiu-te! - engoli em seco as palavras do meu pai e vi a Maria a esbugalhar os olhos perante a revelação do meu pai
- Pai...
- Nem adianta tentares negar porque foi apanhado... - conforme falou esticou o braço mostrando-me uma folha impressa em que...
“Ruben Amorim deixa no dia dos namorados estádio AXA acompanhando... Parece que um dos solteirões mais cobiçados do futebol nacional foi apanhado pela seta do cupido.
Depois do jogo que terminou com a derrota do SC Braga, o jogador saiu do estádio acompanhado e segundo o que foi apurado estava bem disposto. Ainda foi visto horas depois no centro histórico de Braga também na companhia de uma rapariga que até ao momento não se sabe quem é mas foi evidente a cumplicidade de ambos.
A questão que se impõe é quem será a dona do seu coração...”
Bastou-me ler o início para perceber o motivo de estar a levar com aquele drama todo, respirei profundamente e quando ia abrir a boca para esclarecer...
- E agora?? Já dás razão ao que sempre falei??
- Não! Pai é verdade que o Ruben saiu do estádio acompanhado como também é verdade que horas depois andou pelo centro histórico de Braga...
- Já sabias? E não fazes nada?
- Sim sei... aliás sei disso e de tudo o que se passou e que não vem aí mencionado... ah e garanto-lhe que não vai gostar de ouvir... afinal qual é o pai que gosta de saber detalhes da vida intima da filha - atirei já possessa - foi comigo que o Ruben foi visto... ontem fui a Braga aliás encontrou-me em casa por pouco, acabei de chegar...
- E tinham de andarem a desfilar??
- Oh pai tenha dó... nunca escondi o facto de conhecer o Ruben e de namorar com ele... aliás nem sei como é que só agora resolveram fazer disso notícia!
O meu pai ainda resmungou durante uns minutos mas acabou por se ir embora.
- Bem o tio passou-se...
- Maria mesmo sério já começo a ficar farta...
- Sim... fogo é que nem cuidado teve a dar a notícia, nós sabemos que o Ruben não seria capaz de tal coisa mas e se fosse verdade... como é que não ficarias... o tio não teve cuidado nenhum...
- Não quero falar mais sobre isto...
A Maria respeitou o meu pedido e depressa mudamos de assunto, acabei por ajudá-la a preparar alguma coisa para o nosso jantar e no fim de comer fui para o quarto, queria falar com o Ruben e contar-lhe a última do meu rico pai, lógico que não gostou do que ouviu mas também não fez disso um drama.
Os dias seguintes passaram a um ritmo alucinante, o que ajudou para que não sentisse tanto a falta do Ruben, finalmente amanhã irei matar as saudades dele, aproveitar que o Braga joga à sexta para ter dois diazinhos mais descontraídos com o meu amor, estava a preparar a mala com a roupa necessária quando senti uma ligeira indisposição mas que passou após uns minutos e por isso continuei a minha tarefa, assim que fechei a mala fui despedir-me da minha prima e fiz-me ao caminho, tinha uma viagem de horas pela frente mas com a certeza que quando chegasse tinha dois braços abertos à minha espera para receber-me com muitos mimos.
As primeiras horas em Braga foram algo agitadas principalmente na horizontal... sim... o Ruben recebeu-me MUITOOOOOO BEMMMMMMMMM, bem demais até... conseguiu deixar-me sem uma “pinga” de energia e por isso a manhã de sábado foi passada na cama, ultimamente tenho sido atacada pela preguiça e acabo sempre por perder a luta que como teimosa que sou ainda tento ter mas saio derrotada e fico mais um bocadinho na cama... o que já fez com que chegasse dois ou três dias atrasada ao trabalho.
- Mari... - obriguei-me a mim mesma a levantar a cabeça que estava no seu tronco e a olhá-lo - almoçamos por aqui ou podemos ir a qualquer lado?
- Hum... - falei nada convicta
- Bem hoje estás mesmo preguiçosa... não queres mesmo sair da cama... podíamos ir até ao centro e almoçávamos por lá...
- Ok... mas antes vens comigo para o banho - sorri ao perceber que tinha entendido a mensagem e de que forma... o Ruben levou-me novamente à “lua” para no fim despacharmos-nos e seguirmos até ao centro de Braga mas assim que lá chegamos - sabes o que me apetece mesmo... mas mesmo muito??
- Não... - falou meio a medo.
- Comer uma francezinha mas tem que ser mesmo típica!
- Estás a dizer para irmos até ao Porto???
- Porto ou Gaia tanto faz!!! - falei já quase a salivar-me.
- Ok... definitivamente os ares do Norte fazem-te mal a essa cabeça... primeiro não querias sair da cama e agora queres ir até ao Porto comer...
- Ai... não refiles e vamos... please... tou aqui tão perto...
O Ruben sorriu mas lá acabou por fazer-me a vontade e durante a viagem mantivemos sempre uma conversa bem animada mas desta vez a animação era só verbal... nada de provocações e afins...
Chegamos a Gaia já perto das 13h por isso fomos directos ao restaurante que sabia ter as melhores francecinhas, pelo menos para o meu gosto, comemos numa boa e fomos super bem recebidos.
- E agora a melhor namorada do mundo - abraçou-se a mim - tem mais alguma ideia para ocuparmos o resto da tarde que não seja comer que nem dois alarvos??
- É?? Piada... mas sim tenho uma ideia... vamos passear à beira rio assim sempre queimas as calorias que ingeriste...
- Há outra forma de queimar as mesmas calorias... - murmurou-me ao ouvido e confesso que só tonzinho de provocação que usou foi suficiente para deixar-me em “brasa” ainda assim...
- Não te metas com ideias! Anda! - acabei por puxá-lo pela mão e caminhamos até à beira rio.
Estávamos os dois mais do que entretidos a apreciar a vista e a aproveitarmos o momento para dar e receber alguns mimos ainda que discretos quando ouvimos...
- Olhem só quem é ele...
- Puto! - o Ruben levantou-se e cumprimentou o Miguel Victor e a Tânia, exemplo que também segui - posso saber o que fazem cá por cima?
- Olha este... deves pensar que és o único que podes levar com os ventos do Norte - gargalhamos os quatro.
- Só não esperava encontrar-vos por aqui.
- É... viemos dar a boa nova - a Tânia sorriu - à família e depois resolvemos vir passear para estes lados.
- Boa nova?
- És mesmo cusco... - refilei perante a pouca indiscrição do Ruben.
- Cusco nada... curioso... e depois se fosse assim tão sigiloso o Miguel nem comentava...
- É... o Ruben tem razão - a Tânia foi quem começou mas foi o Miguel que nos deu a novidade...
- Vamos ser pais! - falou de sorriso no rosto... mesmo sem os conhecer bem foi notório que estavam ambos mais do que felizes, felicitamos os futuros papás e acabamos mesmo por continuar o passeio a pé mas agora a quatro.
Os rapazes iam na frente à conversa, percebi que o Ruben estava a inteirar-se do que se passava na Luz e preferi deixá-lo só com o Miguel.
- Como é que ele tem andado? - olhei para a Tânia - O Miguel comentou que o tem achado meio distante...
- Pois... não está a ser fácil - encolhi os ombros - custa-lhe estar distante da família e dos amigos, apesar de cá ter o Nuno e de contar com o apoio dos restantes colegas... falta-lhe a família...
- Faltas tu! - disse convicta o que fez com que sorrisse.
- Não nego que seria bem mais fácil se tivesse em Lisboa mas não está e só temos que viver com isso!
- Pois... mas deve ser complicado... afinal namoram há menos de um ano e têm de ficar afastados...
- Podemos namorar à pouco tempo mas já nos conhecemos à imenso...
Teríamos continuado a falar mas os “nossos mais que tudo” aproximaram-se e a conversa passou a ser partilhada a quatro.
Estávamos já sentados num café a lanchar quando passou-me assim pela cabeça ir até à praia... adoro ver o por-do-sol sentada na areia e ao partilhar a minha ideia esta foi de imediato aceite, foi o Ruben que escolheu a praia uma vez que partilhamos do mesmo gosto e já o tinha colocado em prática desde que está em Braga.
Resolvemos ir os quatro no mesmo carro e como era o do Ruben que estava mais perto não nos foi difícil decidir já que deu-me a preguiça de ar, o que em mim é estranho...
A viagem até à praia foi animada uma vez que os rapazes conseguiram passar o caminho todo a implicarem um com o outro e assim que chegamos depressa nos sentamos na areia onde conversamos bastante mas também namoramos, confesso que estava a adorar estar sentada na frente do Ruben a receber os seus mimos e por mim teria continuado mas os “putos” começaram a implicar novamente um com o outro até que se levantaram iniciando uma nova picardia... tanto eu como a Tânia só nos riamos das figuras deles mas após um bocado acabei também por entrar na picardia e quando dei por isso já tinha o Ruben a correr atrás de mim... ora aquilo só terminou quando conseguiu apanhar-me o que não foi difícil e assim que o fez pegou-me ao colo, momento que a Tânia ainda quis “registar” com uma foto mas já não foi a tempo no entanto a ideia agradou-me e acabei por lhe fazer sinal para estar atenta... e na primeira oportunidade saltei literalmente para as costa do Ruben tendo como resultado final uma bela foto, não resisti e tive de partilhar... lógico que a “agarrada” da minha prima não perdeu tempo a comentar
Com tanta brincadeira anoiteceu por completo o que nos obrigou a regressar a Gaia para o Miguel e a Tânia irem buscar o carro. Chegamos ao nosso destino e despedirmo-nos deles uma vez que seguíamos caminhos opostos. Quando chegamos ao apartamento confesso que estatelei-me no sofá e só de lá saí quando o Ruben chamou para o jantar.
- Bem... tu não estás a comer... estás mesmo a aspirar a comida... tem lá calma que se não chegar faço mais! - implicou por estar a comer tão depressa mas a verdade é que o passeio a pé acabou comigo fisicamente e abriu-me o apetite de uma forma assustadora.
- Vai gozar com outra...
- Não estou a gozar... estou mesmo a constatar um facto... parece que não comes há dias!!
- Ai... estou com fome...
O Ruben sorriu mas já não respondeu, jantamos com alguma conversa à mistura e no fim ajudei-o a arrumar a cozinha para de seguida receber os seus mimos já no sofá. Estávamos simplesmente a namorar, beijinho aqui... beijinho ali... e quando começou a animar o telemóvel tocou, por ser a Anabela o Ruben teve que atender ou então já sabíamos que iríamos deixar os nervos dela em “franja”.
Enquanto o filhinho falou com a mamã fui até ao quarto mudar de roupa e foi no momento que olhei-me ao espelho que algo passou-me pela cabeça...
- Ah... estás aqui! - despertei dos meus pensamentos assim que senti os braços do Ruben em volta da minha barriga.
- Ui... quem te ouvir falar ainda pensa que vives numa casarão em que é fácil nos perdermos! - gozei levando-o a rir.
- Estamos muito animadas...
- É... o efeito Amorim... - gargalhou para logo depois beijar-me, lógico que não demorou muito para que retirasse a pouca roupa que ainda tinha no corpo e acabamos por nos amarmos mais uma vez.
- Que se passa??
- Nada...
- Mariana estás distante...
- Tou nada!
- Ok... não estás distante... estás mesmo SÓ pensativa! - sorri de facto ele tinha razão...
- Porquê que não queres ser pai nos próximos anos?? - atirei e apanhei-o completamente na curva, notei isso pela forma como reagiu... o Ruben fixou o seu olhar no meu...
- Qual é mesmo o motivo de tal pergunta??
- Curiosidade...
- Mariana... - o Ruben sentou-se na cama mas sempre a encarar-me - não estás grávida... pois não??
- Perguntei primeiro! - atirei numa tentativa de esquivar-me à sua pergunta.
- Responde!
- Hey... tem lá calma contigo... só fiz uma pergunta... não precisas falar-me com essa agressividade toda! - resmunguei ao sair da cama e consequentemente do quarto.
- Mariana... - chamou-me ao entrar na sala - hey... estás a ouvir-me - falou ao abraçar-me... abraço do qual desviei-me - não acredito nisto... agora vais amuar, é?
- Não... não vou! Mas não gostei do teu tom de voz e muito menos dessa agressividade toda quando só fiz uma pergunta por curiosidade... afinal já ouvi por diversas vezes falares que não queres filhos nos próximos anos mas não sei o motivo!
- E porquê que te lembraste disso agora?
- O problema não é o momento que escolhi para perguntar mas sim não quereres falar no assunto mas tudo bem... deixa... não preciso que respondas!
Ripostei e acabei por deixá-lo sozinho, fui para a cama e quando lá chegou já estava deitada. O Ruben ainda tentou compor as cenas mas não lhe dei abertura para tal, afinal magoou-me com a sua atitude, não lhe fiz pergunta nenhuma de outro mundo e se não quisesse falar só tinha que dizer isso mesmo... agora responder-me com sete pedras na mão foi abuso!
Acordei nas primeiras horas de Domingo e com as palavras do Ruben bem presentes na cabeça “...não estás grávida... pois não??” ainda tentei esquecê-las mas começou a revelar-se tarefa quase impossível por isso mesmo decidi levantar-me e sem fazer barulho vesti um fato de treino dele e saí para caminhar, dei algumas voltas ao quarteirão e no regresso passei por uma pastelaria para comprar uns croissant.
Cheguei ao apartamento já o Ruben estava acordado e assim que o vi pediu-me desculpas, acabei por dizer para esquecer o assunto e pelos visto era mesmo o que ele queria pois não insistiu mais em saber o motivo que levou-me a perguntar tal coisa, mas se ele conseguiu esquecer ou pelo menos deu a entender que o fez eu já não posso dizer o mesmo... passei o dia de Domingo a relembrar-me vezes sem conta da reacção dele e foi a pensar nisso que fiz a viagem toda de regresso a Lisboa.
Assim que cheguei a casa “aterrei” na cama e só de lá saí no dia seguinte para ir trabalhar, basicamente enfiei a cabeça no trabalho numa tentativa falhada de esquecer a dúvida que a cada dia que passava tornava-se mais certeza.
A sexta-feira chegou e com ela o regresso da Maria a Portugal. Cheguei a casa e ao contrário do que a minha cabeça pedia... que era isolar-me no quarto obriguei-me a ir até à sala onde encontrei a minha prima e o João divertidos a jogar na play que nem dois putos, sorri ao relembrar-me do passado.
- Então priminha... - o João levantou-se e abraçou-me
- Hey... larga-me - empurrei-o - que não sou osso...
- Ui... que se passou?
- Nada Maria... nada!
- Bem... Maria então espero por ti para almoçarmos amanhã mas agora tenho de ir... - o João despediu-se da Maria e apesar da tentativa dele em disfarçar que só se estava a ir embora porque percebeu que precisava da minha prima, esta foi falhada no entanto não lhe disse e também me despedi dele.
- Agora nós! - ouvi de imediato a Maria assim que a porta do nosso apartamento se fechou.
- Nós nada... venho completamente de rastos e só quero cama!
- De rastos já vi que vens... e se queres cama bora... - puxou-me pelo braço e fomos até ao quarto - deita-te... - suspirei ao perceber que não iria desistir - prima que se passa? Parece que foste atropelada por um camião...
Não consegui dizer nada simplesmente desabei num choro sem fim à vista, a Maria depressa reagiu e senti os seus braços em volta do meu corpo, acabei deitada na cama abraçada a ela e só umas horas depois é que consegui falar.
- Estou com um atraso!
- Hã? Estás atrasada para o quê?
- Maria...
- Nah... não pode... tu grávida? AIIIIIIII que FIXEEEEEE e o Ruben o que disse? - alegria dela só fez com que regressasse a um choro profundo - hey tem calma... oh prima não é o fim do mundo e além disso quem anda à chuva molhasse... - não consegui dizer nada, as palavras não saiam - ok... o tio vai-se passar mas quando tiver o neto nos braços vai babar e deixa-vos de chatear...
- PÁRAAAAAAAA! - gritei levando a minha prima a dar um salto - o Ruben não quer este filho... e... e eu não sei se consigo aguentar isto tudo sozinha - voltei ao choro.
- Tens a certeza do que falas? Prima não estou a ver o Ruben a renegar um filho ainda mais TEU.
- Pois... mas parece que não quer filhos nos próximos anos...
- Hã?? Oh Mariana ele já sabe??? - abanei a cabeça negativamente - então como é que falas que o Ruben não quer...
- Porque por várias vezes ouvi-o a dizer que não quer filhos nos próximos anos e quando estive em Braga encontramos o Miguel... ele vai ser pai... - respirei profundamente para conseguir continuar - quando cheguei a casa e estava a despir-me olhei ao espelho - falava por entre soluços - lembrei-me que já devia ter vindo... e não veio e quando perguntei ao Ruben o motivo dele não querer filhos... ele reagiu super mal... e ainda teve o descaramento de perguntar em tom de ameaça se estou grávida...
- Ah já estou a ver e tu calaste-te... Mariana o Ruben tem de saber!
- Não... não vou contar e tu também não!
- Mariana!
- Mariana nada... eu já sei como vou resolver isto...
- Nem penses... é que nem te passe pela cabeça abortares e muito menos sem falares com o Ruben antes...
- Para quê??? Ele deixou bem explícito que não quer...
- Isso não lhe retira o dever e o direito de saber... além disso tens a certeza que estás grávida??
- Estou com um atraso de dias...
- Ok... mas primeiro vais acalmar-te e amanhã fazes um teste... depois logo pensamos no que fazer até lá tens de descansar...
- Não há nada a pensar! Só há uma solução...
- Mariana...
- Chega! Não quero ouvir mais nada... deixa-me sozinha... por favor - implorei e não sei se foi por isso mas a Maria deixou-me sozinha.
Acabei por adormecer sem jantar e por isso acordei durante a noite cheia de fome, ainda tentei ignorar mas foi impossível, levantei-me e fui comer para regressar à cama onde passei o resto da noite às voltas sem conseguir adormecer, a ideia de ter um bebé dentro de mim estava a deixar-me em pânico e a única vez que estive assim foi na altura que descobrir que podia estar infectada...
***
- Mariana... toma! - a Maria entrou na cozinha com um teste de gravidez na mão - faz!
- Não!
- Juro que estou a perder a paciência contigo - bufou - já se passou dias desde que desconfiaste que podes estar grávida e tanto quanto sei a desconfiança mantém-se por isso...
- Desaparece! Deixa-me sossegada!
- Prima... quanto mais depressa tirares a dúvida melhor... e além disso o tio Jorge já percebeu que não andas bem... se comenta com o Ruben lá vai o teu esforço em disfarçares que estás na lama perante o teu namorado e possível PAI DESSE FILHO!!
- Não aguento mais isto...
Saí disparada de casa, sei que a Maria só quer ajudar mas a pressão que está a exercer só piora as coisas... tenho medo de fazer o teste e ter a confirmação do que desconfio... se passar de duvida a certeza terei que decidir o que fazer e sinceramente é algo para o qual não estou preparada...
Andei a “vadiar” a manhã toda à beira Tejo e só regressei a casa por pensar que a Maria já não estivesse lá mas enganei-me, tinha-a à minha espera e com a porcaria do teste ao lado, voltei a recusar fazê-lo e fechei-me no quarto. A Maria ainda tentou insistir mas acabou por desistir e nos dias seguintes não falou mais no assunto.
***
Estava deitada e completamente absorvida nos meus pensamentos quando ouvi a porta a abrir mas por pensar tratar-se da Maria nem olhei no entanto achei estranho o silêncio e uns minutos depois...
- Mariana... - pulei da cama assim que ouvi a voz do Ruben.
- Ah... o que é que estás aqui a fazer?
- Não sei... diz-me tu! - olhei-o - Mariana já percebi que andas estranha... só não vim antes porque não deu!
- Ando só cansada! Aliás já te tinha dito!
- Se fosse só cansaço teria sido recebido de outra forma... nem um beijo me deste - falou desanimado.
- Desculpa... - obriguei-me a mim mesma a beijá-lo.
- Mariana... quero a verdade! E nem digas que não é nada porque não sou parvo...
- Epa mas vieste cá para azucrinar-me a paciência, foi?
- Não... vim cá para ouvir da tua boca aquilo que tens para dizer...
- Não há nada para ser dito!
- Ok - respirou pesadamente - se é assim que queres... - hesitou uns segundos - Mariana não sou assim tão tapado... - olhei-o - é verdade que quando perguntaste o motivo de não querer filhos não reagi da melhor forma mas...
- Esquece! - olhou-me - Esquece este assunto...
- Esqueço nada!! Mariana - olhei-o - quero a verdade...
- Qual verdade?? A que posso carregar neste momento o teu filho mas que vais rejeitar, é??
- NÃO - gritou talvez por também estar a falar uns decibéis acima do normal - NÃO VOU REJEITAR O NOSSO FILHO - tê-lo aos gritos fragilizou-me de tal forma que comecei a chorar e talvez por isso o Ruben acalmou - Desculpa... - tentou aproximar-se de mim mas afastei-o - Mariana... amor - suspirou - não é bem a verdade que quero... é mesmo a certeza... faz o teste!
- Para quê??
- Quero acabar com esta agonia...
- Agonia??? O teu filho é uma agonia?? SAI...
- Sim agonia... só de pensar que posso ser pai e não vou acompanhar de perto todos os momentos... incluindo a gravidez fico na merda... porque se estou longe a culpa é só minha... fui um otário e agora pouco ou nada posso fazer para mudar isso - o Ruben aproximou-se de mim e colocou uma das mãos na minha barriga o que provocou-me um arrepio tremendo - Mariana não aguento ficar mais tempo sem saber se estás ou não grávida e ao contrário do que pensas VOU AMAR o NOSSO BEBÉ tal como te amo a ti - sorri ao ouvi-lo, foi impossível não o fazer ao perceber o motivo pelo qual o Ruben reagiu mal quando questionei os seus motivos para não querer ser pai num futuro próximo, afinal estava só a pensar no bem dos três, tê-lo na minha frente e com a mão na minha barriga fez-me despertar para a realidade - Onde vais?? - perguntou assim que tentei sair do quarto.
- Sei que há algures cá em casa um teste... a Maria já o comprou - suspirei - vou fazê-lo...
O Ruben seguiu-me e quando entrei na sala encontrei a Maria já com o teste na mão peguei na caixa e sentei-me no sofá, confesso que faltou-me as forças ou talvez a coragem e precisei de uns minutos que foram respeitados pelos três, sim que o João também estava lá...
- Anda - o Ruben falou - vou contigo!
- Não! - respondi de imediato - Fica aqui - baixei o olhar - não consigo fazê-lo contigo do meu lado...
- Mariana a estares grávida sou tão responsável quanto tu por isso quero estar do teu lado... - olhei para a minha prima e encontrei-a a sorri ligeiramente talvez porque já tinha dito que o Ruben iria apoiar-me incondicionalmente.
- Eu faço o teste e depois vemos o resultado os quatro ao mesmo tempo - pedi por estar cheia de medo que desse positivo, no fundo também não queria este filho, ainda temos tanto para viver e o Ruben tinha razão... uma gravidez agora connosco “longe” seria complicada.
- Se preferes assim...
Já não respondi, peguei na caixa e retirei o teste para sair da sala directa à casa de banho e quando lá cheguei tive uma surpresa...
- Dá cá... - o Ruben pediu assim que entrei novamente na sala.
- Não estou grávida - esclareci de sorriso no rosto afinal estava aliviada.
- Onde é que está o teste? - o Ruben perguntou de imediato.
- Não o fiz...
- Mariana... se não fizeste o teste como é que sabes que não estás??
- Oh prima... que pergunta estúpida - gargalhei ao ver a cara deles - talvez porque quando cheguei lá percebi que o Ruben vai regressar a Braga sem ter “festa”... - eles continuavam a olhar-me com cara de quem não estavam a entender - hey... acordem... apareceu-me o que andava atrasado...
- Não é melhor ires ao hospital? - olhei para o Ruben sem entender - Mariana... isso não será um... - calou-se mas percebi onde queria chegar.
- Não! Acredita que sei bem o que é sofrer deste mal por isso... não nunca estive grávida e não estou a ter nenhum aborto... tive sim um atraso de duas semanas...
- Isso não é normal em ti! - olhei-o admirada - Mariana já namoramos à tempo suficiente para ter percebido que és tipo relógio suiço... - gargalhei perante a expressão que usou - não é para rir... estou preocupado!
- Tem lá calma... sim é verdade que o meu ciclo sempre foi certinho mas desta vez resolveu pregar-me uma partida...
- Mariana... andavas a comer mais... sempre cansada... e até desejos de francezinhas tiveste...
- Que filme que vai nessa cabeça... Ruben não estou nem nunca estive grávida e não estarei nos próximos anos, podes respirar de alivio e regressar a Braga!
- O que é que queres dizer com isso??? Amor... desculpa sei que fui estúpido... que devia ter percebido mais cedo mas eu amo-te...
Não o deixei continuar a dizer ou melhor a pensar disparates e uni as nossas bocas, desta vez num beijo decente e carregado de saudade, afinal já há quinze dias que não estávamos assim juntos e quando reparamos a Maria e o João tinham saído da sala, aproveitamos para matar saudades um do outro ainda que de forma contida.
O assunto gravidez não foi mais tema de conversa e quando chegou o momento de fazer o jantar fui ajudar a minha prima que aproveitou para averiguar os possíveis “estragos” mas tranquilizei-a ao afirmar que estava bem.
Jantamos os quatro e no fim enquanto fui para o quarto com o Ruben, estávamos os dois a precisar de sossego depois de tudo... lógico que não nos privamos no que toca à troca de mimos e apesar de não podermos ir muito além as cenas já estavam bem quentes
quando ouvimos o meu pai a chamar-me - Mariana Andreia Gonçalves Mendes - mas não tivemos tempo sequer para reagir pois o Sr. Manel já estava dentro do quarto e se não fosse o Ruben ter reagido de imediato teria sentido a mão do meu pai...
- Mas você está parvo! - o Ruben gritou ao mesmo tempo que lhe agarrou o braço e momentos antes do meu quarto ser invadido pela Maria, João e pela minha mãe que ficou chocada.
- Tu não te metas! Que deixo a "conversa" com ela e "falo" mas é contigo!
- Por acaso está a ameaçar??? - o Ruben deu um passo em frente e só não se encostou ao meu pai porque o puxei para trás ainda assim… - Não tenho medo e além disso só passando por cima de mim é que toca na sua filha!
- Que bonito… primeiro desgraça a vida dela e depois arma-se em Dum Ruam…
- Mas quem é que você pensa que é para falar assim??
- Um pai que perdeu a filha - não estava a acreditar no que ouvia mas fui incapaz de o calar - mas a culpa é minha… sim minha… - o meu pai começou a divagar sozinho - minha porque nunca devia ter permitido que o badameco se aproximasse de ti...
- Manel… - ouvi a voz da minha mãe - já chega… vamos embora…
- Embora? Antes disso tenho umas verdades a dizer - olhou-me e confesso que arrepiei-me - és a vergonha desta família… manchaste o nome dos Mendes… pergunto onde é que errei… quando é que perdi a minha filha… aquela que se dava ao respeito - senti as lágrimas a escorrerem pela cara o meu pai estava a renegar-me e talvez mesmo a odiar-me… - não bastava já envolveres-te com um badameco que pelo que se sabe não é homem de uma mulher só como ainda…
- Chega... você não é ninguém para o julgar - se até ao momento aguentei calada quando o ouvi criticar o Ruben tive que falar - principalmente quando a sua própria filha… sim EU… EU fiz o mesmo ou pior ainda que o Ruben… e sabe… fi-lo debaixo das suas barbas… quando fui para Faro há muito que sabia o que era sexo… ao contrário do que pensa o perigo nunca foi o Ruben… porque quando o conheci já tinha sido desonrada e se quer saber… foi mesmo debaixo do seu teto… como vê não é este badameco que desgraçou a imagem de filha perfeita que você construiu durante anos muito pelo contrário… foi este badameco que fez essa tal de Mariana que você julgava conhecer virar realidade… foi pelo Ruben que deixei de andar a pular de cama em cama, foi por ele que regressei a Lisboa… sim… ao contrário do que pensa nunca foi pela família Mendes no fundo mas bem lá no fundo queria isto que tenho hoje… queria recuperar o que no passado perdi por ser tão cabeça de vento… por isso não lhe admito que condene o meu namorado por ter tido outras mulheres… não sei os motivos que o levam a dizer que o Ruben não é homem de uma mulher só e nem estou interessada em saber no entanto garanto-lhe que sou suficientemente MULHER para que ele não precise procurar fora o que muitas não dão em casa aos seus homens porque aqui a “Virgem Mariana” dá-lhe tudo o que precisa apoio, amizade, amor e sexo… sim sexo que por sinal você interrompeu e agora pode sair para não voltar mais a esta casa…
Aquele que durante anos chamei de pai saiu sem dizer nem mais uma palavra e assim que deixei de o ver “desabei” num choro profundo nunca pensei que tivesse que “romper” com o meu pai para ficar com o Ruben mas uma coisa é certa… pai é alguém que fica para sempre nas nossas vidas mesmo quando se diz o contrário porque amor de pai e filha nunca acaba já amor entre duas pessoas de sexos opostos ou até do mesmo quando não é “cuidado” acaba por “morrer” que nem erva quando é pulverizada com veneno… e o que o meu pai veio fazer hoje foi tentar “matar” o que tenho de mais sagrado na minha vida… o amor que me une ao Ruben e que “salvou-me” da vida boémia que levava…
E agora?? Bem Agora não percam o próximo capítulo.... porque nós também não...


Ora bolas! Estamos de boca aberta!
ResponderEliminarIsto é que é um capítulo cheio de emoções!
Fogo! Ainda estamos a tentar arranjar palavreado para comentar, mas está difícil...
Adorámos, pronto! Acho que chega para comentar... (ou não!)
Acho que se tivesse um pai assim fazia o mesmo que ela.
Ah e o vosso comentário final arrasou por completo. lol
Beijinhos!
Mariana e Vanessa
Ai meninas, meninas... isto é de deixar uma pessoa sem respiração!!
ResponderEliminarSe o meu pai viesse com uma dessas para cima de mim, eu não tinha a coragem e os toma..s que a Mariana teve.
Espero o próximo.
Besos.
Ana Patrícia
:OOOO
ResponderEliminarEspera, porque ainda não estou em mim lol já li, reli e não consigo encontrar as palavras certas. Que capítulo foi esse? Sem palavras até agora o.O só me resta dizer que quero mais, e que curiosa é pouco para me definir em relação a vontade de saber o que vai acontecer de agora em diante!
Beijos! :*
GabiiS.
ADDDDDDDDDDDDDOOOOOOOORRRRRRRRRRRRRREEEEEEEIIII!
ResponderEliminarEstava fantástico então quando o pai entrou no quarto fiquei... isto não vai em dar coisa boa lool
Gostei de ver o Rúben a enfrentar o Senhor Manel,mas tenho de confessar que adorei mesmo o que a Mariana falou,sem medos.
Quero mais e rápido meninas!!
Beijinhos
Rita
Fantastico adorei.fico a espera do proximo.bjs
ResponderEliminarfantastico...
ResponderEliminarquero mais... tou super curiosa para ver o proximo... tenho pena de a mariana nao estar gravida...
continua... cada vez ta melhor...
'Tava eu já, a fazer filmes com a Mariana grávida lol Á espera do próximo. Continuem :-)
ResponderEliminarOh MM'S mas isto por acaso acaba-se desta maneira :o ??
ResponderEliminarE sabem eu continuo a achar que a Mariana está grávida :)
E o Rúben a fazer frente ao pai da Mariana foi tão avfekvgbvr :$
Mas não percebi bem porquê que o pai da Mariana escolheu exactamente aquele momento...
Agora anda tudo com azar
-A Maria tem a sogra que não gosta dela
-O Rúben tem o sogro que não gosta dele
-O João tem o "problema" Sérgio que agora anda a melgar
-A Mariana tem o Rúben longe e o pai que lhe disse que perdeu a filha
Mas pronto, estou MUITO ansiosa pelos próximos capítulos porque como já disseram, não há palavras para os descrever...
Beijinhos^^
Lindo
ResponderEliminarAdorei
Bem a Mariana estava on fire muito bem respondido, pai é pai mas de vez em quando precisa de ouvir as verdades :D
ResponderEliminarE acho que eles os dois estão mais que preparados para o bebé, vão ser ótimos pais, pk ela está grávida não está? Diz que sim ... LoL
Abreijos
PatriciaQ
Um capitulo emocionante do principio ao fim, o pai da Mariana desta vez esticou-se mesmo, mas ela disse-lhe tudo o que tinha entalado na garganta durante tantos anos. O Ruben defendeu a sua dama, grande homem, mas ainda gostava de saber porque é que o pai dela tem um ódio tão grande ao Ruben.
ResponderEliminarAdorei
Beijocas
Fernanda